Tio Rei alucina:

Que outros Mandamentos Lula está disposto a desrespeitar?

“Como chefe de Estado tenho de tratar o aborto como questão de saúde pública. Como cristão, eu sou contra”.

A afirmação é de Lula, feita num seminário chamado “Mais Mulheres no Poder”, cuja moralidade política já se define. O que faz lá, então, o macho alfa, chefe de Dilma Rousseff, candidata do Apedeuta à Presidência, num encontro para discutir o poder das mulheres?

Resposta óbvia: faz campanha eleitoral antecipada.

Fosse Lula sincero, sua opinião seria esquizofrênica. Esse negócio de “como cristão” e “como presidente”, lamento dizer, é coisa de covardes políticos. Soubessem as oposições explorar tais contradições, Lula não alcançaria a altitude que alcança. O diabo – e como tem diabo nessa história! – é que também elas têm receio de enfrentar a questão.

Dada a fala de Lula, que me parece ferir o 5º Mandamento, devo indagar: quais outros o mau cristão Lula está disposto a desrespeitar para ser um “bom presidente” (seguem em forma interrogativa)?

1. Amar a Deus sobre todas as coisas?
2. Não tomar Seu santo nome em vão?
3. Guardar domingos e festas?
4. Honrar pai e mãe?
5. Não matar?
6. Não pecar contra a castidade?
7. Não furtar?
8. Não levantar falso testemunho?
9. Não desejar a mulher do próximo?
10. Não cobiçar as coisas alheias?

São boas perguntas, mas ele poderia começar a direcioná-las, por exemplo, a George Bush, pela sua atuação no Iraque (5) ou por mentir sobre as WMD´s (8), ou a Abraham Lincoln por provavelmente ser gay (6), ou quase qualquer outro presidente americano, por não guardarem o sabath (3).  De fato, são perguntas que poderiam ser feitas à maioria dos cristãos, com resultados espantosos.

Mas o que mais me preocupa é: se Tio Rei estender este raciocínio não só ao Presidente, como aos congressistas e juízes, onde fica a separação entre Estado e Igreja?  Ele está defendendo a sharia cristã?

Mas a alucinação continua:

Taí. Essa pode ser uma boa enquete. Referindo-se ainda a dom José Sobrinho, arcebispo de Olinda e Recife, afirmou o presidente: “Recentemente vocês viram o problema da menina de Pernambuco. É mais do que absurdo como é que você pode proibir a medicina de cuidar de uma menina de 9 anos?”.

Quem foi que tentou impedir a medicina de fazer o que quer que seja?

TRATA-SE DE UMA MENTIRA.

Ao contrário: algumas pessoas, falando em nome da medicina, tentaram impedir um bispo de exercer a sua autoridade eclesiástica.”

Tio Rei, com essa o Sr. ganhou a classificação de “pustema”.  Pois basta ler o artigo linkado por mim ontem, onde o Pe. Edson Rodrigues, pároco de Alagoinhas, conta suas tentativas de impedir o aborto.  Como podem ver, ninguém no hospital tentou impedir o Arcebispo de excomungar ninguém, o pároco foi quem tentou impedir o trabalho da equipe médica.

Aliás, quem quiser acompanhar os trabalhos do Pe. Edson têm agora a opção de acompanhar seu blog, novinho em folha, surfando nas asas dos acontecimentos.  Provavelmente ele agora pretende seguir os passos de Padre Marcelo, tornando-se um sacerdote musical…

Mas Tio Rei continua:

Como sabem, não endossei o comportamento de dom José Sobrinho porque o considerei inábil, abrindo uma brecha para os críticos da Igreja fazerem lambança e confusão. Mas o bispo estava essencialmente certo quando afirmou que o caso estava sendo usado pelos defensores do aborto para defender seu ponto de vista.”

Esse é um dos aspectos interessantes da argumentação do Tio Rei no caso.  Ele acredita que o arcebispo estava certo, mas se exime em nos dizer, por exemplo, qual postura deveria ter adotado se fosse “mais hábil”.  Evidentemente, ele prefere deixar esta curiosa questão na sombra, para poder vitimizar o Arcebispo, na ladainha de que “os cristãos são os novos judeus”, ao mesmo tempo que escamoteia a natureza essencialmente bárbara e medieval da ICAR.

Finalmente, Tio Rei conclui:

Vale dizer: Lula, o governo e mais um grupo imenso de pessoas fizeram justamente aquilo de que acusaram dom José Sobrinho: usar um evento notório para uma causa política, não para proteger os interesses de uma menina de nove anos. Essa criança é mais vítima do que parece.

De fato, se a excomunhão era automática e o Arcebispo se incomodou em bradar tal fato em alto e bom som, foi a Igreja quem resolveu usar o evento para uma causa política.

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