Há informações muito desencontradas na mídia.  O Estadão anunciou que os destroços recolhidos no mar pela Marinha não são do avião da Air France.  Mas o Valor tem uma matéria com o oficial responsável pela operação que dá um tom ligeiramente (e preocupantemente) diferente:

SÃO PAULO – O tenente-brigadeiro Ramon Cardoso, diretor do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) da Aeronáutica, afirmou que os destroços recolhidos hoje por um helicóptero da Força Aérea Brasileira (FAB) no Oceano Atlântico não são do Airbus A330-200 da Air France, que caiu na noite de domingo com 228 pessoas a bordo.

“Nenhum material do avião foi recolhido”, afirmou Cardoso. “O que nós vimos foram materiais pertencentes a uma aeronave que foram deixados por causa da prioridade de busca de corpos, mas até o momento nenhum pedaço da aeronave foi recuperado.”

O objeto recolhido hoje era um palete, de madeira, usado em aviões para acomodação de cargas. No entanto, a informação divulgada pelo brigadeiro é de que não havia paletes nesta aeronave.

Mesmo assim, ele disse que as buscas têm encontrado diversos destroços do avião, que não foram recolhidos até agora, porque a prioridade era procurar sobreviventes ou corpos. “A probabilidade de encontrar destroços é a mesma, porque sempre estamos fazendo o avistamento de destroços. No início, nós estávamos deixando que os destroços passassem, porque estávamos mais interessados em tentar descobrir sobreviventes ou corpos”, afirmou Cardoso, que ressaltou que é cada vez menor a possibilidade de corpos serem encontrados por causa do tempo que passou após o acidente.

“Agora, nós vamos dar uma atenção maior para o recolhimento desses destroços. A partir de amanhã, vamos poder divulgar um pouco mais sobre o que nós encontrarmos, porque já estamos com todos os meios na área para fazer a coleta”, afirma.

Francamente, acho bastante estranha essa “prioridade”.  Se corpos fossem achados logo de início, tudo bem.  Mas o fato de que os “destroços” são na realidade lixo indica que provavelmente a busca está sendo feita no lugar errado e, nesse caso, porque procurar corpos ali?

Não resgatar todos os destroços encontráveis é uma irresponsabilidade.  Mas também pode ser sinal de que a grande quantidade de lixo no mar está gerando falsos positivos e desestimulando a busca.

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UPDATE:

Cresce a convicção, entre os especialistas, que a recuperação da caixa preta que contém os dados do vôo não será tão imprescindível, graças às mensagens enviadas pelo sistema ACARS que permitem um completo monitoramento do que aconteceu com os equipamentos do avião.

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Ontem, a Airbus enviou um comunicado a todos os operadores da Airbus 330 enfatizando a recomendação de que em caso de discrepância na leitura de velocidades os pilotos adiram estritamente às definições do manual da aeronave.  A razão para isso é que a leitura das mensagens ACARS mostram uma discrepância nas informações de velocidade.  Cresce por isso a opinião de que alguns dos medidores de velocidade do ar _ aquelas cânulas que saem da fuselagem do avião, em geral perto da cabine _ podem ter se congelado.

Entretanto, existe uma segunda caixa preta que grava tudo que é falado na cabine, entre os tripulantes.  Essa caixa pode ser importante para ajudar a descobrir o que aconteceu, pois infelizmente essa informação não é transmitida pela aeronave.  Há planos para isso, há tecnologia, mas ainda não há infraestrutura _ nem consenso entre as associações de pilotos, é claro:

That and similar systems are expected to evolve in the near future to something able to replace voice and flight data recorders by continually archiving that information at airllne operations bases.

But not yet, because the bandwidth, necessary satellites and other technical requirements aren’t quite ready and perhaps pilot associations aren’t either.

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