Kieran Daly, editor do informativo Air Transport Intelligence e dono do blog Unusual Attitudes (sobre aviação), tem uma opinião bem parecida com a minha sobre qual será provavelmente a lição final do acidente, em uma matéria para a CNN:

The key question is perhaps not why the aircraft finally went out of control, but how it came to be where it was in the first place.

Did the crew appreciate the full extent of the wide band of storms confronting them? If they did not, then why not? And if they did, then did they take appropriate action?

This is not to imply that they made errors. Even with today’s extremely sophisticated onboard weather radars, divining the true extent and power of a storm system remains an imperfect science, and some storm systems are simply not fully detectable by the radar.

Even if they did suspect trouble lay ahead, would any crew have felt comfortable taking the unusual decision to make a huge diversion around the system while out of radar range, or even to turn back?

What is also certain is that once they penetrated the storm, they were in a situation in which we know for a fact other A330s had suffered serious difficulties.

The A330’s Pitot tube — which in simple terms measures its speed through the air — has proved unusually susceptible to icing and an improved model has been gradually fitted to the fleet, though not to the aircraft in question.

An iced-up Pitot tube deprives the pilots and the aircraft’s automatic systems of airspeed information, making the aircraft much harder to fly and preventing numerous onboard functions from working properly — a highly plausible explanation for the string of error messages sent by the aircraft shortly before the crash.

As it happens, an unusually detailed account of what happens in those circumstances has turned up in the form of an internal memo written in French last December by the safety office of the small airline Air Caraibes Atlantique, which suffered the phenomenon twice in quick succession.

They called a meeting with Airbus in which the airline’s flight managers pointed out not only what had happened, but also the difficulty of understanding the immediate actions that Airbus recommended pilots should take. I’ve read it, and it is decidedly confusing.

Now picture the crew of AF447 struggling with that unfamiliar checklist at night, in a cockpit hammered by severe turbulence, possibly lightning, with no airspeed information and numerous warning lights and alarms sounding.

It is difficult to imagine many bigger challenges for a pilot, and anything short of near-perfect execution would have the potential for loss of control.

But the fact remains that this is today speculation.” [grifo meu]

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UPDATE:

Por cortesia do nosso dileto comentarista He Will Be Bach, vai abaixo do fold uma tradução do texto aí em cima:

A questão principal é talvez não por que o avião saiu de controle, mas como aconteceu de ele estar onde estava em primeiro lugar

A tripulação avaliou a total extensão da ampla banda de tempestades que os confrontava? Se não, então por que não? E se sim, então eles tomaram ações apropriadas?

Isto não é para insinuar que eles cometeram erros. Mesmo com os radares climáticos de bordo extremamente sofisticados de hoje, adivinhar a real extensão e poder de um sistema de tempestade permanece uma ciência imperfeita, e alguns sistemas de tempestades simplesmente não são totalmente detectáveis pelo radar.

Mesmo que eles tivessem, sim, suspeitado de problemas à frente, porque qualquer tripulação se sentiria à vontade em tomar a incomum decisão de fazer um enorme desvio ao redor do sistema enquanto fora do alcance do radar, ou mesmo de voltar para trás?

O que é também certo é que uma vez que eles penetraram a tempestade, eles estavam numa situação na qual temos por certo que outros A330s sofreram sérias dificuldades.

O tubo Pilot do A330 – que em termos simples mede sua velocidade através do ar – provou-se surpreendentemente suscetível a congelamento e um modelo melhorado tem sido gradualmente adaptado para a frota, mas não para a aeronave em questão.

Um tubo Pilot congelado priva tanto o piloto quanto os sistemas automáticos da aeronave de informação de velocidade do ar, tornando a aeronave muito mais difícil de pilotar e impedindo diversas funções de bordo de operar adequadamente – uma explicação altamente plausível para o fluxo de mensagens de erro mandadas pela aeronave pouco antes da queda.

De qualquer modo, um relato anormalmente detalhado do que acontece nestas circunstâncias veio à tona na forma de um memorando interno escrito em francês no último dezembro pelo oficial de segurança da pequena linha aérea Air Caraibes Atlantique, que sofreu o mesmo fenômeno duas vezes em rápida sucessão.

Eles convocaram uma reunião com a Airbus na qual os gerentes de vôo da linha destacaram não apenas o que aconteceu, mas também a dificuldade de entender que ações imediatas o Airbus recomendava que os pilotos tomassem. Eu li esse registro, e é decididamente confuso.

Agora imagine a tripulação do AF447 dando duro contra um registro fora do comum à noite, num cockpit martelado por uma violenta turbulência, possivelmente raios, sem informação de velocidade aérea e diversas luzes de aviso e alarmes soando.

É difícil imaginar muitos outros desafios maiores para um piloto, e, nesse caso, qualquer ação sem execução quase perfeita teria o potencial de perda de controle.

Mas o fato é que isto continua sendo a especulação de hoje.