O Márcio Garcia deu voz, hoje no Valor, a um pensamento que sempre me assalta quando vejo Tio Rei (e tucanos em geral) fazendo diatribes sobre o Banco Central:

Houve manifestações após a decisão do Copom defendendo que o BC deveria, agora, focar exclusivamente em evitar a recessão, deixando de lado a inflação, que não constituiria mais risco. O BC jamais poderia fazer isso. Tem, por dever de ofício, que analisar ambos os riscos, dando prioridade à inflação. Piores foram declarações de próceres do PSDB incitando o presidente da República a intervir na condução da política monetária. É estranho e deplorável que o partido que, no poder, derrotou a hiperinflação e construiu o sistema de metas para inflação, agora pareça empenhado em desmontá-lo.”  [grifo meu]

Talvez ele esteja pensando em declarações como essa:

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), classificou hoje de positiva a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) de reduzir a taxa básica de juros (Selic) de 12,75% para 11,25% ao ano, mas disse que a queda não é suficiente (para a retomada do crescimento).

“Eu achei positivo.Antes tardíssimo do que nunca. Superamos seis meses de inércia nessa matéria. O Brasil perdeu muito tempo e está pagando muito alto pelo fato de esses juros não terem baixado antes. Agora que baixou 1,5 ponto porcentual eu acho positivo. Embora tardíssimo, é melhor do que nunca”, disse ele, após reunir-se no início da noite de hoje com a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, no Palácio dos Bandeirantes.

Mas nesse caso é preciso matizar, já que Serra nunca formou mesmo com a banda do PSDB representada por Pedro Malan na Fazenda, durante os anos FHC.

Muito mais grave, a meu ver, do que o manejo da SELIC, é o panorama de falta de concorrência no segmento bancário e os altíssimos spreads que isso acarreta na ponta do consumidor de crédito.

Anúncios