Alguém que se intitula “Rosa Alface” veio aqui e deixou um comentário no post “Portugalidades“, escrito há quase um ano atrás.   Reproduzo o comentário (em vermelho) a seguir, entremeado com minhas considerações (em verde, homenageando a bandeira lusitana).  

Caro Bloguer,

Caí aqui por acaso no seu blog e não pude deixar de ficar admirada com os seus comentários de pouca categoria e até mesmo cultura.
É claro que já passou 1 ano desde que escreveu sobre um assunto sobre o qual nem soube analisar, mas apenas criticar; mas passo aos exertos:

1_ “os caras têm mais de cinco séculos de experiência em atravessar o Atlântico, ora pois.” –> e foi assim que o Brasil nasceu no mapa mundo!!!

Um comentário de caráter geral: aparentemente Rosa Alface não se deu conta de que o post NÃO teve a intenção de ser um post ofensivo a Portugal ou aos portugueses.  Nessa chave, o ponto 1 da querida lusitana inaugura um estilo que se repete em outros pontos do seu comentário, repetindo o que eu disse originalmente de forma elogiosa como sendo uma ofensa.  Alguém já disse que certos países são separados pela mesma língua, etc.

“2_ “segundo, achar que eles estão falando português daquele jeito esquisito só de sacanagem.”–> já analisou como vcs falam mal o português, talvez até mesmo com muita mais sacanagem. foi feio o seu comentário e muito xenófebo!!!”

Er, “xenófebo“.  Desculpe, mas isso é uma “piada de português” pronta.  :)

3_”Há ainda uma certa ingenuidade que transparece nos programas portugueses.” –> Vou tomar isso como um grande elogio!!! de facto, a ingenuidade é um dos valores que vc provavelmente não deve conhecer nem utilizar na sua vida!!! Experimente!!! Vai adorar o feed-back!!!!

Em nenhum momento externei um julgamento de valor sobre a ingenuidade.  Fui meramente descritivo.  Pessoalmente, creio que essa diferença _ cuja existência reitero, e com a qual você aparentemente concorda _ tem seus ônus e bônus.

“4_”que faz com que de fato eles ainda não conheçam o que é uma sociedade de massas pra valer” –> e vc concerteza, nesse seu Brasil (que é maravilhoso), onde a pobreza, a fome, a falta de segurança, a criminalidade etc etc etc, fazem parte do seu quotidiano, como se de ar para respirar se tratasse, acha que nós precisamos de uma “sociedade de massas pra valer” tendo em conta que isso diminui aquilo que temos de melhor em Portugal, que é a nossa segurança, tranquilidade, qualidade de vida? Não Obrigada!!!”

Mesmíssimo caso do ponto 3.

“5_” “ estátuas vivas” representando personalidades históricas portuguesas (das quais só consegui reconhecer Camões e Fernando Pessoa, ignorante que sou) –> talvez seja, ou não estivesse aqui a falar de coisas e pessoas que nem conheçe ou reconheçe!!!”

Ao dizer-me “ignorante” por não conhecer algumas figuras históricas portuguesas, eu estava sendo…cordial.  Sabe, a esmagadora maioria dos brasileiros não precisa realmente conhecê-las, assim como você também não precisa saber quem foi Negrão de Lima ou João Pessoa.  Acho que você se surpreenderia com o grau de bem-estar que certas pessoas podem alcançar na vida a despeito de serem relativa ou até completamente ignorantes sobre detalhes da história portuguesa.

“6_ “(e aliás fala português do Brasil). Não sei se atribuo isto a uma brasilofobia…” –> no mínimo podemos atribuir a todo este seu comentário, Portugalofobia!!!”

Pelo contrário, no post até digo que gostaria de conhecer o país, que por sinal é o de meus ancestrais.

“7_ “o programa encerrou-se com o músico Pedro Abrunhosa (acho que é famoso, não? Acho que já ouvi este nome…)” –> continuo a ter pena da sua imensa falta de cultura, pq para quem supostamente é tão viajado e tão conhecedor e crítico das culturas dos outros países, pelo menos a nível musical, que é uma linguagem universal, vc surpreende pela falta de conhecimento. PS: Concordo com o comentário abaixo, de que o Pedro é um excelente músico e Optimo compositor. Deveria tentar conhecer, se tiver tempo depois de aplicar tanta energia a criticar (destrutivamente) os outros!!!”

Não sei de onde você tirou a idéia de que eu sou “tão viajado”, e muito menos que eu me reputo um “crítico da cultura a nível musical de outros países”.  Reiteradas vezes já disse aqui que sou um analfabeto musical.  Acredito piamente que Pedro Abrunhosa seja excelente músico, mas, realmente, acho que aqui aplica-se o mesmo raciocínio do ponto 5 acima.

“8_ “mas me lembrei de um grupo de turistas portugueses barbaramente assassinados no Ceará há alguns anos e fiquei com uma certa vergonha, até que me lembrei também que o crime foi planejado por um patrício que morava na cidade, o que diminuiu minha má consciência.” –>têm toda a razão, “há alguns anos atrás”, e não todos os dias, como se pode ver barbaramente e em directo, em muitos dos vossos canais de televisão!!!
ah, e sem querer ofender: o facto de o assasino não ter sido brasileiro, já o deixa de consciência mais limpa? afinal que consciência é essa de que estamos a falar, que não põe em questão o crime mas sim a nacionalidade do assassino, tornando assim sua consciência mais limpa??? Reveja seus valores morais!!!”

Sabe, considero realmente o Brasil um país violento.  Devido à sua pobreza e péssima distribuição de renda, em primeiro lugar.   Também considero que o seu país teve papel muito importante ao nos deixar de herança um ponto de partida bastante complicado.   E, sem querer ofender, o fato do assassino ter sido patrício seu realmente me deixou com menos má consciência _ mas só porque eu teria ficado, é claro, extremamente chateado se o assassino fosse um brasileiro.

“E para terminar, mas não menos importante:

Alargue seu horizonte visual, cultural, social, mas acima de tudo respeite as diferenças, que na maioria das vezes, são muito mais interessantes de analisar para perceber, do que criticar sem perceber.
As criticas só são boas quando construtivas, Construa!!!”

Não sei realmente se o que fiz foram críticas, mas com certeza não foram destrutivas.  Por outro lado também não comungo de sua opinião sobre o que é uma “boa” crítica; acho que sempre podemos aprender com qualquer crítica, e, além disso, seu caráter “construtivo” ou “destrutivo” também depende, em boa medida, da boa vontade do criticado.

“PS 1_ Afinal… o que é que vc veio mesmo fazer a Portugal, para ter ficado enfiado no quarto do hotel vendo o tal programa, que não conseguiu ver até ao fim???? com tantas coisas fantásticas para se conhecer??!!!

Um dia se realmente quiser conhecer um país bonito, tal como o seu, mas com pessoas imperfeitas mas reais, que valem pelo que valem, e que até merecem ser premiadas em canais de televisão, não deixe de pedir ajuda a essas ou outras pessoas. Certamente algum de nós, Portugueses, terá o maior prazer e recebe-lo e ajudá-lo!!!
Nenhum País, Cidade, Terra ou Pessoa é perfeita, mas todos têm os seus encantos. Basta procurá-los, querer conhece-los, antes de criticá-los destrutivamente!!!”

Aqui talvez seja o único ponto onde seu comentário foi pertinente, mas não pelo motivo que imaginas, e sim porque realmente o post explica mal o que aconteceu: eu apenas passei pelo aeroporto de Lisboa, em trânsito para outro país.  E foi neste outro país em que assisti o programa português na RTP.    Eis porque no final do post disse que gostaria de conhecer Portugal, é claro.

“PS 2_ Se estava tão incomodado, podia ter passado o canal, bastava usar o comando!!!;) tão simples e tão eficaz!!!”

Eu não estava absolutamente incomodado.  Eu apenas deitei um olhar antropológico sobre a TV portuguesa.   Fique certa de que minha opinião sobre a TV brasileira é ainda pior.

***

Ou seja, Acordo Ortográfico é pinto.