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O Financial Times traz um artigo comparando o presidente eleito da África do Sul, Jacob Zuma, ao Presidente Lula.  O contexto é o de que assim como Lula surpreendeu os analistas internacionais ao vencer as eleições de 2002 e governar de forma fiscalmente responsável, Zuma também poderá surpreender seus críticos, fazendo um governo centrista e menos populista do que se espera.

A ver, já que Zuma é o homem que acha que uma ducha quente espanta a AIDS…

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Os mais verdinhos, contrario senso, são os menos esperançosos (clique para ampliar)

Saiu o mapa do otimismo mundial.  Nações mais otimistas:

  • Irlanda
  • Brasil
  • Dinamarca
  • Nova Zelândia

Os EUA aparecem na chickenlittlística décima posição.   Os países mais chickenlittlísticos são o Zimbabwe, o Egito, o Haiti e a Bulgária.

O estudo é fruto de uma associação entre a Universidade do Kansas e o instituto Gallup, e foi apresentado hoje no encontro anual da Association for Psychological Science em San Francisco.

Um dos resultados do estudo, que surgiu da entrevista de mais de 150.000 adultos representando mais de 95% da população mundial,  é que o otimismo é uma caracterísitca universal.   89% dos entrevistados acham que os próximos cinco anos serão melhores ou tão bons quanto a situação atual, enquanto 95% acham que sua vida será tão boa ou melhor quanto a que tiveram nos últimos cinco anos.

***

Pelo mapa dá pra sentir que o clima não é dos melhores na África, o que explica uma reportagem que saiu no Financial Times de hoje onde as Nações Unidas alertam para um tipo especial de neocolonialismo: vários governos africanos estão praticamente dando terras para empresas estrangeiras.  As estimativas do estudo (envolvendo países como a Etiópia, Gana, Mali, Madagascar e Sudão)  apontam para a cessão de algo como 2,5 milhões de hectares (metade da terra arável na Inglaterra); outras estimativas, envolvendo a África, a América Latina e a Ásia, apontam até 12 milhões de hectares (equivalente a metade da Itália).  As terras são cedidas em troca da promessa de investimentos em infra-estrutura e criação de empregos, mas a análise dos contratos revela que eles são notoriamente simples e mal-feitos, o que implica em que o país que cede as terras fica com poucos instrumentos para forçar a realização das contrapartidas.

Os maiores investidores são a Arábia Saudita e a Coréia do Sul, países interessados em garantir sua segurança alimentar.

Isso é má notícia para muita gente, mas talvez mais ainda para os ambientalistas (um dos projetos envolve a ilha de Madagascar, um santuário de biodiversidade que vem sendo rapidamente consumido) e o Brasil, que apesar do seu otimismo corre o sério risco de encontrar em breve uma grande competição no setor de commodities.  Hora de vender Brasilfoods…   🙂

Um dos pontos quentes que vão ser debatidos na CPI da Petrobrás é a questão das “compras sem licitação”. Nesse caso é bom entendermos direito os aspectos legais dessa questão, no que diz respeito à Petrobrás.

A Lei nº 9.478/97, também conhecida como Lei do Petróleo, reza, em seu artigo 67,  que “os contratos celebrados pela Petrobras para aquisição de bens e serviços serão precedidos de procedimento licitatório simplificado, a ser definido em decreto do presidente da República“.

Esse decreto presidencial citado no artigo 67 entrou efetivamente em vigor, vindo a ser o Decreto nº 2.745/98.  Portanto, desde essa época, a Petrobrás aplica, para realizar suas compras, um regulamento simplificado para realizar licitações.  Como os mais argutos não deixarão de observar, esse Decreto foi editado ainda pelo Presidente Fernando Henrique Cardoso.

Para complicar, existe uma liminar do STF que respalda o uso do regulamento simplificado pela Petrobrás.  E quem decidiu isso foi ninguém mais ninguém menos do que…o Ministro Gilmar Mendes.  A justificativa é que a Petrobrás é uma estatal que exerce atividade econômica, e não serviço público.  Como tal tem que ter condições de concorrer em igualdade com as empresas privadas, que não estão sujeitas aos rigores da Lei 8.666, a Lei de licitações.

E, no que diz respeito à Lei de Licitações, a verdade é que há 13 anos atrás os tucanos diziam o seguinte pela boca do Ministro Luiz Carlos Bresser Pereira:

O governo federal está terminando um novo projeto de lei de licitações. A atual lei, 8.666, é recente, mas hoje já existe uma quase unanimidade nacional de que precisa, com urgência, ser profundamente mudada, senão substituída por uma lei nova. Por que falhou a 8.666? Essencialmente, porque, ao adotar uma perspectiva estritamente burocrática, ao pretender regulamentar tudo tirando autonomia e responsabilidade do administrador público, atrasou e encareceu os processos de compra do Estado e das empresas estatais, sem garantir a redução da fraude e dos conluios.

(…) Existe hoje uma unanimidade no governo e no serviço público, em todos os seus níveis, de que é preciso reformar essa lei. Só não compartilham dessa convicção burocratas empedernidos e principalmente alguns pequenos empreiteiros que se beneficiaram indevidamente da radical eliminação das exigências de capacidade técnica através do veto do Presidente Itamar Franco. Estas pessoas argumentam que o grande problema é evitar a corrupção do administrador público. E para isto bastaria estabelecer regras detalhadas na lei de forma a cercear ao máximo o subjetivismo dos administradores.”

É isso aí.  O projeto tucano nos áureos tempos de FHC era o de flexibilizar a 8.666, não de exigir seu cumprimento ao pé da letra.

Quem trabalha no serviço público sabe, de fato, que a Lei de Licitações às vezes leva a situações kafkanianas.  É verdade, porém, que uma parte expressiva das reclamações contra a 8.666 surgem por causa do mau planejamento.  Em todo caso, porém, acho razoável afirmar que uma empresa precisa realmente de mais flexibilidade.  Assim, acredito que o que está na mira da oposição ao realizar a CPI da Petrobrás _ além de bater tambor, é claro _ talvez seja enrijecer a atuação da estatal visando segurar o pré-sal e os investimentos da empresa.  Já que como reconhece o próprio Reinaldo Azevedo, os investimentos da estatal afiguram-se como uma parte expressiva de todo o pacote de estímulo do governo, “engessá-lo” é uma prioridade para aqueles que querem disfarçar o “quanto pior melhor” sob a égide da moralidade…

Com a estréia de Terminator Salvation nos EUA, há um certo frenezi na imprensa a respeito de robôs e inteligência artificial em geral.  Ainda assim, isto aqui é…preocupante:

P.W. Singer’s latest book, Wired For War: The Robotics Revolution and Conflict in the 21st Century, is exciting, fascination and frightening. Singer covers the history of robotics for warfare (and robot history in general) before delving into the dizzying plethora of robotic systems being developed and/or used at a tremendously accelerated rate.

With loving detail, Singer describes all the new awesome bot warriors and the players involved in creating them. At the same time, he explores the horrors and dangers — both potential and current — and raises the alarming and increasingly unavoidable ethical issues that are bubbling to the surface as war increasingly becomes robot war.”

Tá de bom tamanho?  Mas tem mais:

h+: What were some of the more impressive or frightening things that you discovered about robotics in warfare that you discovered in researching the book?

PWS: It’s impressive when you break it into three different directions that robotics and war are headed in. For one thing, there’s the raw numbers, in terms of the use of these robotic systems. We’ve gone from a handful of drones during the Iraq invasion to more than 7,000 now in the U.S. military inventory. On the ground, we had zero unmanned vehicles before the invasion of Iraq. We now have over 12,000. And this is just the start.

(…)

The second impressive aspect of this is the new size and shapes — the forms that these robots come in. (…)

The third impressive aspect is their ever-greater intelligence and autonomy. We’ve gone from having systems where we remote controlled every single thing that they could do to systems where the human role is more managerial or supervisory. We’re slowly pushing ourselves outside of the loop. (…)

E então…tchan tchan tchan tchan…

h+: ….which raises the inevitable Terminator question. Did you see anything that made you think of that film, particularly?

PWS: Oh, god. You know, what didn’t? I mean, I can think of just wonderful layers of anecdotes upon anecdotes about that.

I’ll give you four things that sort of jumped out at me and that I write about in the book. For one thing — it’s interesting where the scientists get their ideas about what to build. There’s a section in the book about the role that science fiction is playing in directly influencing battlefield reality. And I went around interviewing not just the scientists who design and build these systems, but the science fiction creators who inspire them. And I recall one of the scientists talking with incredible admiration about the robots in the opening scene of Terminator 2, where the robots are walking across the battlefield. This is basically what Terminator Salvation is about — that’s the world that movie is going to play in, right? And he was like: “This is incredibly impressive stuff.” You know, yeah, it’s stepping on a human skull, but it’s still really impressive.

Another scientist talked about how the military came to him and said, “Oh, we’d like you to design the hunter-killer drone from the Terminator movies.” Which, you know, is kind of incredibly scary, but it makes perfect sense from another perspective in that if it’s effective for SkyNet, their thinking is: “Well, it could be really neat in our real-world battlefields.

Well.

Devo confessar primeiramente que meu objetivo neste post era fundir essa história da H+ Magazine com um post que achei na internets sobre um tema interessante, que é o vínculo entre realidade, imaginação e invenção.  Infelizmente, perdi o miserável do link.  Mas a formulação geral tinha um caráter epistemológico, onde a questão era a de saber se um certo paradoxo posto por Aristóteles (?) tinha sentido.  O paradoxo era o seguinte:  se uma determinada idéia X está em nossa mente, então não podemos discuti-la, pois a conhecemos inteiramente.  Porém, se uma determinada idéia X NÃO está em nossa mente, então não podemos discuti-la, pois a desconhecemos inteiramente.

O sujeito do post se saía, se bem me lembro, dizendo que, na verdade, podemos ter uma idéia X em nossa mente e ainda assim discuti-la, pois a idéia pode estar “incompleta” _ e que o paradoxo é só resultado de um jogo de palavras de Aristóteles.

Foi aí que me lembrei de uma das idéias mais interessantes que já vi no cinema, que é o Terminator T-1000 do Terminator 2.  Ele é interessante porque trata-se de uma idéia simples, mas, por tudo o que conhecemos, inexequível.

Na verdade exemplos assim abundam.  Uma boa parte das “invenções” de Julio Verne em seus romances se mostraram viáveis, mas, ao seu tempo, ele provavelmente não tinha a menor idéia de como elas funcionariam.

Assim, existe uma “razoabilidade” abstrata em algumas antecipações, a despeito de sabermos ou não como chegar lá.

E o que é estranho é que talvez a interação entre ficção científica e pesquisa científica esteja começando a tomar a forma de uma “profecia auto-realizante”.   Aliás, esta matéria no NYT de ontem vai nesse diapasão:

Profiled in the documentary “Transcendent Man,” which had its premier last month at the TriBeCa Film Festival, and with his own Singularity movie due later this year, Dr. Kurzweil has become a one-man marketing machine for the concept of post-humanism. He is the co-founder of Singularity University, a school supported by Google that will open in June with a grand goal — to “assemble, educate and inspire a cadre of leaders who strive to understand and facilitate the development of exponentially advancing technologies and apply, focus and guide these tools to address humanity’s grand challenges.” [grifo meu]

Mas tudo isso pode ser só paranóia matinal.  🙂

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