O fato:

Dom José Cardoso Sobrinho (foto), arcebispo de Olinda e Recife, cumpriu a promessa que tinha feito na tarde de ontem e à noite anunciou a excomunhão de todos que participaram do aborto da menina de 9 anos que, estuprada pelo padrasto, estava grávida de gêmeos.

A mãe e parentes da menina, os médicos que interromperam a gestação e responsáveis por entidades humanitárias que deram apoio ao procedimento não poderão receber sacramentos, o que inclui a eucaristia.

Deixará de ser excomungado quem se arrepender, disse o arcebispo.

O pai da menina não foi atingido porque, chamado pelo arcebispo, ele teria, antes, assinado documento discordando do aborto.

A gravidez foi interrompida ontem pela manhã na 6ª semana de gestação porque a menina corria risco de morte ou de seqüelas permanentes. Em casos como esse, a lei permite o aborto.

Mas para dom Sobrinho, a “lei de Deus está acima de todas as leis humanas”.

De acordo com a versão on-line do Jornal do Comércio, o arcebispo disse considerar inadmissível “pôr fim a uma vida para salva outra”.

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Não estou nem aí para a excomunhão em si.

O chocante é um bispo achar que uma menina de 9 anos deve morrer porque deu o azar de ser estuprada.

O interessante é que a defesa usual dos cristãos quando diante das asneiras da Igreja é dizer que “ué, mas a Igreja está fazendo aquilo no que acredita”.

Como se isso fosse suficiente.

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UPDATE:

Tio Rei ameaça um post sobre o causo:

Daqui a pouco
Daqui a pouco, um post sobre a decisão de d. José Cardoso Sobrinho, que excomungou os médicos que fizeram o aborto numa garota de nove anos, estuprada pelo padrasto
.”

Não acredito que ele vá me surpreender.  Em dois posts anteriores mencionando o bispo de Olinda e Recife, Tio Rei defendeu o avanço da ICAR rumo à Idade Média pelas mãos de d. José.  Não há de ser agora que ele ensairá uma recueta.