Pois é, Idelber e Sergio Leo estão engalfinhados (no bom sentido, sem luta greco-romana, é claro) em uma disputa sobre o papel da mídia vis a vis a Vida, o Universo e Tudo o Mais ((c) Douglas Adams).

Diante de um debate tão candente, é claro que seria uma grande sacanagem com os contendores aproveitar a situação e dar uma de “tertius” prudente, sopesando as duas posições e saindo pelo “caminho do meio”.  Por isso mesmo, é isso o que eu vou fazer.   🙂

Penso que Idelber e Sergio Leo se colocaram, talvez até por força das circunstâncias, nos pólos opostos da discussão, levados um por sua posição profissional, outro pelo radicalismo que a cátedra permite.  Além é claro da própria dinâmica desse tipo de debate, que incita à polarização.

Olhando de fora, acho que cada um tem parte da razão _ como no conto dos cegos tateando o elefante.  Idelber está corretíssimo em chamar a atenção para o caráter oligopolizado dos meios de comunicação que importam (a MSM – Mainstream Media), e a decorrência óbvia de que dado o seu papel de formador de opinião em uma democracia de massas, a mídia está perpassada por interesses políticos e econômicos às vezes inconfessáveis, às vezes demasiadamente confessados.  Por outro lado, o Sergio Leo, que está dentro da indústria, não deve ter dificuldade de testemunhar que o princípio da maximização do lucro às vezes faz com que um grupo de mídia desenvolva várias “vozes”, para cobrir todo o mercado, independente de sua coloração política.  É isso talvez que faz com que por exemplo o jornal Valor, onde ele trabalha, seja um bicho bem diferenciado tanto da Folha quanto do Globo, que são sócios na sua propriedade.

Eu, por minha vez, trabalhando no governo, estou em posição privilegiada para detectar certos movimentos estranhos, como quando jornais imprimem, com toda a aparência de notícia, matérias que se fossem prisioneiros de Guantânamo confessariam suas intenções só com um cafuné.

Já debati essa questão da mídia inumeráveis vezes, e tenho uma posição que é a seguinte:  a) a MSM tem muito poder; b) mas a MSM não tem TODO o poder; c) não existe objetividade na mídia; d) mas pode haver uma competição pelos fatos na mídia, que levem o leitor cada vez mais para perto de uma “verdade” _ de preferência uma que seja “hand made“.

Sem dúvida, há gente séria por aí que diz que o “mercado de idéias” (que é do que estou falando), assim como outros mercados, também é suscetível a falhas (se bem que tem quem inverta a história também).  Na minha humilde opinião…sem dúvida que sim.  Mas eu acho que um mix apropriado de regulação e competição pode melhorar muito esse desempenho.  Por isso atenção no Confecom, a Conferência Nacional de Comunicação que vai rolar no fim do ano, e que Reinaldo Azevedo já anda dizendo que tem “nome de exame laboratorial de latinha” _ e de fato ele está justificado em temer o negócio, talvez antevendo que acabe sendo “examinado”.

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