Eu sei que a generalização é a mãe de todos os preconceitos e que a anaerobicidade, por sua vez, é useira e vezeira em fazer da mais inocente vovózinha anarquista um monstro que é carne da mesma carne do mais sanguinolento ditador “comunista”.   Mas apesar disso, é tentador adivinhar no anaeróbico tosco o mesmo apetite que anima o aristocrata sofisticado ou o piedoso conservador religioso.   Quem nos dá essa alegria, dessa vez, é Rodrigo Constantino (“A Bomba Relógio do Welfare State“).

RC produz a bilhonésima versão da diatribe contra o Welfare State, com a diferença que a dele é sem imaginação e muito mais mal escrita que a média.  

Vejamos uma frase: 

Em 1935, quando a Previdência Social foi criada, apenas 6% dos americanos tinham 65 anos ou mais. Atualmente, esse percentual dobrou, e até 2030 deverá ter triplicado. Adding insult to injury, o povo não só está mais velho, como vive bem mais hoje em dia. A expectativa de vida vem aumentando rapidamente, o que é uma grande conquista do capitalismo, mas que custa caro aos programas sociais.”

Sério: aquele “adding insult to injury” ali foi uma das mais incompetentes utilizações de um estrangeirismo que estes meus cansados olhos já tiveram a ocasião de contemplar.  Quer dizer, injúria é o fato do percentual de americanos com mais de 65 anos ter dobrado, e insulto é o fato deles não só já serem velhos como terem uma expectativa de vida maior ainda. E o autor resume: realmente, viver mais é uma conquista do capitalismo, mas tá ficando caro demais. O que sugere que talvez seja uma conquista, er, dispensável, abrindo novos e venturosos horizontes para a imbecilidade de direita.

Deixando de lado a questão puramente estilística, talvez RC devesse se perguntar porque diabos a tal bomba relógio vem tiquetaqueando há já quase um século (dependendo de onde você imagina o seu início), enquanto no momento presente estamos vivendo os efeitos de um Laissez-Faire State que acaba de explodir.

Me sorry, mas o Rodrigo Constantino é uma anta de dois andares.