Deu no Estadão:

Trem-bala entre São Paulo e Rio será privatizado

(…)

O primeiro trem-bala brasileiro deverá custar US$ 14 bilhões (cerca de R$ 31 bilhões pelo câmbio atual) e a previsão é de que pelo menos entre São Paulo e Rio estará pronto até 2014, antes do início da Copa do Mundo de futebol. Ao todo, a linha terá 530 km de trilhos, sendo 130 km constituídos por túneis e viadutos. A previsão é de que serão transportados anualmente entre 8 milhões e 10 milhões de passageiros entre São Paulo e Rio. Calcula-se que a passagem ficará em torno de R$ 120.

(…)

De acordo com estudo de viabilidade técnica da obra, feito pela britânica Halcrow Group, o trajeto deverá ter oito estações entre Rio de Janeiro e Campinas. Em épocas de muita demanda, poderá haver também parada extraordinária em Aparecida. Toda a papelada já está com a Casa Civil, o Ministério dos Transportes e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), envolvidos diretamente com a obra.

Vamos tentar calcular quanto tempo gastaria uma viagem Rio-São Paulo.  Suponho que as pessoas viajarão neste trem carregando bagagens.   Se em cada parada o trem gastar um 15 minutos para que as pessoas embarquem e desembarquem, teremos:

5 x 15 = 75 minutos de viagem  (das 8 estações, tirei Campinas, Sampa e Rio)

Gastos apenas parando nas estações.  Vamos supor que o trem viaje a uns 200km por hora, o que acho que é uma velocidade muito superior à que será a média real.   Sendo o trajeto total de 530 km, e supondo que uns 70 km digam respeito ao trecho São Paulo – Campinas, temos:

(530-90)/200 = 2 horas e 12 minutos.

Então, estamos calculando para a viagem total umas quase 3 horas e meia.

O ônibus hoje leva umas 5:30 horas de viagem, e o avião, uns 45 minutos.

Neste exato momento, uma viagem amanhã do Rio para São Paulo pela Gol está custando R$ 439,00, mas se eu quisesse comprar com uma certa antecedência, digamos, de uma semana, a passagem sairia por R$ 339,00.  Já a passagem de ônibus pela Cometa está a R$ 90,00 no leito e R$ 65,00 no ônibus com ar condicionado.

Ou seja, se não fiz nenhuma grande besteira nestes cálculos em cima da perna, eu diria que o trem-bala tem um business model…er, heróico.

Principal problema, em minha opinião: as paradas oneram muito o serviço do trem-bala, afastando quem quer fazer a viagem completa Rio-São Paulo, que deve ser a maioria _ ou pelo menos a maioria com “bala” na agulha para pagar a passagem.   Por outro lado, o pessoal que vai ficar pelo Vale do Paraíba certamente achará muito mais negócio ir de ônibus.

Onde está Andre Kenji quando se precisa dele?

Anúncios