Ainda sobre a frase abaixo, e a discussão lá no Pálido Ponto Branco, tenho duas experiências interessantes para botar na mesa a este respeito.

A primeira foi a minha leitura, séculos atrás, do “A Humanidade e a Mãe Terra”, do Arnold Toynbee.   Lá pelos seus capítulos finais Toynbee fazia exercícios sobre o futuro da Humanidade, e discutia, por exemplo, a idéia do choque de civilizações (bem antes de virar moda).  Ele acreditava que de algum modo a incorporação da tecnologia e da ciência ocidentais é um “pacote completo”, e que diferentes culturas passariam necessariamente por um processo de “ocidentalização” ao incorporá-lo.

A segunda foi conhecer um sujeito que estudava redes neurais em profundidade, mas era evangélico.

Esses dois eventos me convenceram que nós, seres humanos, somos perfeitamente adaptados a sobreviver com dissonâncias cognitivas bastante grandes, e que a expectativa de Toynbee está longe de ser automática.  Por isso, a tirinha do Doonesbury é interessante, certamente, mas apenas para um público que já é capaz de apreciá-la.  Porque no fundo, no fundo, o mero fato de ligar um carro com motor a explosão já levaria muita gente para a fogueira alguns séculos atrás, mas é algo que até o Papa faz hoje em dia sem o menor problema.

(deixo a ligação entre “motor a explosão” e heresia como um exercício para ser feito em casa)