ferradura

As sandálias da humildade de Tio Rei

Já dizia titio Golbery que direita e esquerda se encontram, não no infinito, que é lugar sublime, mas nas duas pontas de uma ferradura.  É claro que a metáfora do velho militar apenas dava azo à sua imaginação castrense, mas como até um relógio parado está certo duas vezes ao dia (se for analógico), até que o mago tinha lá suas razões.

Pois não é que Reinaldo Azevedo foi se meter até com a pobre da Susan Boyle (talvez para não ter que escrever sobre o vexame de Carlos Alberto Direito, seu pet justice no STF)?

(…)Acreditar que alguém como aquela senhora chega a se apresentar para o júri sem que se saiba se ela canta bem ou não está um pouco além da ingenuidade. Mas a TV conta com a “boa-fé” do público, não é?, ou produziria outra coisa. Ninguém pensou na maquiagem de Susan, em seu cabelo desgrenhado e ressecado, em sua roupa cafona. Tudo pensando para causar o choque e nos levar a um ensinamento moral: “Vejam como é feio o preconceito!”. (…)

Susan responde pelo que fez do que fizeram dela. Não temos culpa nenhuma. Mas o diabo é que, então, passam a operar duas coisas simultâneas:

1 – quem se considera, de algum modo, vitorioso, sente-se bem em alimentar uma espécie de culpa diante dos oprimidos injustiçados. Esse sentimento lhe diz: “Você venceu; mas muitos não conseguiram. Seja generoso”.

2 – o derrotado encontra em Susan Boyle o seu próprio retrato, porém alçado à condição de celebridade: “Veja lá como o mundo pode ser injusto com os talentosos.

Interessante o modo pelo qual RA se sente no dever de castigar toda e qualquer parábola tendente a trazer alguma esperança a quem não a tem.  Para ele, esperança é uma ideologia perigosa, e metáforas de cunho piedoso devem ser sumariamente executadas em praça pública.   Como se um dos mais antigos “golpes de marketing” desse quilate não tivesse sido a pouco sutil passagem bíblica em que  o Rei dos Reis entra em Jerusalém montado em um burrinho (que, dizem, depois virou católico e foi batizado como Reinaldo Azevedo).

Mas o bacana mesmo é que, mantendo-nos fiéis à temática quadrúpede deste  post, vemos que a profecia de Golbery se realiza, materializando a ferradura ideológica prevista pelo feiticeiro.  O fato é que o Democratic Underground também tem lá suas dúvidas sobre Susan Boyle:

The more I think about it the more I begin to wonder, though I have no evidence. 

My first impression of her before she started singing was with her hair and clothes how much she reminded me of those Monty Python housewife characters, the so-called Pepper Pot women: 

The resemblance seemed to me so striking that it almost had to be intentional. Why would a professional TV production with all of their hair, makeup and wardrobe staff let her go on like that unless on purpose? 

My second impression when she started singing was, beauty aside, just how professional she sounded, not just in the quality and resonance of her voice, but in her breathing, her pacing, and the almost well-practiced emotion she gave the song.

Was this all some kind of prank to supercharge the show’s ratings? Is “Susan Boyle” actually a professional musical theater (or some other kind) of singer that was heavily made up and presented as an undiscovered unknown? 

I don’t know. But everything said about her story and her performance so far has to me almost a too perfect fairytale-like quality, to the point where it begins to seem contrived.

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