O Idelber tem um post sobre os pífios resultados da mídia impressa auriverde em 2009 (so far).

O que impressiona é que, diferentemente dos jornalões internacionais como o New York Times, cuja versão na internet é gratuita, os jornais brasileiros têm em sua maioria partes abertas e partes fechadas _ se não me engano, a própria Folha de São Paulo é quase totalmente fechada para não-assinantes.

Esse é um debate que está rolando já há algum tempo na blogoseira e fora dela.  Ontem,  artigo de Gay Telese no Estadão repisa a tese de que oferecer conteúdo gratuito na rede foi um erro estratégico dos jornalões:

O senhor escreveu há 40 anos a primeira narrativa importante sobre o New York Times. Como vê as dificuldades que o jornal atravessa? 

Você está me perguntando sobre o futuro do jornalismo. Bem, acho que a nova geração que assumiu o jornal nos anos 90, no limiar da revolução tecnológica, amadureceu sob o impacto da tecnologia e fez um erro calculado de oferecer notícias de graça. A publicidade ia pagar por todo o custo de apurar notícias. A decisão foi feita num comitê corporativo, como se fosse um colégio de cardeais. Os executivos e os proprietários, os Sulzbergers, acho que eles prestaram um desserviço a si mesmos e desvalorizaram um grande jornal ao concordar que o negócio era entregar tudo de graça. Eles arruinaram o próprio futuro quando foram incapazes de julgar de maneira adequada o que faziam. Porque o que o New York Times faz não pode ser feito por outros na internet. Há outros grandes jornais, claro, mas vamos ficar com o jornal que conheço melhor. Eles mandam repórteres para o Rio, para Roma, para a Islândia. E o custo de obter a notícia – de forma correta, não só em primeira mão, mas de maneira correta – deve ser a maior prioridade. Não há alternativa no mundo para este tipo de trabalho. Não se resolve com bloggers inventando histórias nos seus quartos. O estrago já foi feito e eles perceberam, tarde demais, que era inviável do ponto de vista financeiro. O que fazer agora? Bem, para ser justo, eu lhes dou crédito por não ter reduzido a redação a ponto de prejudicar a qualidade do jornal. O Times ainda é um grande jornal. Acho que é um jornal melhor hoje do que quando saí, em 1965.”  [grifo meu]

A experiência brasileira talvez esteja mostrando que isso é apenas parte da história.

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