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Tim Vasquez atualizou seu artigo sobre o AF 447 e postou um mapa do fundo do mar na provável região da queda do avião:

af447-depth

(clique para ampliar)

A posição é relativamente fácil de achar no Google Earth: o centro da cruz azul está, mais ou menos, na posição  (3°12’42.11″N,  30°43’21.56″O)Lamentavelmente, é possível perceber que boa parte da região é bastante montanhosa.  É minha impressão que isso complica sensivelmente a missão de busca, embora não a impossibilite.

Tim Vasquez também exibe uma provável reconstrução do que o AF 447 encontrou pela frente, a partir dos dados GPS enviados pelo ACARS e das fotos de satélite das formações meteorológicas na região:

af447-profile

(clique para ampliar)

O AF 447 voou direto para o meio da região de “updraft” (a área cinza escura).  Um “updraft” é um movimento vertical do ar, neste caso, para cima, decorrente de uma bolha de ar quente que, sendo menos densa, sobe, às vezes em grande velocidade.   “Updrafts” e “downdrafts” são a principal causa de turbulência enfrentada por aeronaves.

Até onde pude perceber lendo fóruns aeronáuticos, nenhuma tripulação experiente deixaria de ao menos tentar contornar uma formação assim.

A conclusão final de Tim Vasquez, porém, é contrária ao que tenho lido na imprensa.  O Chicago Tribune, por exemplo, diz o seguinte:

Meteorologists said the Air France jet entered an unusual storm with 100 mph (160 kph) updrafts that acted as a vacuum, sucking water up from the ocean. The moist air rushed up to the plane’s high altitude, where it quickly froze in minus-40 degree temperatures. The updrafts also would have created dangerous turbulence. 

The jetliner’s computer systems ultimately failed, and the plane likely broke apart in midair.” [grifo meu]

Já Tim Vasquez afirma:

Overall what we know for sure is weather was a factor and the flight definitely crossed through a thunderstorm complex. There is a definite correlation of weather with the crash. However the analysis indicates that the weather is not anything particularly exceptional in terms of instability or storm structure. It’s my opinion that tropical storm complexes identical to this one have probably been crossed hundreds of times over the years by other flights without serious incident.

Still, in the main MCS alone, the A330 would have been flying through significant turbulence and thunderstorm activity for about 75 miles (125 km), lasting about 12 minutes of flight time. Of course anything so far is speculation until more evidence comes in, and for all we know the cause of the downing could have been anything from turbulence to coincidental problems like a cargo fire.

My own opinion of the crash cause, as of Monday night, based on the complete lack of a HF radio call and consideration of all of the above, suggests severe turbulence (see the BOAC 911 and BNF 250 tragedies) combining in some unlikely way with CRM/design/maintenance/procedural/other deficiencies to trigger a failure cascade. We can almost certainly count on some unexpected surprises once the CVR is recovered. Until then, all we can do is await the investigation and hope that the world’s flight operations stay safe until AFR447’s lessons are revealed.” [grifo meu]

Por enquanto tendo a creditar maior credibilidade a Tim Vasquez, ao menos que apareçam os meteorologistas dos quais a imprensa está falando e possamos ao menos comparar suas análises.

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Tio Rei transcreve matéria do Estadão:

Tucanos querem proibir na Constituição venda da Petrobras

sexta-feira, 5 de junho de 2009 | 7:06

Por Eugênia Lopes e Christiane Samarco, no Estadão:

Para evitar a todo custo o rótulo de “privativistas”, em véspera de ano eleitoral, os tucanos querem proibir na Constituição a venda da Petrobrás. O deputado Otávio Leite (PSDB-RJ) foi incumbido de apresentar proposta de emenda constitucional (PEC) estabelecendo que o controle da Petrobrás é exclusivo da União. Líder da minoria na Câmara, Leite obteve apoio à proposta de praticamente todos os partidos. Foram 224 assinaturas de deputados do PMDB, do PT, do PP, do DEM, do PR, do PSB, além do PSDB.

“A proposta é, antes de tudo, um brado para deixar claro, à Nação brasileira, nossa posição em defesa dos interesses nacionais, em defesa da Petrobrás”, argumentou Leite. “É uma vacina para esse quadro em que o PT acusa a oposição de querer privatizar a Petrobrás”, observou o líder do DEM na Câmara, Ronaldo Caiado (GO).

No mês passado, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, acusou a oposição de usar a CPI para “desmoralizar a Petrobrás” e, depois, privatizá-la. “O que queremos é desvendar as bandalheiras na Petrobrás, mas o PT quer desviar o foco, como se quiséssemos privatizar a empresa”, disse Caiado.

“É uma resposta ao PT, que difundiu a ideia de que queremos privatizar a Petrobrás. Como o governo tem maioria na Câmara e no Senado, basta agora aprovarem essa emenda que ficará excluída a história de privatização da empresa”, afirmou o senador Álvaro Dias (PSDB-PR). Para o tucano, a emenda não terá influência nos rumos da CPI da Petrobrás. “Até porque a tese exposta pelo PT não é sincera e sim uma tentativa de atingir pessoas mais ingênuas, que podem achar que queremos privatizar a Petrobrás.”

***

Isso me lembra uma frase: “Paris bem vale uma missa”.

***

Infelizmente ele não “comenta”.

***

Mas a memória…ah, sempre a memória:

petrobpriv

Há informações muito desencontradas na mídia.  O Estadão anunciou que os destroços recolhidos no mar pela Marinha não são do avião da Air France.  Mas o Valor tem uma matéria com o oficial responsável pela operação que dá um tom ligeiramente (e preocupantemente) diferente:

SÃO PAULO – O tenente-brigadeiro Ramon Cardoso, diretor do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) da Aeronáutica, afirmou que os destroços recolhidos hoje por um helicóptero da Força Aérea Brasileira (FAB) no Oceano Atlântico não são do Airbus A330-200 da Air France, que caiu na noite de domingo com 228 pessoas a bordo.

“Nenhum material do avião foi recolhido”, afirmou Cardoso. “O que nós vimos foram materiais pertencentes a uma aeronave que foram deixados por causa da prioridade de busca de corpos, mas até o momento nenhum pedaço da aeronave foi recuperado.”

O objeto recolhido hoje era um palete, de madeira, usado em aviões para acomodação de cargas. No entanto, a informação divulgada pelo brigadeiro é de que não havia paletes nesta aeronave.

Mesmo assim, ele disse que as buscas têm encontrado diversos destroços do avião, que não foram recolhidos até agora, porque a prioridade era procurar sobreviventes ou corpos. “A probabilidade de encontrar destroços é a mesma, porque sempre estamos fazendo o avistamento de destroços. No início, nós estávamos deixando que os destroços passassem, porque estávamos mais interessados em tentar descobrir sobreviventes ou corpos”, afirmou Cardoso, que ressaltou que é cada vez menor a possibilidade de corpos serem encontrados por causa do tempo que passou após o acidente.

“Agora, nós vamos dar uma atenção maior para o recolhimento desses destroços. A partir de amanhã, vamos poder divulgar um pouco mais sobre o que nós encontrarmos, porque já estamos com todos os meios na área para fazer a coleta”, afirma.

Francamente, acho bastante estranha essa “prioridade”.  Se corpos fossem achados logo de início, tudo bem.  Mas o fato de que os “destroços” são na realidade lixo indica que provavelmente a busca está sendo feita no lugar errado e, nesse caso, porque procurar corpos ali?

Não resgatar todos os destroços encontráveis é uma irresponsabilidade.  Mas também pode ser sinal de que a grande quantidade de lixo no mar está gerando falsos positivos e desestimulando a busca.

***

UPDATE:

Cresce a convicção, entre os especialistas, que a recuperação da caixa preta que contém os dados do vôo não será tão imprescindível, graças às mensagens enviadas pelo sistema ACARS que permitem um completo monitoramento do que aconteceu com os equipamentos do avião.

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Ontem, a Airbus enviou um comunicado a todos os operadores da Airbus 330 enfatizando a recomendação de que em caso de discrepância na leitura de velocidades os pilotos adiram estritamente às definições do manual da aeronave.  A razão para isso é que a leitura das mensagens ACARS mostram uma discrepância nas informações de velocidade.  Cresce por isso a opinião de que alguns dos medidores de velocidade do ar _ aquelas cânulas que saem da fuselagem do avião, em geral perto da cabine _ podem ter se congelado.

Entretanto, existe uma segunda caixa preta que grava tudo que é falado na cabine, entre os tripulantes.  Essa caixa pode ser importante para ajudar a descobrir o que aconteceu, pois infelizmente essa informação não é transmitida pela aeronave.  Há planos para isso, há tecnologia, mas ainda não há infraestrutura _ nem consenso entre as associações de pilotos, é claro:

That and similar systems are expected to evolve in the near future to something able to replace voice and flight data recorders by continually archiving that information at airllne operations bases.

But not yet, because the bandwidth, necessary satellites and other technical requirements aren’t quite ready and perhaps pilot associations aren’t either.

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