Na, entre todos os lugares, a Time:

Galeano’s book is a well-researched historical account and, while it does include quotes by Karl Marx, the author’s left-leaning perspective does not rob the book of value. It’s perhaps overly dense with fact after fact after fact – the author doesn’t zoom out often – but the book still makes a convincing argument that Latin America was a victim of European and American exploitation. This is not a difficult case to make when you’re talking about colonialism. But with leftist leaders like Chavez and Bolivia’s Evo Morales assuming power of 21st century Latin American governments, it’s important to understand how they think we got here and who they hold responsible.”

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Pois é, há muitos anos atrás eu tinha um exemplar do livro, mas ele sumiu aqui da minha Blábláteca há muito tempo.  Gostaria de reler algumas partes.  De qualquer modo, embora eu não seja particularmente entusiasmado com o projeto político escapista de algumas esquerdas _ principalmente a de atirar toda a culpa do nosso subdesenvolvimento aos colonizadores, uma vez que eles afinal sempre foram ajudados, e bastante, por aristocracias locais _ também não consigo entender como uma certa direita que alimenta um outro projeto político escapista resolva aquartelar-se contra um livro que afinal de contas vai mais fundo ainda na gênese do que, queiramos ou não, somos.

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UPDATE:

Achei uma versão para download do livro do Galeano aqui.  Nas páginas finais há algumas considerações sobre o Brasil que Chavez deve ter arrancado no exemplar do livro que deu para Obama:

Nestes últimos anos, recrudesceu em grande medida a concorrência entre os gerentes dos grandes interesses imperialistas, instalados nos governos do Brasil e da Argentina, em torno do agitado problema da liderança continental. Tudo indica que a Argentina não está em condições de resistir ao poderoso desafio brasileiro: o Brasil tem o dobro de superfície e uma população quatro vezes maior, é quase três vezes mais ampla a produção de aço, fabrica o dobro de cimento e gera mais do dobro de energia; a taxa de renovação de sua marinha mercante é quinze vezes mais alta. Registrou, além disso, um ritmo de crescimento econômico bastante mais acelerado que o da Argentina, durante as últimas décadas. Não faz muito tempo, a Argentina produzia mais automóveis e caminhões do que o Brasil. No ritmo atual, em 1975, a indústria automobilística brasileira é três vezes maior do que a Argentina. A frota marítima, que em 1966 era igual à Argentina, equivale a de toda a América Latina reunida. O Brasil oferece à inversão estrangeira a magnitude de seu mercado potencial, suas fabulosas riquezas naturais, o grande valor estratégico de seu território, que limita com todos os países sul-americanos menos com o Equador e o Chile, e todas as condições para que as empresas norte-americanas radicadas em seu solo avancem com botas de sete léguas: O Brasil dispõe de braços mais baratos e mais abundantes do que seu rival. Não é por acaso que a terça parte dos produtos elaborados e semi-elaborados que se vendem dentro da ALALC provenha do Brasil. Este é o país que constitui o eixo da libertação ou servidão de toda a América Latina. Quem sabe o senador norte-americano Fulbright não tenha tido consciência completa do alcance de suas palavras quando, em 1956, atribuiu ao Brasil, em declarações públicas, a missão de dirigir o mercado comum da América Latina.”

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