Muitos anos atrás, eu estava em uma festa conversando com duas gatinhas (sim, isso foi há tanto tempo que ainda se usava o termo “gatinha”).   A coisa ia em ritmo promissor e firmava-se uma boa possibilidade de eu conseguir rebocar alguma delas (ou idealmente as duas  🙂 ), quando surgiu na conversação um tema, para elas, profissional: a natureza da História, enquanto disciplina (já que ambas eram historiadoras).

O peixe morre pela boca, e o conquistador barato também.   Em determinada altura, o incauto “eu” de 25 anos atrás soltou o conceito-bomba:

_ A História é muito similar ao jornalismo, só que em outra escala.

Ocorre que as duas historiadoras não gostaram nada dessa idéia, francamente, é uma vulgarização do que é a História, e tal.  E eu voltei sozinho pra casa.

Bem, hoje, o historiador Juan Cole, especialista em Oriente Médio, e que está cobrindo os acontecimentos no Irã em detalhe, me solta essa:

An eyewitness writes from Tehran an account of Monday’s massive demonstration for Mousavi. I am not including his name because we don’t know how this will turn out and as a historian I have a duty to protect my interviewees, but it is not anonymous.” [grifo meu]

Um historiador que protege as fontes?  Estou vingado.  Na medida do possível, porque, como diz o Pacheco, o canalha da repartição(*), uma transa perdida está perdida para sempre, sniff.

(*) copirráite Sérgio Leo

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