Segundo o Valor (reproduzindo matéria do Wall Street Journal), a crise chega a Hollywood:

Crise também atinge estrelas de Hollywood
Lauren A.E. Schuker, The Wall Street Journal

Estúdios acabam com acordos que previam remuneração antecipada – de até 20% – com base na bilheteria

Com a necessidade de cortar custos, Hollywood decidiu espremer seus astros. Durante quase dez anos, as maiores estrelas do cinema fechavam acordos pelos quais recebiam uma porcentagem – de até 20% – da receita de um filme mesmo que ele fracassasse e desse prejuízo ao estúdio. Essa era ficou para trás. Para dois novos projetos, a Paramount Pictures acabou com os acordos, embora tenha conseguido atores populares. Em “Dinner for Schmucks”, com Steve Carrell, e “Morning Glory”, com Harrison Ford, os atores aceitaram contrato no qual recebem parte da receita, mas só depois que o estúdio recuperar os custos.”

A matéria integral tem uma informação adicional interessante:

Há muito os estúdios consideram esses acordos de “primeiros dólares” uma extravagância do setor, capaz de dar altos prejuízos, mesmo concordando em segui-lo. Ao garantir uma generosa remuneração para as estrelas, seja qual for o lucro do filme, os estúdios acabavam assumindo a maior parte dos riscos.

Isso não apresentava grandes problemas durante os anos em que era fácil financiar filmes de grande orçamento e as vendas de DVDs cresciam a um ritmo acelerado de dois dígitos. Mas recentes mudanças na indústria cinematográfica colocaram os estúdios sob uma pressão que não sentiam há muitos anos. Embora a receita das bilheterias tenha subido nos últimos meses, as vendas de DVD estão começando a encolher, privando Hollywood de uma de suas fontes de renda mais lucrativas. Além disso, os bilhões de dólares que Wall Street despejou na indústria nos últimos anos também secaram, obrigando os estúdios a reduzir seus orçamentos de produção.

Agora, os estúdios não podem mais continuar aceitando essa aposta arriscada. “Duplicidade”, um policial com Julia Roberts, chegou aos cinemas no último dia 20 mas não teve bom desempenho até agora, faturando apenas US$ 27 milhões nas bilheterias americanas até o momento. A Universal Pictures está arriscada a perder dinheiro nesse filme, que custou US$ 60 milhões, ao passo que Julia Roberts tem a garantia de que vai receber vários milhões de dólares.

Abrir mão dos acordos de primeiros dólares não implica que os atores acabarão necessariamente com menos dinheiro, desde que os filmes tenham bom desempenho. No passado, Jim Carrey fez acordos para receber uma fatia inicial da bilheteria e comissões adiantadas de mais de US$ 20 milhões para filmes como “As Loucuras de Dick e Jane”.

Mas ele aceitou um contrato de risco em seu último filme, “Sim Senhor!”, lançado em dezembro. Ele abriu mão da parcela inicial da bilheteria e não recebeu nenhum dinheiro antecipado, em troca de um acordo considerável de “back end”, que incluiu uma participação de 33% sobre os direitos do filme.

Caso o filme tivesse sido um fracasso, Carrey teria recebido uma fração de seus honorários tradicionais. O filme acabou tendo boa bilheteria, embora não tão alta quanto o estúdio esperava. Mas Carrey faturou cerca de US$ 35 milhões com o acordo – uns US$ 5 milhões a mais do que conseguiria se não tivesse aberto mão de seu adiantamento, segundo Gold, um de seus empresários, que ajudou a elaborar o contrato com a agência Creative Artists Agency e o estúdio.”

O que faz todo sentido.

Vamos ver como se comporta a TV brasileira diante da crise.   Antes mesmo dela bater, já andava sendo comum ver caras globais em novelas de outras emissoras, o que provavelmente implica que a Globo abriu mão de sua estratégia de bancar o salário de estrelas sem fazê-las trabalhar, apenas para que elas não fossem para a concorrência.  Fábricas de talentos “instântaneos” como “Malhação” e “Big Brother” parecem estar funcionando como fontes permanentes de novos astros e estrelas populares, diluindo o “star quality”.   A ver…

Anúncios