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Há tempos fiz um post sobre os problemas da Sadia (“O capitalismo brasileiro é sadio?“), onde uma reportagem genial do Valor revelou os podres de uma empresa tida até pouco tempo como um padrão do mundo corporativo pátrio.

Não deu outra: a Sadia está sendo comprada pela Perdigão.  Criando um virtual monopólio no setor de alimentos industrializados no Brasil.  Mas, como os tempos são de crise, o CADE deverá entrar mudo e sair calado.

E o pior é que nem mesmo a fusão é sinal de melhoras:

Fonte de uma das famílias controladoras da Sadia afirma que, no ponto em que chegou a situação da empresa, a melhor coisa que poderia acontecer é mesmo uma união com a Perdigão, ainda que em condições desiguais. A fonte diz que o resultado da união dependerá do que for decidido para a gestão. “A gestão da Sadia pode ter seus problemas, mas a da Perdigão também não impressiona”, afirma. Sendo assim defende que as empresas reconheçam essa fragilidade e busquem uma nova gestão com uma nova cultura, de preferência com um presidente-executivo fora dos quadros de ambas.” [grifo meu]

Mas não parece que a profissionalização vai rolar:

Antes de aceitar a venda para a rival Perdigão, a Sadia tentou encontrar sócios interessados em capitalizar a companhia. No entanto, não houve sucesso, dadas as exigências que esses potenciais investidores faziam, tanto em preço como em direitos e novo modelo de governança. 

Mesmo o BNDES, se aceitasse capitalizar a companhia sem uma fusão, faria exigências como a migração para o Novo Mercado, que na prática também diluiria a família com a conversão de ações preferenciais em ordinárias e a tornaria um bloco importante de sócios mas sem controle. 

Na verdade, qualquer alternativa de capitalização da empresa, em ações ordinárias, reduziria a participação da família, que detêm 77% do capital votante.

Ou seja, os Furlan afundam, mas não largam o osso.

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