Alguns leitores me enviaram e-mails perguntando porque raio de motivo eu não fiz um post acerca do affair “ditabranda”.  Atendendo a estes pedidos é que faço este pequeno obituário.

Sabem, eu não sou contra qualquer revisionismo.  Sou daqueles que acham que, para o bem ou para o mal, Fernando Collor será um presidente lembrado pelos livros de História  como de muito maior importância do que aquela que lhe damos hoje _ mesmo qeu ele  se encarregue de acabar com sua reputação na atual legislatura como Senador.  

Revisionismos da ditadura já aconteceram vários.   Elio Gaspari, creio eu, deixa alguns de seus protagonistas ao menos (Golbery e Geisel) em muito melhor luz do que era comum que eles aparecessem.  O Antonio Barros de Castro escreveu um livrinho, “Economia Brasileira em Marcha Forçada”, que vai na contramão do consenso da ortodoxia econômica sobre a importância do II PND para o Brasil.

Eu não tenho a menor dúvida que o regime de exceção promovido pelos militares a partir de 1964 tinha realmente características algo distintas das que distinguiram da maior parte das ditaduras latino-americanas, africanas, asiáticas e européias que lhe foram contemporâneas.   Os militares _ ou parte deles, já que o “movimento” não era homogêneo _ realmente tentaram preservar um resquício de legitimidade democrática, mantendo viva em cativeiro uma oposição chamada MDB _ cujo pecado original gravado no DNA do partido revela-se hoje na mariposa que nasceu daquela crisálida, o PMDB.

Não obstante, as palavras têm seu valor, e chamar de “branda” uma encarnação autoritária do Estado brasileiro que se comprazia em censurar a Imprensa me parece uma atitude um tanto desavergonhada da parte de uma personalidade jurídica que diz ser um jornal.

Do cadáver insepulto em que se transforma a Folha de São Paulo, acho que o mínimo que podemos esperar, agora, é um editorial contra a universalização da internet _ algo cujo advento lhe despejaria na testa a última pá de cal.

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