Bom, começou a paranóia:

Explosão de bomba pode ter derrubado avião da Air France, diz Le Figaro

CLAUDIO DE SOUZA

Editor de UOL Carros

Uma entrevista publicada no site do jornal francês Le Figaro nesta segunda-feira (1) acrescenta o terrorismo às hipóteses sobre o desaparecimento, enquanto sobrevoava o oceano Atlântico, do Airbus 330 que fazia o voo 447 (Rio de Janeiro-Paris) da Air France.

Último título do site do Figaro afirma que uma bomba poderia ter explodido o avião; logo acima, o presidente francês Nicolas Sarkozy diz não excluir nenhuma hipótese para a tragédia

Segundo um piloto da própria Air France, que concordou em falar ao Figaro mas pediu anonimato, “pode-se muito bem imaginar que uma bomba tenha provocado a despressurização do avião, e que então ele tenha se desfeito em pedaços”. Este, no entanto, é somente um dos cenários imaginados pelo profissional, e que envolveria um artefato de pequeno poder explosivo. Outra possibilidade é a de que uma bomba muito maior tivesse destruído o avião de uma só vez.

“Poderia ser [também] uma bomba grande, que tenha explodido todo o avião. Isso explicaria o fato de a aeronave não ter tido tempo de enviar um sinal de alerta”, afirmou o piloto ao jornal. O Figaro, de linha editorial conservadora, é um dos dois jornais mais importantes da França (o outro é o Le Monde).

A hipótese de o avião da Air France ter sido vítima de um atentado, segundo esse piloto, é mais plausível do que a de um raio tê-lo atingido e causado o acidente — algo que foi aventado pelo ministro dos Transportes da França, Jean-Louis Borloo. “Na história da aviação, não se conhece atualmente casos de raios que culminem com a perda de uma aeronave”, disse o piloto.

Uma pane elétrica de algum tipo no Airbus é outra hipótese da qual o piloto ouvido pelo Figaro prefere desconfiar. Segundo ele, cada avião conta com cinco fontes de eletricidade, e todas elas teriam de falhar para que seu controle ficasse totalmente comprometido. “Seria preciso que todas elas estivessem com problemas, o que me parece difícil”, apontou.

Por fim, o piloto da Air France disse que há indícios claros de que uma forte turbulência atingiu o avião, e que a provável tragédia do voo AF 447 aconteceu depois dela. Mas concluiu: “Na verdade, o que é quase certo é que não se saberá jamais o que realmente se passou. O avião estava sobrevoando o Atlântico e seus destroços podem estar espalhados por 10 km no mar.”

***

Uma bomba terrorista pode ter destruído o avião?  Pode.

Como pode ter sido também uma colisão com o Pássaro Roca, ou com um disco voador.

Não estou falando aqui de probabilidades _ devem existir mais bombas terroristas do que pássaros roca, decerto (*) _ mas sim de possibilidades.

O problema é que quem fala uma coisa dessas está se divorciando, e nem tão amigavelmente assim, da lógica, por não entender como funciona o terrorismo.

Todo ato terrorista é um ato simbólico, quer passar uma mensagem.  Os atentados de setembro de 2001 foram um recado muito claro, por exemplo.  Um avião desaparecendo no ar no meio do Atlântico só passa uma mensagem, a de que pode ser perigoso viajar em vôos comerciais.  Nada diz sobre o grupo que quer ver suas reivindicações atendidas.

Então, a menos que apareça um vídeo ou mensagem reivindicando a autoria do atentado, e que seja crível (pode parecer difícil de acreditar, mas qualquer grupo de idiotas poderia requerer falsamente a autoria, seja por conveniência, seja por espírito de porco), é melhor deixar essa hipótese de lado.  Até porque a) se o atentado fosse dirigido às autoridades brasileiras, isso seria algo inédito, já que aparentemente não existe terrorismo no Brasil no momento, e b) se o atentado fosse dirigido às autoridades francesas, seria mais eficiente e mais fácil explodir o metrô de Paris.

(*) já o número de discos voadores é objeto de certa controvérsia.

Anúncios