Continuo reputando o “Valor” como um dos melhores jornais brasileiros.  A edição de hoje traz uma reportagem (da autoria de Graziella Valenti)  sobre o “buraco” deixado na Sadia pelo seu diretor financeiro, que contratou operações de risco de valor muito superior(R$ 2,7 bilhões no total) ao que lhe era estatutariamente permitido (R$200 milhões), razão pela qual está sendo processado pela diretoria da empresa…e isso, cinco dias antes do meltdown.

Mas o interessante é essa nota ao pé da página da reportagem:

A repórter adquiriu 11 ações ordinárias da Sadia, no valor de aproximadamente R$ 60, o mínimo vendido na corretora, para ter acesso à assembleia da companhia e poder reportar aos leitores a auditoria feita na empresa, cujo conteúdo é aberto apenas aos acionistas presentes na reunião em Concórdia, interior de Santa Catarina. A repórter se absteve de votar.

Genial, pois com isso a reportagem teve acesso à auditoria realizada pela BDO Trevisan na empresa.  Lá, aprendemos que o Conselho de Administração da Sadia, uma das maiores e mais profissionalizadas corporações brasileiras, não fazia um acompanhamento periódico das operações financeiras de risco feitas pela empresa.  Coisas assim me deixam espantado, a ponto de pensar que a direita anaeróbica brasileira faria muito melhor em falar mal do amadorismo do empresariado brasileiro do que da falta de empreendedorismo de Santos Dumont.

 O Valor, aliás, já tinha usado expedientes interessantes de jornalismo investigativo ao usar a lei americana de liberdade de informação (FOIA) para ter acesso a documentos relativos à relação entre Brasil e EUA nos primeiros meses após a eleição de Lula.

Anúncios