Via o Na Prática, descubro que o Tyler Cowen, er, “gosta” do Brasil.  Em um post sobre as coisas que ele mais gosta em Portugal, vemos o seguinte:

“8. Former colony: Brazil.  But there’s stiff competition.”

E uma observação enigmática:

The bottom line: I am worried by the gaps here, including classical music, cinema, painting, and sculpture. Yet #8 makes up for it all. I suspect that too much royal patronage is the reason why there are so many notable Portuguese explorers and so few recognized composers.” [grifo meu]

Francamente, se pensarmos nas outras ex-colônias portuguesas, não me parece que a competição em termos de turismo seja tão grande assim.  Aliás a escolha me parece algo óbvia, a menos que você seja um turista bastante heterodoxo.

Além disso me parece um tanto esquisito que o Tyler Cowen procure refugiar-se de seu desconhecimento a respeito das artes portuguesas (que em si não tem nada demais, aliás) dizendo que o Brasil compensa isso tudo, porque, afinal, suas belezas naturais não foram obviamente obra dos portugueses,  suas características psicossociais também diferem um tanto da portuguesa, e parte ponderável do progresso que tivemos deveu-se à contribuição de emigrados de outros países, como os italianos, africanos, poloneses, japoneses, etc.  Agora, talvez seja razoável dizer que coisas como a miscigenação tiveram origem na colonização lusitana, certamente.

A parte sobre a patronagem real também não me parece fechar.  Se fosse esse o principal fator, comparando com as demais cortes européias exceto a espanhola, eu esperaria bem o contrário.

Bem, depois disso, lancei-me a uma jornada buscando outros posts do Marginal Revolution que falam sobre o Brasil.   Os posts em geral são relativamente equilibrados, e tem até um sobre o Brazil mesmo (mas que diabo é aquilo sobre as cidades perto de Curitiba??).  Mas os comentários deixam muitíssimo a desejar.  Por exemplo, vide este comentário em um post onde Cowen se pergunta porque os preços dos livros no Brasil são tão altos:

It is so true that Brazilians do not read.

For example, many do the 2-hour (each way) commute in a plush bus every day from Teresópolis to Rio de Janeiro to work. Not only do they not read a book, but they do not read a magazine like Veja. A few will read a newspaper. If you see a person reading in public, it will invariably turn out that he is a gringo. And the idea that Brazilians spend the time conversing instead of reading is a canard, as almost none of those bus commuters converse with their seatmates either. As a gringo, I find it fun to strike up conversations with Brazilians in lines like those at the bank, where they seem to spend half their lives.

I think the Brazilians are a lot like Turks, for example, who figure their education is over, rather than just beginning, once they have left school! To read a book in public is to them a clear indication of lack of education.

But Brazilians also can’t fix anything and can’t borrow a tool without returning it late or broken, or both. The only exception is when they don’t return it at all, which is more common.

The result is that I know Brazilian geography and history, not to mention wildlife, better than my Brazilian neighbors, many of which have never ventured more than 100 km from where they were born.

One of my native Brazilian friends explains that these behaviors are attributable to the culture of slavery, which lasted in Brazil until 1888. The idea is: why not break the master’s tools and attribute it to accident? And why read if you will be punished for it? This is the attitude that led to the capoeira, one of those many c-words, like cachaça and churrasco that the Brazilians are very good at.

Parece que o pobre diabo que produziu essa imbecilidade é  estrangeiro, mas não dá pra dizer se ele vive aqui _ o apelido do comentador é Jimbino, mas não há link para blog ou site _ mas devo dizer que a análise lembra bastante a de um ex-comentador deste blog (que Deus o tenha e o Diabo o carregue).

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UPDATE

Parece que o tal jimbino vive no Brasil mesmo.  Ele tem um comentário neste post onde afirma isso.  E aliás parece bem menos burro.  Esta busca revela alguns outros comentários dele pela blogoseira afora.  Em um deles ele afirma que no Brasil ninguém sabe o que é uma chave de Philips.  Raras vezes me deparei com alguém que conhece tão mal o lugar onde vive (a alternativa é que ele só quer esculachar mesmo).