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A evolução humana está, na verdade, acelerando (a despeito de Reinaldo Azevedo).

Cada vez mais terraformes – progressos na detecção de planetas extrasolares permitem a descoberta de planetas cada vez mais parecidos com a Terra, aumentando a expectativa de que se descubra um planeta “de classe terrestre”  que abrigue vida (tal como a conhecemos, ou talvez nem tanto).

 A mente humana é uma barafunda quântica?

O estilo de vida dos anos 70 era mais amigável para o planeta.

O darwinismo deve morrer para que a evolução sobreviva.

Armas, gérmens e palavras: o destino de pesquisadores incautos.

A desbushização do governo americano chega à FEMA.

O problema com o míssil norte-coreano é a Rússia.

Pesquisa mostra: é mais fácil ficar rico  já sendo rico do que estudando para ser rico.

William Buiter mete o pau no Google; transcrito abaixo para os sem-Financial Times.

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Ainda na linha “sou cismado com o Twitter“, isso:

FGRAS UVA BAUNLH KCHÇ – flmb: 40g uva s/smte c/30ml kchç+ 0,5g baunlh/Cong./Slteie 80g fgras 2 lds/Srv fgras+ uva s/smt congl+ brot. btrrb

Receitas em 140 caracteres, no Twitter.

De fazer o Gordon Ramsay e o Jamie Oliver morrerem de fome.

Reinaldão fez um post hoje com depoimentos de seus leitores.  Eis um deles, da comentarista Mayalu:

Eu era filiada ao PT, fiquei 15 anos lá. Era trotskista. Também não gostava de vc, até que resolvi ler O País dos Petralhas. Estava numa livraria e, quando vi o livro, folheei algumas páginas e resolvi comprar. Hoje, sou sua fã e ex-petista (desde 2005, mas ainda era “meio” de esquerda). Graças a Deus, fui curada!”

Eu achava que ele tencionava, um dia, enveredar por uma carreira política.  Agora vejo que ele pretende abrir uma Igreja.  Deve mesmo ser mais rentável…só não pode dar uma de Lugo.

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(clique para ampliar)

Ou, a guerra dos pavilhões.

(hat tip do gerador de passagens de primeira classe: Alto Volta)

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O céu é o limite, mas um limite que o dinheiro já pode comprar

E do reino encantado das piadas prontas, emerge esta pérola:

Rubens Barrichello compra passagem para ir ao espaço
Piloto brasileiro pagou R$ 436 mil e aderiu ao programa da Virgin Galatic; Niki Lauda também irá voar

SÃO PAULO – Rubens Barrichello desembolsou US$ 200 mil (cerca de R$ 436,6 mil) para ir para o espaço. O brasileiro aderiu ao projeto do principal patrocinador da Brawn, o grupo Virgin. O logo em azul do Virgin Galatic apareceu pela primeira vez nos carros da equipe neste final de semana, nos treinos para o GP do Bahrein.

“Para mim é um prazer imenso estar envolvido com isso, porque desde pequeno sempre quis ir para o espaço”, disse o corredor ao site Autosport.

***

Afinal, é o único jeito dele aumentar sua média de velocidade.

Pois é, Tio Rei foi saudado como digno e civilizado pelos seus leitores, ontem, por ter produzido um post onde dizia o seguinte:

Será considerado um inimigo desta página aquele que ousar fazer o que faz a escória que combato: usar essa questão para atingir politicamente a pré-candidata do PT. A Dilma que combato é a que lidera a farsa política do PAC. A Dilma que luta, como todos nós, contra os seus males merece o meu aplauso.”

Atitude previsível dado o histórico do próprio RA.  A “dignidade” do sabujo de aluguel, porém, durou menos de 24 horas.  Hoje já se pode ler ali o seguinte:

O fato de eu ter considerado digna a admissão serena da doença e de ter alertado que vetaria comentários que achasse impróprios não quer dizer que ignore o óbvio aparato de comunicação mobilizado para dar conta da informação – que já tinha vazado para a imprensa. Ontem, os sites estampavam a foto de Dilma ao lado do ministro Franklin Martins (Comunicação Social), uma espécie de gerente da propaganda política do governo Lula. O anúncio da doença não escapou ao rigor profissional. Outro figura do ministério, qualquer que fosse, não teria merecido tal desvelo. A ministra não só é a gerente da mais formidável peça de ficção da história republicana – o PAC – como é a candidata de Lula à sua sucessão. Assim, doença, presente e futuro políticos se misturam.

Mais: os aspectos propriamente privados da moléstia foram mitigados para ceder lugar ao apelo ao coletivo. Dilma e Franklin não convocaram os repórteres para que a ministra falasse de suas dificuldades e dos desafios pessoais que tem pela frente. A mensagem não poderia ser mais clara:

“Obviamente o tratamento de quimioterapia é sempre algo muito desagradável. Mas assim como tantas mulheres e homens brasileiros que enfrentam esse desafio, […] tenho certeza também que vou ter um processo de superação dessa doença. Aliás, nós, brasileiros, temos esse hábito de sermos capazes de enfrentar obstáculos, de transpô-los e de sair inteiros do lado de lá. Acho que essa é a questão que está na pauta hoje para mim: enfrentar essa doença, que os médicos garantem que foi extirpada, e sair mais forte do lado lá“.

Como se vê, Dilma fala de si, mas também fala de todos os brasileiros. Nesse hora, apresenta-se como um exemplo e fala como quem está investida de uma representação – coisa que, a rigor, é falsa porque ministros não representam o povo, mas o presidente – ele, sim, eleito. Dilma está lá por vontade de Lula. Ao se apresentar como uma espécie de timoneira na superação de obstáculos, alude, é óbvio, ao futuro: a disputa eleitoral. É inútil negar que, a depender dos desdobramentos do caso, está lançada a semente publicitária da mulher que vence todas as dificuldades, inclusive aquela que mais apavora boa parte da humanidade – talvez a maior parte: o câncer.”

É claro que se Dilma ocultasse o problema, ganhasse as eleições e revelasse o assunto apenas depois de eleita, ganharia uma acusação de RA por omitir informações importantes para a decisão do eleitorado.  Aliás, a impressão que dá do discurso de Tio Rei é que a única forma neutra e não-eleitoreira de Dilma lidar com o câncer é morrendo…

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Do Correio Braziliense, reproduzindo matéria da Agência Estado:

São Paulo – A notícia de que a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, se submeteu a tratamento de um linfoma pegou de surpresa os dirigentes do PT. Até o presidente Luiz Inácio Lula da Silva custou a saber dos problemas de saúde de sua candidata para a corrida presidencial de 2010. O Estado apurou que Lula só foi informado do problema há cerca de uma semana.

(…)

Membros da direção petista passaram a manhã trocando telefonemas em busca de informações sobre a saúde de Dilma.

Vários deles só tiveram a confirmação no início da tarde. Reservadamente, alguns deles não disfarçavam a preocupação com o impacto que a notícia pode ter na candidatura de Dilma. Ainda assim, investiam na tese de que é cedo para falar em buscar um nome alternativo para a vaga. Eles reconheceram que, no momento, o PT não possui um plano B para o Planalto.

***

As notícias são de que Dilma passava por um exame “de rotina”, quando identificaram um nódulo de 2,5 cm em sua axila esquerda.  Talvez algum médico que porventura leia esta página possa nos dizer o quão “de rotina” é uma tomografia cardíaca:

A Tomografia Cardíaca é indicada quando existe necessidade de quantificar a carga total de cálcio nas coronárias, para triagem e acompanhamento da DAC; avaliação de estenoses (estreitamentos) e obstruções coronarianas; avaliação do resultado e acompanhamento de angioplastias e enxertos vasculares (pontes); mapeamento da anatomia coronariana e suas variações anatômicas (algumas delas podendo provocar angina, isquemia e morte súbita); mapeamento da anatomia cardíaca, entre outras. “É importante salientar que, devido ao uso de radiação, a Tomografia Cardíaca deve ser realizada com critério, em virtude do efeito cumulativo da radiação a longo prazo“, alerta a médica radiologista do Serviço de Bioimagem do Hospital Português, Dra. Mariana Gonçalves Almeida.

Ainda que talvez possa ser considerado um exame rotineiro para candidatos presidenciais.

Pelo pouco que sei do assunto, os casos de gânglios linfáticos axilares costumam ser marcadores eventuais para problemas de câncer de mama, por drenarem os vasos linfáticos dessa região.

Matéria da Folha fala em ” linfoma do tipo B de grandes células”.  Se for a mesma coisa que a Wikipedia chama de “Diffuse large B cell lymphoma“, ou DLBCL, o melhor prognóstico é o de que 60% dos pacientes sobrevivem mais que 5 anos (Pubmed confirma).  O que significa que 40% não sobrevivem.  Não é um bom número.

É claro que autodiagnose (ou heterodiagnose) feita por leigos sempre tem uma alta probabilidade de erro, portanto não vamos nos fiar tanto assim no que eu disse.  Vamos ver como a coisa percola pela imprensa nos próximos dias.

***

Mas se o quadro for esse mesmo, o pau vai comer no PT.

***

Sobras possíveis: Palocci, se prevalecer a opção por uma solução “in-house” (supondo que o STF livre a cara dele); ou quem sabe Aécio.

E como o mundo é um lugar com um humor estranho, sabem quem é o relator do caso Palocci no STF?  Joaquim Barbosa

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Sue me if you can!

Felix Salmon, comentando o provável default do estado da Califórnia:

The more powerful argument why California won’t default is that a payment default is illegal under state law: California’s simply not allowed to default on its bonds. But what are the monolines going to do, sue? If California defaults on say a $1 billion payment which the monolines have to pay, then California owes the monolines $1 billion. If the monolines sue the state and win, then California owes the monolines $1 billion. It’s not clear that they’ve advanced very far. Could they start attaching state assets? I doubt it, somehow.

My hope is that the monolines would get their money back reasonably quickly – the unintended consequences of a default would force California’s dysfunctional legislature to wake up to the pettiness of its actions, and serious fiscal policies might finally be able to be passed. But I can’t say that outcome is particularly probable: the California legislature has shown no signs of being grown-up in the past, or even of moving in that direction.

And indeed the really nasty unintended consequences of a Californian default might well be felt outside the state, with the closing down of the municipal bond market nationally. Once California defaults, it’s hard to see any other state raising private general-obligation funds at any kind of interest rate it would consider acceptable.

Which brings us back to the moral-hazard play: maybe the Feds would bail out California, not for California’s sake, but rather for the sake of the municipal bond markets as a whole. But it’s hard to see where they would get the money, or how Congress would ever approve such an appropriation.”

(via Clusterstock)

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(clique para ampliar)

No New Scientist, um mapa mostrando as (poucas) áreas consideradas ainda inacessíveis do planeta, definidas como aquelas as quais alguém levaria dois dias para chegar (por terra ou água) a partir de alguma cidade com pelo menos 50.000 habitantes.  Segundo o estudo, apenas 10% da superfície do planeta ainda podem ser descritas como “inacessíveis” segundo essa definição.

Nada muito surpreendente: Amazônia, Sahara, deserto australiano, Groenlândia e norte do Canadá, planalto tibetano, Sibéria, e algumas regiões de Bornéu e da Indonésia.

Segundo a matéria, quem ganha é o planalto tibetano:

It’s official, the world’s most remote place is on the Tibetan plateau (34.7°N, 85.7°E).

From here, says Andy Nelson, a former researcher at the European Commission, it is a three-week trip to the cities of Lhasa or Korla – one day by car and the remaining 20 on foot.

Rough terrain and an altitude of 5200 metres also lend it a perfect air of “Do Not Disturb”.”

Embora eu tenha minhas dúvidas sobre se alguém no meio da Groenlândia ou da floresta amazônica concordaria.

(*) I want to be alone!

Pela milésima vez, o papo de que as novelas da Globo afetam o comportamento coletivo da população brasileira _ dessa vez, aparentemente, na Economist (na verdade em um surrogate):

About 40 million people watch the mid-evening novela from Globo, the leading network. The action often takes place in Rio de Janeiro, where Globo is based, among families that are smaller, whiter and richer than average.

Now, new research suggests that by selling this version of the country to itself, Globo has boosted two important social trends.”

Aqui tem uma matéria em português de autoria da própria autora do estudo, Eliana Ferrara, da Bocconi University.

Só que dessa vez a Economist dá idéias:

If Globo could now come up with a seductive novela about tax reform, its transformation of Brazil would be complete.”

Como seria uma novela global sobre reforma tributária?  Será que tema tão candente daria IBOPE no horário nobre?  Isso dá quizz.

Maria Cristina Fernandes, a jornalista gatinha do Valor, matou a pau:

Os excessos dos ministros expuseram os limites de uma Corte criada para herdar o poder moderador no Império. Candidatos a imperador há em profusão. O que falta é moderação.”

Na íntegra abaixo do fold.

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Nota no “Curtas” do Valor:

O chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, ministro Roberto Mangabeira Unger, propôs à Venezuela e Colômbia a criação de um sistema conjunto de registro de propriedade intelectual dos produtos provenientes da floresta amazônica. O ministro pretende debater ainda com os países vizinhos projetos de desenvolvimento sustentável, de monitoramento espacial com fins militares e de combate ao desmatamento e a formulação de uma posição comum em relação às fontes internacionais de financiamentos de projetos na região. As informações são da Reuters.”

Acho muito razoável e até recomendável que o Brasil busque um regime conjunto e coerente de manejo da Amazônia junto aos países vizinhos que dela compartilham.  Mas não entendi bem essa história de “sistema conjunto de registro de propriedade intelectual dos produtos provenientes da floresta amazônica“.  O principal problema no registro vem justamente de terceiros países que resgistram produtos tipicamente amazônicos, como foi o caso do cupuaçu registrado no Japão.  A menos que a idéia seja criar algum tipo de “registro de origem”, como o usado em bebidas, queijos, etc.

No Estadão de hoje:

Nos bastidores, Mendes é criticado no STF e no CNJ BRASÍLIA – O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, falhou no teste de líder político do Poder Judiciário. O bate-boca na sessão de anteontem com o ministro Joaquim Barbosa foi o mais grave exemplo da insatisfação que reverberava nos bastidores do STF e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). ?Truculento?, ?estrela?, ?exibido?, ?grosseiro?, ?pop star? e ?brucutu? são alguns dos adjetivos que alguns ministros e integrantes do CNJ usam para se referir a Gilmar Mendes.

No STF, a reclamação principal é de que o presidente avocou para si uma posição de líder intelectual e político num tribunal em que os ministros são iguais. Resumiu um ministro: Mendes age como presidencialista numa Casa que é parlamentarista. Nessa postura de liderança, avaliam alguns ministros, ele acabou por abrir diversas frentes de confronto, rivalizou com os demais Poderes e deixou o tribunal suscetível a críticas de todos os lados.

Ao mesmo tempo, Mendes comprou briga com a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), a Polícia Federal, o Ministério Público e juízes de primeira instância, após a Operação Satiagraha, que levou Daniel Dantas à prisão, e, mais recentemente, com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). ?Quem fala o que quer ouve o que não quer?, foi o desabafo feito anteontem por um membro do Ministério Público Federal, depois do bate-boca, conforme relato apurado pelo Estado junto a ministros do STF.

Além disso, ministros e integrantes do CNJ vinham reclamando do tratamento dispensado por Mendes nas sessões. A crítica é de que o ministro trata os colegas com descaso, em alguns casos de forma desrespeitosa. As consequências dessa forma de agir aparecem nas sessões e nas votações.

Em março deste ano, por exemplo, uma proposta de Mendes por pouco não foi derrotada no plenário do CNJ. O ministro queria aprovar uma recomendação para que os juízes priorizassem julgamentos de conflitos agrários, uma forma de tentar coibir as invasões de terra pelo MST. Mas o ministro não apresentou previamente a proposta ou negociou com os colegas. Alguns conselheiros viram uma tentativa de Mendes de ?enfiar goela abaixo? o texto. O resultado dessa postura foi um empate numa votação que parecia simples. Sete conselheiros votaram favoravelmente à recomendação. Outros sete se manifestaram contra. Para evitar uma derrota política num assunto sem qualquer efeito prático, o corregedor nacional de Justiça, Gilson Dipp, deu o voto de desempate em favor de Mendes. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.” [grifo meu]

Convenhamos que este último parágrafo revela uma faceta curiosa do magistrado que se insurge contra “julgamentos baseados em classe“.

O Valor tem uma boa matéria que situa melhor o contexto da querela:

Mendes e Barbosa são contemporâneos. Ambos têm origem humilde, fizeram a mesma faculdade de Direito (na Universidade de Brasília), prestaram o mesmo concurso público (para o Ministério Público) e nunca se entenderam. Mendes acha Barbosa fraco para o STF, o que deixa esse último indignado.

O bate-boca se deu após Mendes fazer uma provocação litúrgica a Barbosa. Os ministros debatiam um tema novo no tribunal: se é possível modular os efeitos de uma decisão num tipo de recurso específico chamado ” embargos de declaração ” . A técnica de modulação dos efeitos faz parte das inovações recentes do STF. Por ela, o tribunal diz a partir de qual momento a decisão será aplicada. Os embargos de declaração são utilizados quando alguém recorre ao STF para que o tribunal esclareça supostas obscuridades ou omissões em suas decisões. Na ocasião, os ministros julgavam embargos do governo do Paraná contra lei que trata da previdência estadual.

A divergência teve início porque Mendes concluiu que o STF pode modular os efeitos de uma determinada decisão, mesmo após verificar que não houve omissão. Já Barbosa alegou que não se pode modular decisões em embargos, pois isso criaria instabilidade com relação às decisões da Corte. São posições antagônicas entre os ministros que já levaram a outro bate-boca. Em setembro de 2007, Mendes quis modular os efeitos num processo em que Barbosa fora o relator e que já estava decidido. Naquela ocasião, Barbosa disse que Mendes estaria usando um ” jeitinho ” para ressuscitar uma causa já decidida. ” Precisamos acabar com isso ” , falou Barbosa, suscitando a ira do colega. Ao fim, os demais ministros concordaram em fazer a modulação, após duras discussões.

Uma matéria de um jornal do Maranhão, O Imparcial, dá esclarecimentos adicionais:

Quais eram os dois processos em discussão?
Um deles tratava da aposentadoria de funcionários de cartórios privados do Estado do Paraná. Em 1999, o governo estadual aprovou uma lei que incluía os notários no sistema previdenciário do Estado. Em 2006, o Supremo considerou a lei inconstitucional. Faltava, então, definir se os notários que se aposentaram entre 1999 e 2006 seriam afetados.

O outro assunto em pauta também se referia a um recurso contra ação direta de inconstitucionalidade. Uma lei de 2002 definiu que o foro privilegiado a autoridades públicas deveria incluir o período em que o processo estivesse em julgamento.

Assim como no caso do Paraná, a lei também já havia sido considerada inconstitucional pelo Supremo em 2005, faltando apenas definir o ponto exato para sua extinção.

Por que os ministros se desentenderam?
No caso do Paraná, o ministro Joaquim Barbosa defendeu que a decisão do Supremo fosse retroativa –ou seja, que a lei fosse considerada inválida desde a sua publicação, em 1999.

Segundo Barbosa, os ministros deveriam “se inteirar das consequências da decisão” e de “quem seriam os beneficiários” (os notários). “Eu acho um absurdo”, disse.

Já no caso do foro privilegiado, o ministro teve outra posição. Barbosa não chegou a votar, mas disse que haveria “consequências graves” caso o STF votasse pela retroatividade, pois inúmeros julgamentos teriam de recomeçar do zero.

É nesse ponto que os ministros Mendes e Barbosa acusam um ao outro de julgar “por classe”, ou seja, com posições diferentes de forma a beneficiar determinados grupos.

Ah, os notários.  Eis um achado de um site de concursos:

Com certeza os dez primeiros estarão tranquilos para assumir, mas acredito que há mais serventias viáveis para quem realmente QUER SER REGISTRADOR OU NOTÁRIO. É claro que não há garantia de fortuna, mas são serventias que prometem um rendimento maior do que muitas carreiras públicas.

Para ter alguma idéia mais aproximada do faturamento, vale a pena conferir no site do CNJ (justiça aberta/cartórios extrajudiciais) a quantidade de atos praticados nos cartórios disponíveis. Lembrem-se que, pela tabela de custas, é fácil alcançar o teto. Por exemplo: protestando 5.000 títulos num ano, atingindo o teto (que é de R$ 87,00), são R$ 435.000 ao ano, R$ 36.250 ao mês. Vai aproveitar mais quem tiver uma boa administração, mas supondo que sobre 40% do bruto para o oficial, são R$ 14.500.

Na comparação, às vezes é difícil definir qual é a melhor, mas vou tentar, considerando que elas estarão disponíveis. Então, atualizando a lista (com número de atos por ano):

1 – 5º Cartório de Protesto de Curitiba – 240.000
2 – Cartório do Pinheirinho de Curitiba – 400.000
3 – Cartório Distrital de Paiquerê (Londrina) – atual 13 º de notas – 81.000
4 – 6º Registro de Imóveis de Curitiba – 10.000
5 – Cartório Portão de Curitiba – 7.000
6 – 3º RCPN e 15º notas de Curitiba – 6.000
7 – 2º – Registro de Títulos e Documento de Curitiba – 17.000
8 – 2º Registro de Imóveis, acumulando Protesto e Notas de Irati – 12.500
9 – Cartório de Protestos de Fazenda Rio Grande – não consta
10 – 1º RCPN e 5º de notas de Maringá – 6.500
11 – Registro de Imóveis de São José dos Pinhais – 5.000
12 – Registro de Imóveis de Umuarama – 2.500
13 – Registro de Imóveis de Piraquara – 2.000
14 – Títulos e Documentos e RCPJ de Campo Largo – 3.500

Por fim, não podemos esquecer o talento de cada um. Por vezes, um notário nato pode transformar um serviço distrital num “megacartório”. Potencialmente falando, os cartórios que têm Notas podem oferecer melhores condições. Não digo que a escolha acontecerá assim, pois alguns preferem Notas, outros preferem RI, mas está aí a sugestão.”

Uma mina de ouro, onde as confusões são intensas devido à disputa entre os concurseiros e o tradicional jeitinho de fazer com que os cartórios sejam feudos familiares.   Este blog dá bem a dimensão da coisa.

Voltando ao bate-boca em si,  o site Consultor Jurídico opta por usar a cartinha óbvia:

Primeiro ministro negro do Supremo, Joaquim Barbosa não conseguiu superar essa barreira. Ele mesmo queixou-se ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que o indicou para o posto, que se sente discriminado entre seus pares. Ouviu do presidente que deveria superar um possível “complexo de inferioridade” e se impor pela qualidade do trabalho. “Você é igual a qualquer um deles, não tem porque ficar agachado”, afirmou o presidente. Lula ofereceu-se como exemplo: “Eu nem inglês sei, mas sou presidente. Eu me imponho com meu trabalho”, reforçou.”

Suponho que seja por este ângulo que virão as balas, inclusive da Veja.  Aliás, virão não, já estão vindo. Predizível.

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Matéria aqui, site aqui (repare no favicon…).  E sim, estamos presentes.  🙂

Mas o outro lado é mais fantástico: no seu perfil,  Papi, um mexicano rico,  diz o que quer:

This is a serious offer for that special girl who will admit she is LAZY and not at all motivated to join the fight with her friends. The fight to get ahead, the fight to pay the credit cards, the fight to have a car ,not to mention the insurance. Papis PPP is too smart for all that. She just wants to be part of paradise with Papi. Take in a lot of sun, have beauty treatments,the gym, the beach,enjoy local herb, sip margaritas, be bisexual, eat gourmet food, meet interesting rich and famous people, go shopping with Papi, Be spoiled and pampered by Papi and his staff. Plus, have all of those deep dark fantasies fulfilled by a creative caring Papi. Only LAZY girls will little or no ambition capable of this spoling type lifestyle need reply

SEND PHONE NUMBER FOR QUICKER REPLY

C´mon, este trecho realmente é genial pela casualidade da proposta:

enjoy local herb, sip margaritas, be bisexual, eat gourmet food

O que mostra que até nesse ramo é importante ler as letras miúdas do contrato.  Alguém se habilita?  🙂

A PLAN FOR THE IMPROVEMENT OF ENGLISH SPELLING:

For example, in Year 1 that useless letter “c” would be dropped to be replased either by “k” or “s”, and likewise “x” would no longer be part of the alphabet. The only kase in which “c” would be retained would be the “ch” formation, which will be dealt with later. Year 2 might reform “w” spelling, so that “which” and “one” would take the same konsonant, wile Year 3 might well abolish “y” replasing it with “i” and Iear 4 might fiks the “g/j” anomali wonse and for all. Jenerally, then, the improvement would kontinue iear bai iear with Iear 5 doing awai with useless double konsonants, and Iears 6-12 or so modifaiing vowlz and the rimeining voist and unvoist konsonants. Bai Iear 15 or sou, it wud fainali bi posibl tu meik ius ov thi ridandant letez “c”, “y” and “x” — bai now jast a memori in the maindz ov ould doderez — tu riplais “ch”, “sh”, and “th” rispektivli. Fainali, xen, aafte sam 20 iers ov orxogrefkl riform, wi wud hev a lojikl, kohirnt speling in ius xrewawt xe Ingliy-spiking werld.”

Mark Twain, no website da Caltech.

(hat tip: 3quarks daily)

***

Fica a suspeita de que Mark Twain seja a origem do “miguxês”…

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Descrição do curso:

As print takes its place alongside smoke signals, cuneiform, and hollering, there has emerged a new literary age, one in which writers no longer need to feel encumbered by the paper cuts, reading, and excessive use of words traditionally associated with the writing trade. Writing for Nonreaders in the Postprint Era focuses on the creation of short-form prose that is not intended to be reproduced on pulp fibers.

Instant messaging. Twittering. Facebook updates. These 21st-century literary genres are defining a new “Lost Generation” of minimalists who would much rather watch Lost on their iPhones than toil over long-winded articles and short stories. Students will acquire the tools needed to make their tweets glimmer with a complete lack of forethought, their Facebook updates ring with self-importance, and their blog entries shimmer with literary pithiness. All without the restraints of writing in complete sentences. w00t! w00t! Throughout the course, a further paring down of the Hemingway/Stein school of minimalism will be emphasized, limiting the superfluous use of nouns, verbs, adverbs, adjectives, conjunctions, gerunds, and other literary pitfalls.”

Pré-requisitos:

Students must have completed at least two of the following.

ENG: 232WR-Advanced Tweeting: The Elements of Droll
LIT: 223-Early-21st-Century Literature: 140 Characters or Less
ENG: 102-Staring Blankly at Handheld Devices While Others Are Talking
ENG: 301-Advanced Blog and Book Skimming
ENG: 231WR-Facebook Wall Alliteration and Assonance
LIT: 202-The Literary Merits of Lolcats
LIT: 209-Internet-Age Surrealistic Narcissism and Self-Absorption

Syllabus aqui.

(hat tip: Nick Carr)

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Tio Rei está caducando.  Agora, depois de adotar o Twitter, propôs o singelo brasão acima como símbolo de seu blog.

Ambicioso, mas tenho lá minhas dúvidas se Tio Rei tem peito pra chegar perto de uma isca de Racumin sem cair de boca.  🙂

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Você, sem (mais) fronteiras

Certa feita me aventurei no tipo de faina em que os jovens se aventuram, e que consistia em subir por uma serpenteante trilha no meio do mato até o alto de uma sobranceira montanha.  O local era paradisíaco, me asseguraram, e praticamente intocado pelo Homem, que ainda mal deixara ali os sinais característicos de sua desastrada passagem.

Quando chego no alto da trilha, me deparo com um sujeito baixinho com uma caixa de isopor.

_ Vai côco?

***

Pois esta notícia aqui me deixou com o mesmo sabor na boca:

Operadora instala antena no topo do Everest

KATMANDU – Uma companhia de telecomunicações do Nepal planeja expandir seus serviços de telefonia celular para o topo do monte Everest, a maior montanha do mundo.

Centenas de alpinistas, que escalam os 8.850 metros do Everest todo ano, dependem de caros telefones por satélite para falar com seus familiares, já que a remota região do Himalaia não possui recursos de comunicação.

“Nós vamos montar torres móveis em Thakdin, Manjo, Pheriche e Gorak Shep, deixando o cume do monte Evereste dentro da área de cobertura”, disse Anoop Ranjan Bhattarai, diretor da unidade de serviços por satélite de Nepal Telecom.

Gorak Shep, na região de Solukhumbhu, está localizado perto do campo base do Everest. “Uma torre móvel fornecerá conectividade aos alpinistas no topo”, explicou Bhattarai, acrescentando que a companhia espera finalizar o trabalho até meados de junho.

Chuvas de monção anuais normalmente começam na metade de junho, quando o transporte de equipamentos pelas trilhas montanhosas se torna difícil.”

***

Só falta o Luciano Huck abrir uma pousada lá.

Na Exame, matéria sobre o inferno astral da Daslu

Vila Olímpia vira sonho de consumo dos próprios shoppings

A condenação a 94 anos e meio de prisão por importação fraudulenta de produtos está longe de ser o único problema para Eliana Tranchesi, a dona da Daslu. Considerada um dos maiores templos do luxo no país, a Daslu terá de enfrentar a partir dos próximos meses uma concorrência feroz pelos consumidores endinheirados.

Até 2010, a inauguração de dois shopping centers e a ampliação de um terceiro empreendimento devem transformar a região da Vila Olímpia, onde está a Daslu, em uma espécie de “Boca do Luxo” da cidade de São Paulo. Os três shoppings contarão com 504 novas lojas na região – ou cerca da metade do total de lojas que serão abertas em shoppings na capital paulista até o final do próximo ano.(…)

Além da gigantesca loja da Daslu e do shopping Cidade Jardim, já em funcionamento, a Vila Olímpia em breve ganhará outros dois empreendimentos: o shopping Vila Olímpia, com inauguração prevista para novembro de 2009, e o JK Iguatemi, prometido para outubro de 2010. Já o shopping Cidade Jardim planeja abrir um novo piso com mais 60 lojas daqui a cinco meses.

Apesar de cada um desses empreendimentos ter características distintas, é bastante provável que os shoppings acabem por disputar os mesmos consumidores. Segundo Luiz Fernando Veiga, diretor-executivo da Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers), em geral mais de 50% das pessoas que fazem compras em um shopping são moradoras ou freqüentadoras assíduas da região.”

Pois é, enfrentar a concorrência tendo que pagar imposto vai ser o fim da picada.

Mas o que mais me chamou a atenção, mesmo, foi o parágrafo seguinte:

Até o início do século, os shoppings Iguatemi e Morumbi eram os que estavam mais bem posicionados para aproveitar o grande fluxo de pessoas abastadas entre o Itaim, a Vila Olímpia e o Morumbi. Esse “duopólio” começou a ruir nos últimos anos com a inauguração de novos empreendimentos, um processo que deve atingir seu ápice em 2010.

Fiquei pensando desde quando afinal existiam os shoppings Iguatemi e Morumbi, quando me dei conta de que o “início do século” ali é referência ao Século XXI.  Já.

O que tecnicamente é correto, é lógico, mas diacho, o século ainda tá tão novinho que era melhor usar “início da década”, sei lá.  Mas deve ser ranhetice de pessoas transeculares como nós que nascemos na segunda metade do XX…

Minha impressão quanto a isto, sem entrar no mérito da questão que estava sendo discutida: está na cara que foi Gilmar Mendes quem se excedeu em primeiro lugar [1:28min, “vossa Excelência não tem condição de dar lições a ninguém“].  Ele falou o que disse e ouviu o que não queria ouvir.  Compreensível, ele deve estar muito nervoso ultimamente.

Como era de se esperar, porém, nosso “reservoir dog” parte contra Barbosa:

Publiquei a transcrição do bate-boca porque os vídeos tornados públicos distorceram a verdade. Barbosa está errado no fundamento porque visivelmente ignorava o caso que estava sendo debatido – havia faltado à sessão. E, no que concerne à desinformação, pouco importa de faltou por necessidade ou desídia. Dá na mesma. Está errado na postura porque, mais uma vez, decidiu bater boca de forma áspera com os colegas, opondo impressionismo e opinionismo a questões que são de natureza técnica. Está errado no vocabulário porque, dado a cantar as próprias virtudes, supõe que outras pretendam diminuí-las. E, ao fazê-lo, em seu modo destrambelhado, ofende os seus pares, como se a sua independência de espírito fosse maior do que a dos demais. Às vezes, tenho a impressão de que Barbosa é apenas mais independente em relação às leis… E está errado no decoro porque, definitivamente, seu papel não é pôr os demais juízes sob suspeição, como faz de hábito.

Publiquei a transcrição do bate-boca. Fica evidente o momento em que Barbosa ultrapassa linha e sugere que os ministros que discordam dele não são “atentos às conseqüências” das suas decisões – vale dizer: são irresponsáveis. Lendo-se a transcrição, resta claro – e, não por acaso, todos os ministros presentes, à exceção do próprio Barbosa, se solidarizaram com Mendes – que, batido na questão técnica e também na, digamos, moral (afinal, criava embaraços sobre matéria que ignorava), restou-lhe o argumento ad hominem; restou-lhe atacar Gilmar Mendes pessoalmente.”

Realmente, Tio Rei publicou a transcrição, que repito aqui:

Direito – O tema é exatamente igual.

Peluso – Mas as conseqüências são de uma gravidade… é a anulação de todos os processos criminais já julgados, cumprimento de penas, etc.

Carmen – A questão da modulação é que é a mesma, mas a matéria.

Direito – Se vossa excelência quiser tirar de pauta.

Cármen – Talvez fosse de conveniência que esse aqui não fosse julgada agora, presidente.

Mendes – É a prova que é preciso embargos de declaração nesse tipo de matéria.

Barbosa – No caso anterior era embargos de declaração para dar aposentadoria a notários. Aqui, embargos de declaração para impedir o desfazimento…

Mendes – Não se trata disso.

Barbosa – Se trata disso, ministro Gilmar.

Mendes – Não, nada disso, desculpa.

Barbosa – A lei fala expressamente …

Mendes – … de aposentadoria de pessoas, vossa excelência que está colocando… não é nada disso. O parâmetro ideológico é vossa excelência que está dando. Porque senão aí o causuísmo fica por conta dos eventuais interessados.

Barbosa – Pois é. Nós deveríamos ter discutido quem seriam os beneficiados.

Mendes – A doutrina responsável defende essa possibilidade de que, cito Rui Medeiros e outros, de que se houver omissão, porque é dever do tribunal, ele próprio perquirir, não se trata de fazer defesa de A ou B, esse discurso de classe não cola.

JB – Porque a decisão era uma decisão de classe.

GM – Não, não era decisão de classe.

JB – Era sim.

GM – Não.

(espera)

CP – Agora. O tribunal tem a sua exigência de coerência.

GM – O tribunal pode aceitar ou rejeitar, mas não com o argumento de classe. Isso faz parte de impopulismo judicial.

JB – Eu acho que o segundo caso prova muito bem a justeza da sua tese. Mas a sua tese ela deveria ter sido exposta em pratos limpos. Nós deveríamos estar discutindo …

GM – Ela foi exposta em pratos limpos. Eu não sonego informação. Vossa Excelência me respeite. Foi apontada em pratos limpos.

JB – Não se discutiu a lei…

GM – Se discutiu claramente.

JB – Não se discutiu

GM – Se discutiu claramente e eu trouxe razão. Vossa Excelência… Talvez Vossa Excelência esteja faltando às sessões.

JB – Eu não estou…

GM – Tanto é que Vossa Excelência não tinha votado. Vossa Excelência faltou a sessão.

JB – Eu estava de licença, ministro.

GM – Vossa Excelência falta a sessão e depois vem…

JB – Eu estava de licença. Vossa Excelência não leu aí. Eu estava de licença do tribunal.

GM – Portanto…

CB – Senhor presidente, eu vou pedir vista do processo.

GM – Ministro Direito rejeita…

MD – Estou mantendo a coerência. Para mim não existe distinção. Nós estávamos discutindo a tese, que foi posta claramente, de saber se, havendo não decisão alguma, nem constando do pedido, a questão dos efeitos modulados se caberia ou não caberia embargo de declaração. Eu já estou com esse processo em pauta há muito tempo, mas como havia um outro que já estava em curso, eu aguardei julgar o outro que estava em curso. A tese é exatamente a mesma e eu estou rejeitando os embargos com esse fundamento.

CP – Se Vossa Excelência me permite, eu acho que há uma distinção aqui. No caso anterior, nós discutimos e conhecemos dos embargos. Os embargos foram rejeitados. Em outras palavras, o tribunal considerou admissíveis os embargos de declaração e rejeitou. Neste caso nós podemos considerar conhecer dos embargos e agora temos de discutir se nós vamos ou não vamos conceder esse efeito limitado.

MD – Ministro Peluso, se vossa excelência me permite, eu compreendo perfeitamente a tese que vossa excelência está sustentando. Só que é exatamente o caso, eu estou conhecendo dos embargos e estou rejeitando pelo menos fundamento que nós adotamos como foi claramente discutido aqui. A única diferença que pode existir é quanto à matéria substantiva. Mas quanto à tese que está sendo observada nos embargos de declaração ela é absolutamente idêntica. É prudente, claro, diante das advertências que foram feitas – e essa corte faz isso com absoluta tranqüilidade sempre, com absoluta transparência, sempre – que se examine e se reexamine a jurisprudência. Não é uma coisa santificada.

GM – E não teve outro caso, se não me engano do Rio Grande do Sul, em que o tribunal – não sei se era matéria de concurso ou coisa assemelhada – em que se discutiu também em embargos de declaração porque o próprio tribunal do Rio Grande do Sul fazia advertência das conseqüências, e o tribunal houve por bem rejeitar os embargos, mas não os disse inadimissíveis.

MD – Eu não estou entendendo que é inadimissível também. Estou conhecendo dos embargos, porque os embargos podem ser conhecidos. Como é uma tese que estava em controvérsia eu estou rejeitando os embargos pela mesma fundamentação. Mas o ministro Carlos Britto vai pedir vista do processo. Quem sabe Sua Excelência, examinando o processo, encontre uma omissão que eu não encontrei e nessa omissão (densa essa corte de supri-la) e, suprindo-a, acolher os embargos também com a extensão dos efeitos modulativos, não em função da omissão dos efeitos modulativos, mas sim em razão de uma outra eventual omissão que possa ter existido.

CP – Essa matéria é de uma delicadeza extrema.

CB – Vai ser muito difícil divergir de Sua Excelência.

CP – Significa a anulação de todos os processos julgados em execução desde 2005.

CL – De 2002 a 2005.

GM – Portanto, após o voto do relator que rejeitava os embargos, pediu vista o ministro Carlos Britto. Eu só gostaria de lembrar em relação a esses embargos de declaração que esse julgamento iniciou-se em 17/03/2008 e os pressupostos todos foram explicitados, inclusive a fundamentação teórica. Não houve, portanto, sonegação de informação.

CB – Tá bem claro.

JB – Eu não falei em sonegação de informação, ministro Gilmar. O que eu disse: nós discutimos naquele caso anterior sem nos inteirarmos totalmente das conseqüências da decisão, quem seriam os beneficiários. E é um absurdo, eu acho um absurdo.

Mendes – Quem votou sabia exatamente que se trata de pessoas…

Barbosa – Eu chamei a atenção de vossa excelência.

Peluso – Não, mas eu já tinha votado porque compreendia uma classe toda de serventuários não remunerados.

Barbosa – Só que a lei, ela tinha duas categorias.

Peluso – Não apenas notários.

Barbosa – Tinha uma vírgula e, logo em seguida, a situação de uma lei. Qual era essa lei? A lei dos notários. Qual era a conseqüência disso? Incluir notários nos regimes de aposentadorias de servidores …

Mendes – porque pagaram por isso durante todo o período e vincularam…

Barbosa – ora, porque pagaram…

Mendes – se vossa excelência julga por classe, esse é um argumento…

Barbosa – eu sou atento às conseqüências da minha decisão, das minhas decisões. Só isso.

Mendes – vossa excelência não tem condições de dar lição a ninguém.

Barbosa – e nem vossa excelência. Vossa excelência me respeite, vossa excelência não tem condição alguma. Vossa excelência está destruindo a justiça desse país e vem agora dar lição de moral em mim? Saia a rua, ministro Gilmar. Saia a rua, faz o que eu faço.

Britto – ministro Joaquim, nós já superamos essa discussão com o meu pedido de vista.

Barbosa – Vossa excelência não nenhuma condição.

Mendes – eu estou na rua, ministro Joaquim.

Barbosa – vossa excelência não está na rua não, vossa excelência está na mídia, destruindo a credibilidade do Judiciário brasileiro. É isso.

Britto – ministro Joaquim, vamos ponderar.

Barbosa – vossa excelência quando se dirige a mim não está falando com os seus capangas do Mato Grosso, ministro Gilmar. Respeite.

Mendes – ministro Joaquim, vossa excelência me respeite.

Marco Aurélio – presidente, vamos encerrar a sessão?

Barbosa – Digo a mesma coisa.

Marco Aurélio – eu creio que a discussão está descambando para um campo que não se coaduna com a liturgia do Supremo.

Barbosa – Também acho. Falei. Fiz uma intervenção normal, regular. Reação brutal, como sempre, veio de vossa excelência.

Mendes – não. Vossa excelência disse que eu faltei aos fatos e não é verdade.

Barbosa – não disse, não disse isso.

Mendes – Vossa excelência sabe bem que não se faz aqui nenhum relatório distorcido.

Barbosa – não disse. O áudio está aí. Eu simplesmente chamei a atenção da Corte para as consequências da decisão e vossa excelência veio com a sua tradicional gentileza e lhaneza.

Mendes – é vossa excelência que dá lição de lhaneza ao Tribunal. Está encerrada a sessão.

Eis o que diz Reinaldo sobre a transcrição:

Abaixo, segue a transcrição do bate-boca no Supremo. Os filmes a respeito estão editados. Observem de onde parte., como de hábito, a grosseria. Insisto: Barbosa desconhecia o caso porque faltara à sessão.

A despeito do que diga Reinaldo, fica claro que a grosseria partiu de Gilmar.  Não há nada demais na transcrição dos debates antes da áspera discussão.  Se o problema era o fato de Barbosa ter “faltado” _ e ele não “faltou”, mas estava de licença, ao que parece (mas não importa, Tio Rei escolhe as palavras como lhe apetece), então havia formas de discutir a questão e informá-lo da discussão anterior, ao invés de dizer o que Gilmar, destemperadamente, disse.

Até considero que Barbosa pode ter se excedido em relação à norma de decoro da casa (que aliás tem uma parte pública e outra privada) quando acusou Gilmar em público de querer “destruir a Justiça brasileira” (embora eu ache que isso é coisa que todos os ministros deviam dizer para Gilmar todos os dias, em privado).  Mas não resta dúvida de que quem chamou pra briga foi Gilmar.

Agora Reinaldo diz que não adianta entrar no blog dele para defender Barbosa.  Talvez porque ele mesmo já o tenha feito quando foi conveniente.

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Índia paraguaia vem me enfeitiçar com o teu luar,
O luar que eu vi, que brilhava em ti, neste teu negro olhar.

Deu no Estadão:

Aparece 3º suposto filho do presidente do Paraguai

Minha intuição me diz que a crise política do país hermano estará em breve resolvida.

É provável que 2/3 da população seja composta por filhos, netos  e bisnetos do Bispo Lugo.  Não precisa nem de Assembléia Constituinte para mudar a Constituição.

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Casco.

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Ferradura.

***

OK, já sei o que vão falar: afinal, Lula sempre criticou o comportamento das elites, enquanto Alckmin sempre esteve perfeitamente confortável com isso.  Bom, talvez.

Um leitor me enviou um e-mail dizendo que este blog aparece como “title unknown” no Google Reader.  Curiosamente, quando entro no Google Reader com minha conta de e-mail Hermenauta, vejo o feed do blog com o nome.

Alguma sugestão de solução do problema?

Deu no Estadão:

Miss diz que perdeu coroa por ser contra casamento gay
Miss Califórnia se posicionou contra o matrimônio no concurso de Miss EUA; segundo jurados, ela era favorita

A Miss Califórnia, Carrie Prejean (foto), causou polêmica no concurso de Miss Estados Unidos ao responder a pergunta de um dos jurados, o blogueiro Perez Hilton, sobre casamento gay. De acordo com Carrie, ela teria perdido a coroa por ter dito que julga positivo que alguns americanos possam ter o direito de escolher casarem-se com alguém do mesmo sexo, mas que em seu “país ideal”, o matrimônio deveria ser permitido somente entre homens e mulheres.

“Eu acredito que um casamento deveria acontecer entre um homem e uma mulher. Isso não é nenhuma ofensa às outras pessoas, mas é como eu fui criada.”

Um dos diretores da competição Miss Califórnia, Keith Lewis, condenou os comentários de Prejean em uma nota oficial. “Como co-diretor do Miss Califórnia, eu estou pessoalmente triste e atingido que a Miss Califórnia acredita que o direito ao casamento só pertence ao homem e à mulher.”

Carrie ficou em segundo lugar no concurso – perdeu para a Miss Carolina no Norte, Kristen Dalton (foto).

O jurado Perez Hilton disse que ficou “arrasado” pela resposta de Prejean, que, segundo ele, “alienou milhões de americanos gays e lésbicas, suas famílias e seus apoiadores”.

“Ela perdeu por causa desta resposta. Ela era definitivamente a favorita até então.”

Após as declarações, houve vaias e aplausos na plateia. Depois do concurso, que passou na televisão americana, ela disse: “Eu não aceitaria dizer qualquer outra coisa. Eu disse o que eu sinto. Eu dei uma opinião que é verdadeira comigo mesma e isso é tudo o que eu posso fazer”.”

***

O que, na minha opinião, diz muito sobre o público de concursos de beleza.

Mas, de fato, o Balkinization, em um post sobre a surpreendente rapidez da vitória do movimento pelo casamento gay nos EUA, diz que um quinto dos americanos já vive sob a ditadura gayzista-comunista.  Ou ditabranda, sei lá.

(*) Citação de Saint-Exupéry, ídolo de 10 entre 10 misses.  Segundo a Wikipedia francesa, Saint-Exupéry casou-se com uma rica salvadorenha chamada Consuelo no balneário de Agay, o que, em um mundo mais lírico, equivale a um same-sex marriage.

In a nutshell we found that the Northeast and West of the United States is like Europe, and the South is like Mexico. In other words, the rich states in the Northeast and West, along with much of Europe seem to have moved toward what might be called a postindustrial politics in which voters of liberal and conservative parties tend to differ more on religion than on income. In contrast, the poorer states in the South and middle of the United States seem to look more like Mexico, with a more traditional pattern of votes of the rich and the poor.”

Aqui.  Mas a conclusão é meio besta:

It is not just geography per se, it is how it interacts with voters’ relative position in society. In other words, a person’s political, social, cultural, and economic environment is made of both the people and the institutions that structure their daily interactions. As a consequence, as we suggest in our book as well as Nolan’s work; people’s voting decision is going to be shaped by both their socioeconomic status (aka income) and the composition of the local setting.”

O que não me parece lá grande novidade.

Na, entre todos os lugares, a Time:

Galeano’s book is a well-researched historical account and, while it does include quotes by Karl Marx, the author’s left-leaning perspective does not rob the book of value. It’s perhaps overly dense with fact after fact after fact – the author doesn’t zoom out often – but the book still makes a convincing argument that Latin America was a victim of European and American exploitation. This is not a difficult case to make when you’re talking about colonialism. But with leftist leaders like Chavez and Bolivia’s Evo Morales assuming power of 21st century Latin American governments, it’s important to understand how they think we got here and who they hold responsible.”

***

Pois é, há muitos anos atrás eu tinha um exemplar do livro, mas ele sumiu aqui da minha Blábláteca há muito tempo.  Gostaria de reler algumas partes.  De qualquer modo, embora eu não seja particularmente entusiasmado com o projeto político escapista de algumas esquerdas _ principalmente a de atirar toda a culpa do nosso subdesenvolvimento aos colonizadores, uma vez que eles afinal sempre foram ajudados, e bastante, por aristocracias locais _ também não consigo entender como uma certa direita que alimenta um outro projeto político escapista resolva aquartelar-se contra um livro que afinal de contas vai mais fundo ainda na gênese do que, queiramos ou não, somos.

***

UPDATE:

Achei uma versão para download do livro do Galeano aqui.  Nas páginas finais há algumas considerações sobre o Brasil que Chavez deve ter arrancado no exemplar do livro que deu para Obama:

Nestes últimos anos, recrudesceu em grande medida a concorrência entre os gerentes dos grandes interesses imperialistas, instalados nos governos do Brasil e da Argentina, em torno do agitado problema da liderança continental. Tudo indica que a Argentina não está em condições de resistir ao poderoso desafio brasileiro: o Brasil tem o dobro de superfície e uma população quatro vezes maior, é quase três vezes mais ampla a produção de aço, fabrica o dobro de cimento e gera mais do dobro de energia; a taxa de renovação de sua marinha mercante é quinze vezes mais alta. Registrou, além disso, um ritmo de crescimento econômico bastante mais acelerado que o da Argentina, durante as últimas décadas. Não faz muito tempo, a Argentina produzia mais automóveis e caminhões do que o Brasil. No ritmo atual, em 1975, a indústria automobilística brasileira é três vezes maior do que a Argentina. A frota marítima, que em 1966 era igual à Argentina, equivale a de toda a América Latina reunida. O Brasil oferece à inversão estrangeira a magnitude de seu mercado potencial, suas fabulosas riquezas naturais, o grande valor estratégico de seu território, que limita com todos os países sul-americanos menos com o Equador e o Chile, e todas as condições para que as empresas norte-americanas radicadas em seu solo avancem com botas de sete léguas: O Brasil dispõe de braços mais baratos e mais abundantes do que seu rival. Não é por acaso que a terça parte dos produtos elaborados e semi-elaborados que se vendem dentro da ALALC provenha do Brasil. Este é o país que constitui o eixo da libertação ou servidão de toda a América Latina. Quem sabe o senador norte-americano Fulbright não tenha tido consciência completa do alcance de suas palavras quando, em 1956, atribuiu ao Brasil, em declarações públicas, a missão de dirigir o mercado comum da América Latina.”

“(…) one of the great pleasures of fiction reading is the way words, well-ordered, achieve their own local power while, as well, sparking the distant tinder in a reader’s head, that warehouse of images we all log from a life of looking.”

_ Wyatt Mason, Woefully Too Small

Deve ser dureza viver em um país onde não rolou anistia para anaeróbicos.  Do Estadão:

Auxiliares de Bush que apoiaram tortura podem ser processados
Presidente dos EUA disse que a questão de iniciar ou não processos ficará a cargo do procurador-geral

WASHINGTON – O presidente dos EUA, Barack Obama, deixou a porta aberta para que sejam processados membros do governo Bush que construíram o arcabouço jurídico usado para justificar a tortura de suspeitos de terrorismo, dizendo que os EUA perderam “a bússola moral” ao aplicar essas táticas.

A questão de se os autores das justificativas para o uso dos chamados métodos “avançados” de interrogatório devem ser acusados formalmente “será mais uma decisão do procurador-geral, dentro dos parâmetros de diversas leis, e não quero prejulgar isso”, disse Obama. O presidente discutiu a questão das táticas de interrogatório aplicadas contra terroristas depois de uma reunião com o rei Abdullah II, da Jordânia.

Obama também disse que poderia vira a apoiar uma investigação parlamentar das políticas do governo Bush para com prisioneiros suspeitos de terrorismo, mas apenas sob certas condições, como a formação de uma base bipartidária. Ele se disse preocupado com o impacto de uma investigação de forte teor político sobre os esforços do governo para conter o terrorismo.

O presidente já havia afirmado que não gostaria de ver agentes da CIA que praticaram tortura processados, desde que esses agentes tenham agido dentro dos parâmetros definidos por superiores que acreditavam que essas práticas eram legais.

Mas a posição do atual governo quanto aos juristas que trabalharam com o governo Bush para aprovar as táticas violentas de interrogatório é menos clara. ” [grifo meu]

***

Eu acho que ele está indo exatamente ao ponto.

***

O Balkinization está fazendo um ótimo trabalho de análise dos memos e, especialmente, dos argumentos que podem surgir para salvar a pele dos “juristas”.

***

A propósito, a Harper´s publicou uma matéria bem interessante (mas a cobertura completa também é muito boa) sobre alguns detalhes da tortura promovida nos anos Bush _ em particular, seus paralelos com o mundo criado por George Orwell em 1984.  Ali descobrimos que de fato existia uma sala 101:

In Orwell’s Nineteen Eighty-Four, Room 101 contained whatever a prisoner feared most, which would be let loose against him in an act calculated to inspire pure terror in the victim, to break him as an individual and to produce human material suitable for reconditioning. As a reminder, here’s the way the disclosure of Room 101 is realized in the excellent film version directed by Michael Radford (it begins at roughly 3:20 in the clip):


In the first of the four memos, we learn that one prisoner has been the subject of a careful psychoanalysis that had revealed a strong fear of insects, particularly stinging insects. The sudden onset of a phobia can produce automatic, uncontrollable reactions-the fear grips total control of the subject’s mind. Rapid heartbeat, a shortness of breath, trembling, an overwhelming desire to flee. The prisoner is prepared to do anything to escape the cause of the phobia.

The CIA therefore proposed to lock the prisoner in a coffin-like box to which would be added an insect. Judge-yes, the author is a sitting appeals court judge in San Francisco-Jay Bybee’s memorandum discusses this process in detail and settles on a pre-agreed script about how Room 101 will be used, addressing in turn the toxicity of the insect to be used, the dimensions of the box in which the prisoner will be confined, and the false statements which will be made to the prisoner in order to heighten his level of apprehension, with the intention of triggering a “panic attack.” Not surprisingly, George Orwell’s ultimate form of torture is perfectly fine for Judge Bybee-he raises no objection, as is the case with waterboarding, hypothermia, “walling” (a technique that involves bashing the prisoner’s head against a wall), and a number of other techniques that belong to the long-settled torture repertoire of such regimes as the Soviet Union, North Korea, China and North Vietnam. But for Judge Bybee, if the CIA wants to use these techniques, that’s all fine with him-no law stands in the way.”

A Harper também descreve um diálogo bem interessante durante uma entrevista na TV com o ex-diretor da CIA, Michael Hayden:

WALLACE: The New York Times reports that all the information that Abu Zubaydah, the first one who went through all of these techniques — all of the information he gave up came before he was subjected to waterboarding, before he was slapped, before he was slammed against a wall. And it says after the harsher enhanced interrogation, he gave up nothing.

HAYDEN: I should correct you — before he was slammed against a false flexible wall with something wrapped around his neck so that he would not be injured.

***

Aparentemente o pessoal estava ocupado demais em proteger o mundo ocidental para se lembrar dos seus preceitos.

As boas notícias não param…

(PhysOrg.com) — Trust Digital has proven that an attacker with the right knowledge and toolkits can remotely hijack a phone by sending an SMS message to it. The attack would be most effective if it took place in the middle of the night while you are asleep.

The attack, on your phone, would start by receiving a  that would automatically start up the  and direct it to malicious Web site. The site would then download an executable file to the phone and steal all your personal data.

Via Physorg.

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De uma matéria na Folha de hoje sobre o novo Star Trek, alguns depoimentos dos próprios atores:

Minha avó assistia”
Nem o diretor nem os atores eram originalmente fãs de “Star Trek”. Zachary Quinto
[que faz o Spock, nota H.] achava que “a série original não era suficientemente dinâmica”. Zoe Saldana [que faz a Uhura, nota H.]  também.
“Eu não via “Star Trek”. Mas ouvia a música vindo da sala. Minha avó e minha mãe assistiam…”, disse a atriz.
“Em “O Terminal” eu interpretava uma trekkie e não tinha ideia do que fosse. Perguntei “o que é um trekkie?”, e todos riram da minha cara, dizendo que eu era muito jovem”, disse
.”

***

Star Trek: boldly going where no 60´s soap operas have been before.

acordortografico

(clique para ampliar)

Deu no Financial Times:

Twitter is benefiting from all that attention. Visitors to Twitter.com surged 131 per cent in March to 9.3m, suggesting that more than being just a fad, Twitter could in fact be going mainstream.”

***

Haverá esperança fora do Twitter?  E quem não couber em 140 caracteres, como fica?

Adiciono uma reflexão do Nick Carr (todos os grifos são meus):

Twitter is the telegraph system of Web 2.0. Like Morse’s machine, it limits messages to very brief strings of text. But whereas the telegraph imposed its limit through the market’s will – priced by the word, telegraph messages were too expensive to waste – Twitter imposes its limit through the iron law of code. Each message may include no more than 140 characters. As you type your message – your “tweet,” in Twitterese – in the Twitter messaging box, a counter lets you know how many characters you have left. (That last sentence wouldn’t quite have made the cut. It has 146 characters. Faulkner would have been a disaster as a Twitterer.)

Only on the length of each message is a limit imposed. Because there’s no charge to send a message and no protocol governing the frequency of posting, you can send as many tweets as you want. The telegraph required you to stop and ask yourself: Is this worth it? Twitter says: Everything’s worth it! (If you’re sending or receiving tweets on your cell phone, though, you best have an all-you-can eat messaging plan; Twitter is, among other things, a killer app for the wireless oligopoly.) You can also send each tweet to as large an audience as you want, and the recipients are free to read it via mobile phone, instant messaging, RSS, or web site. Twitter unbundles the blog, fragments the fragment. It broadcasts the text message, turns SMS into a mass medium.

And what exactly are we broadcasting? The minutiae of our lives. The moment-by-moment answer to what is, in Twitterland, the most important question in the world: What are you doing? Or, to save four characters: What you doing? Twitter is the telegraph of Narcissus. Not only are you the star of the show, but everything that happens to you, no matter how trifling, is a headline, a media event, a stop-the-presses bulletin. Quicksilver turns to amber.”

O resto, aqui.  Mas ressalto esta passagem:

Being online means being alone, and being in an online community means being alone together. The community is purely symbolic, a pixellated simulation conjured up by software to feed the modern self’s bottomless hunger. Hunger for what? For verification of its existence? No, not even that. For verification that it has a role to play.

“Deserto do Real” é pouco.

***

Porque diabos 140 caracteres, e não 150 ou 130?  Alguém sabe? (talvez este seja um bom lugar para começar a descobrir)

***

Esse Primeiro de Abril do Guardian foi ótimo _ inclusive a idéia de reescrever os arquivos da publicação em twitterês desde o seu início em 1821:

  • “1832 Reform Act gives voting rights to one in five adult males yay!!!”;
  • “OMG Hitler invades Poland, allies declare war see tinyurl.com/b5x6e for more”;
  • “JFK assassin8d @ Dallas, def. heard second gunshot from grassy knoll WTF?”

E o discurso de Martin Luther King:

 “I have a dream that my four little children will one day live in a nation where they will not be judged by the colour of their skin but by“.

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Sim, os tempos estão difíceis para todos, mas sempre existem boas oportunidades para pessoas com o talento adequado.  Essa notícia do Citylife (via Clusterstock) mostra que até mesmo trolls podem alimentar a esperança de arrumarem um emprego, apesar do seu baixo coeficiente de inteligência emocional:

Mess With Jamie Dimon at Your Own Risk

This photo of JPMorgan Chase chief Jamie Dimon holding up his fists ready to throw down? It’s not just for show. If Chase loans you money to, say, buy a Mercedes SUV and you don’t pay the bank back, Dimon will use any means necessary to insure you follow through. At least that’s what a man named James Ricobene claims, who is now suing JPMorgan Chase for allegedly resorting to dirty tactics to collect the collateral on a car loan. Ricobene says Chase hired a shady collection outfit to harass him and posted a threatening message on his daughter’s MySpace page vowing to report the 2007 Mercedes GL450 as stolen and put him in jail for two years if he didn’t come up with the goods. We can’t imagine Dimon would condone such unethical conduct, if only because he probably doesn’t even know what MySpace is. But Ricobene probably shouldn’t have been in this position to begin with, especially since he happens to be the president of a company called Cash Flow Consultants Inc. The full suit after the jump!

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Se a moda pega…

***

Quem serão os assessores??

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Ignorância é esperteza

Deu na Folha:

Priscila vai analisar fotos supostamente suas na internet

Segunda colocada no “Big Brother Brasil 9” e vencedora do prêmio de R$ 100 mil, a modelo e jornalista Priscila Pires disse que precisa analisar as fotos que circulam na internet com imagens dela nua. Ela não descartou, durante entrevista coletiva após sair da casa, a possibilidade de ter posado sem roupa para ensaios ousados.

“Eu vou querer ver isso também. Primeiro eu tenho que ver as fotos para responder para vocês”, disse a jornalista.” [grifo meu]

***

A exemplo de outros personagens do dia a dia nacional, ela ainda acaba “cada vez mais convencida” de que não posou nua…

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É o seguinte, pessoal: ninguém pode acusar o deputado Fábio Faria de ser um inimigo da transparência. Pô.

***

Aliás, o Deputado é autor do PL-1977/2007, que “Dispõe sobre a concessão para a abertura de Agências de Viagens“.  Tá certo!

Tio Rei abusa na cretinice, hoje, ao pontificar sobre quem é e quem não é do eixo do mal:

No último post publicado na madrugada, afirmo que Cuba é um problema irrelevante, beirando o folclórico. Sua importância está em não ter importância nenhuma. Tanto é assim, que só Lula, Chávez e alguns chefetes menos cotados da América Latina se ocupam do caso. Tanto é assim, que Obama deu uma resposta à questão que beira o humor: “Ok, suspender o embargo, não suspendo. Mas que os cubanos viajem pra lá à vontade e enviem quanto dinheiro quiserem. A dificuldade é entrar em Cuba, não sair da América”. E virou para o outro lado…

Problema real e perigoso é o Irã. Problema real e perigoso é a Coréia do Norte. E o caso é emblemático porque esse é uma herança do governo… Clinton! Isto mesmo: estudem o assunto. O programa nuclear do país avançou durante o governo democrata. Quando Bush chegou ao poder, já não se sabia até onde o país tinha ido — havia a desconfiança de que já tivesse ido longe demais.

Isso é cretino em um sem número de maneiras, mas vamos apontar apenas duas.

Primeiro: é factualmente bullshit dizer que o programa norte-coreano de armas nucleares é herança do governo Clinton. Eis o que diz o site da FAS, Federation of Atomic Scientists:

The North Korean nuclear weapons program dates back to the 1980s. In the 1980s, focusing on practical uses of nuclear energy and the completion of a nuclear weapon development system, North Korea began to operate facilities for uranium fabrication and conversion. It began construction of a 200 MWe nuclear reactor and nuclear reprocessing facilities in Taechon and Yongbyon, respectively, and conducted high-explosive detonation tests. In 1985 US officials announced for the first time that they had intelligence data proving that a secret nuclear reactor was being built 90 km north of Pyongyang near the small town of Yongbyon. The installation at Yongbyon had been known for eight years from official IAEA reports. In 1985, under international pressure, Pyongyang acceded to the Treaty on the Non-Proliferation of Nuclear Weapons (NPT). However, the DPRK refused to sign a safeguards agreement with the International Atomic Energy Agency (IAEA), an obligation it had as a party to the Nuclear Non-Proliferation Treaty.

Se o programa de armas coreano é “herança” de alguém, é de Ronald Reagan. Não admira:

Kenneth Adelman, then a presidential adviser on arms control, attended a literary soirée in the 1980s at which he heard an author expound a vision of a nuclear-free world. “I was dumb- founded,” wrote Adelman later, “and said that I had heard such notions from only one other person in my life, the President of the United States.”

That President was Ronald Reagan, widely regarded as a foreign-policy hawk when in reality he was a convinced nuclear abolitionist. President Obama’s speech on Saturday expressing his hopes for an eventual abandonment of nuclear weapons was thus grounded in recent presidential thinking, while avoiding the Utopianism that accompanied Reagan’s vision.” [grifo meu]

Segundo: vamos mandar caixas e caixas de óleo de peroba para Tio Rei por esta frase:

Quando Bush chegou ao poder, já não se sabia até onde o país tinha ido — havia a desconfiança de que já tivesse ido longe demais.

Incrível, né? Bush não tinha a menor idéia de onde estava o programa norte-coreano de armas nucleares (isso apesar de seu governo ter declarado que o Norte admitiu ter armas nucleares em 2002, no início do primeiro mandato), mas tinha certeza absoluta de que existia um programa de armas nucleares onde ele não existia, isto é, no Iraque.

Deu no Estadão:

Reajustes para militares estão garantidos, diz Nelson Jobim

Ele falou que verba já foi aprovada e que crise não fará mudanças; valor também será investido em aeroportos

RIO – O ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse nesta terça-feira, 14, que o Orçamento e os projetos do Ministério não terão cortes por causa da crise, já que todas as iniciativas são de médio e longo prazo e contam com financiamento externo. Segundo ele, entre janeiro de 2009 e julho do ano que vem, os oficiais de quatro estrelas terão um reajuste médio de 36% a 40%, enquanto os recrutas serão reajustados em 130%. (…)”

***

A partir de julho: greve no serviço público.  Tão certo como 2+2 são 4.

Nariz Gelado revela à blogoseira que é macaca de auditório de Roberto Carlos. Comentando uma notícia do Noblat sobre duas esnobadas que o Rei teria dado em Lula, Nariz confessa que Roberto é mesmo uma brasa, mora:

Não tenho um só disco do Roberto em casa. Mas até curto, talvez pela nostalgia aguda característica do Natal, aquele especial de final de ano – e sei de gente muito jovem que, depois de ir forçada a um show do rei, acabou virando fã.

Mas nada disso vem ao caso. O RC ganhou pontos comigo simplesmente por negar-se a uma aproximação com o poder executivo – coisa a que pouquíssimos artistas do cenário tupiniquim resistem. Desconfio que a maioria não se aboleta por lá simplesmente porque não recebe convite.

Ok, eu até admito que o fato deste poder estar, no momento, ocupado por gente que, para dizer o mínimo, não me é simpática pesa na análise do episódio. Também confesso que, fora aquela música composta para um Caetano Veloso exilado, nada sei do comportamento do RC durante a ditadura. Macomunou-se com os militares? Não sei. O que sei é que ele, cantor das massas, teve agora um gesto digno dos grandes artistas – pediu distância do poder político. O Rei está vivo. Viva o Rei!

Bah, faltou pesquisar um pouco:

Brasília – O cantor e compositor Roberto Carlos foi homenageado hoje pelo presidente Fernando Henrique Cardoso com a medalha da Ordem Nacional do Mérito Cultural, no Palácio da Alvorada, um dos últimos atos de Fernando Henrique como presidente da República.

“Eu não queria sair do governo sem fazer essa homenagem. Eu desejo que você continue a ser quem é: uma pessoa simples. Essa condecoração engrandece ao povo que é quem a dá. Você, sem ela, já representa tudo que nós amamos no nosso país e por isso queria expressar, em nome do povo brasileiro, o que você faz, que é alegrar a todos com a sua música, que com simplicidade toca o coração de todos”, agradeceu Fernando Henrique, que recebeu do cantor uma coletânea de suas principais músicas.

(…)

“Eu não sou muito de falar. Para mim é uma honra e uma alegria enorme estar recebendo essa homenagem”, disse Roberto Carlos, acrescentando que “nós não podemos esquecer as coisas que uma pessoa faz em benefício do povo, como o presidente Fernando Henrique fez“. O cantor desejou, ainda, boa sorte ao novo governo. “Desejo que o próximo governante do Brasil faça um ótimo governo. Acho que todo devemos apoiá-lo naquilo que podemos e que concordamos”, concluiu Roberto Carlos.” [grifo meu]

Detalhe: a notícia é de 27 de dezembro de 2002…

Deu no Globo:

Lula diz que 50% da crise “é um pouco de pânico”

SÃO PAULO – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta terça-feira em Telêmaco Borba, no interior do Paraná, que o Brasil vive um bom momento em função de sua estabilidade e credibilidade política e que o pessimismo tem grande influência sobre os efeitos da crise.

– Às vezes eu chego a pensar que 50% da crise é um pouco de pânico. Quando conversei com o Obama (presidente dos Estados Unidos, Barack Obama), falamos de um movimento mundial para convencer o consumidor a comprar o que precisa – disse Lula, na comemoração dos 110 anos da Klabin, em Telêmaco Borba.

Quem diria! Lula e Paulo do FYI, finalmente juntos!

Via o Na Prática, descubro que o Tyler Cowen, er, “gosta” do Brasil.  Em um post sobre as coisas que ele mais gosta em Portugal, vemos o seguinte:

“8. Former colony: Brazil.  But there’s stiff competition.”

E uma observação enigmática:

The bottom line: I am worried by the gaps here, including classical music, cinema, painting, and sculpture. Yet #8 makes up for it all. I suspect that too much royal patronage is the reason why there are so many notable Portuguese explorers and so few recognized composers.” [grifo meu]

Francamente, se pensarmos nas outras ex-colônias portuguesas, não me parece que a competição em termos de turismo seja tão grande assim.  Aliás a escolha me parece algo óbvia, a menos que você seja um turista bastante heterodoxo.

Além disso me parece um tanto esquisito que o Tyler Cowen procure refugiar-se de seu desconhecimento a respeito das artes portuguesas (que em si não tem nada demais, aliás) dizendo que o Brasil compensa isso tudo, porque, afinal, suas belezas naturais não foram obviamente obra dos portugueses,  suas características psicossociais também diferem um tanto da portuguesa, e parte ponderável do progresso que tivemos deveu-se à contribuição de emigrados de outros países, como os italianos, africanos, poloneses, japoneses, etc.  Agora, talvez seja razoável dizer que coisas como a miscigenação tiveram origem na colonização lusitana, certamente.

A parte sobre a patronagem real também não me parece fechar.  Se fosse esse o principal fator, comparando com as demais cortes européias exceto a espanhola, eu esperaria bem o contrário.

Bem, depois disso, lancei-me a uma jornada buscando outros posts do Marginal Revolution que falam sobre o Brasil.   Os posts em geral são relativamente equilibrados, e tem até um sobre o Brazil mesmo (mas que diabo é aquilo sobre as cidades perto de Curitiba??).  Mas os comentários deixam muitíssimo a desejar.  Por exemplo, vide este comentário em um post onde Cowen se pergunta porque os preços dos livros no Brasil são tão altos:

It is so true that Brazilians do not read.

For example, many do the 2-hour (each way) commute in a plush bus every day from Teresópolis to Rio de Janeiro to work. Not only do they not read a book, but they do not read a magazine like Veja. A few will read a newspaper. If you see a person reading in public, it will invariably turn out that he is a gringo. And the idea that Brazilians spend the time conversing instead of reading is a canard, as almost none of those bus commuters converse with their seatmates either. As a gringo, I find it fun to strike up conversations with Brazilians in lines like those at the bank, where they seem to spend half their lives.

I think the Brazilians are a lot like Turks, for example, who figure their education is over, rather than just beginning, once they have left school! To read a book in public is to them a clear indication of lack of education.

But Brazilians also can’t fix anything and can’t borrow a tool without returning it late or broken, or both. The only exception is when they don’t return it at all, which is more common.

The result is that I know Brazilian geography and history, not to mention wildlife, better than my Brazilian neighbors, many of which have never ventured more than 100 km from where they were born.

One of my native Brazilian friends explains that these behaviors are attributable to the culture of slavery, which lasted in Brazil until 1888. The idea is: why not break the master’s tools and attribute it to accident? And why read if you will be punished for it? This is the attitude that led to the capoeira, one of those many c-words, like cachaça and churrasco that the Brazilians are very good at.

Parece que o pobre diabo que produziu essa imbecilidade é  estrangeiro, mas não dá pra dizer se ele vive aqui _ o apelido do comentador é Jimbino, mas não há link para blog ou site _ mas devo dizer que a análise lembra bastante a de um ex-comentador deste blog (que Deus o tenha e o Diabo o carregue).

***

UPDATE

Parece que o tal jimbino vive no Brasil mesmo.  Ele tem um comentário neste post onde afirma isso.  E aliás parece bem menos burro.  Esta busca revela alguns outros comentários dele pela blogoseira afora.  Em um deles ele afirma que no Brasil ninguém sabe o que é uma chave de Philips.  Raras vezes me deparei com alguém que conhece tão mal o lugar onde vive (a alternativa é que ele só quer esculachar mesmo).

zombiejesus

(clique para ampliar)

Saiu uma matéria na FSP sobre os possíveis novos reatores nucleares a serem construídos no Brasil.  Mas a parte que achei mais interessante foi a que falava do depósito dos dejetos radioativos:

Depósito radioativo
Segue indefinida, no entanto, a localização do depósito para o combustível queimado nas usinas, ainda radioativo -cujo projeto detalhado é uma exigência ambiental para a entrada em operação de Angra 3, prevista para 2014. A construção da usina, interrompida nos anos 80, será retomada nos próximos meses. Está entre as obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).
O Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) concedeu no mês passado a licença de instalação de Angra 3. O documento é necessário para o início das obras. Em julho do ano passado, o órgão havia concedido licença para a construção do canteiro de obras da usina Angra 3.
Em dois anos, a Eletronuclear começará a construir, no município de Angra dos Reis, um protótipo do depósito, desenhado para estocar o combustível já resfriado por um período de 500 anos.
A ideia em discussão no governo é que haverá um leilão entre os municípios que se dispuserem a abrigar o depósito de lixo nuclear, em troca de uma compensação financeira.
A Folha teve acesso ao modelo do depósito planejado pela Eletronuclear. O presidente da estatal, Othon Luiz Pinheiro da Silva, descreve o projeto como uma espécie de “pombal” feito de concreto e isolado do solo.
O combustível usado nos reatores, depois de resfriado em grandes tanques instalados no interior das usinas, será acondicionado em ampolas de aço inoxidável blindadas, que, por sua vez, serão levadas à estrutura de concreto.
“Essa estrutura será construída em uma caverna, a salvo de um eventual ataque por aviões, totalmente segura”, sustenta o presidente da estatal. “É uma solução simples e engenhosa.”
O arranjo permitirá a reciclagem do combustível usado pelas usinas, baseado em urânio. A tendência é que o depósito venha a ser construído na região Sudeste, próximo de onde funcionam as três primeiras usinas nucleares brasileiras.
A construção de um depósito definitivo para o rejeito de alta radioatividade foi descartada na licença do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), que autorizou a retomada das obras.
A definição de onde ficarão as novas usinas gera movimentos antagônicos. Governadores do Nordeste já disputam a primazia, sobretudo pela movimentação da economia local e a perspectiva de aumento de arrecadação de impostos. (…).” [grifos meus]

***

A idéia de um leilão com “compensação financeira” para o aceite do depósito me causa mixed feelings.  Primeiro: a localização de um depósito nuclear, mesmo provisório, devia ser cercada de muitos cuidados técnicos, e não submetida a uma loteria.  Segundo: me parece que o processo de escolha é tão perverso que o município escolhido será, seguramente, um onde a população é mal informada e a elite política é ávida.

Mais: a idéia de “segurança” invocada pelo presidente da Eletronuclear é totalmente idiota.  Para projetos desta natureza, a maior preocupação não é com “ataques de aviões”, mas sim com que diabos pode acontecer com estruturas destinadas a sobreviver intactas por muitos séculos, às vezes milhares de anos.

Como diz a própria matéria, a idéia é que o repositório “provisório” possa durar 500 anos.  Bem, seria proveitoso levarmos em conta que estamos em 2009 e que há 500 anos atrás vivíamos o ano da graça de 1509.  Este ano é interessante porque provavelmente muito poucas famílias quatrocentonas paulistas teriam como dizer o paradeiro de seus ancestrais por esta época.  O que quero dizer com isto é que os principais perigos que podem afetar um depósito previsto para durar séculos é o esquecimento, e a consequente possibilidade de que pessoas bem intencionadas mas mal informadas possam ser vítimas de um incidente desagradável.  Lembrai-vos do episódio do césio em Goiânia, por exemplo.

Já o trecho que eu não entendi mesmo, e que pode ser um problema na redação na matéria ou não, é a parte que fala que o Ibama descartou a licença para um depósito definitivo.  Não dá pra entender se era a licença para um local proposto ou para a idéia de um depósito definitivo em abstrato.  Claro, a segunda hipótese é ridícula.  Mas eu gostaria de ter certeza.   🙂

Pois é:

Google Disables Uploads, Comments on YouTube Korea

Google has disabled user uploads and comments on the Korean version of its YouTube video portal in reaction to a new law that requires the real name of a contributor be listed along each contribution they make.

The rules, part of a Cyber Defamation Law, came into effect on April 1 for all sites with over 100,000 unique visitors per day. It requires that users provide their real name and national ID card number.

In response to the requirements Google has stopped users from uploading via its Korean portal rather than start a new registration system.

***

A lei coreana foi motivada, em princípio, pela pressão por uma defesa contra o ciber-bulling, após alguns eventos dramáticos como o suicídio de uma popular estrela que foi identificada na rede como a culpada pelo suicídio de um colega que lhe devia dinheiro.   Meritório motivo, mas será que os benefícios compensam as desvantagens?   Até porque esse é um caminho que as autoridades brasileiras parecem dispostas a copiar:

Ministério da Justiça propõe mais restrições na Internet
Proposta em estudo obriga provedores a guardar por três anos todas as informações sobre navegação dos usuários

Se depender da vontade do governo, a lei de crimes da internet será muito mais restritiva do que gostariam os senadores. Na minuta do projeto, o Ministério da Justiça quer que os provedores de acesso mantenham por três anos todos os dados de tráfego de seus usuários. Ou seja: que hora se conectou à internet, em que sites entrou e quanto tempo ficou.

O Congresso em Foco teve acesso ontem, com exclusividade, a um trecho da minuta elaborada pelo MJ. O texto modifica a redação do artigo 22 do substitutivo ao Projeto de Lei 84/99, elaborado pelo senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG). É justamente essa parte da peça em tramitação na Câmara que tem causado polêmica entre internautas e sociedade civil, pois obriga os provedores de acesso a armazenarem os dados de conexão dos usuários.

Agora, o MJ, influenciado por setores da Polícia Federal e da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), quer radicalizar. Pelo substitutivo do senador tucano, ficariam guardados os horários de log on (entrada) e log off (saída). Já na minuta do ministério, além de todos os dados de tráfego, os provedores seriam obrigados a registrar o nome completo, filiação e número de registro de pessoa física ou jurídica.” [grifo meu]

No Brasil, o incentivo para a busca de uma tal solução vem menos do ciber-bulling do que dos crimes pela internet.  Objetivo também meritório, mas como vemos, a coisa pode tresandar.

O Crooked Timber arrola alguns dos piores argumentos justificando o posicionamento contrário ao casamento de pessoas do mesmo sexo, e entre eles, sobressaem os propostos pelo NRO.  Amostra:

Both as a social institution and as a public policy, marriage exists to foster connections between heterosexual sex and the rearing of children within stable households. It is a non-coercive way to channel (heterosexual) desire into civilized patterns of living. State recognition of the marital relationship does not imply devaluation of any other type of relationship, whether friendship or brotherhood. State recognition of those other types of relationships is unnecessary. So too is the governmental recognition of same-sex sexual relationships, committed or otherwise, in a deep sense pointless.

A primeira frase deixa de lado, sem motivo aparente, a possibilidade de que a) casais gays adotem crianças ou b) casais gays possam ter suas próprias crianças (tecnologias futuras podem tornar isso possível).  A segunda frase incorpora, sem motivo aparente, um preconceito sobre o que seriam padrões civilizados de existência.  A terceira frase parece supor que o casamento gay “desvaloriza” outros tipos de relacionamento sem explicar quais ou porque.  As outras duas frases finais me parecem sem pé nem cabeça, de fato.

***

Claro, o assunto envolve alta dose de julgamento moral.  Para conservadores em geral, porém, qualquer coisa que envolva gays assumindo um verniz de normalidade deve ser combatido, daí o repúdio ao casamento entre parceiros do mesmo sexo _ mesmo que esse movimento seja, de certo ponto de vista, ele mesmo bastante conservador diante das bandeiras de algumas décadas atrás.  Afinal, onde antes existiam bandeiras como o “sexo livre”, transgressão, etc, hoje vemos apenas comportados casais querendo ser admitidos no seio da nossa melhor sociedade.  Ainda assim, a intolerância persiste.

APTOPIX Obama 2008

Super cool

Obama é cool e quer um mundo cool:

Obama looks at climate engineering

WASHINGTON (AP) – The president’s new science adviser said Wednesday that global warming is so dire, the Obama administration is discussing radical technologies to cool Earth’s air. John Holdren told The Associated Press in his first interview since being confirmed last month that the idea of geoengineering the climate is being discussed.
One such extreme option includes shooting pollution particles into the upper atmosphere to reflect the sun’s rays. Holdren said such an experimental measure would only be used as a last resort
.”

bollywoodmuderninha

Eu ainda não tinha visto, mas bollywood anda fazendo uns cartazes muderninhos para suas produções.

Meus 4,5 leitores já devem estar carecas de saber que uma cópia pirata de “X-Men Origins: Wolferine” escapou da escola do professor Xavier e caiu nas redes de bitorrent dos intertubes.

A preocupação da Fox é grande, embora a empresa esteja alegando _ talvez para tentar alterar o filme e preservar a aura de novidade na hora do lançamento, daqui a um mês _ que a cópia vazada é incompleta e de péssima qualidade.

Porém, X-Men Origins é O blockbuster de verão da Fox, e sua flopagem seria um problema sério para a distribuidora.

Veremos, portanto, se o efeito “Tropa de Elite” se reproduz no caso do filme americano ou não.  Há quem diga que o vazamento do filme brasileiro (aliás desvendado) apenas colaborou para aumentar sua popularidade, levando mais gente para ir vê-lo nas telas.  “Tropa de Elite” também vazou com grande antecedência, coisa de dois meses antes de sua estréia.   Porém há que se descontar uma diferença: havia grande expectativa com “Tropa” por ser um filme nacional aparentemente bom, coisa que já não é novidade para blockbusters americanos.

A ver.  Ou não.  🙂

Tio Rei fala sobre a demissão do presidente do BB.  Ele fala e eu comento:

DEMISSÃO NO BANCO DO BRASIL CHEIRA MAL, MUITO MAL

Quer dizer que o spread é alto no Brasil, e a culpa é do presidente do Banco do Brasil? Faz bem a oposição em exigir explicações do ministro Guido Mantega (Fazenda) e de Antonio Francisco Lima Neto, que foi defenestrado. Essa história cheira muito mal. E vou dizer por que é mister suspeitar de algum cadáver incômodo no armário.

Tá. Depois eu é que sou conspiratório.

Porque o governo está assumindo, com uma impressionante e desabrida desfaçatez, que está se imiscuindo na instituição segundo critérios que não seriam aqueles normalmente aceitos pelo mercado – isso para uma instituição que tem ações negociadas na Bolsa de Valores.

Ahnnn…médio.  Voltaremos a isso depois.

Na própria entrevista coletiva concedida em companhia de Lima Neto, Mantega chegou a falar que a nova diretoria terá um “contrato de gestão”, comprometida com a cobrança de taxas menores. É mesmo? Então se está acusando o presidente demitido de ter sabotado os interesses do país? Qual seria o seu interesse particular em manter elevado o spread? Ou ele praticava, vamos dizer, preços compatíveis com a saúde do Banco do Brasil, mas a saúde do Banco do Brasil começa a ser incompatível com a saúde do projeto político de Lula e Dilma Rousseff.

Pois é, o que é um “preço compatível com a saúde de um banco“?

A parte do interesse do ex-presidente é mais fácil de entender: dificilmente o sujeito não tinha um pacote remuneratório atrelado aos resultados do Banco.  Já dizer que o interesse de um banco é o mesmo interesse do País, é uma outra história.  Mas, de novo, voltaremos a isso já já.

A ministra e o presidente Lula estiveram num encontro com sindicalistas. Segundo testemunhos de alguns deles, ela não economizou e atacou gestores de bancos públicos que se comportariam como se fossem dirigentes de bancos privados. Voltando à coletiva, Mantega defendeu que o Brasil use seus bancos públicos para concorrer com os privados, oferecendo juros menores, para ganhar mercado. Como se vê, a mudança do dirigente de uma instituição com essa importância, feita de maneira um tanto brusca, teria raiz numa questão, admitamos, quase prosaica.”

Pois é.

Só no ano passado, o Banco do Brasil comprou a Nossa Caixa, o Banco do Estado de Santa Catarina (Besc) e o Banco do Piauí. Neste ano, já comprou 49% das ações do Banco Votorantim (uma operação que salvou o banco, deixando-o, no entanto, sob o cuidado dos antigos controladores – de pai para filho, mesmo…) e negocia a aquisição do Banco de Brasília (BRB) e do Banco do Estado do Espírito Santo (Banestes). E tudo é negócio realmente de vulto. Não se chega ao comandante de uma instituição como essa e se diz: “Você está demitido”, assim como quem declara: “Hoje é quarta-feira”.”

Ué, porque não?

Por que o governo, por intermédio dos ministros Guido Mantega e Dilma Rousseff, assume o risco de admitir uma interferência de caráter claramente político no Banco do Brasil? Isso me lembra a piada do sujeito que chega numa roda de amigos e diz: “Me contaram que aqui só tem corno e ladrão”. E todo mundo, imediatamente, se declara “ladrão”…

Onde está o caráter “político” da intervenção?  Por acaso Lima Neto é filiado ao DEM ou ao PSDB?

Traduzindo a piada para os desprovidos de tecla SAP: quem assume com muita rapidez o ruim pode estar temendo o pior.

Ele enrolou, enrolou, mas não disse porque a história “cheira mal”, e nem qual é o “pior”.  Na verdade, a questão é mais simples.

No mundo inteiro, há uma tensão entre a necessidade de evitar o tal do “risco sistêmico” presente no sistema financeiro e o exercício de políticas de defesa da concorrência.  Segundo a sabedoria tradicional (crescentemente desfavorecida diante da crise, diga-se de passagem, por ter gerado instituições “too big to fail“), bancos são instituições extremamente vulneráveis a crises de confiança, com o agravante que a falta de confiança em uma instituição pode propagar-se a outras, teoricamente aniquilando todo o sistema financeiro de um país.  Por isso, existem vários arranjos que na prática equivalem a uma “isenção antitruste” para o setor bancário.  Que, justamente por causa disso, aproveitou-se desse dilema de policy para aumentar a concentração do setor.

O problema é que quando você tem um mercado onde existem poucos atores,  há um tremendo incentivo para condutas coordenadas, isso é, a formação de cartéis.  Existe, portanto, uma grande chance que o tamanho do spread hoje embutido nas taxas de juros cobradas pelos bancos seja fruto de uma certa concertação entre as instituições financeiras.  Usar os bancos públicos para baixar o spread a patamares civilizados equivale, portanto, a uma operação de quebra de cartel.

Bem, exceto nas franjas mais radicais do movimento liberal, a maior parte do establishment econômico aceita que ações antitruste são essenciais em uma economia de mercado, no intuito de sanar falhas.  Idealmente, é claro, uma ação antitruste deveria assumir uma feição tradicional.  No caso, a ação antitruste tradicional envolve invadir os escritórios das empresas, apreender provas, prender dirigentes e atirar multas gigantescas contra as instituições envolvidas.

Exceto, é claro, pelo fato de que este não é o tipo de coisa saudável de se fazer contra instituições financeiras em épocas de crise.

Ou seja: a intervenção no Banco do Brasil é formalmente equivalente a uma ação anticartel.  As ações caíram?  Pois é, também cairiam no caso de uma ação anticartel tradicional.   O lucro dos acionistas vai diminuir?  É claro.  Aliás, a idéia é essa.

Anaeróbicos: bem vindos ao capitalismo por outros meios.

Deu no Estadão:

Trem-bala entre São Paulo e Rio será privatizado

(…)

O primeiro trem-bala brasileiro deverá custar US$ 14 bilhões (cerca de R$ 31 bilhões pelo câmbio atual) e a previsão é de que pelo menos entre São Paulo e Rio estará pronto até 2014, antes do início da Copa do Mundo de futebol. Ao todo, a linha terá 530 km de trilhos, sendo 130 km constituídos por túneis e viadutos. A previsão é de que serão transportados anualmente entre 8 milhões e 10 milhões de passageiros entre São Paulo e Rio. Calcula-se que a passagem ficará em torno de R$ 120.

(…)

De acordo com estudo de viabilidade técnica da obra, feito pela britânica Halcrow Group, o trajeto deverá ter oito estações entre Rio de Janeiro e Campinas. Em épocas de muita demanda, poderá haver também parada extraordinária em Aparecida. Toda a papelada já está com a Casa Civil, o Ministério dos Transportes e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), envolvidos diretamente com a obra.

Vamos tentar calcular quanto tempo gastaria uma viagem Rio-São Paulo.  Suponho que as pessoas viajarão neste trem carregando bagagens.   Se em cada parada o trem gastar um 15 minutos para que as pessoas embarquem e desembarquem, teremos:

5 x 15 = 75 minutos de viagem  (das 8 estações, tirei Campinas, Sampa e Rio)

Gastos apenas parando nas estações.  Vamos supor que o trem viaje a uns 200km por hora, o que acho que é uma velocidade muito superior à que será a média real.   Sendo o trajeto total de 530 km, e supondo que uns 70 km digam respeito ao trecho São Paulo – Campinas, temos:

(530-90)/200 = 2 horas e 12 minutos.

Então, estamos calculando para a viagem total umas quase 3 horas e meia.

O ônibus hoje leva umas 5:30 horas de viagem, e o avião, uns 45 minutos.

Neste exato momento, uma viagem amanhã do Rio para São Paulo pela Gol está custando R$ 439,00, mas se eu quisesse comprar com uma certa antecedência, digamos, de uma semana, a passagem sairia por R$ 339,00.  Já a passagem de ônibus pela Cometa está a R$ 90,00 no leito e R$ 65,00 no ônibus com ar condicionado.

Ou seja, se não fiz nenhuma grande besteira nestes cálculos em cima da perna, eu diria que o trem-bala tem um business model…er, heróico.

Principal problema, em minha opinião: as paradas oneram muito o serviço do trem-bala, afastando quem quer fazer a viagem completa Rio-São Paulo, que deve ser a maioria _ ou pelo menos a maioria com “bala” na agulha para pagar a passagem.   Por outro lado, o pessoal que vai ficar pelo Vale do Paraíba certamente achará muito mais negócio ir de ônibus.

Onde está Andre Kenji quando se precisa dele?

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