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Que papa é você?

antipopes

You are an amalgamation of those pesky anti-Popes Clement VII and Benedict XIII

O Paulo do FYI, depois de me citar em dois de seus últimos três posts, decretou que eu o estou provocando.  Só porque falei que Paul Krugman deve ser mais americano que ele.

Bem, a família Krugman migrou da Alemanha para a região de Nova York, nos EUA, em 1872.  Krugman nasceu em 1953, portanto acho extremamente provável que ele já seja da segunda geração dos Krugman nascidos nos EUA.  O Paulo, ao que eu saiba, é imigrante recente _ parece que ele foi morar nos EUA em 1998, com uns 24, 25 anos.  Ele foi para lá com um visto temporário, depois ganhou um green card, e finalmente, a cidadania.

Ele se ressente de seus amigos que ficaram no Brazil, para quem ele é “um traidor“.

Paulo diz que só deixou o Brasil porque “o Brasil o deixou primeiro“.  A experiência fundadora foi ter sido roubado por pivetes quando ia comprar pão aos 10 anos de idade e ainda por cima ser xingado pelos ditos cujos de “alemão”.  

Não deixa de ter lá sua justiça poética que os ancestrais de Krugman tenham sido alemães legítimos e Paulo tenha sido um “alemão” no Rio de Janeiro.  É provavelmente a única coisa que os une.

***

Eu já falei nisso uma vez, mas não custa repetir: para alguém que largou o Brazil e assumiu o lado norte-americano de sua personalidade de forma tão natural e sem complexos como ele diz, a sua tag cloud é um tanto esquisita:

tagdofyi

O “Brazil” ocupa um espaço tão importante no blog do Paulo quanto “Economy” e “Left-wing”.  Eu francamente não consigo entender porque diacho alguém tão “norte americanizado” a ponto de sentir-se tão norte-americano quanto o Krugman (na verdade, mais norte-americano, por “pagar mais impostos” – pensando bem, uma métrica assaz insólita para um aynrandiano)  alimenta tamanha obsessão pelo Brazil e pelos brazileiros.  A menos que se trate, é claro, de uma obsessão causada por um trauma do qual ele não consegue se livrar.

***

O mais engraçado é que aparentemente Paulo fugiu do Brazil para não ter que encarar mais pivetes e poder ter uma vida sossegada de classe média, que ele julga tão desprotegida no Brazil mas que é o próprio “american way of life” no seu país de adoção.   Ele não consegue perceber que o 9/11 que tanto o assombra não é outra coisa que não aquele pivete, voltando para atazanar o “alemão”, só que em outra escala.

Fugir do problema não significa que o problema está resolvido.

Tio Rei em post de “deformação”, explicando sua conduta caso o PSDB vença as eleições de 2010:

O óbvio tem de ser repetido de vez em quando porque algumas coisas vão se perdendo na trajetória, especialmente aquelas que dizem respeito a princípios. Um desses que vagam nas sombras me manda um comentário mais ou menos como segue — é “mais ou menos” porque, bem…, ele é do tipo malcriado. Vamos lá:

Se Serra ganhar a eleição, você fica sem assunto; se ele perder, você se desmoraliza porque vive criticando o PT”.

É uma tolice, mas que não deixa de tocar numa questão relevante. Bem, em primeiro lugar, se o PSDB vencer em 2010, dificilmente vai fazer o governo dos meus sonhos — até porque o meu sonho mesmo, se a matéria fosse essa, é governo nenhum. Como sei que é impossível, então vou lidando com o que temos. Serra ou Aécio presidente, certamente restarão muitas contraposições. Não posso me antecipar porque, bem…, primeiro é preciso que um deles ganhe e que comece a governar. Há a experiência histórica: o PSDB já foi poder. As instituições, é fato, só se fortaleceram.

Assim, é bem possível, acho que é o mais provável, que eu seja mais simpático a um governo do PSDB-DEM do que a um do PT (e mais aquela gente toda).”

Muito interessante.

Primeiro: Tio Rei adverte desde já que Serra não vai “fazer o governo dos seus sonhos”.  Ele se curva à realpolítica no caso de Serra, mas se mostra rígido e inflexível, por exemplo,no caso de Obama. Realmente, em política a boa vontade é tudo.  Pau que bate em chico também deveria bater em francisco.

Segundo: “o PSDB já foi poder e as instituições só se fortaleceram“.  Bom, Fernando Henrique Cardoso foi quem começou com a idéia de reeleição, o que não é lá a idéia mais coerente do mundo com o conceito de fortalecimento das instituições.  Aliás, é bom frisar que das 57 emendas constitucionais que ora retalhammodernizam nossa Constituição, 35 foram promulgadas durante os 8 anos do Fernandato, contra 5 dos governos anteriores e 17 dos anos Lula.  Claro, sempre se pode dizer que as emendas eram necessárias dado o pobre material inicial, mas aí também não dá para ao mesmo tempo considerar a “estabilidade das instituições” como um valor essencial e irremovível.

Terceiro: Tio Rei diz que acha que seria mais simpático a um governo PSDB-DEM do que a um governo do PT (“mais aquela gente toda“).  Então ele deveria pôr as barbas de molho, porque, bem, “aquela gente toda” já esteve exatamente colada no governo FHC e à aliança PSDB-DEM.  Ou Tio Rei já se esqueceu do discurso da “governabilidade“?

Às vezes dá a impressão de que Reinaldo cultiva uma platéia sem memória.  Gostaria de saber qual é a faixa etária de seus leitores; aposto que a maioria é gente com menos de 30 anos.  De toda forma, Tio Rei devia ser mais sincero: ele ficará mais feliz com um governo PSDB-DEM porque é um “reservoir dog“, ora.

Do blog do Dani Rodrik, um excerto do paper “Preventing Markets from Self-Destruction:The Quality of Government Factor“:

In a state of rage, the mob leader himself, Tony Soprano, with a gun in his hand goes after a low level gang member that has betrayed him and kills him. Usually, he would of course have used an underling for an operation like this, but this time … he is so overtaken by emotions that he forgets the golden rule that mafia bosses should never do any of the dirty work themselves. As it happens, he is seen by an “ordinary citizen” chasing after the victim. This eyewitness goes to the police, not knowing that it is the local mafia leader that he has seen. The “ordinary Joe” tells the police that he is just sick and tired of all the violence in his neighbourhood and that he as a law-abiding citizen wants to help the police to clean up the neighbourhood. When the police commissars show him a bunch of photos of known criminals, he directly identifies the perpetrator – still not knowing who the person he identifies is. After he has left the police station, the police commissars are in a state of joy since they now seem to have what they need to put Tony Soprano behind bars.

In the next scene, the eye-witness is sitting comfortably in what seems to be a middle-class home listening to classical music. A woman his age, probably his wife, is sitting close to him reading the newspaper. Suddenly she starts screaming and then shouts at him to read an article in the paper. The article makes it clear to this honest and law-abiding citizen that the person he has identified at the police station as the perpetrator is the well-known local mafia leader Tony Soprano. The law-abiding citizen then throws himself at the phone, calls the police commissar who’s direct number he has, and in a terrified voice says that he did not see anything and that he will not become a witness.

The interesting thing is the book our law-abiding citizen was reading before his wife showed him the newspaper article. An observant spectator has about one second to see that it is the philosopher Robert Nozick’s modern classic Anarchy, State and Utopia – an icon for all ultraliberal, anti-government and free-market proponents ever since it was published (Nozick 1974).

The message from the people behind the Sopranos show seems clear: In a “stateless” Robert Nozick type of society, where everything should be arranged by individual, freely entered contracts, markets will deteriorate into organized crime. The conclusion is again, that there can be a market for anything as long as there is not a market for everything. Or in other words, if everything is for sale, markets will not come close to what should count as social efficiency.” [grifo meu]

***

Comentem.

Como alguns dos 4,5 leitores do blog já devem estar sabendo,  o Deputado Jackson Barreto,  do PMDB, botou na rua uma proposta de Emenda Constitucional permitindo o terceiro mandato.  Deu no Valor:

BRASÍLIA – A proposta de emenda à Constituição (PEC 367), que abriu a possibilidade de um terceiro mandato para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e para os atuais governadores e prefeitos, terá tramitação normal na Câmara dos Deputados, assim como tem outras PECs. A informação foi dada pelo presidente da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP), logo após o deputado Jackson Barreto (PMDB-SE) apresentar a proposta para tramitação, na tarde de hoje.

(…)

O primeiro signatário da PEC, Jackson Barreto justificou a apresentação da proposta afirmando que ela é um reconhecimento do povo nordestino ao trabalho que o presidente Lula tem feito em favor deles. “É o reconhecimento do Nordeste ao trabalho e às políticas públicas do governo do presidente Lula. Eu acho que, em um momento de crise que o país atravessa, é muito melhor sermos conduzidos por alguém que tem credibilidade interna e externa”.

Segundo Barreto, a proposta foi assinada por 194 deputados. Dessas assinaturas, 15 seriam de parlamentares da oposição, sendo 11 do DEM e quatro do PSDB. A informação ainda não foi confirmada pela Secretaria-geral da Câmara.” [grifo meu]

Curiosamente, o Estadão noticiou a PEC assim:

BRASÍLIA – O deputado Jackson Barreto (PMDB-SE) protocolou nesta quinta-feira, 28, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que prevê o terceiro mandato para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele informou ter conseguido 194 assinaturas, sendo 80 delas de integrantes do PT e PMDB.” [grifo meu]

O Correio Braziliense, assim:

O deputado Jackson Barreto (PMDB-SE) protocolou hoje a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que prevê o terceiro mandato para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele informou ter conseguido 194 assinaturas, sendo 80 delas de integrantes do PT e PMDB. “Essa PEC é um reconhecimento do Nordeste às políticas públicas do presidente Lula. Em momento de crise, é melhor que sejamos conduzidos por alguém com credibilidade externa e interna”, afirmou. A PEC prevê a realização de referendo popular no segundo domingo de setembro deste ano para que o terceiro mandato possa ser instituído.” [grifo meu]

Engraçado que o Estadão e o Correio chamem a atenção para as assinaturas do PT e PMDB _ o que não é notícia _ e se esqueçam de falar dos deputados do DEM e do PSDB que assinaram o treco, o que, isso sim, é notícia.

Como não poderia deixar de ser, Tio Rei foi muito solícito e rapidamente apresentou-se para apagar o incêndio:

Falei há pouco com o deputado Rodrigo Maia (RJ), presidente do DEM. Quer dizer, então, que a emenda do terceiro mandato surge com o apoio de DEM, já que conta com a assinatura de 11 deputados do partido?

Ele me respondeu o seguinte: “Olhe, o partido não vai polemizar em torno de um tema que já nasceu morto. Todo mundo sabe como funciona isso. Muitos parlamentares dão a sua assinatura na base da camaradagem, não significa que concordem com a proposta. Esse negócio não tem a menor chance de prosperar”.

Maia trata de uma questão real. Essa camaradagem existe. Mas acho que já passou da hora de parar com essa prática. Eu estava na Folha ainda, acho que foi em 1996, e fizemos uma emenda extinguindo a República e tornando o Brasil, novamente, colônia de Portugal. Evidentemente, tratava-se de um absurdo, que esbarrava em cláusulas pétreas da Constituição. E conseguimos o número necessário de assinaturas para a emenda ser ao menos apresentada.

Acho péssimo que deputados de quaisquer partidos dêem sua assinatura a propostas sem nem saber do que se trata. Mas também resta evidente que a esdrúxula proposta do terceiro mandato NÃO CONTA com o apoio do DEM ou dos tucanos.”

Agora vamos lá: não dá pra engolir esta história de “camaradagem” assim.  Isso devia se transformar em um escândalo.  Afinal, os deputados dos partidos que querem nos governar algum dia assinam uma proposta que inviabiliza este projeto, assim por “camaradagem”?  Antes da “camaradagem” por seus colegas não devia vir a fidelidade a seus eleitores?

Por outro lado, acho que Tio Rei, querendo “naturalizar” a coisa (“Essa camaradagem existe“), se enrola um bocado.  Afinal, como explicar esta frase?

Eu estava na Folha ainda, acho que foi em 1996, e fizemos uma emenda extinguindo a República e tornando o Brasil, novamente, colônia de Portugal. (…) E conseguimos o número necessário de assinaturas para a emenda ser ao menos apresentada.”

Como é que um jornalista da Folha “faz uma emenda extinguindo a República“?   Querendo mostrar que a tal “camaradagem” seria a coisa mais comezinha do mundo, Tio Rei expôs algo que não devia?  Cá entre nós: acho que isso dá processo.  Tio Rei, explique-se aí, senão para nós pelo menos para os seus fiéis seguidores…

***

A Folha já traz os nomes dos deputados do DEM e PSDB que haviam assinado a PEC:

Pressionados pelo comando do partido, os deputados Rogério Marinho (PSDB-RN), Antonio Feijão (PSDB-AP), Carlos Aberto Leréia (PSDB-GO), Eduardo Barbosa (PSDB-MG) e Silvio Torres (PSDB-SP) pediram a retirada de seus nomes à Secretaria Geral da Mesa Diretora da Câmara.

Depois foram sete parlamentares do DEM: Francisco Rodrigues (DEM-RR), Jorge Khoury (DEM-BA), José Carlos Vieira (DEM-SC), José Maia Filho (DEM-PI), Walter Ihoshi (DEM-SP), Clóvis Fecury (DEM-MA) e Fernando de Fabinho (DEM-BA). Por último, o deputado Félix Mendonça (DEM-BA), o que motivou a suspensão da tramitação da PEC.”

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