O problema com blogs é que se o blogueiro é, tipo, um reservoir dog a serviço de uma cau$a, corre o sério risco de incorrer em contradições graves.

Estava lendo Tio Rei e, de cima para baixo, aparecem dois posts consecutivos:

Os fascistóides e o povo

Podcast do Diogo – A tortura da CIA e a pergunta de Cheney

No primeiro, Reinaldo, em nome dos altos ideais da democracia ocidental, senta a lenha em um deputado petista que foi à tribuna defender um terceiro mandato para Lula :

Comento

Esse é um daqueles petistas que se colocam como “voz isolada”, mas que reproduzem parte do que o partido discute na intimidade. Não acredito, já disse, que esse tipo de coisa possa prosperar. Não que faltasse vontade a Lula, mas o custo seria enorme. Já escrevi a respeito recentemente. É só procurar no arquivo.

Destaco uma coisa em particular na fala do tal deputado. Vejam que mimo: “Essa é a soberania popular, é o sentido da democracia. Todo o poder emana do povo e não do Congresso Nacional e da lei. As leis não bastam”.

Entenderam? O juízo, é óbvio, é perturbado. Nas democracias, o poder emana do povo com um propósito: fazer as leis que todos têm de seguir. Justamente para que não se formem maiorias conjunturais e de ocasião em defesa disso ou daquilo. Tanto é assim que ao povo não é permitido desrespeitar as leis instituídas pelo… povo!!!

Não quero perder o meu tempo com esse tipinho. Noto apenas que a sua fala não é diversa daquela bobagem dita pelo ministro Joaquim Barbosa, de ouvir as ruas. Vivemos tempos algo sensíveis a esse tipo de pregação. Líderes dos vários fascismos europeus das décadas de 30 e 40 do século passado endossariam a fala do petista. E o mesmo fariam lideranças fascistóides hoje em dia, à moda Chávez, Evo e Correa.

Interessante essa postura do Tio Rei, um sujeito eventualmente dado a apoiar petições em apoio a generais em seu blog.  Me parece que a voz do povo não lhe desagrada tanto assim, desde que ele possa escolher o povo.  Ou a pergunta feita ao povo.

No segundo post, Tio Rei transcreve o podcast da sua alma gêmea, Diogo Mainardi, em apoio a Dick Cheney:

O prisioneiro é amarrado a uma prancha, com os olhos tapados e um pano enfiado na boca. Os interrogadores despejam água em seu rosto, sufocando-o. Essa foi uma das técnicas de interrogatório empregadas por agentes da CIA contra os terroristas da Al-Qaeda – a técnica do afogamento. Barack Obama chamou-a de tortura. Nós, os defensores da prática, impenitentes, preferimos chamá-la burocraticamente de “técnica incrementada de interrogatório”.

Quem está certo? Barack Obama está certo: é tortura. Uma tortura mansa, dócil, amena, tanto que alguns jornalistas se submeteram espontaneamente a ela. E se um jornalista encara o sofrimento, é sinal de que qualquer um pode encará-lo. Mesmo assim, é tortura. E tortura é sempre imoral. Mas a pergunta repetida insistentemente por Dick Cheney, depois que Barack Obama decidiu divulgar o relatório sobre os episódios de tortura praticados pela CIA, tem de ser respondida: é mais imoral torturar um terrorista ou permitir um atentado? Porque esse é o melhor argumento usado por Dick Cheney. Ele garante que a técnica do afogamento salvou vidas, impedindo uma nova série de atentados nos Estados Unidos, nos mesmos moldes dos ataques de 11 de setembro de 2001. Ele garante também que a prova desse fato está contida nos documentos da CIA que Barack Obama, até agora, preferiu omitir, mantendo o sigilo.”

É isso.  Estamos na idade das ditabrandas chanceladas pela imprensa, onde até a tortura é “mansa, dócil, amena“.  Já que Tio Rei é jornalista também, além de um defensor das torturas mansas das ditaduras brandas, sugerimos fortemente que ele procure o pau-de-arara mais próximo.  Pode ser terapêutico.

Agora só resta saber que outras proibições da Convenção de Genebra Tio Rei acha que podem ser flexibilizadas.  Eu aposto que ele engatilha um discurso a favor de armas químicas já, já…