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A direita anaeróbica é tão burra que não sabe onde procurar.

A Secretaria de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento edita, desde 1999 e em bases não-periódicas, a Tabela de Remuneração dos Servidores Públicos Federais.

A primeira delas, publicada em janeiro de 1999 e referente à posição das remunerações em junho de 1998, continha 82 páginas.

A mais recente, publicada em junho de 2009, tem…488 páginas…

***

E isso é só o que diz respeito ao Poder Executivo…

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O Airbus A310 da Yemenia Airlines que caiu no Oceano Índico ontem pertenceu à empresa brasileira Passaredo Transportes Aéreos (que a vendeu durante a crise cambial de 1999) segundo dados da Aviation Safety Network:

passaredo

(clique para ampliar)

Aliás, a pobre aeronave era mais que rodada, embora já estivesse há quase dez anos a serviço da Yemenia, que a comprou da Passaredo.

Acharam um sobrevivente até agora _ segundo os jornais, uma criança pequena.  Que coisa.

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Segundo as autoridades francesas, a aeronave da Yemenia havia apresentado defeitos em uma inspeção, e a companhia iria ser inquirida pela União Européia.

Em uma matéria da SkyNews, encontrei o seguinte:

The European Union will soon propose the creation of a global blacklist of airlines deemed unsafe.

“My idea is to propose a world blacklist similar to that in the EU,” Transport Commissioner Antonio Tajani.”

Francamente, me espanta que isso já não exista.

From the perspective of the planet Earth, humans have existed for about three seconds (…) Compared to the technological progress of, say, the dinosaurs during their tens of millions of years on Earth, we’re the equivalent of a guy who shows up at a party already hammered, shoots a liter of heroin and asks if they have any medical-grade adrenaline kicking around in the back. Clearly, we’re a little impatient when it comes to getting our next hit of sweet, sweet progress.”

Aqui.

golpearte

(clique para ampliar)

Acima, vai a cópia da carta aberta à população de Nova Iorque, assinada por alguns Very Important People (vide o final da página) daquela cidade, em defesa da possibilidade de que o Prefeito Michael Bloomberg pudesse concorrer pela terceira vez ao seu cargo.

A proposta foi aprovada em novembro do ano passado.  Na semana seguinte, foi desafiada por um processo que alega a inconstitucionalidade da medida.

Que eu saiba, nem as FFAA, nem a Guarda Nacional, nem a NYPD foram conclamadas a derrubar Bloomberg.

It is wonderful how much may be done if we are always doing.”

_ Thomas Jefferson

Teoricamente, amanhã expira o “prazo de validade” do “pinger” das caixas pretas.  O “pinger” é o sinal ultrassônico que possibilita a sua localização por sonar.

Embora eu tenha lido em alguns lugares que apesar disso o sinal pode continuar ativo por até 60 dias, este blog, o “Unusual Attitude“, comenta que na verdade após os 30 dias a força do sinal cai acentuadamente.  Diante dessa realidade, a BEA, autoridade francesa responsável pela busca, teria contratado reforços na forma de um submarino autônomo (não tripulado) da empresa americana C&C Technologies, capaz de operar a 4.500 metros de profundidade.  Eis uma nota publicada pela empresa:

Air France 447 Search Effort: Phase II Fact Sheet

June 24, 2009

C & C Technologies, Inc. (C & C) has received inquiries regarding our discussions with the French BEA on the second phase of the AF447 search effort.

The following information may help minimize communication errors:

1) Pinger Life: Dukane, the AF447 pinger manufacturer, has confirmed that the pingers may only last a day or so longer than the specified thirty days. Unlike regular flashlight batteries that fade out slowly, the battery technology used in the pingers will hold its voltage for the thirty days, and then quickly collapse along with the transmitted signal.

2) Contact by BEA: The French BEA has contacted C & C by phone and e-mail regarding use of C & C’s 4,500 meter (15,000 feet) rated autonomous underwater vehicle (AUV) to perform a sonar search for the flight recorders. C & C has two 250 foot (76 meter) ships near the crash area equipped with state-of-the-art AUV systems. However, the AUVs on those vessels are only rated for 3,000 meters (10,000 feet), and the wreck area approaches 4,500 meters. If the pingers are not found by the end of June, French authorities may ask C & C to send its 4,500 meter rated AUV to Brazil to search the mountainous underwater terrain.

3) Comments Regarding BEA’s Actions: While the first phase of the search for the flight recorders continues, the BEA is making contingency plans for a second phase. Tapping C & C’s world-renowned deepwater AUV search capability indicates the French authorities’ commitment to locate the recorders and solve the mystery. Given the complexity of the situation, the BEA is making all the right moves.

4) AUV Description: Like the unmanned drone aircraft used by the military, AUVs are unmanned, untethered, computer controlled underwater vehicles. C & C’s 4,500 meter rated vehicle is capable of searching large areas while flying at a constant height off the ocean bottom at four knots for two days at a time before returning to the surface to refuel.

The 6 meter (20 foot) cigar shaped vehicle has an acoustic communications link (wireless underwater telemetry system) that can continuously transmit the sonar images to a surface ship in real time. Any debris detected by the AUV can be seen by observers on the ship in real time. The AUV also has a camera, so ambiguous sonar contacts can be quickly identified.

Because there is no cable between the AUV and the ship, the AUV can travel more than twice the speed of ROVs (remotely operated vehicles), which are tethered. C & C’s 4,500 meter rated AUV with mother ship and experienced scientific crew offers the highest possibility of flight recorder location if the current pinger locator effort fails. Pictures and video of the AUV can be found at:! ftp://ftp.cctechnol.com/pub/outgoing/auv.zip

5) C & C’s Background: C & C is the worldwide leader in deepwater AUV operations. The company has performed more deepwater AUV searches than any company in the world, having surveyed enough to encircle the globe four times. C & C’s AUVs are usually used to perform deepwater oilfield surveys worldwide. C & C has 600 employees and operates worldwide.” [grifos meus]

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Matéria do Washington Post diz que a NTSB, autoridade norte-americana que investiga acidentes aéreos, está dando uma boa olhada em incidentes recentes envolvendo aviões “computer-centric“, isto é, com controle computadorizado, como os Airbus e o Boeing 777.

Leva água para esse moinho essa descrição de um incidente (não confirmado) que teria acontecido no dia 23, no Japão (também reportado pelo “Unusual Attitude“):

Synopsis;
Tuesday 23, 2009 10am en-route HKG to NRT. Entering Nara Japan airspace.

FL390 mostly clear with occasional isolated areas of rain, clouds tops about FL410.
Outside air temperature was -50C TAT -21C (your not supposed to get liquid water at these temps). We did.

As we were following other aircraft along our route. We approached a large area of rain below us. Tilting the weather radar down we could see the heavy rain below, displayed in red. At our altitude the radar indicated green or light precipitation, most likely ice crystals we thought.

Entering the cloud tops we experienced just light to moderate turbulence. (The winds were around 30kts at altitude.) After about 15 sec. we encountered moderate rain. We thought it odd to have rain streaming up the windshield at this altitude and the sound of the plane getting pelted like an aluminum garage door. It got very warm and humid in the cockpit all of a sudden. Five seconds later the Captains, First Officers, and standby airspeed indicators rolled back to 60kts. The auto pilot and auto throttles disengaged. The Master Warning and Master Caution flashed, and the sounds of chirps and clicks letting us know these things were happening.
Jerry S, the Capt. hand flew the plane on the shortest vector out of the rain. The airspeed indicators briefly came back but failed again. The failure lasted for THREE minutes. We flew the recommended 83%N1 power setting. When the airspeed indicators came back. we were within 5 knots of our desired speed. Everything returned to normal except for the computer logic controlling the plane. (We were in alternate law for the rest of the flight.)

We had good conditions for the failure; daylight, we were rested, relatively small area, and light turbulence. I think it could have been much worse. Jerry did a great job flying and staying cool. We did our procedures called dispatch and maintenance on the SAT COM and landed in Narita. That’s it.”

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Nesta semana, há expectativa de que a BEA solte um relatório preliminar.

Há um papo nos fóruns de aviação por aí de que, baseado nas características das lesões havidas nos corpos encontrados e no tamanho e estado dos destroços, crescem as apostas na hipótese de que ao invés de se desintegrar no ar o avião tenha caído no mar descontrolado, mas relativamente intacto.

Do “Blog do Servidor“:

Bye Bye Mangabeira

De saída do governo, o ministro Roberto Mangabeira Unger limpa suas gavetas na Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) até amanhã, terça-feira. Unger não conseguiu prorrogar a licença de professor na Universidade de Harvard e, por isso, terá de retomar imediatamente a carreira acadêmica.

Harvard quer Mangabeira já na quarta-feira.

O ministro concluiu uma série de projetos que tratam da modernização do Estado. Defensor do mérito e do profissionalismo na administração pública, o ministro deixa um legado importante que terá de ser tocado por sua equipe – formada principalmente por gestores governamentais.”

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Convenhamos que, para um ministro das ações de longo prazo, Mangabeira tinha um prazo de validade bastante curto.

Ô Idelber, como é que é aí esse negócio de licença de professor universitário nos EUA?  Considerando que ele virou ministro em junho de 2007, Harvard só dá licença de dois anos, não renováveis?

Ou será que é verdade a história de que ele caiu porque queria trocar de partido?

Via Nick Carr:

A team of Israeli research psychologists gave personality tests to 69 Wikipedians and 70 non-Wikipedians. They discovered that, as New Scientist puts it, Wikipedians are generally “grumpy,” “disagreeable,” and “closed to new ideas.”

In their report on the results of the study, the scholars paint a picture of Wikipedians as social maladapts who “feel more comfortable expressing themselves on the net than they do off-line” and who score poorly on measures of “agreeableness and openness.” Noting that the findings seem in conflict with public perceptions, the researchers suggest that “the prosocial behavior apparent in Wikipedia is primarily connected to egocentric motives … which are not associated with high levels of agreeableness.“‘

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Gostaria de ver o resultado de um teste desses com blogueiros.  🙂

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Ops!

New MySpace users (N  58) were surveyed on joining the site and again in 2 months to examine psychosocial differences between bloggers and nonbloggers over time. Bloggers’ social integration, reliable alliance, and friendship satisfaction all significantly increased compared to nonbloggers, suggesting that blogging has beneficial effects on well-being, specifically in terms of perceived social support.” [grifo meu]

Esta matéria do Guardian sobre os efeitos da recessão sobre a indústria do sexo no estado de Nevada nos leva a conhecer aquele que é provavelmente o único setor da iniciativa privada nos EUA que ama impostos:

In an effort to shore up their legitimacy, Nevada’s bordellos are virtually unique in the US business world in lobbying for greater taxation, believing they would be harder to outlaw if they made a useful contribution to the public purse. The industry enthusiastically supported a proposal in Nevada’s legislature for a $5 levy on each sexual transaction to help fill up a $3bn budgetary deficit.

Narrowly rejected in a senate committee, the levy would have been the first value-added tax on sex – brothels presently only pay an annual licensing fee and payroll tax.” [grifo meu]

matrixhasyou

Via Engadget:

It’s not enough that humans gave robots a place to congregate to plan our demise, now we’ve adapted them with the ability to extract fuel from the very nectar of life. All that innocent experimentation with fuel cells that run on blood has led to this, a flesh-eating clock. This prototype time-piece from UK-based designers James Auger and Jimmy Loizeau traps insects on flypaper stretched across its roller system before depositing them into a vat of bacteria. The ensuing chemical reaction, or “digestion,” is transformed into power that keeps the rollers rollin’ and the LCD clock ablaze. The pair offers an alternative design fueled by mice, another contraption whose robotic arm plucks insect-fuel from spider webs with the help of a video camera, and a lamp powered by insects lured to their deaths with ultraviolet LEDs. Man, this is so wrong it has to be right.

A serious newspaper or broadcast news outlet must simultaneously be a mirror and a window to its audience — a look at themselves and an opening to the wider world.”

Daqui.

Reflexão luminosa sobre as águas do Paranoá:

Da natureza do funcionalismo público no Brasil

Há pessoas estarrecidas com os fatos revelados sobre os gastos do Senado. Garanto – porque sei – a realidade mal começou a ser revelada. Não se chegou ainda à publicidade dos contracheques, à realidade das horas realmente trabalhadas, aos funcionários fantasmas e, por fim, aos esquemas de financiamento de campanha e de enriquecimento ilícito. Acho, inclusive, que a investigação não poderá ir muito mais longe – nesse caso será necessário processar mais de uma dezena de senadores por quebra do decoro parlamentar. Há pessoas julgando esses fatos uma excrescência, uma aberração. Não são. A situação vivida pelo Senado é apenas a aplicação da lógica férrea de certos empregos públicos no Brasil, concentrados no Judiciário e no Legislativo. Ela começa com a auto-exaltação da própria importância para justificar salários muito acima dos pagos pelo mercado para o mesmo nível de atividade e por tempo recorrente menor de atividade. O funcionário do Senado imagina merecer um prêmio salarial pela proximidade do poder político, quando, na verdade, pratica uma chantagem implícita e busca vantagens associando-se aos parlamentares dispostos ao crime eleitoral e outros crimes. Os parlamentares ainda sofrem, ao menos, as pressões financeiras do processo eleitoral; no caso da elite dos funcionários públicos do Legislativo é só uma elite do crime.

Leio hoje nas folhas que os professores do município de São Paulo entraram na justiça para evitar a publicidade dos seus salários. Não, não é porque são baixos e depreciariam a imagem dos professores. É porque a indústria dos processos trabalhistas seria exposta e seus abonado beneficiários “ficariam expostos a sequestros”, segundo o sindicato dos professores. Talvez tenha sido essa a principal notícia do dia.

***

De fato, quem não conhece Brasília é totalmente incapaz de entender a diferença no ethos profissional entre funcionários do Executivo, do Legislativo e do Judiciário.  No Legislativo eu tenho a impressão de que a coisa é ainda mais grave, porque, diferentemente do Executivo e do Judiciário, a mensuração do desempenho do poder que faz as leis é um conceito extremamente abstrato, e o pouco de concretude que existe guarda uma relação das mais diáfanas com o desempenho dos seus funcionários, concursados ou não.  Para piorar, existe, de fato, este efeito aura, que contamina em alto grau o espírito de corpo dos funcionários das duas Casas.  Mas devo fazer justiça aos consultores e analistas legislativos concursados: estes, em geral, são bem preparados e eficientes.

Como todo republicano careta, o Governador da Carolina do Sul, Mark Samford, tinha seu esqueleto no armário. No caso dele, um affair extraconjugal com Maria Belen Chapur, uma jornalista argentina.

O causo foi descoberto porque quando Maria Chapur envolveu-se com Samford, namorava um outro sujeito.  O sujeito, porém, vigiava os e-mails da namorada e, ao descobrir que era corneado, enviou-os para um jornal norte-americano.  E pimba.

Até aí, enfim, tudo bem, mas o curioso mesmo é como o Brasil teima em se envolver com os escândalos de governadores norte-americanos.  Pois os e-mails comprometedores foram escritos enquanto a mouça estava com o namorado em Ilhabela, no litoral paulista, ao que parece por causa de uma regata promovida pela Rolex:

From: Maria

Sent: Friday, July 04, 2008 4:26 PM

To: Mark Sanford

Subject: RE:

My beloved, (hope you also change the dearest …)

I’am (sic) reading your last two mails sitting outside with a great seaview here in Ilhabela, a beautiful island near Sao Paulo. Have been thinking of you while watching the beautiful blue sea (a) great part of my day and remembering with a great smile on my face, the time we had spent together. (…)”

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“From: Maria

Sent: Wednesday, July 09, 2008 8:14 PM

To: Mark Sanford

Subject: RE:

My love,

I decided to rent a car and went by myself to the other side of the Island where it is located one of the best hotels. It’s name is DPNY Hotel and I find it quite interesting. I had lunch there in a restaurant on the beach with great seaview. I sat under a palm and ate a mixed green salad with grilled abacaxi (pineapple) and honey. in the afternoon I sunbathe and read on the beach. I ve started here “The age of turbulence” from Alan Greenspan which I highly recomend (sic) you. At five I left back to the small town had a coffee with pao de queijo (cheese bread which is something tipycal (sic) from Brazl (sic) and it’s delicious) read some magazines, walked around and finally back to meu Pousada that is hotel.

In the Island is taking place the sailing week and Rolex competition and this was the reason for choosing the place and also why luckily I am most of the time by my own. It may sound bad but it’s how I feel it. As I told you I shouldn’t have done this trip but I would have felt worst if I wouldn’t have come because it was too over the date, he is a very nice guy, great heart … but unfortunately I am not in love with him …

Posso imaginar que ler uma coisa dessas é um golpe duro para qualquer sujeito, ainda mais um argentino.  Imagine, o cara lá, no veleiro, lutando contra os elementos, e a mulé mandando e-mails sebosos para o gringo.

Razão pela qual os vídeos no YouTube estão recebendo calorosas mensagens como essa:

Argentina is a ‘little Europe’ in South America!!! We dont want your fucking GreenCard, we don’t cross borders ILLEGALLY, we did not a VISA to enter USA. We are more than 5,000 fucking miles away, for God’s sake!!! THere are more Americans getting Argentine citizenship than the othe way round, fucking redneck!!!

WTF, redneck!!! We Argentineans have nothing to do with Mexicans!!! Argentina is a 97% White country, and we don’t even understand Mexicans when they speak since we speak different Spanish!!! Go to school, redneck!!!

Nada como uma boa putaria para fazer aflorar o lado mais obscuro das pessoas, não é mesmo?

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Um curioso artigo de Sanford, durante as eleições americanas.

Aqui.

Please meet the nice world of narco corridos.

beatles-cover

How the Beatles Destroyed Rock ’n’ Roll is a history of American popular music stripped of the familiar clichés of jazz and rock history. Tracing the evolution of popular music through developing tastes, trends and technologies, rather than applying modern standards and genre categories, it gives a fuller, more balanced look at the broad variety of styles that captured listeners over the course of the twentieth century.

Wald goes back to original sources—recordings, period articles, memoirs and interviews—in an attempt to understand how music was heard and experienced over the years. He pays particular attention to the world of working musicians and ordinary listeners rather than to stars and specialists, looking at the evolution of jazz as dance music and of rock ‘n’ roll in terms of the teenage girls who made up the bulk of its early audience. There are plenty of famous names—Duke Ellington, Benny Goodman, Frank Sinatra, Elvis Presley, the Beatles—but they are placed alongside figures like Paul Whiteman, Guy Lombardo, Mitch Miller, Jo Stafford, Ricky Nelson and the Shirelles, who in some cases were far more popular and more accurately represent the mainstream of their times.

As the title suggests, this is not a hesitant or stolidly academic history, but neither is it heedlessly provocative. Wald’s intention was to explore the past with an open mind, asking some new questions and answering them as honestly and accurately as possible, and to make sense of times and people who often seem very foreign, though they are our own parents and grandparents. He has also tried to make that journey amusing and interesting, whatever we may think of ballroom orchestras, bobby-soxers, pop balladeers or British invaders.”

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Let the fight begin.

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UPDATE:  Deu no Estadão:

Direitos de Jackson sobre obra dos Beatles estão em risco

LOS ANGELES – Os Beatles estão à venda? O premiado catálogo do quarteto de Liverpool –especificamente 267 canções escritas em sua maioria por John Lennon e Paul McCartney– está entrando em uma longa e sinuosa estrada de incertezas sobre quem detém seus direitos após a morte de Michael Jackson na quinta-feira.

O cantor pop e a Sony Music operavam uma lucrativa joint venture que é dona ou administra os direitos de cerca de 750.000 composições de astros como Bob Dylan, Neil Diamond, Taylor Swift e os Jonas Brothers.

Analistas da indústria estimam que a Sony/ATV Music Publishing vale pelo menos 1 bilhão de dólares, o que faz de Jackson um artista ainda mais visionário. Seu investimento inicial custou 47,5 milhões de dólares em 1985.

Os direitos de divulgação são considerados uma licença para imprimir dinheiro. Menos empolgante que o mundo da pirataria musical, trata-se de coletar royalties de produtos diferentes, como downloads, exibições no rádio e videogames.

Mas agora há um mistério sobre quem se beneficiará da propriedade da fatia de Jackson. Segundo uma ação movida em 2002 por um credor, ele pediu empréstimos bancários que totalizavam 270 milhões de dólares dois anos antes usando como garantia sua participação na Sony/ATV e os direitos sobre suas próprias composições.”

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Já imaginaram se tudo isso terminar com a Lisa Presley?  É sinal do fim dos tempos.

Matéria do Estadão de hoje:

O DEM ameaça abandonar o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e entregá-lo à própria sorte caso ele não dê “esclarecimentos convincentes” sobre a atuação de uma empresa de seu neto, José Adriano Cordeiro Sarney, no agenciamento de empréstimos consignados a funcionários da Casa.

(…)

“Esta denúncia é grave e tem de ser explicada à opinião pública e à Casa”, disse ontem o líder do DEM no Senado, José Agripino (RN), para quem está “nas mãos dele, Sarney, a manutenção do apoio não só do DEM, como da Casa”.

Um dirigente nacional do partido explica que não há interesse em derrubar o presidente do Congresso, mas ele tem de “ajudar” o DEM a manter seu apoio. Segundo o dirigente, o entendimento geral é que a sucessão de denúncias envolvendo familiares de Sarney está tornando a situação “insustentável”.” [grifo meu]

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Isso me lembra aquela cena de “Tropa de Elite” onde um soldado vai pedir suas férias e o Sargento Rocha, do RH, diz pra ele:

“”Eu posso até te ajudar, aliás, eu vou te ajudar! Eu quero te ajudar! Mas agora você tem que me ajudar a te ajudar.  Soldado, se você quer rir, tem que fazer rir!“”.

And though you fight to stay alive
Your body starts to shiver
For no mere mortal can resist
The evil of the thriller

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Michael Jackson, RIP

1958 – 2009

Notícia na Info Online:

SÃO PAULO – Uma pesquisa do NDP Group com 600 consumidores indicou que mais de 60% deles confundem as características de um netbook com um notebook.

Para estes usuários, ambas máquinas são equivalentes e deveriam realizar as mesmas funções. Na verdade, os netbooks são menores e possuem configuração bem mais modesta que um notebook, que possui teclado maior, processador mais poderoso e, frequentemente, drive óptico para ler CD e DVD.

Ao fazer a confusão, os consumidores de netbooks sentem-se mais frustrados com seus equipamentos do que aqueles que investem num notebook, diz o estudo.

Segundo o NDP, 70% das pessoas que compram um notebook sentem-se muito satisfeitas com seu equipamento. Já entre os donos de netbooks, só 58% afirmam sentirem-se satisfeitos com seu computador portátil.”

***

Outro dia, esqueci de tirar meu netbook da pasta e fui com ele para o trabalho.  Como resultado, tive que registrá-lo na portaria.

O segurança que cuida do registro escreveu na guia:  “NOTBOOK”.

Bem, ele até que estava certo, né.

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Farrah Fawcett morreu hoje, de câncer, aos 62 anos.

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Este trecho da matéria da Folha me chamou a atenção:

Fawcett perdeu o cabelo, estava muito debilitada e só recebia a visita de algumas amigas íntimas, como Jaclyn Smith e Kate Jackson, que foram suas companheiras na popular série de televisão “As Panteras”.”

Farrah, como muitas personalidades famosas ou nem tanto, parece ter sido uma daquelas pessoas que não sabem esquecer seu papel e finalmente  envelhecer.  Me tocou a imagem das três panteras juntas, sentadas na cama da doente, conjurando forças para vencer a decrepitude e a morte.

***

Cuide bem dela, Charlie.

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(clique para ampliar)

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Abre o olho, Sarko!

Sergio Leo, em excelente post(*), me faz ver Carla Bruni, primeira dama em França, sob um novo ponto de vista.

(*) mas não me perguntem o assunto.   🙂

Deu no Estadão:

Senador aponta contas paralelas e Sarney abre nova sindicância

Casagrande informa descoberta de contas que somam R$ 3,74 mi e funcionam paralelamente com verba da Casa

BRASÍLIA – O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), determinou nesta quarta-feira, 24, a abertura de uma comissão de sindicância para investigar a existência de duas contas, uma corrente e outra de poupança, na Caixa Econômica Federal, em nome da Casa. Ambas somam R$ 3,74 milhões e funcionavam paralelamente aos recursos orçamentários do Senado depositados na Conta Única do Tesouro Nacional.

De acordo com a assessoria da presidência da Casa, caberá à Secretaria de Controle Interno conduzir as investigações. Sarney determinou que seja apurado quem abriu as contas, quanto foi movimentado e também os responsáveis por sua movimentação, entre outras coisas.”

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Gozado, cada vez mais tenho a impressão de que paralelas não são as contas.  Paralelos somos nós, espectros diáfanos vivendo uma realidade diferente da do dia a dia concreto do nosso Legislativo.

Mas o pior de tudo isso é que concordo totalmente com o que anda dizendo o Luís Nassif sobre esse assunto: trata-se de “escândalo de prateleira”, coisa já sabida e guardada para uso no momento conveniente.   Por parte, é claro, dos vocês-já-sabem-quem usuais.

censorship

O Techdirt informa que há algumas horas, a China começou a bloquear o Google, bem como todas os seus subserviços como YouTube, Gmail, Google Docs, etc.  Só o Google.cn está funcionando.

Declaração do deputado Paulo Bornhausen, do DEM, em audiência pública no Congresso sobre a reativação da Telebrás:

“O maior programa social do país não é o Bolsa Família. É a privatização das telecomunicações”

Essa não é uma afirmação que se faça sem provas.  Ademais, é preciso qualificar o que se entende por “social”.

O bolsa-família atinge, hoje, mais de 11 milhões de famílias.  Por baixo, 40 milhões de pessoas.   Pessoas que em sua maioria não têm um telefone.

OK, há os efeitos indiretos de um melhor sistema de telecomunicações.  Mas Bornhausen teria que provar que estes efeitos indiretos atingiram mais de 40 milhões de pessoas tão fortemente quanto os incluídos no bolsa-família.

E, para piorar: ele está mesmo sugerindo que deveríamos ter mais privatizações ao invés do bolsa-família?

Oposição com vocação para oposição é isso aí: esforçando-se para não ganhar eleição…

_ Defaults are a tool that tame expanding choice.

Daqui.

grim_reaper

It´s getting personal

Bom, primeiro foi o AF 447, um vôo que já peguei.

Agora foi o metrô de Washington, em uma linha que também já frequentei.

Se nos próximos meses um tsunami atingir o Rio de Janeiro, vou passar a acreditar que uma bomba atômica vai cair em Brasília

Não custa relembrar, né?

O terceiro mandato de Lula e os líderes sem liderança do PSDB

Não vou sugerir a vocês que recorram ao arquivo do blog ou ao Google para procurar as vezes que escrevi que haveria a tentativa — ao menos ela — de abrir caminho para Lula emplacar o terceiro mandato. Até batizei o esforço, numa alusão aos apoiadores de Getúlio Vargas, de movimento “queremista”. Era claro como o dia que isso seria tentado. Todo o discurso do Apedeuta, de fato, prepara o terreno para o “queremos Lula”. Pode dar certo? É claro que sim. Seria um “golpe”, como diz o senador tucano Arthur Virgílio (AM)? Lamento: se alguém apresentar uma emenda constitucional e se ela for aprovada pelo Congresso, golpe não é. O trágico, meus caros, não é haver petistas e outros aliados pensando no assunto (Lula, aliás, não pensa em outra coisa). O trágico é sabermos que, em larga medida, o governo só não arranca essa emenda do Congresso se não quiser.

Isso aí é Tio Rei, em setembro de 2007.  Agora, ele comenta a decisão de José Genoíno, relator da PEC do terceiro mandato, em um post candidamente batizado como “Genoino pede arquivamento do 3º mandato; não é o PT que não quer: é a Constituição!“:

Conforme eu havia escrito aqui, vocês devem se lembrar, não há nenhuma interdição explícita na Constituição ao terceiro, quarto ou quinto mandatos. Mas há o espírito da Carta e dispositivos outros com as quais a proposta se choca — entre eles, o que prevê a alternância de poder: “o voto direto, secreto, universal e periódico“.”

Uh…gozado, por que eu me lembro de uma outra emenda para reeleição que não sofreu problemas com essa interpretação.

Se a proposta passasse pela CCJ (se bem que ainda não foi rejeitada, mas deve ser) e acabasse aprovada na Câmara em dois turnos, seguiria para o Senado, para outros dois turnos — dificilmente passaria ali. Mas vá lá: se aprovada, a questão certamente chegaria ao Supremo. Onde seria detonada. Com base justamente nos princípios alegados por Genoino. Esse, de bobo, não tem nada. Mais: PT e Lula sabem que o preço da possibilidade de um terceiro mandato seria gigantesco. Bem, tudo isso vocês já leram aqui.”

Não.  O que eu li lá no Tio Rei era que  “Pode dar certo? É claro que sim. Seria um “golpe”, como diz o senador tucano Arthur Virgílio (AM)? Lamento: se alguém apresentar uma emenda constitucional e se ela for aprovada pelo Congresso, golpe não é.”  Porque será que Tio Rei mudou de idéia de repente?  Será que a existência de Gilmar Mendes fez Tio Rei descobrir que existe um STF??

A questão é por que Lula permite que seus aliados — e, acreditem, ele manda mesmo! — aprontem essa pantomima, acenem com esse fantasma. A resposta é simples: por uma questão… política. Enquanto essa possibilidade estava no horizonte, serviu à exaltação de suas glórias pessoais, reforçou seu papel de redutor único da política e de grande condutor dos nossos destinos. Daqui a pouco, vai dizer com mais clareza do que já diz: “Vocês me queriam, mas não pode ser; então, fiquem com Dilma”. Essa transferência não é operação trivial. Mas, claro, será tentada.

Pantomima?  Fantasma?  Mas Tio Rei, você mesmo não dizia que “o governo só não arranca essa emenda do Congresso se não quiser“?

Os petistas certamente vão fazer a auto-exaltação: “Nós mesmos pedimos o arquivamento! Nunca quisemos isso!” Mentira! Nunca acharam isso fácil, mas querer, bem, isso eles queriam. E fizeram da possibilidade um ativo político enquanto ela pôde render.

Já vi esquizofrêncios usarem esse argumento.  “Você sempre quis me servir assado com uma maçã na boca, só não serviu porque não pôde!“.

Pronto! Esse aspecto da campanha já está dado: “O povo queria o terceiro mandato, mas eu achei que não seria bom. O próprio PT se encarregou de detonar a proposta.” Em suma: “Abri mão do terceiro mandato, mas, então, votem em Dilma. É a mesma coisa”.”

Óóóó, Tio Rei…não dá idéia.  🙂

Ah, sim: é óbvio que se trataria de uma seqüência é mentirosa. Reitero: a proposta que Genoino mandou arquivar poderia passar por todos os crivos. Mas seria derrubada no Supremo.

Não é o que indica a, er, “jurisprudência”.  E aqui vai uma situação curiosa.  Quando da época da emenda da reeleição de FHC, os partidos de oposição entraram com uma ADI contra a proposta.  Curiosamente,  seu relator é…Gilmar Mendes.  Informa o portal Terra:

Em tese, se um dia apreciasse o caso de forma cabal e aceitasse o pedido dos partidos de oposição na época, o STF poderia desconstituir todo o segundo mandato de FHC e anular em massa as decisões tomadas pelo Executivo federal entre 1998 e 2002. “A constitucionalidade de uma reeleição não foi decidida em definitivo pelo STF”, relembram fontes do STF.

Na atual composição do Supremo, poucos são os ministros que estavam na Corte na época da aprovação do projeto de reeleição de Fernando Henrique. Dos onze magistrados de hoje, apenas Celso de Mello e Marco Aurélio Mello compunham o STF em 1998. A nomeação de nove diferentes ministros nesses últimos anos pode significar, segundo juristas ouvidos pelo Terra, a possibilidade de o STF barrar um terceiro mandato para o presidente Lula.

Quando o Supremo analisou a liminar naquele ano, Marco Aurélio disse ser inconstitucional a alteração na Constituição permitindo a reeleição, mas Celso de Mello não acatou o pedido dos partidos. Para a eventual anulação de um terceiro mandato do presidente Lula, o STF teria de receber e julgar uma ação de inconstitucionalidade movida por entidades ou legendas de oposição.

Atualmente, além de Marco Aurélio, apresentam ressalvas à perspectiva de mais de uma reeleição para o Executivo os ministros Gilmar Mendes, Carlos Ayres Britto, Joaquim Barbosa e Cezar Peluso.”

A liminar foi indeferida, mas ainda não houve julgamento do mérito.   A notícia diz, portanto, que o terceiro mandato para Lula só poderia ser barrado ao preço de anular os 8 anos de governo FHC, inclusive as privatizações.  Não sei bem se isso é verdade, e pediria aos advogados que frequentam este humilde blog que elucidem a especiosa questão, a qual deve envolver muitos ex tuncs e ex nuncs.  Só digo que haveria licença poética no negócio…

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Deu no Estadão:

Outras profissões deverão ser desregulamentadas, diz Mendes

Presidente do STF diz que queda do diploma de jornalismo criará ‘modelo de desregulamentação’

SÃO PAULO – O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, disse nesta sexta-feira, 20, em São Paulo, que a decisão de derrubar a exigência de diploma de jornalista, tomada pela Corte na noite da quarta-feira, deverá criar um “modelo de desregulamentação” das profissões que não exigem aporte científico e treinamento específico.

“A decisão vai suscitar debate sobre a desregulamentação de outras profissões. O tribunal vai ser coerente e dirá que essas profissões podem ser exercidas sem o diploma.” Há, segundo o ministro, vários projetos sobre o tema no Congresso que, se chegarem ao STF, terão a mesma interpretação dada à obrigatoriedade do diploma de jornalismo.

“A regulamentação, se for o caso, será considerada inconstitucional”, afirmou. Mendes esclareceu que, a partir de agora, o registro de jornalista no Ministério do Trabalho “perdeu o sentido”, assim como todos os outros aspectos que regulamentavam a profissão. “O registro não tem nenhuma força jurídica.” [grifo meu]

***

Treinamento específico??  O pau vai quebrar!

***

Só não podem desregulamentar a profissão de cozinheiro, porque eu prefiro ser mal gerido e mal informado do que mal alimentado ou quiçá envenenado.

Voltando a esse assunto, uma pequena divagação.

Na discussão “grande mídia” vs blogs, correlata a esta da obrigatoriedade do diploma, também não chegamos lá a grandes consensos.  Parto portanto da minha conclusão pessoal, nem tão radical quanto a do Idelber, nem tão conservadora quanto a do Sergio Leo: a grande mídia não está morta, mas é um zumbi andando por aí.   Ela não consegue ter a agilidade ou a capacidade de comentário dos blogs, mas é indispensável enquanto “fornecedora de fatos”.

Então, partindo dessa premissa, a pergunta é a seguinte: a não-obrigatoriedade do diploma prejudica a capacidade da grande mídia continuar sendo uma “fornecedora de fatos”?

Cartas para a redação…

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Clique para ampliar

Estou fazendo um pequeno teste e gostaria que vocês colaborassem.  Olhem a imagem, pensem rápido em que nome de cidade lhes vêm à mente e escrevam-no na caixa de comentários.

***

Gabarito:

Teerã!

Só para desarmar estereótipos…  🙂

Deu no Estadão:

Em ensaio, Valesca Popozuda posa nua com foto de Lula

Funkeira será capa de revista masculina da edição de junho e já fez música em homenagem ao presidente

SÃO PAULO – Em um ensaio especial para a revista Playboy de junho, a funkeira Valesca Popozuda aparece nua com uma foto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segundo seu blog oficial. “Marisa pode ficar tranquila. Tenho enorme respeito pela figura do presidente”, disse Valesca no site.”

Pra quem não sabe, Valesca Popozuda, uma pessoa cuja alcunha artística realmente reflete a realidade tangível dos fatos, é a mentora intelectual, líder espiritual e manager do grupo, er, musical chamado “Gaiola das Popuzadas“.

Lembrei-me, evidentemente, da manobra do Itamar ao posar com uma fulana sem calcinha. Não sei se a história aí se destina a dar uma aviagrada na situação de Lula _ não que ele precise, eleitoralmente, mas quem sabe sua memória perante as futuras gerações

Se bem que ser credor de um favor a Sarney será sempre um bom negócio, mesmo que o vetusto imortal maranhense tenha sido apanhado com o popozão de fora.

***

Valesca até já fez uma musiquinha pro Presidente, denunciando, aliás, suas ambições políticas:

“Conheci o Lula no Complexo Alemão

E ele não tirou o olho do meu ‘popozão’

Com todo o respeito, senhor presidente,

Você gostou de mim e o seu olhar não mente


Mas senhor presidente, o meu papo é outro

Sou ‘popozuda’ e represento a voz do povo

O Lula é do povo e escuta o que ele diz

A favela tem muita gente que só quer é ser feliz


Que Dilma que nada, eu vou para a Casa Civil

Vou pôr o som na caixa e balançar o quadril

O funk não é problema, para alguns jovens solução

Quem sabe um dia eu vire ministra da Educação”

A pendenga está grossa.  O Idelber dá o caminho das pedras, aqui.

Eu estou com preguiiiiiiça de escrever sobre isso _ aliás, hoje eu estou com preguiça de escrever sobre qualquer coisa.  Mas abro uma exceção: foi pelo Idelber que cheguei a este texto do Leonardo Sakamoto, que saúda a medida, mas discorda da argumentação do Gilmar Mendes:

Por fim, não poderia deixar de comentar as justificativas bizarras do presidente do Supremo, Gilmar Mendes, na defesa do fim da obrigatoriedade. Fiquei espantado com o baixo nível da argumentação e me perguntei se ele chegou realmente a estudar o caso ou falou algo de improviso. Pincei apenas um trecho para terem idéia:

“A profissão de jornalista não oferece perigo de dano à coletividade tais como medicina, engenharia, advocacia – nesse sentido por não implicar tais riscos não poderia exigir um diploma para exercer a profissão.”

O jornalismo causa danos mais amplos e profundos do que a queda de uma ponte ou um erro médico. A incompetência, preguiça ou má fé de nós, jornalistas, pode acabar com vidas de um dia para noite. Não fazer uma faculdade não significa exercer a profissão sem critérios e sem se responsabilizar pelas conseqüências, uma vez que elas podem ser imensas. ” [grifo meu]

Genericamente, eu sou a favor do fim da exigência do diploma para jornalismo, apesar do Leandro Fortes ter levantado alguns argumentos interessantes do lado do “contra”, em particular no tocante a mídia do interior.  O problema aqui é o seguinte: despido de qualquer preconceito, se o jornalismo das capitais é o que é, não tenho muita esperança em um efeito salutar das faculdades de jornalismo sobre a mídia do interior.

Mas, voltando ao texto do Sakamoto: é com pesar que tenho que concordar com ao menos esse trecho da decisão do Gilmar Mendes, mesmo concordando que ele assim decidiu possivelmente só para sacanear o jornalismo.  Afinal, a razão pela qual o jornalismo pode causar danos não é a possível existência de um “mau jornalismo” que passa ao largo das escolas de jornalismo, mas sim porque o jornalismo é o que é, o quarto poder.  Acho que o potencial de dano passa mais pela política editorial da publicação (por exemplo, exigir que o jornalista ouça os dois lados de uma polêmica), do que pela atuação do jornalista no que diz respeito aos conteúdos do curso de jornalismo.

E isso, é claro, dá quizz:

Tio Rei se supera, hoje, em seu necrológio em vida de Sarney (muy “originalmente” intitulado “O Outono do Oligarca”):

Sim, sei bem, ele é quem é: pertence ao neocoronelato brasileiro — a esta altura, já tornado velho também. A idade e a posição alcançada no establishment lhe facultavam a possibilidade de ser, vejam que coisa, uma espécie de modernizador do conservadorismo, da tradição, escoimando dela as velharias e buscando um diálogo com o novo. Em vez disso, viu-se o quê? A emergência do poder petista, com sua propensão para dar liderança nova aos velhos vícios e acrescentar vícios inéditos ao estoque antigo, viu em Sarney um bom esteio.

Os magos do petismo apostaram, não sem razão, que ele poderia ser a voz daquele Brasil profundo, velho mesmo, arcaico, aferrado ao mandonismo, desta feita, mandonismo da periferia do poder, dos arrabaldes —, mas ainda com ampla representação no Congresso. E resolveram usá-lo como pilar da nova ordem. E ele aceitou ser esse pilar. Em torno dele, agregou-se o que há de mais arcaico na política brasileira, mas agora abrigado no guarda-chuva do “progresso” petista.  Sarney e seus aprendizes, como Renan Calheiros, foram se transformando na cara do Congresso: defesa de privilégios inaceitáveis, desmandos, descuido com o dinheiro público. Enquanto isso, Lula, o demiurgo, o Tirano de Siracusa dos delírios de Marilena Chaui, triunfa sobre toda coisa viva, diante de um Congresso desmoralizado.

O gigantesco poder conferido a Sarney na era Lula não é apenas o preço a pagar pela governabilidade, que requer a aliança com o PMDB etc e tal. Esse argumento é velho. Sarney é a face não edulcorada do statu quo com o qual o petismo se acertou, no qual se deu bem. Não estivesse a academia brasileira (com exceções, sei disso) contaminada pela vigarice submarxista, que produz mais ideologia do que saber, essa era Lula estaria sendo examinada a partir de seus atores. E talvez se chegasse com facilidade à constatação de que vários atrasos se misturam: corporativismo, estatismo assistencialista, patrimonialismo renitente e, curiosamente, mercadismo (que não é economia de mercado; ao contrário: não gosta muito disso, não…).” [grifos meus]

Tio Rei parece “esquecer-se” que:

– Sarney presidiu o Senado _ como aliado _ de Fernando Henrique Cardoso.

– Renan Calheiros foi Ministro da Justiça _ como aliado _ de Fernando Henrique Cardoso.

Mas vai ver naqueles tempos eles não eram atrasados, eram moderninhos, e a “governabilidade” era algo unheard of.

Ontem mesmo discutia com minha consorte (ou, segundo alguns engraçadinhos, minha conazar) sobre a idéia da gente embarcar na onda da genética popular e encomendarmos um teste genético, tal como o provido por empresas como 23andMeNavigenics, ou DecodeMe.  Pois não é que a sincronicidade universal me mandou este artigo sobre Francis Collins, um cientista que fez um exame nas 3 empresas para avaliar a qualidade dos seus resultados?

Collins, who played a central role in the Human Genome Project and is rumored to be the next head of the National Institutes of Health, announced at the Consumer Genetics Conference in Boston last week that he had had his genome analyzed by the big three of direct-to-consumer genetic testing: 23andMe, Navigenics, and DecodeMe. He ordered the tests under a fake name, lest the genomics superstar get special treatment. His speech at the conference was the first time the companies heard that they had had Collins’s DNA in hand.

Collins said that sequence-wise, the tests “appear to be highly accurate”: there were almost no differences in the genotype information generated in the three different analyses. But there were significant differences in the numbers of genetic variations used to calculate disease risk, as well as the final risk score. For example, one company used 5 single nucleotide polymorphisms, or SNPs, to calculate risk for a particular disease, pronouncing Collins at low risk. Another used 10 SNPs, placing him at high risk, and the third used 15, concluding that he is at average risk. Collins also said that the analyses provided little information on his “carrier status,” meaning whether he carried genetic risk factors that didn’t influence his own risk of disease but could be passed down to future generations.” [grifo meu]

De volta à prancheta de desenhos.

Thomas Erdbrink, correspondente do Washington Post que está no Irã, joga um balde de água fria na idéia de que “a revolução será twitterizada” neste chat que ocorreu ontem:

Pittsburgh, Pa.: Will the protests spark a real revolution in Iran? The first Twitter revolution!

Thomas Erdbrink: people here rarely use twitter.”

***

Mais sobre isso no Daniel Drezner.

Muitos anos atrás, eu estava em uma festa conversando com duas gatinhas (sim, isso foi há tanto tempo que ainda se usava o termo “gatinha”).   A coisa ia em ritmo promissor e firmava-se uma boa possibilidade de eu conseguir rebocar alguma delas (ou idealmente as duas  🙂 ), quando surgiu na conversação um tema, para elas, profissional: a natureza da História, enquanto disciplina (já que ambas eram historiadoras).

O peixe morre pela boca, e o conquistador barato também.   Em determinada altura, o incauto “eu” de 25 anos atrás soltou o conceito-bomba:

_ A História é muito similar ao jornalismo, só que em outra escala.

Ocorre que as duas historiadoras não gostaram nada dessa idéia, francamente, é uma vulgarização do que é a História, e tal.  E eu voltei sozinho pra casa.

Bem, hoje, o historiador Juan Cole, especialista em Oriente Médio, e que está cobrindo os acontecimentos no Irã em detalhe, me solta essa:

An eyewitness writes from Tehran an account of Monday’s massive demonstration for Mousavi. I am not including his name because we don’t know how this will turn out and as a historian I have a duty to protect my interviewees, but it is not anonymous.” [grifo meu]

Um historiador que protege as fontes?  Estou vingado.  Na medida do possível, porque, como diz o Pacheco, o canalha da repartição(*), uma transa perdida está perdida para sempre, sniff.

(*) copirráite Sérgio Leo

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Constellation L-049 da Panair do Brasil, estacionado no Aeroporto Santos Dumont, RJ

Na longínqua data de 3 de abril de 1946, a aeronave mostrada na foto, código PP-PCF e batizada como “Bandeirante Manuel de Borba Gato”, inaugurou a rota aérea transoceânica entre o Brasil e a Europa, partindo de Recife, com escalas em Dakar, Lisboa, Paris e Londres.

O Constellation, encomendado por Howard Hughes à Lockheed para a sua empresa aérea (TWA),  se transformou no avião preferencial de passageiros no pós-guerra, sendo capaz de transportar 40 passageiros a uma velocidade de cruzeiro de 483 km/h e uma altitude de serviço de 7,315 m.

Seus propulsores, que eram motores a explosão e não turbinas a jato, não eram muito confiáveis, motivo pelo qual o Constellation era carinhosamente apelidado pelo pessoal do ofício de “o melhor trimotor do mundo”.

Bem, esse avião voava exatamente sobre o trecho entre o Brasil e a África onde o AF 447 acidentou-se.  Isso há mais de 60 anos atrás, em condições tecnológicas bem menos favoráveis do que as de hoje.

Então essa é a minha contribuição, após uma série de posts reconhecidamente preocupantes, à discussão sobre o transporte aeronáutico: se o pessoal viajava nessa heróica lata, você, meu caro, não precisa ficar tão nervoso assim quando precisar ir à Europa.

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O que verdadeiramente me espanta nessa história toda é o seguinte: a família Sarney é dona de metade do Maranhão e a esta altura deve ter também metade do Amapá.  Como é possível que o patriarca tenha se arriscado a se queimar tanto por conta de 4 mil e poucos reais para a filha do cunhado?   Isso me parece ser fruto de uma mentalidade que realmente não consegue enxergar a menor diferença entre o público e o privado.  Exceto, é claro, quando se trata de defender o privado:

FOLHA – Como o sr. avalia a onda de escândalos envolvendo o Senado e o sr.?
JOSÉ SARNEY
– A vida sempre me reservou desafios. A crise da democracia representativa está atingindo todos os Parlamentos no mundo inteiro.”

Abaixo, a patética entrevista de Sarney na Folha de hoje.

Continue lendo »

Fantástico:

When reports started to trickle in a few years ago about European blackbirds imitating ambulance sirens, car alarms, and cell phone ringtones, researchers were skeptical, writes Dawn Stover, an editor at large for Popular Science magazine. Doubting scientists asked for tapes. What came back were “pitch-perfect” renditions of urban noises, even a recording made near a golf course of birds copying the annoying sound of a golf cart backing up.”

Continua aqui.

Entrevista com Ben Simpendorfer, um especialista em relações sino-árabes, na New Yorker:

Is this the first time they’ve come in large numbers or is there an ancient precedent?

Arabs have been visiting China since at least 600 CE. The majority arrived along the Silk Road, one of the world’s historic trade routes. However, trade along the Silk Road dried up after the sixteen-hundreds, in part because the ruling Ming Dynasty turned inwards and attempted to assimilate Arab traders with the local population. (Their descendents are still living in China). And arrivals along the Silk Road soon turned into a trickle. This is what makes today’s events so remarkable. I mean, the sheer number of Arabs travelling to China is something we haven’t seen for over four hundred years. And, for the romantics of the world, the resurrection of the Silk Road is a more attractive side of globalization than is the inexorable spread of box-like Wal-Marts or Carrefours.

Why are they coming?

The Arabs are hungry for “Made in China” goods. Households in Dubai and Riyadh have money to spend as a result of the rise in oil prices. But Chinese goods are also priced right for poorer households in Cairo and Damascus. I’ve been shopping for digital cameras with Arab friends and I can’t explain their delight at being able to afford something once considered a luxury. But cheap goods are only part of the story. Visas are also important. It is difficult for Arab traders to visit Europe or the United States ever since the events of 2001. Their visa applications are either denied or take weeks to process. But they can typically turn up at their local Chinese embassy and receive a visa in a day or less. It’s one of the great untold stories of the global economy. We’re so used to buying our goods from big multinationals like Wal-Mart that it’s easy to forget that its small-trade traders, buying for their own stalls, who drive trade in the developing world.

Daqui, via esta discussão:

The Intrinsic Goods of Childhood

I’m interested in children’s rights but also more generally in the relationship between rights and value. Many, or most, children’s rights are justified in terms of the adult persons that the children may become and the goods those adults lives may contain. Perhaps the most famous paper on children’s rights, “A Child’s Right to an Open Future,” makes this explicitly clear. Our focus on children is largely future directed. For the most part, I think this makes sense. But I also think there is a danger in focusing too much on the future and neglecting the goods of childhood. This is especially true if some of the goods of childhood are valuable in their own right, and even more so if some of those goods are incommensurable with the goods of adult life. (Michael Slote makes this point but doesn’t develop it much further.) Suppose, for example, there is no amount of good in the future that could outweigh a childhood of suffering and misery. Let me give two examples to illustrate this point. Both are areas in applied ethics where this point makes a difference.

First, the literature on a child’s right to good sex education is entirely adult-directed. Sex education for children is justified entirely in terms of producing mature and competent adult sexual decision makers. There is little or no recognition of the positive role sex plays in the lives of teenagers. We focus on protecting children from adults and on the adult choosers they’ll become but largely ignore the positive aspects of teen sexuality. The dangers here should be obvious. The most important strategic consideration is having one’s educational materials dismissed as largely irrelevant. We also fail children if we cannot provide them with the information they need. For philosophers, we also get it wrong if we neglect those aspects of the good life that occur before adult life begins.

Second, the literature on children and sport likewise focuses on adults. And this cuts both ways. Sometimes an appeal to a balanced childhood is justified in terms of maximizing choices for adult life. This is a common argument against children’s involvement in one sport in a serious way. At other times the appeal to the adult athlete the child could become were her potentially fully developed is used to argue for children’s participation is seriously demanding sports. Both arguments have in common that they ignore the goods that occur within childhood.

***

Na medida em que me preparo para ser pai (calma, calma, é um projeto, não tem nada no forno 🙂  ), puericultura (lato sensu) é um tema que anda me interessando.   Mas é claro que eu sou um engenheiro, e é claro que com isso vem um ônus: realmente eu penso em termos de “futuro” _ que escola vai ser melhor, etc.  Mas esse texto aí me fez pensar que é preciso, também, evitar os perigos de um excesso de utilitarismo nessa matéria.

O que pensam os Srs. (e Sras.) leitores?

O Irã tem às suas portas:

.Um país majoritariamente xiita (Iraque) invadido pelo Exército americano em sua fronteira oeste;

.Um país majoritariamente sunita (Paquistão) com armas nucleares sob a órbita dos EUA em sua fronteira leste;

.Israel, com:

– 200 ogivas atômicas;

– mísseis Jericó capazes de levá-las até Teerã;

– quatro submarinos armados com mísseis nucleares estacionados no Mediterrâneo.

***

Como podem esses mulás loucos recusar a irrecusável proposta de terminar seu programa de armas nucleares, sem nenhuma garantia de que os outros atores envolvidos irão abrir mão de suas próprias armas nucleares?

Como podem esses mulás loucos serem tão irracionalmente cegados pelo seu fascismo islâmico a ponto de não topar na hora esse negócio da China??

***

É tudo o que eu tenho a dizer sobre a eleição iraniana.

Kafka wrote that the meaning of life is that it ends. He meant that our lives are shaped and shaded by the existential terror of knowing that all is finite. This anxiety informs poetry, literature, the monuments we build, the wars we wage—all of it. Kafka was talking, of course, about people. Among animals, only humans are said to be self-aware enough to comprehend the passage of time and the grim truth of mortality. How, then, to explain old Harry at the edge of that park, gray and lame, just days from the end, experiencing what can only be called wistfulness and nostalgia? I have lived with eight dogs, watched six of them grow old and infirm with grace and dignity, and die with what seemed to be acceptance. I have seen old dogs grieve at the loss of their friends. I have come to believe that as they age, dogs comprehend the passage of time, and, if not the inevitability of death, certainly the relentlessness of the onset of their frailties. They understand that what’s gone is gone.

What dogs do not have is an abstract sense of fear, or a feeling of injustice or entitlement. They do not see themselves, as we do, as tragic heroes, battling ceaselessly against the merciless onslaught of time. Unlike us, old dogs lack the audacity to mythologize their lives. You’ve got to love them for that.

Daqui.

No Physorg, um estudo sobre a natureza dos modismos.   Traduzi o lead para os não anglofalantes:

Porque é que de repente todo mundo está vestindo essas novas sandálias e ouvindo essa nova banda? Isso está tão na moda!” Um estudo recente investigou este sentimento, a fim de entender porque alguns produtos culturais e estilos desaparecem mais depressa do que outros. De acordo com os resultados, quanto mais rapidamente um item cultural se torna popular,  mais rapidamente ele desaparecerá. Esse padrão ocorre porque as pessoas acreditam que os itens que são adoptados rapidamente tornar-se-ão modismos, levando-os a evitar estes itens, fazendo, assim, que os referidos itens terminem desaparecendo.

Quem se lembra de modismos que desapareceram rapidamente nos últimos anos?

Mais interessante ainda: pessoas podem ser modismos?

***

E não pensem que isso só acontece no mundo dos saltos altos e saias curtas.

Não, não vou falar sobre o grande evento paulista.

É o seguinte, já há algumas semanas eu e minha consorte temos reparado no elevado número de animais silvestres avistados nas estradas de Brasília, vivos ou atropelados.  Há umas duas semanas vi um lobo guará andando por uma campina no final da Asa Norte, e hoje, quase atropelei um tamanduá no Lago Sul.

Alguma coisa está havendo; desconfio que estão avançando sobre reservas florestais em alguma parte do DF.  O novo PDOT (Plano Diretor de Ordenamento Territorial), recém sancionado pelo governador do Distrito Federal, alterou o padrão de ocupação do território, transformando 28 zonas rurais em urbanas.  Pode já ser um efeito disto.

Se mais alguém aí também mora no DF e está notando algo do gênero, por favor se manifeste.

A) Você fica super feliz quando vê seu nome:

  1. Mencionado na televisão.
  2. Marcado no Facebook.
  3. Listado nos agradecimentos de um obscuro artigo escrito por um antigo professor de quem você foi auxiliar de pesquisa.

B) São duas horas da madrugada de sábado. Você está:

  1. Dormindo.
  2. Na farra.
  3. Sentindo uma estranha compulsão de dar uma olhada no site da Piauí.

C) Qual das frases seguintes te entusiasma?

  1. “Esta oferta de trabalho também te oferece um fundo de pensão”
  2. “Ganhei duas entradas para o jogo do Flamengo.”
  3. “Seu artigo foi aceito sem precisar de revisão.”

***

Do Daniel Drezner, adaptado por mim.

***

Traduttore, traditore: alguém há de reparar na impropriedade de “traduzir” Arts&Letters Daily pela Piauí.  Mas é que nessa fiquei sem chão.  Se alguém tiver uma sugestão que ache mais adequada, seria interessante conhecê-la.

Achei em um blog estas relíquias _ testemunhos de que sempre haverá resistência à novidade:

The effect of rock and roll on young people, is to turn them into devil worshippers; to stimulate self-expression through sex; to provoke lawlessness; impair nervous stability and destroy the sanctity of marriage. It is an evil influence on the youth of our country.

– Minister Albert Carter, 1956

Many adults think that the crimes described in comic books are so far removed from the child’s life that for children they are merely something imaginative or fantastic. But we have found this to be a great error. Comic books and life are connected. A bank robbery is easily translated into the rifling of a candy store. Delinquencies formerly restricted to adults are increasingly committed by young people and children … All child drug addicts, and all children drawn into the narcotics traffic as messengers, with whom we have had contact, were inveterate comic-book readers This kind of thing is not good mental nourishment for children!

– Fredric Wertham, Seduction of the Innocent, 1954

The free access which many young people have to romances, novels, and plays has poisoned the mind and corrupted the morals of many a promising youth; and prevented others from improving their minds in useful knowledge. Parents take care to feed their children with wholesome diet; and yet how unconcerned about the provision for the mind, whether they are furnished with salutary food, or with trash, chaff, or poison?

– Reverend Enos Hitchcock, Memoirs of the Bloomsgrove Family, 1790

Does the telephone make men more active or more lazy? Does [it] break up home life and the old practice of visiting friends?

– Survey conducted by the Knights of Columbus Adult Education Committee, San Francisco Bay Area, 1926

This new form of entertainment has gone far to blast maidenhood … Depraved adults with candies and pennies beguile children with the inevitable result. The Society has prosecuted many for leading girls astray through these picture shows, but GOD alone knows how many are leading dissolute lives begun at the ‘moving pictures.’

– The Annual Report of the New York Society for the Prevention of Cruelty to Children, 1909

The indecent foreign dance called the Waltz was introduced … at the English Court on Friday last … It is quite sufficient to cast one’s eyes on the voluptuous intertwining of the limbs, and close compressure of the bodies … to see that it is far indeed removed from the modest reserve which has hitherto been considered distinctive of English females. So long as this obscene display was confined to prostitutes and adulteresses, we did not think it deserving of notice; but now that it is … forced on the respectable classes of society by the evil example of their superiors, we feel it a duty to warn every parent against exposing his daughter to so fatal a contagion.

– The Times of London, 1816

***

Apesar disso continuo com bronca do Twitter.

Porque, de vez em quando, até que acerta.

Eu gosto de me imaginar como um livre-pensador.  E como livre-pensador, não me escravizo a pontos de vista pré-fabricados.  Por exemplo, há os que criticam meus recorrentes posts sobre Reinaldo Azevedo como um exemplo de “desalinhamento automático”: se ele acha A, eu automaticamente acho que tenho que achar B.  Nada mais falso.  Quando bato em Reinaldo Azevedo é porque analisei o que ele disse e discordei.  Da mesma forma, o comentário do Tio Rei à matéria da Folha que reproduzo abaixo está aí porque o analisei e concordei com as críticas que ele faz ao Ministro da Cultura, Juca Ferreira:

E Caetano vai levar a prebenda da Lei Rouanet…

sábado, 13 de junho de 2009 | 6:09

Por Marcio Aith, na Folha:

“Não sou masoquista para trabalhar só com artistas malsucedidos. O ministério não tem vocação para irmã Dulce ou para Madre Teresa de Calcutá.” Com essas palavras o ministro da Cultura, Juca Ferreira, indicou à Folha que irá rever a decisão que proibiu produtores do músico Caetano Veloso de captar patrocínio da Lei Rouanet para divulgar o novo CD do artista, “Zii e Zie”.

Em reunião em maio, a Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (CNIC) decidiu que o projeto, no valor de R$ 2 milhões, não precisa da Rouanet por ser comercialmente viável. A CNIC é um órgão colegiado que pertence ao Ministério da Cultura. O ministro pode, a seu critério, rever as decisões da comissão. Ferreira negou ter sofrido pressões da empresária Paula Lavigne, ex-mulher e empresária de Caetano, para que a decisão fosse revertida:

“Ela não fez nenhum sauê, apenas ligou para mim e perguntou qual critério tinha sido utilizado para Caetano que ela não percebia que tinha sido usado para outras pessoas”. Leia a seguir a entrevista.

FOLHA- O sr. vai rever o veto a Caetano Veloso?

JUCA FERREIRA – A produção de Caetano entrou com o recurso, que vai ser analisado pelo ministério. Estou acompanhando. Evito ao máximo rever decisões da CNIC. Só quando ocorre um erro muito contundente procuro chamá-los à razão.

FOLHA- Que erro foi esse?

FERREIRA – O que houve é o seguinte. Não é possível aplicar um critério para um artista e não aplicar para outro. A lei atual não tem nenhum critério que diga que os artistas bem-sucedidos não podem ter seus projetos aprovados, e nem a nova deverá ter. No ano passado, quando eu intervim para aprovar o show da Maria Bethânia [a CNIC também tinha negado acesso da cantora à Rouanet], já tínhamos aprovado projetos da Ivete Sangalo, artista mais bem-sucedida comercialmente em todos os tempos. Não podemos sair discricionariamente decidindo, sem critérios legais.

(…)

FOLHA – O senhor diz que não há critério legal para negar o projeto de Caetano Veloso. Se não existe critério, por que musicais como “Peter Pan” e “Miss Saigon”, e exposições como “Leonardo da Vinci” e “Corpo Humano” foram negados?

FERREIRA – Não vou aqui discutir casos.Frequentemente há erros, eu tenho dito isso. É justamente a falta de critérios que cria ambiente para julgamentos subjetivos. Um dos objetivos da reforma da lei é adotar critérios previamente legitimados pela discussão pública.

FOLHA – Não há uma contradição entre o espírito da reforma da Lei Rouanet, baseada no uso de dinheiro público para quem precisa, e a decisão de estender a lei a Caetano, um artista consagrado?

FERREIRA – De modo algum. O show já está em turnê, cobrando um preço. Seus produtores se dispuseram a reduzi-lo para pouco menos da metade se for incorporado dinheiro público. Ao que parece, o ingresso cairia para R$ 40 inteira, e R$ 20 meia. Isso possibilita a ampliação de pessoas na plateia. Atende a uma demanda nossa, a de que um artista bem-sucedido amplie seu público. Não é contraditório. Queremos uma política cultural sólida, mas não faremos isso sem os grandes artistas brasileiros. A única coisa que apontamos é que, da maneira como a lei é hoje, os artistas novos, de diversos Estados, não têm acesso à lei. Não sou masoquista para trabalhar só com artistas malsucedidos. O ministério não tem vocação de irmã Dulce nem de Madre Teresa de Calcutá. Um artista conhecido pode ter dificuldade de conseguir patrocínio para uma obra experimental, ou pode ser do interesse público abaixar os preços de um espetáculo popular. Deve-se avaliar economicamente cada projeto, o que hoje a lei sequer prevê. A discussão não está aí. “

O comentário de Reinaldo foi o seguinte:

“Comento

Este bogueiro já se declarou contra subsídio até para feijão, como sabem. Ou jamais seremos eficientes na produção de feijão. Simples e óbvio assim. Imaginem esse papo de subsidiar cultura…

Mas vá lá. A coisa está aí. Juca Ferreira, coitado!, chega a ser patético, bisonho. Sabe que Caetano, se quiser, pode fuzilá-lo com três ou quatro palavras, que seriam publicadas em todos os jornais. E por quê? Porque, se pode haver dúvida sobre se é ou não o mais importante artista popular brasileiro, uma coisa está fora de debate: é o mais influente. E, obviamente, não tem problemas para atrair público a seus shows. Se um Caetano precisa de Lei Rouanet, os outros artistas precisam de muleta. Tenham paciência!

É uma piada. Ao justificar, no entanto, a revisão da decisão, concedendo ao cantor o benefício, Juca Ferreira se trai e evidencia uma espécie de má consciência que vai tomar conta da lei. Explico.

O espírito da revisão da lei, diz ele, é descentralizar a concessão de benefícios, atendendo a produções regionais, que não se orientem só por critérios de mercado etc. Bem, vocês conhecem essa cascata. É claro que, dado esse critério, Caetano estaria fora: tem público, não é um autor regionalista desconhecido, não faz arte experimental… Ao contrário: é a própria filha da Chiquita Bacana…

Mas aí é Juca Ferreira quem demonstra o que realmente pensa dos tais artistas fora do mercado que serão apoiados pela Lei Rouanet: “Não sou masoquista para trabalhar só com artistas malsucedidos. O ministério não tem vocação de irmã Dulce nem de Madre Teresa de Calcutá.”

Sacaram? O que não for, digamos, coisa de mercado, como Caetano, é “artista malsucedido”… Pergunto: por que o Estado tem de dar subsídio a artista malsucedido? E os caminhoneiros malsucedidos? E os contabilistas malsucedidos? E os padeiros malsucedidos? Ah, bem, não vale perguntar sobre torneiro-mecânico malsucedido…

***

Bem, no mínimo, depois dessa Juca Ferreira merece ganhar a medalha de ministro mais atrapalhado que já passou pelas páginas do Diário Oficial.  Ele conseguiu dar uma declaração que desmonta a política do seu próprio Ministério.  Acho que Tio Rei captou com eficácia o paradoxo: se a política é pra ser descentralizadora, como pode a canetada do Ministro “recentralizar” o financiamento?

Mas tem mais dois detalhes que eu gostaria de trabalhar.

Primeiro:  a nova versão da Lei Rouanet, que ainda será enviada ao Congresso, contém um dispositivo chamado “vale-cultura”.  A idéia é, como vocês já podem imaginar, dar à população acesso aos bens culturais.  Pergunto: depois que o “vale-cultura” começar a funcionar, ainda haverá patrocínio estatal de artistas bem-sucedidos mediante o argumento de que é preciso dar acesso aos bens culturais?  Eu tenho minha aposta.

Segundo: eis o que disse Juca Ferreira quando da polêmica envolvendo o patrocínio do Cirque du Soleil, via Bradesco, com recursos de incentivo fiscal da Lei Rouanet:

Sobre o incentivo federal para o Cirque du Soleil, Juca Ferreira, secretário-executivo do ministério, diz que “um projeto cultural que não tem a preocupação de facilitar o acesso a um número cada vez maior de pessoas tem que ser viabilizado pelo mercado, e não por recursos públicos”.

O que será que fez o Ministro mudar de idéia?

***

UPDATE:

Em tempo: fui conferir o site Ticketmaster, que está vendendo os ingressos para o show do Caetano no Credicard Hall em São Paulo.  O menor preço é R$45,00 reais, meia entrada para estudante, poltrona do setor 2 _ um pouco mais que os R$ 20,00 informados pelo Ministro.

junho 2009
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