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Está causando certo furor o lançamento de um foguete _ tecnicamente, para lançar um satélite de comunicações (o “Lodestar-2”) que segundo o NYT ficará transmitindo “imortais canções revolucionárias” _ pela Coréia do Norte.  O lançamento contraria a resoluçâo 1718 da ONU, que proíbe a Coréia do Norte de lançar mísseis balísticos.   Tecnicamente, porém, um lançador de satélites não é um míssil balístico, embora possa facilmente desempenhar tal função.  Para complicar, porém, a Coréia do Sul também tem um programa espacial visando lançar satélites, ainda segundo a matéria do NYT:

While many analysts have looked at the launching through a military lens, some say another perspective involves political rivalries on the Korean Peninsula. For years, South Korea has been gearing up to fire a satellite into orbit and join the space club. Its spaceport of Oinarodo is nearly ready, but a launching scheduled for this month was delayed, giving North Korea an opening.”

Causou também repercussão na mídia o fato do foguete “passar sobre o território japonês”.  De fato, o primeiro estágio do foguete caiu sobre o mar do Japão, entre a península coreana e o arquipélago japonês, mas o segundo e terceiro estágios caíram além do Japão.  O problema é que não há muitas escolhas para o lançamento de foguetes a partir da península coreana que não passando sobre o território japonês.  Dada a rotação terrestre, a trajetória de lançamento mais econômica do ponto de vista do consumo de combustível vai na direção oeste-leste.  Não à toa, os lançamentos a partir da Base Kennedy na Flórida também seguem esta orientação.  Além disso, também é a trajetória de lançamento mais segura, maximizando a possibilidade de que os destroços de um eventual acidente caiam no mar.

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Embora eu não tenha a menor simpatia pelo regime norte-coreano, também não me agrada o clima de tabu que cerca o desenvolvimento de tecnologia espacial e mesmo de capacidade nuclear.  Dadas as características do regime de Destruição Mútua Assegurada, e a mudança da doutrina nuclear norte-americana após o fim da Guerra Fria segundo o qual um ataque nuclear não-provocado é possível, me parece que a idéia de que uma hegemonia nuclear a partir de uma única superpotência dificilmente pode ser igualada a uma maior segurança mundial sem uma série de qualificações.

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