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Tio Rei se supera, hoje, em seu necrológio em vida de Sarney (muy “originalmente” intitulado “O Outono do Oligarca”):

Sim, sei bem, ele é quem é: pertence ao neocoronelato brasileiro — a esta altura, já tornado velho também. A idade e a posição alcançada no establishment lhe facultavam a possibilidade de ser, vejam que coisa, uma espécie de modernizador do conservadorismo, da tradição, escoimando dela as velharias e buscando um diálogo com o novo. Em vez disso, viu-se o quê? A emergência do poder petista, com sua propensão para dar liderança nova aos velhos vícios e acrescentar vícios inéditos ao estoque antigo, viu em Sarney um bom esteio.

Os magos do petismo apostaram, não sem razão, que ele poderia ser a voz daquele Brasil profundo, velho mesmo, arcaico, aferrado ao mandonismo, desta feita, mandonismo da periferia do poder, dos arrabaldes —, mas ainda com ampla representação no Congresso. E resolveram usá-lo como pilar da nova ordem. E ele aceitou ser esse pilar. Em torno dele, agregou-se o que há de mais arcaico na política brasileira, mas agora abrigado no guarda-chuva do “progresso” petista.  Sarney e seus aprendizes, como Renan Calheiros, foram se transformando na cara do Congresso: defesa de privilégios inaceitáveis, desmandos, descuido com o dinheiro público. Enquanto isso, Lula, o demiurgo, o Tirano de Siracusa dos delírios de Marilena Chaui, triunfa sobre toda coisa viva, diante de um Congresso desmoralizado.

O gigantesco poder conferido a Sarney na era Lula não é apenas o preço a pagar pela governabilidade, que requer a aliança com o PMDB etc e tal. Esse argumento é velho. Sarney é a face não edulcorada do statu quo com o qual o petismo se acertou, no qual se deu bem. Não estivesse a academia brasileira (com exceções, sei disso) contaminada pela vigarice submarxista, que produz mais ideologia do que saber, essa era Lula estaria sendo examinada a partir de seus atores. E talvez se chegasse com facilidade à constatação de que vários atrasos se misturam: corporativismo, estatismo assistencialista, patrimonialismo renitente e, curiosamente, mercadismo (que não é economia de mercado; ao contrário: não gosta muito disso, não…).” [grifos meus]

Tio Rei parece “esquecer-se” que:

– Sarney presidiu o Senado _ como aliado _ de Fernando Henrique Cardoso.

– Renan Calheiros foi Ministro da Justiça _ como aliado _ de Fernando Henrique Cardoso.

Mas vai ver naqueles tempos eles não eram atrasados, eram moderninhos, e a “governabilidade” era algo unheard of.

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Ontem mesmo discutia com minha consorte (ou, segundo alguns engraçadinhos, minha conazar) sobre a idéia da gente embarcar na onda da genética popular e encomendarmos um teste genético, tal como o provido por empresas como 23andMeNavigenics, ou DecodeMe.  Pois não é que a sincronicidade universal me mandou este artigo sobre Francis Collins, um cientista que fez um exame nas 3 empresas para avaliar a qualidade dos seus resultados?

Collins, who played a central role in the Human Genome Project and is rumored to be the next head of the National Institutes of Health, announced at the Consumer Genetics Conference in Boston last week that he had had his genome analyzed by the big three of direct-to-consumer genetic testing: 23andMe, Navigenics, and DecodeMe. He ordered the tests under a fake name, lest the genomics superstar get special treatment. His speech at the conference was the first time the companies heard that they had had Collins’s DNA in hand.

Collins said that sequence-wise, the tests “appear to be highly accurate”: there were almost no differences in the genotype information generated in the three different analyses. But there were significant differences in the numbers of genetic variations used to calculate disease risk, as well as the final risk score. For example, one company used 5 single nucleotide polymorphisms, or SNPs, to calculate risk for a particular disease, pronouncing Collins at low risk. Another used 10 SNPs, placing him at high risk, and the third used 15, concluding that he is at average risk. Collins also said that the analyses provided little information on his “carrier status,” meaning whether he carried genetic risk factors that didn’t influence his own risk of disease but could be passed down to future generations.” [grifo meu]

De volta à prancheta de desenhos.

Thomas Erdbrink, correspondente do Washington Post que está no Irã, joga um balde de água fria na idéia de que “a revolução será twitterizada” neste chat que ocorreu ontem:

Pittsburgh, Pa.: Will the protests spark a real revolution in Iran? The first Twitter revolution!

Thomas Erdbrink: people here rarely use twitter.”

***

Mais sobre isso no Daniel Drezner.

Muitos anos atrás, eu estava em uma festa conversando com duas gatinhas (sim, isso foi há tanto tempo que ainda se usava o termo “gatinha”).   A coisa ia em ritmo promissor e firmava-se uma boa possibilidade de eu conseguir rebocar alguma delas (ou idealmente as duas  🙂 ), quando surgiu na conversação um tema, para elas, profissional: a natureza da História, enquanto disciplina (já que ambas eram historiadoras).

O peixe morre pela boca, e o conquistador barato também.   Em determinada altura, o incauto “eu” de 25 anos atrás soltou o conceito-bomba:

_ A História é muito similar ao jornalismo, só que em outra escala.

Ocorre que as duas historiadoras não gostaram nada dessa idéia, francamente, é uma vulgarização do que é a História, e tal.  E eu voltei sozinho pra casa.

Bem, hoje, o historiador Juan Cole, especialista em Oriente Médio, e que está cobrindo os acontecimentos no Irã em detalhe, me solta essa:

An eyewitness writes from Tehran an account of Monday’s massive demonstration for Mousavi. I am not including his name because we don’t know how this will turn out and as a historian I have a duty to protect my interviewees, but it is not anonymous.” [grifo meu]

Um historiador que protege as fontes?  Estou vingado.  Na medida do possível, porque, como diz o Pacheco, o canalha da repartição(*), uma transa perdida está perdida para sempre, sniff.

(*) copirráite Sérgio Leo

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