Hoje de manhã acordei com dois links novos apontando para este pobre blog.  São agentes provocadores.  🙂

Como, newtonianamente, toda reação provém de uma ação, se um agente provocador resolveu te provocar foi porque certamente se irritou com você.  Entretanto, existem dois tipos de “agent provocateur”: o caro e o barato. O agente provocador caro é aquele cara que você teve que se esforçar para irritar.  O barato é aquele que se irrita com você pelo mero fato de você existir.

Um desses provocadores baratos é o Lord ASS, que resolveu achar que o novo número da Dicta&Contradicta foi concebido com o fito de me irritar.  Bom, fui ver a sinopse na Livraria Cultura (um problema com a cauda longa é que as livrarias se tornaram menos exigentes com suas prateleiras):

Em seu terceiro número, um ano depois de seu lançamento, a revista cultural ‘Dicta&Contradicta’ volta com uma edição que apresenta – uma entrevista com Fernando Henrique Cardoso; um ensaio de ciência política escrito por João Pereira Coutinho; o scholar de Harvard Michael Pakaluk, que explica o porque da avareza ser a origem da atual crise econômica; um texto de Roger Scruton a respeito das diferenças entre o Islã e o Ocidente; a análise de Olavo de Carvalho sobre o filósofo brasileiro Mário Ferreira dos Santos; o relato de Ivo Barroso sobre o encontro de Fernando Pessoa com Aleister Crowley; além de uma antologia da poesia húngara moderna traduzida por Nelson Ascher.”

Meu caro ASS, eu não sou nenhuma Fernanda Young.  Assistir ao declínio de Fernando Henrique Cardoso, limitado agora a dividir uma revista com Olavo de Carvalho e Nelson Ascher, é uma experiência que pode suscitar algo entre a hilariedade e a piedade, mas jamais a irritação.  Tente fazer uma reabilitação de Wilson Simonal da próxima vez que quiser me irritar.  🙂

O outro agente provocador é o Paulo do FYI, que tirou de um site esquisitão de finanças do Yahoo a idéia de que Nouriel Roubini é agora um otimista (esquizofrenicamente, o post a seguir à matéria sobre Roubini é pessimista, e o depois desse dá o devido crédito pelo mundo não ter acabado ao pacote de estímulo).  Mas o problema é que lendo a matéria sobre Roubini propriamente dita o que vemos é o seguinte:

Economist Nouriel Roubini on Wednesday said the end of the global recession is likely to occur at the end of the year rather than the middle, and that U.S. growth will remain below potential afterwards.

We are not yet at the bottom of the U.S. and the global recession,” said Roubini. “The contraction is still occurring and the recession is going to be over more towards the end of the year rather than in the middle of the year.”

There is still too much optimism that a recovery is just around the corner,” said Roubini, a professor at New York University’s Stern School of Business and chairman of RGE Monitor, an independent economic research firm.

Roubini, who is widely credited for predicting the current economic turmoil, was speaking at the Seoul Digital Forum.

“A more sober analysis suggests we’re closer to the bottom; there is light at the end of the tunnel, but it’s going to take a while longer, and the recovery is going to be weaker than otherwise expected.”

Once the recession ends, “U.S. economic growth is going to be below potential for at least two years,” he said, amid multiple imbalances in the housing sector and the financial system, and the rise of public debt.” [grifos meus]

Se isso é otimismo, não quero conhecer o pessimismo de Roubini.