Matéria do Estadão sobre as reinações de Gilmar Mendes:

Mendes diz que STF não distingue ricos de pobres
Por Marcelo Auler, o estadão:

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, voltou a rebater ontem as críticas de que a corte só concede habeas corpus para ricos. Ele disse que, no ano passado, o STF concedeu liberdade para 350 pessoas, ricos e pobres, incluindo ladrão de “escova de dente e bambolê”.
” Havia um discurso de caráter ideológico de que o Supremo cuida apenas do interesse dos ricos. Os senhores sabem que não é verdadeiro, mas, na luta política, essas injúrias são ditas sem grande responsabilidade”, disse, em seminário sobre o sistema carcerário, no Rio de Janeiro.
Mendes disse ainda que pesquisou pessoalmente o assunto para descobrir que, entre os 350 habeas corpus concedidos, 18 foram para casos em que “se aplicam o princípio da insignificância: o furto da escova de dente, do bambolê, da pasta dental, do sabonete, do vídeo”. E concluiu: “Se esses casos não tivessem chegado ao STF, essas pessoas ainda estariam presas”.
Mendes também insistiu na tese de criação de uma Vara Judiciária para controlar as polícias, tarefa que hoje é de responsabilidade do Ministério Público. Ele contestou aqueles que, como o procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, falam que se trata de uma questão constitucional.

Vejam lá: 18 casos de 350 são aqueles onde se aplica o tal “princípio da insignificância”.  OK, e os outros 332?

O problema é que as decisões de habeas corpus do STF sempre serão, por construção, favoráveis aos ricos em detrimento dos pobres.  Porque apenas os ricos têm condições de pagar advogados que consigam fazer apelações a montante dos degraus decisórios da Justiça até chegar no STF.  E Gilmar, é claro, sabe disso _ eis possivelmente um outro motivo pelo qual conseguir ser indicado para o STF é algo legal à beça para aqueles que, digamos, sabem aproveitar a chance.

Já o motivo pelo qual Gilmar acha que o Judiciário deve ser o responsável pelo controle externo das polícias, mas as polícias não devem se preocupar com o Judiciário, é pura sem-vergonhice mesmo.