A tchurminha anaeróbica está ficando assanhada com meu post sobre Edson, Cleverson, Nariz Gelado e Khaled Hussein Ali, o verdadeiro nome do já lendário libanês K.  Vamos lá.

Primeiro, que as informações são até agora totalmente desencontradas.  O cara (o K., não o Cleverson) (a menos que sejam a mesma pessoa) foi preso e ficou de 24 de abril a 15 de maio preso (quando teve sua prisão revogada),  supostamente por envolvimento com o tal grupo com nome de coletivo artístico parisiense, o Jihad Media Battalion.  Depois foi solto por falta de provas.  Agora a Polícia Federal aparece dizendo que tem sim provas contra o sujeito, ainda que nenhum anaeróbico tenha aparecido ainda para dizer que o libanês está sendo perseguido por um Protógenes da vida.

Bom, se você puser no Google “Jihad Media Battalion” como argumento, obterá 5.870 hits.  É mais do que o número de hits alcançado por aquela outra organização revoltosa, a Dicta&Contradicta, que chega a parcos 4.200 hits.  Me pergunto se os caras são tão terroristas mesmo _ em sendo assim, porque será que o governo americano ainda não levou um lero legal com o Google para que eles retirem a expressão dos resultados de busca?  Já se sabe que com jeitinho o Google faz qualquer negócio.

Mas vou dizer uma coisa, o que me espantou mesmo no post da Nariz foi esse trecho a seguir.  Vamos lá, fazer a análise do discurso.  O trecho do post da Nariz Gelado que eu reproduzi diz o seguinte:

““O Brasil, como se sabe – e como o pessoal que ficou fulo da vida com aquela campanha do Burger King teima em negar – é o refúgio ideal para bandidos internacionais. E isto é assim desde que os nazistas vinham até aqui para se esconder. E é assim por motivos vários, que vão desde a malemolência das nossas autoridades, passando pelo total abandono das nossas fronteiras e culminando com a nossa alardeada diversidade étnica – o que permite que qualquer criatura, sem levantar a mínima suspeita, possa se passar por brasileiro. E o Bush, vejam só!, não tem culpa de que assim seja.”

Primeiro, um detalhe.  Sabe-se, com certeza,  que o Rio em particular, e o Brasil genericamente, é mesmo o refúgio ideal para bandidos internacionais _ na imaginação da mídia estrangeira, principalmente a cinematográfica.  Até aí tudo bem, mas é difícil dizer se na realidade os bandidos internacionais vêm mesmo para o Rio ou vão para lugares mais aprazíveis e civilizados, como a Flórida ou Mônaco.  Pelo menos já é um alívio saber que os mais procurados, ao menos, não são brasileiros, né?

Segundo, que uma coisa é ser alvo da infiltração por bandidos e terroristas, enquanto outra muito diferente é protegê-los ativamente por motivos inconfessáveis.

Terceiro que nossas autoridades, malemolentes ou não, nada podem fazer contra um sujeito que entra no Brasil e leva uma vida quieta e recatada, ainda que ele seja um sanguinário genocida, se o sujeito não for denunciado.  Este tipo de coisa não está escrita na testa de ninguém.

Quarto que, como já disse em um comentário, falar em “total abandono de nossas fronteiras“, em um país como o Brasil, é de uma pretensão de beirar o ridículo.  O país tem mais de 15 mil quilômetros de fronteiras TERRESTRES. passando pelo meio de florestas e lugares dos mais ermos do mundo.  Ora, a fronteira entre o México e Estados Unidos é uma das mais bem guardadas do mundo e nem por isso há falta de mexicanos nos EUA.

Finalmente, a nossa diversidade étnica.  Eu sou um sujeito de bom coração e sempre tento ver o melhor nas pessoas, então vou acreditar que Nariz Gelado apenas afirmou a evidência que o Brasil é um país etnicamente diverso, ao invés de lamentar isso, como pensaria um comentarista mais afoito.

***

É claro que o negócio é o seguinte: se de fato pegarem um operativo da Al Qaeda no Brasil, dando uma de “dorminhoco“, não é pra dar mole.  O problema é que os lídimos senhores e senhoras da nossa digna ala direita não se furtarão a usar politicamente o fato.

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