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25thingsgod

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(aqui, via CT)

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Is nothing sacred? Do Slashdot:

“The NY Times reports that the proliferation of free or low-cost games on the Web and for phones limits how high the major game publishers can set prices, so makers are sometimes unable to charge enough to cover the cost of producing titles. The cost of making a game for the previous generation of machines was about $10 million, not including marketing. The cost of a game for the latest consoles is over twice that – $25 million is typical, and it can be much more. Reggie Fils-Aime, chief marketing officer for Nintendo of America, says publishers of games for its Wii console need to sell one million units of a game to turn a profit, but the majority of games, analysts said, sell no more than 150,000 copies. Developers would like to raise prices to cover development costs, but Mike McGarvey, former chief executive of Eidos and now an executive with OnLive, says that consumers have been looking at console games and saying, ‘This is too expensive and there are too many choices.’ Since makers cannot charge enough or sell enough games to cover the cost of producing most titles, video game makers have to hope for a blockbuster. ‘The model as it exists is dying,’ says McGarvey.” [grifos meus]

Mais um entrenimento migrando para a nuvem??

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E se você é o tipo de cara que gosta dessas coisas, é capaz de ter um orgasmo com isso.

A filosofia da venda sob pressão atinge o paroxismo:

Prostituta invade apartamento e exige sexo com três homens
Nicole foi detida por usar ‘táticas agressivas de prostituição’.

A prostituta Nicole Mary Scarpone, de 26 anos, foi presa em Gastonia, no estado da Carolina do Norte (EUA), após invadir um apartamento e exigir que três homens pagassem US$ 10 (cerca de R$ 22,4) para ter relações sexuais com ela.

Nicole foi detida por usar “táticas agressivas de prostituição”. Segundo a polícia de Gastonia, a mulher disse que já tinha feito sexo no apartamento anteriormente, mas admitiu que nessa ocasião não tinha sido chamada e apareceu de surpresa.”

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“Surpresa” é pouco.

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O NYT tem uma matéria sobre o fim de um mito: a possível venda ou fechamento da linha de produção do Hummer.

Sales of Hummers over all have fallen so far – 51 percent last year, the worst drop in the industry – that General Motors is trying to find a buyer for the brand. Without one, the company might close Hummer. An announcement about Hummer’s fate may be made Tuesday.

“It’s a brand that represents a lot of what people want to get away from,” said Rebecca Lindland, an analyst with the research firm I.H.S. Global Insight.

“Even if gas prices are lower, it still kind of radiates conspicuous consumption,” Ms. Lindland said. “Hummer was suddenly perceived as all that’s wrong with America’s dependence on foreign oil.”

A spokesman for Hummer, Nick Richards, said G.M. remained “in discussion with several parties” and had not determined what to do with the brand, though the company ruled out keeping Hummer in February. If Hummer is closed, it would be phased out “rather quickly,” G.M.’s president, Frederick A. Henderson, said last month.

O NYT também tem uma matéria sobre o crescente envolvimento do governo americano na indústria automobilística do país.   Essencialmente, as montadoras hoje quase representam o mesmo nível de “risco sistêmico” que o setor financeiro, incluindo aí a maldição do “too big to fail“:

In presenting the automobile plan on Monday, Mr. Obama suggested just how tricky it can be for Washington to wade into the marketplace: He declared that the government would back up warranties on Pontiacs and Buicks and the rest of the G.M. and Chrysler product lines, so that consumers would have no fear of buying those cars.

It may have been a necessary step, but it means that the government now is not only the ultimate guarantor of savings accounts and insurance policies – it will also cover that blown transmission.

When he stood in the White House to unveil his approach, Mr. Obama took pains to assure the country – twice – that “the United States government has no interest in running G.M.”

No interest, perhaps, but also no choice.”

E ligando isto ao meu post de ontem, o Financial Times lembra um “elo perdido” entre estas histórias, qual seja, a volta que a FIAT deu na GM:

GM was slow in accepting that the golden years of the SUV, around which it had based much of its strategy, were over. Barely three years ago, Mr Wagoner insisted that SUVs were what the market, especially North America, wanted. Since then, he has changed his tune and to his credit managed to wring important concessions from his unions. That was obviously not enough and in any case too late.

The irony is that Mr Wagoner could have had a privileged view of the gathering industry storm and what needed to be done to help GM weather it from Fiat, GM’s erstwhile Italian partner.

Instead, he chose to to dismantle the relationship four years ago when he thought the Italian carmaker was about to collapse.

Fiat was certainly in dire straights. The Agnelli family called an industry outsider, Sergio Marchionne, to the rescue. Against all GM’s expectations, Mr Marchionne managed to wring $2bn from GM in return for ending the partnership. He then set about restructuring Fiat, cutting jobs and management layers, retooling the company and launching a series of what have proved successful models.

***

Enquanto na América ninguém sabe para onde vai a indústria automotiva, na Europa em breve ninguém vai poder dirigir para lugar nenhum sem que o governo saiba:

The government is backing a project to install a “communication box” in new cars to track the whereabouts of drivers anywhere in Europe, the Guardian can reveal.

Under the proposals, vehicles will emit a constant “heartbeat” revealing their location, speed and direction of travel. The EU officials behind the plan believe it will significantly reduce road accidents, congestion and carbon emissions. A consortium of manufacturers has indicated that the router device could be installed in all new cars as early as 2013.

However, privacy campaigners warned last night that a European-wide car tracking system would create a system of almost total road surveillance.

Já em São Paulo ninguém vai a lugar nenhum, ponto:

A pista sentido Centro da Radial Leste apresenta 4.7 km de tráfego carregado entre a Rua Wandenkolk e Viaduto Pires do Rio.

Deu no Estadão:

EUA devem injetar US$ 6 bi na Chrysler e agilizar fusão com Fiat
Governo pressionou pela demissão de presidente da GM, mas não se pronunciou sobre ajuda à empresa

WASHINGTON – O governo dos Estados Unidos deve injetar US$ 6 bilhões na Chrysler para ajudar o fluxo de caixa da empresa por um mês. Em troca, a montadora deve agilizar sua fusão com a Fiat, informaram nesta segunda-feira, 30, membros do grupo de trabalho que discute o resgate à indústria automobilística na Casa Branca.” [grifo meu]

Será que vão trocar meu humilde (e econômico) Palio por um Dakota??  No, thanks!

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Tio Rei provando que Olavão estava certo

I´m back.

E que maneira melhor de recomeçar os trabalhos no blog, senão comentar mais um post do Tio Rei?

Há muita coisa para comentar ali, aliás, como o fato do Tio Rei ter se convertido no defensor dos fracos e oprimidos, a começar por Eliana Tranchesi e a diretoria da Camargo Corrêa.  Mas eu prefiro me ater à leitura que Tio Rei faz de Gran Torino.

Temos visto por aqui como a anaerobicidade, ainda atordoada com Obama e mais atordoada ainda com a crise que se abateu sobre o Deus Mercado, anda procurando alívio na busca de uma “vitória” no front cultural.  Isso envolve uma certa dose de wishifull thinking absoluta cara de pau, como por exemplo a abstrusa identificação de “Brazil, o filme” como um libelo conservador.  Tio Rei adere ao movimento, celebrando em Gran Torino uma hipotética filiação conservadora, em um post intitulado “Gran Torino: o melhor e mais conservador dos filmes de Clint Eastwood(…)“. Um post cuja densidade intelectual é daquelas que o fazem poder ser escrito com um arpão no cérebro.

Páginas e páginas já se escreveram sobre tio Clint e seus filmes e personagens.  Pauline Kael, nos anos 70, baixava a lenha em Clint por causa de Dirty Harry, a quem chamava de “fascista”.   Curiosamente, a direita parece se esquecer de que há não muito tempo também baixava a lenha em Clint por causa de Million Dollar Baby (“Menina de Ouro”, no Brasil):

Rush Limbaugh used his radio megaphone to inveigh against the “liberal propaganda” of “Million Dollar Baby,” in which Mr. Eastwood plays a crusty old fight trainer who takes on a fledgling “girl” boxer (Hilary Swank) desperate to be a champ. Mr. Limbaugh charged that the film was a subversively encoded endorsement of euthanasia, and the usual gang of ayotallahs chimed in. Michael Medved, the conservative radio host, has said that “hate is not too strong a word” to characterize his opinion of “Million Dollar Baby.” Rabbi Daniel Lapin, a longtime ally of the Christian right, went on MSNBC to accuse Mr. Eastwood of a cultural crime comparable to Bill Clinton having “brought the term ‘oral sex’ to America’s dinner tables.

No caso de “Menina de Ouro”, Tio Rei faz aliás uma interpretação do filme pelo que ele não diz:

Assistiram ao filme Menina de Ouro (Million Dollar Baby), do excelente Clint Eastwood. Quando o ex-boxeador e treinador Frankie Dunn (o próprio Clint), um irlandês católico, pede ao padre autorização para desligar os aparelhos que mantêm viva Maggie Fitzgerald (Hilary Swank, estupenda no filme), ouve uma frase: “Não faça isso; você vai mergulhar num abismo do qual nunca mais vai sair”. No caso, ela estava consciente e pedia isso ao amigo.

Ele não ouve o padre. E nunca mais se ouve falar dele. Não ficamos sabendo o que vem depois do abismo.

Pois é, no caso de Gran Torino ele faz a mesma coisa:

Prestem atenção, nas cenas finais, ao close dado num isqueiro Zippo, espécie de símbolo dos soldados americanos na Segunda Guerra, na Guerra da Coréia e na Guerra do Vietnã. Eastwood ainda acredita no poder civilizador da América.

Faltam-me palavras para descrever o quão lascada está uma filosofia política que regojiza-se com o fato do “poder civilizador da América” materializar-se em um artefato cujo design, no que tange ao principal (“windproofness”), foi copiado de um predecessor austríaco.  Ainda mais por tratar-se de um país onde um governo republicano aderiu ao Framework Convention on Tobacco Control (em maio de 2004).

Mas então porque não perguntar ao próprio Clint o que diabos ele acha da vida?  Por sorte, há uma matéria bastante reveladora sobre ele no Guardian, datada de junho de 2008.  Ali ele diz o seguinte sobre sua visão política:

“I don’t pay attention to either side,” he claims. “I mean, I’ve always been a libertarian. Leave everybody alone. Let everybody else do what they want. Just stay out of everybody else’s hair. So I believe in that value of smaller government. Give politicians power and all of a sudden they’ll misuse it on ya.

E sobre a eleição daquele ano:

Has he declared for anybody in this electoral cycle? “You know, I haven’t really,” he says. “My wife used to be an anchorwoman in Arizona, so she knew John McCain and she liked him and I kinda liked him. In fact, we sort of supported him when he was running the first time against Bush eight years ago. But we haven’t been active as yet. It’s kind of a zoo out there right now. So I think I’ll kinda let things percolate.”

Parece que Clint já não anda tão certo do poder civilizador da América, ou pelo menos, do partido republicano.  

Está claro que Clint não é um “liberal” no sentido americano do termo.  Também duvido que ele tenha qualquer simpatia pelo Partido Democrata.  Mas não creio que ele se sentiria confortável como um “companheiro de viagem” na maior parte das viagens de Reinaldo Azevedo…

(via CT)

Extraído do Jornal da Ciência:

Associação Alberto Santos Dumont para apoio à pesquisa

Em 17 de abril de 2004 foi criada a Associação Alberto Santos Dumont para o Apoio à Pesquisa (AASDAP), sediada na cidade de Natal, RN

Foram estabelecidos o Conselho Diretor e o Conselho Fiscal da Associação assim como a aprovação de seu estatuto.

A Associação tem como objetivo criar ambiente multidisciplinar destinado a agregar competências nas principais áreas da ciência moderna, visando o desenvolvimento de pesquisas de ponta em múltiplas áreas de conhecimento.

Pra quem nao sabe, a AASDAP e’ a sociedade mantenedora do Instituto Internacional de Neurociencias de Natal, um empreendimento cientifico incentivado, entre outras pessoas, pelo Miguel Nicolelis, um neurocientista brasileiro que trabalha nos EUA e esta entre os maiores especialistas do mundo em sua area:

O primeiro projeto da AASDAP é a implantação do Instituto Internacional de Neurociências de Natal (IINN) que será localizado em Macaíba (grande Natal) em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Norte, que fez a doação de área de 100 hectares para a instalação dos laboratórios de pesquisa, escola para 1.000 crianças carentes na faixa etária de 0 a 17 anos e centro de saúde mental.”

Que brasileiros imbecis, nao e’ mesmo?  Porque nao puseram logo “Associação Irmaos Wright para o Apoio à Pesquisa“?????

Capturado do Ritholtz:

“Traders are succeeding not so much because they are rational, but because they have certain biological traits, including confidence, an appetite for risk, search persistence, and speed of reactions,” all of which are derived from prenatal exposure to testosterone.”
-John Coates, University of Cambridge neuroscientist and former trader

Segundo o texto citado pelo Ritholtz, it shows: as pessoas expostas a testosterona antes do nascimento possuiriam o dedo anular maior que o indicador.

O problema com essas coisas é que daqui a pouco vão começar a sugerir que os especuladores de Wall Street não são o que são porque querem, mas sim porque sua natureza assim lhes impõe.  É a medicalização da cara de pau.

Eu continuo achando que nesta história toda apenas um dedo diz a verdade:

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Prezados 4,5 leitores deste blog, estou viajando, motivo pelo qual a producao por aqui anda raquitica (e a acentuacao idem).

Mas tentarei ir postando algumas coisinhas nos proximos dias.

***

O leitor Eneraldo Carneiro chamou minha atencao para a inauguracao do Science Blogs Brazil, que no momento e’ o destaque na capa do Science Blogs americano:

Brazil is a country of contrasts. Even though we are one of the largest economies of the world, we still struggle to reduce the huge gap between the richest and the poorest in our country. Even though urban areas in the coast are growing larger, like the swarming 20 million people in the São Paulo metropolitan area, the interior portion of Brazil still has low demographic density. Even though there is a growing number of universities in the country, functional illiteracy is still a big problem. Finally, even though Brazil has astounding natural ecosystems, we insist on destroying them in the name of development.

Science in Brazil is a reflection of our contrasts. Even though there are many important hubs of world-class research, they are mainly concentrated in São Paulo State. Moreover, most of our research is funded with public money, which explains the small number of patents registered by our country. Science education is also very poor in Brazil. This year, the Brazilian budget for science suffered a severe cut, an unacceptable decision for a country that aims to be a powerhouse in sustainable technologies, stem cell research, wildlife conservation and biofuel production.

ScienceBlogs Brazil has the challenge of bringing science to the Brazilian population. We aim to increase scientific awareness to the population and inspire new Brazilians to pursue a scientific career. We want to include scientific issues in the everyday talk. We want to make our local voice to be heard in the rest of the world. Finally, we believe Brazil should embrace science as a way to fulfill its potential and emerge as a sustainable country that brings development to its population.

Interessante, porque ate’ onde sei acho que e’ a primeira “franquia” internacional do Science Blogs _ e o fato da primeira delas ser brasileira e’ de deixar qualquer detrator de Santos Dumont babando na gravata.

So’ duas criticas:

a) cade a Lucia Malla?

b) o projeto grafico da pagina inicial tem que melhorar muito.

***

Diante do desastre de RP que e o caso da excomunhao dos envolvidos no aborto da menina pernambucana, a Igreja, seus vigarios e seus vigaristas andam se enrolando.

Mais sobre isto mais tarde.

Um comentário lá no post editorial dos Apostos, que só vi agora:

Ao contrário do que alguns pensam, Antonio Fernando Borges não comeceu seu blog no Apostos. O blog dele era independente, como devem ser os blogs. Foi convidado a fazer parte do “condomínio”. Não precisava passar por isso porque já é um romancista consagrado, respeitado e lido. Dia desses Olavo de Carvalho o citou como o ÚNICO brasileiro que ainda sabe escrever. Um romancista desse porte se meter entre moleques dá nisso.” [grifo meu]

Eu já intuía.

O Sandro Rehder do Talking Points uploadou no YouTube um documentário da PBS norte-americana sobre Santos Dumont.  Nas palavras dele:

Esse documentário é baseado no livro escrito pelo americano Paul Hoffman, chamado Wings of Madness: Alberto Santos-Dumont and the Invention of Flight. Hoffman além de jornalista e biógrafo, é membro da Academia Americana de Artes e Ciências, foi presidente e editor da Enciclopédia Britannica, consultor da NASA, National Science Foundation, National Academy of Engineering, e American Association for the Advancement of Science. Para não dizer que já apareceu inúmeras vezes na CNN, BBC, NPR News, CBS e outras emissoras.”

Valeu, Sandro, pela pesquisa.  Mas a gente já sabe qual será a réplica da claque anaeróbica: “PBS?  Essa coisa de esquerdinhas?” Para não falar da própria noção de “documentário”, algo um tanto herético para aqueles que prezam a Tradição, tão mais convenientemente transmitida pela história oral e por livros compostos no estilo “open source”.

***

UPDATE

Eu estava brincando, mas tem gente que leva a coisa a sério.

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Do Telegraph:

Monkey ‘kills cruel owner with coconut thrown from tree’
A monkey who was forced to climb palm trees by his owner took revenge by killing him with a coconut.

The animal – named Brother Kwan – found the work tedious and strenuous but Mr Janchoom refused to let him rest, dishing out beatings if he refused to climb trees.
It is believed that the monkey eventually snapped, and targeted his owner from a high branch with one of the hard-skinned fruits.
Mr Janchoom, from the province of Nakorn Sri Thammarat in Thailand, died on the spot after being struck by the coconut, according to reports in a local newspaper.
The dead man’s wife said that the monkey had “seemed lovable” when they bought him for £130.
News of the attacks comes after scientists disclosed this week that a chimpanzee at a Swedish zoo became so annoyed at being gawked at by tourists in a zoo that he started creating weapons to hurl at them.
Santino the chimp would calmly collect stones and fashion discs made out of concrete even when the zoo was closed, to throw at visitors when they returned.
Scientists believe his behaviour is the strongest proof yet that humans are not the only creatures which can make plans for the future.

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(*)

O Márcio Garcia deu voz, hoje no Valor, a um pensamento que sempre me assalta quando vejo Tio Rei (e tucanos em geral) fazendo diatribes sobre o Banco Central:

Houve manifestações após a decisão do Copom defendendo que o BC deveria, agora, focar exclusivamente em evitar a recessão, deixando de lado a inflação, que não constituiria mais risco. O BC jamais poderia fazer isso. Tem, por dever de ofício, que analisar ambos os riscos, dando prioridade à inflação. Piores foram declarações de próceres do PSDB incitando o presidente da República a intervir na condução da política monetária. É estranho e deplorável que o partido que, no poder, derrotou a hiperinflação e construiu o sistema de metas para inflação, agora pareça empenhado em desmontá-lo.”  [grifo meu]

Talvez ele esteja pensando em declarações como essa:

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), classificou hoje de positiva a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) de reduzir a taxa básica de juros (Selic) de 12,75% para 11,25% ao ano, mas disse que a queda não é suficiente (para a retomada do crescimento).

“Eu achei positivo.Antes tardíssimo do que nunca. Superamos seis meses de inércia nessa matéria. O Brasil perdeu muito tempo e está pagando muito alto pelo fato de esses juros não terem baixado antes. Agora que baixou 1,5 ponto porcentual eu acho positivo. Embora tardíssimo, é melhor do que nunca”, disse ele, após reunir-se no início da noite de hoje com a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, no Palácio dos Bandeirantes.

Mas nesse caso é preciso matizar, já que Serra nunca formou mesmo com a banda do PSDB representada por Pedro Malan na Fazenda, durante os anos FHC.

Muito mais grave, a meu ver, do que o manejo da SELIC, é o panorama de falta de concorrência no segmento bancário e os altíssimos spreads que isso acarreta na ponta do consumidor de crédito.

Deu no Estadão:

Um grupo de músicos formado pelo guitarrista Ed O’Brien, do Radiohead, e pelos cantores Robbie Williams, Annie Lennox e Billy Bragg criticaram nesta quinta-feira, 12, uma proposta que quer tornar crime o ato de baixar músicas pela internet. Na noite de quarta-feira, a The Featured Artists Coalition, que reúne mais de 140 bandas ou cantores, votou majoritariamente contra o processamento judicial de fãs por esse motivo.”

O que me parece inteligente, da parte dos artistas, pois ninguém realmente sabe onde vai acabar uma iniciativa que criminaliza os usuários _ principalmente em um ambiente tão tecnologicamente complexo e desafiador que o tiro pode muito bem sair pela culatra.

A rationale para o direito autoral _ e na verdade, para todo tipo de propriedade intelectual _ é muito fácil de ser entendida: as obras do espírito muitas vezes podem ser copiadas a custo muito baixo, tornando o interesse pela cópia maior que o interesse pelo original.  Nesse caso, entram em tela as famosas eficiências dinâmicas:

Speaking broadly, there are two types of efficiency: static and dynamic. Static efficiency occurs when firms compete within an existing technology to streamline their methods, cut costs, and drive the price of a product embodying that technology down to something close to the cost of unit production. Static efficiency is a powerful force for increasing consumer welfare, but an even greater driver of consumer welfare is dynamic efficiency, which results from entirely new ways of doing business.(1) Economists now recognize that the gains from dynamic efficiency, also called “leapfrog” competition, can far outstrip the gains from incremental static improvements. It follows that policymakers should pay particular attention to the impact of laws and enforcement decisions on dynamic efficiency.

Intellectual property laws are aimed directly at encouraging dynamic efficiency. The same forces that yield the benefits of static efficiency – conditions that encourage rivals quickly to adopt a new business method and drive their production toward marginal cost – can discourage innovation (and thus dynamic efficiency) if the drive toward marginal cost occurs at such an early stage that it prevents recoupment of development expenditures, and makes innovation uneconomical. IP laws, therefore, create rights to exclude, which allow producers to recoup their costs and make the kind of profit that encourages them to engage in inventive-creative behavior. As AAG Tom Barnett put it in a speech last fall, intellectual property rights should not be viewed as protecting their owners from competition; rather, IP rights should be seen as encouraging firms to engage in competition, particularly competition that involves risk and long-term investment.(2) There is an interesting debate about what level of intellectual property protection creates the optimal incentives, which I will not attempt to settle today, but I think two points are beyond reasonable dispute: first, IP rights are crucial to certain types of innovations and creative work; and second, there is a strong correlation between a nation’s level of commercial creativity and the strength of its protection for IP.” [grifo meu]

O que me parece problemático hoje em dia é que uma outra forma pela qual a tecnologia pode estar curto-circuitando esta rationale é pela facilitação absurda da reprodução de bens culturais (música e vídeo).   Neste ambiente pode muito bem ser que o modelo de negócio que embasa a produção desses bens é que tenha que se modificar.  A mesma matéria do Estadão diz o seguinte:

Em 20 de março, o Radiohead fará show no Just a Fest, no Rio de Janeiro. Dois dias depois, os ingleses tocam em São Paulo. Os shows de abertura do grupo ficarão por conta dos alemães do Kraftwerk e dos brasileiros do Los Hermanos. A apresentação vai marcar o fim do recesso da banda, que não tocam juntos desde junho de 2007.” [grifo meu]

Ou seja, o Radiohead está sem tocar ao vivo há quase dois anos.  Me pergunto se isso não opera como uma geração artificial de escassez pelo bem “show do Radiohead” de modo a aumentar as receitas dos “tours” de forma a compensar a perda de receita com a pirataria.  O Radiohead notabilizou-se, aliás, por disponibilizar gratuitamente suas músicas pela internet, possivelmente até mesmo para gerar interesse pelo “tour”.

Por outro lado é preciso se perguntar se há espaço para tantos “Radioheads” assim nesse “novo panorama musical” _ e além disso, essa “solução” de substituir receita de venda de música por venda de ingressos não funcionaria com produtos audiovisuais.

Uma característica infeliz, ainda que inevitável, da blogoseira é que ela replica a vida.  Mais especificamente, ela replica a metáfora da agulha no palheiro: você vai ter que afastar muita palha para achar uma agulha que preste.

E a internet não poderia ser diferente, é claro.  Da mesma forma que existem algumas agulhas afiadas por aí, como um Samurai, um Sergio Leo, um Rafael Galvão, um Olho no Fato, um NPTO, entre outros _ gente que tem o que dizer _ infelizmente, também pululam por aí  os blogs de palha, quando não de palhaços.  Um deles é o pústula.

Na verdade nem há muito o que dizer sobre o sujeito, pois ele não oferece muita substância; não tem reflexões próprias, não faz críticas pertinentes, realmente não é um adversário digno de nota.  Mas ele escreveu algo engraçado sobre este que vos fala:

Tal figura vive de ser ombudsman de blogues alheios, sempre tentando uma polêmica aqui outra ali para se regozijar com o trono temporário de “contraponto à blogosfera de direita”.”

É uma questão de ponto de vista.  Eu concebo mais facilmente minha missão como de caráter civilizatório, mas talvez por isso mesmo gente como ele não consiga percebê-la como tal _ o que talvez signifique mesmo que eu ainda tenho muito o que fazer nesse sentido.   🙂

No entanto, gostaria de dizer que uma tal “argumentação” me parece sumamente incoerente para quem tem posts intitulados “Observatório dos blogues” (não um, não dois, mas três), “Sobre a blogosfera de esquerda“, “A Blogosfera de esquerda“, tem até uma tag apenas para falar de blogs, e, sobretudo, alguém a quem, na verdade, eu só tive o desprazer de citar porque ele, afinal, foi quem linkou esse bloguinho aqui para reclamar da falta de ombridade dos blogueiros conservadores em não terem vindo defender os anaeróbicos de mesa de bar.

Mas tudo bem, meu caro “da C.I.A.”.  Toma lá alguns minutos de minha atenção, véio, e aproveite bem porque eles não se repetirão.

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Para os aficcionados: pequena história das interfaces.

(*) Brincadeirinha.

Mas o mais interessante é conferir os outros vídeos que acompanham este no YouTube…

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Caso vocês não tenham visto, resolveram o mistério de Anastasia Romanov:

The fate of the last members of Russia’s Romanov dynasty—particularly youngest daughter Anastasia—has captivated popular imagination for years, and a new paper published in PLoS ONE offers conclusive evidence that solves the mystery at last. Using DNA extracted from two bodies discovered in 2007, researchers identified the bodies as those of Alexei, heir to the Romanov throne, and one of his three sisters. The bodies were found buried 70 meters from a mass grave containing nine bodies discovered in 1991, which were thought to be those of Tsar Nicholas II, his wife Alexandra, and other family members.”

Nos Science Blogs, discutindo artigo no PLoS ONE.

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Por via das dúvidas, se alguém pegar um pedaço…

Deu no Valor:

Apagão deixa 60% do Distrito Federal sem luz Um apagão deixou 60% do Distrito Federal, incluindo boa parte do Plano Piloto e a Esplanada dos Ministérios, sem energia elétrica no fim da tarde de ontem. A falta de luz aumentou os congestionamentos e paralisou as atividades de escritórios. O corte, segundo a Companhia Energética de Brasília (CEB), foi provocado por um problema ocorrido às 17h45 em uma subestação de Furnas, quase na divisa com Goiás. A assessoria de Furnas afirmou que houve um curto-circuito, desligando toda a subestação, e os técnicos da estatal estão apurando suas causas.

A CEB disse, também por meio de sua assessoria de imprensa, que o suprimento foi cortado por 15 minutos. O sistema voltou “automaticamente”, mas a energia foi restabelecida “gradualmente”, para evitar panes ou sobrecargas.

Muitas áreas do Distrito federal ficaram mais tempo sem luz. No Plano Piloto, o corte no fornecimento durou até 40 minutos. A maioria dos ministérios tem gerador próprio e conseguiu manter suas atividades durante o período de falta de fornecimento de energia elétrica. No Congresso, tanto a Câmara dos Deputados como o Senado Federal ficaram às escuras, com exceção dos plenários, que também têm geradores .

Foram afetados Asa Norte, Lago Norte, Esplanada e parte do Sudoeste e a região do Setor de Indústria e Abastecimento, além de várias cidades satélites – Taguatinga, Ceilândia, Sobradinho e Planaltina. O metrô teve que interromper a circulação de trens e houve alguns transtornos no trânsito. Já a visita do príncipe de Gales, Charles, e de sua mulher, Camilla Parker, que começou ontem em Brasília, não foi prejudicada.

***

A verdade, porém, é que apagões mais localizados têm ocorrido em diversas partes da cidade há semanas.  No entanto, não há de ser por excesso de demanda que isto está acontecendo _ e além disso estamos na época de chuvas.  Mistério.

***

Ainda para ficarmos nas brasilianices, fico sabendo agora, pelo Correio Braziliense, que um monte de gente viu o que o jornal descreve como “misterioso facho de luz verde” que teria riscado o céu de Brasília na noite do último sábado:

Astrônomos acreditam que o ovni, com brilho e comportamento bem diferentes de um avião, se trata de um meteorito ou pedaço desgarrado do cometa Lulin. Equipamentos da Universidade de Brasília (UnB) registraram um sinal ainda não explicado no nordeste de Goiás.”

Alguns dos relatos me impressionaram:

Eu e minha família estávamos indo do Gama para um aniversário no Guará quando avistamos uma luz esverdeada muito intensa com uma cauda cortando o céu de Brasília. Aquela luz foi se desintegrando no ar e em poucos segundos acabou. Minha sobrinha achou que era uma estrela cadente e minha mãe, a princípio, pensou se tratar de fogos de artifício, mas logo imaginamos que fosse um meteorito e aproveitamos aquela imagem, que apesar de rápida, foi fantástica.”

“Também presenciei o fenômeno iluminado que rapidamente passou pelo céu! Estava num barzinho em Barreiras (BA), quando por volta das 19h, ouvimos um barulho e uma luz muito clara no céu. Estava muito perto. Parecia uma estrela cadente, mas como estava muito perto, pensamos que não seria, e após alguns segundos ela simplesmente acabou, parecendo pedacinhos de pedrinhas iluminadas. Não caiu em lugar nenhum. Acabou no céu como se tivesse evaporado, mas com um monte de partículas. Foi muito impressionante. E fez barulho, o que chamou nossa atenção para o céu. O barulho parecia de avião, bem baixinho.”

Os relatos me impressionaram pelo seguinte: as partes sublinhadas descrevem com exatidão algo que vi em Fernando de Noronha, há uns três anos.  Eu havia acabado de chegar na ilha, deixei a bagagem na pousada e saí correndo para ainda pegar o restinho do dia na praia.  Um pouco depois disso _ já estava escurecendo _ eu vi exatamente isto: um risco esverdeado no céu, muito forte, que terminou em um chuvisco de partículas. Suponho que seja mesmo um meteoro ou, quem sabe, a reentrada na atmosfera de algum tipo de equipamento ou satélite.  Aliás, acho que na última viagem do ônibus espacial uma astronauta perdeu uma caixa de ferramentas, que ficou vagando pelo espaço.

***

Mas antes que me chamem de teórico da conspiração, não acredito em nenhuma ligação entre o apagão e o clarão.

This is just incroyable:

Kelly, it won’t be wrong if somebody studies Islam, but they need guided study, because somebody needs to go along and point out the incredible inconsistencies in that book. And if you have a guided study of the Koran and see how much in there is just repetitious, how much comes out of the Old Testament and the New Testament, how much is just plagiarism from the Bible, etc.?

Essa aí é atribuída a Pat Robertson, aparentemente ignorante acerca de mais de trezentos anos de estudos bíblicos que fizeram precisamente a mesma coisa…com a Bíblia.

Você conhece o Literary Preview?  Não?

A idéia é: críticos fictícios resenhando livros, músicas e filmes fictícios. Resenhas breves de livros que nunca foram escritos. Elogios a músicas que não foram compostas. Críticas a filmes que não foram filmados.”

Debaixo dos paralelepípedos, a imaginação em festa. Conheçam, conheçam.

Eu realmente demorei para tomar conhecimento, mas descobri _ ao ser linkado por um pústula _ que o pau está quebrando no condomínio Apostos.

Como se lembram, meu post sobre o curioso vídeo dos anaeróbicos de mesa de bar gerou grande ressentimento por parte de alguns condôminos, que, unidos em seu individualismo liberal de araque, vieram aqui em alcatéia tirar satisfações.  É só por isso, porque eu gostava daquele desenho onde um certo personagem gostava de brandir o bordão “eu te disse, eu te disse”, que transcrevo um pedaço do bate boca:

Como queríamos demonstrar, não são apenas os judeus os perseguidos na atualidade: a perseguição é contra católicos também, em sociedades regidas pelo socialismo, como o Brasil.”

O autor da pérola?  O inefável Antônio Fernando Borges, “escritor e crítico com alguma notoriedade“, segundo o pústula _ sim, aquele mesmo senhor que protagonizou cenas de bar de um certo constrangimento.

***

No meu entender, são os católicos que perseguem e tentar impor aos demais seus dogmas.  Podem procurar: vocês não hão de encontrar um só projeto de lei no Congresso pretendendo abolir o aborto apenas para católicos.  Muito pelo contrário, a Igreja se opõe ativamente a projetos de lei que descriminalizem o aborto:

(…) a Igreja Católica quer dificultar especialmente a aprovação do Projeto de Lei 1135/91, parado na Câmara dos Deputados há 16 anos, que retira do Código Penal o artigo que pune a mulher que fizer um aborto com detenção de até três anos.

A ICAR não pretende, como dissem alguns bocas-de-mocós por aí, “punir apenas os cristãos“, não: quer que a mulher que praticar aborto não só seja excomungada segundo “a lei de Deus“, como também que seja condenada a ver o sol nascer quadrado por três anos segundo a lei dos homens.  Independente dela ser católica, hindu, muçulmana ou monareta.

***

Acuma?  “Sociedades regidas pelo socialismo“? Tem certeza?

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O “pior alimento do mundo

Do Valor de hoje:

Restrições à publicidade vão à audiência pública
Elaine Patricia Cruz, Agência Brasil
11/03/2009

A regulamentação da publicidade de alimentos e bebidas no Brasil, principalmente os destinados ao público infantil, pode sair no próximo semestre. A proposta em estudo abrange a publicidade de alimentos ricos em gordura, gordura trans, açúcar e sódio.

“A previsão é que se faça uma audiência pública agora no segundo semestre e depois disso, seja publicada a regulamentação”, disse Ana Paula Dutra Massera, chefe da unidade de monitoramento e fiscalização de propaganda e publicidade da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

(…)

“A propaganda é uma das pontas de um tripé que está contribuindo para o aumento da obesidade e da alimentação inadequada”, disse ela ontem, após participar de uma mesa-redonda em São Paulo, promovida pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) e pelo Instituto Alana, para discutir a publicidade dirigida ao público infantil .

A proposta de regulamentação gera controvérsias. Para Rafael Sampaio, vice-presidente da Associação Brasileira de Anunciantes (ABA), regulamentar a publicidade de alimentos e bebidas destinados às crianças vai “engessar e impedir a criatividade” do meio publicitário. Sampaio admite que de fato ocorre uma associação entre a publicidade e a obesidade infantil, mas defende que a relação entre ambas não é significativa.”

***

Podemos apostar em uma nova saraivada de balas contra o “nanny state” regulador miserável?  Podemos.

Não que as empresas não façam a sua parte.  A Armour-Star, que ousa produzir o delicioso “Pork Brain in Milk Gravy“, sabe do que está falando quando nos informa sobre o seguinte em sua página:

Armour Star believes every family should create and practice a Family Disaster Plan and maintain a Disaster Supply Kit. To best prepare every household should take into account the types of disasters that occur in their community and plan accordingly.

O que deve conter o kit-desastre??   Carne enlatada, é óbvio!

Maintain a Disaster Supply Kit.
First Aid Supplies
Portable battery powered radio or television with fresh batteries
Flashlight with extra batteries
Water (3 Gallons per person)
Canned food, and can opener (…)

E uma recomendação que realmente deve fazer jus ao produto que fabricam:

While You Evacuate
Stay calm. Listen to the local authorities in your community and they will help guide you to safety. Parents, you may want to bring comfort items for your children such as a favorite animal, blanket or pillow
.”

Tio Rei alucina:

Que outros Mandamentos Lula está disposto a desrespeitar?

“Como chefe de Estado tenho de tratar o aborto como questão de saúde pública. Como cristão, eu sou contra”.

A afirmação é de Lula, feita num seminário chamado “Mais Mulheres no Poder”, cuja moralidade política já se define. O que faz lá, então, o macho alfa, chefe de Dilma Rousseff, candidata do Apedeuta à Presidência, num encontro para discutir o poder das mulheres?

Resposta óbvia: faz campanha eleitoral antecipada.

Fosse Lula sincero, sua opinião seria esquizofrênica. Esse negócio de “como cristão” e “como presidente”, lamento dizer, é coisa de covardes políticos. Soubessem as oposições explorar tais contradições, Lula não alcançaria a altitude que alcança. O diabo – e como tem diabo nessa história! – é que também elas têm receio de enfrentar a questão.

Dada a fala de Lula, que me parece ferir o 5º Mandamento, devo indagar: quais outros o mau cristão Lula está disposto a desrespeitar para ser um “bom presidente” (seguem em forma interrogativa)?

1. Amar a Deus sobre todas as coisas?
2. Não tomar Seu santo nome em vão?
3. Guardar domingos e festas?
4. Honrar pai e mãe?
5. Não matar?
6. Não pecar contra a castidade?
7. Não furtar?
8. Não levantar falso testemunho?
9. Não desejar a mulher do próximo?
10. Não cobiçar as coisas alheias?

São boas perguntas, mas ele poderia começar a direcioná-las, por exemplo, a George Bush, pela sua atuação no Iraque (5) ou por mentir sobre as WMD´s (8), ou a Abraham Lincoln por provavelmente ser gay (6), ou quase qualquer outro presidente americano, por não guardarem o sabath (3).  De fato, são perguntas que poderiam ser feitas à maioria dos cristãos, com resultados espantosos.

Mas o que mais me preocupa é: se Tio Rei estender este raciocínio não só ao Presidente, como aos congressistas e juízes, onde fica a separação entre Estado e Igreja?  Ele está defendendo a sharia cristã?

Mas a alucinação continua:

Taí. Essa pode ser uma boa enquete. Referindo-se ainda a dom José Sobrinho, arcebispo de Olinda e Recife, afirmou o presidente: “Recentemente vocês viram o problema da menina de Pernambuco. É mais do que absurdo como é que você pode proibir a medicina de cuidar de uma menina de 9 anos?”.

Quem foi que tentou impedir a medicina de fazer o que quer que seja?

TRATA-SE DE UMA MENTIRA.

Ao contrário: algumas pessoas, falando em nome da medicina, tentaram impedir um bispo de exercer a sua autoridade eclesiástica.”

Tio Rei, com essa o Sr. ganhou a classificação de “pustema”.  Pois basta ler o artigo linkado por mim ontem, onde o Pe. Edson Rodrigues, pároco de Alagoinhas, conta suas tentativas de impedir o aborto.  Como podem ver, ninguém no hospital tentou impedir o Arcebispo de excomungar ninguém, o pároco foi quem tentou impedir o trabalho da equipe médica.

Aliás, quem quiser acompanhar os trabalhos do Pe. Edson têm agora a opção de acompanhar seu blog, novinho em folha, surfando nas asas dos acontecimentos.  Provavelmente ele agora pretende seguir os passos de Padre Marcelo, tornando-se um sacerdote musical…

Mas Tio Rei continua:

Como sabem, não endossei o comportamento de dom José Sobrinho porque o considerei inábil, abrindo uma brecha para os críticos da Igreja fazerem lambança e confusão. Mas o bispo estava essencialmente certo quando afirmou que o caso estava sendo usado pelos defensores do aborto para defender seu ponto de vista.”

Esse é um dos aspectos interessantes da argumentação do Tio Rei no caso.  Ele acredita que o arcebispo estava certo, mas se exime em nos dizer, por exemplo, qual postura deveria ter adotado se fosse “mais hábil”.  Evidentemente, ele prefere deixar esta curiosa questão na sombra, para poder vitimizar o Arcebispo, na ladainha de que “os cristãos são os novos judeus”, ao mesmo tempo que escamoteia a natureza essencialmente bárbara e medieval da ICAR.

Finalmente, Tio Rei conclui:

Vale dizer: Lula, o governo e mais um grupo imenso de pessoas fizeram justamente aquilo de que acusaram dom José Sobrinho: usar um evento notório para uma causa política, não para proteger os interesses de uma menina de nove anos. Essa criança é mais vítima do que parece.

De fato, se a excomunhão era automática e o Arcebispo se incomodou em bradar tal fato em alto e bom som, foi a Igreja quem resolveu usar o evento para uma causa política.

Realmente, cada vez mais me convenço que eu e a anaerobicidade vivemos em mundos diferentes.  Isso se revela tanto em situações complexas como nas mais comezinhas.

Ato 1: Pedro Sette Câmara comenta a polêmica da excomunhão dos parentes da vítima e da equipe médica que fez o aborto da menina estuprada.

Na boa, acho até que ele, que não é burro, tenta criar uma saída pela tangente para a ICAR relativamente ao tratamento dado à mãe da menina, em detrimento do conservadorismo de enfrentamento do arcebispo de Recife e Olinda, ainda que preservando sua retaguarda de gente mais anaeróbica que ele (“não sou um canonista”, etc).  Pelo menos é o que depreendo desta frase:

De todo modo, entre as condições necessárias para a excomunhão, estão 1. a consciência de que a Igreja prescreve a pena de excomunhão para determinado ato (como a prática do aborto) e 2. a ação deliberada e suficientemente livre. Creio que 1. a mãe não sabia da pena (normalmente só os militantes anti-aborto sabem dela) e 2. a mãe estava pressionada demais pelo terror da situação e até pela assistente social.”

Até aí…tudo bem.  Mas veja o tipo de preparação esquisita que ele faz para o post:

Vamos começar com dois links para a edificação geral:

1. Grávida de gêmeos em Alagoinha: o Pe. Edson Camargo, que acompanhou a família da menina estuprada até o ponto em que uma assistente social o permitiu, conta o que presenciou.

2. Menina estuprada de 9 anos é a mãe mais jovem do Peru: o que sugere que é possível ter filhos com essa idade. Não sei como era o caso da menina de Alagoinhas, se havia alguma complicação; mas, como não li nenhum boletim médico, eis aí ao menos algum contexto.

Bom, o primeiro link traz o “outro lado”, que é a descrição do que teria contecido pelo ponto de vista do pároco de Alagoinhas, que tentou acompanhar o negócio de perto.  Ele insinua, de fato, que uma ONG coagiu os parentes da menina a aceitarem o aborto:

Ficamos a nos perguntar o seguinte: lá no IMIP nos foi afirmado que a criança estava correndo risco de morte e que, por isso, deveria ser submetida ao procedimentos abortivos. Como alguém correndo risco de morte pode ter alta de um hospital. A credibilidade do IMIP não estaria em jogo se liberasse um paciente que corre risco de morte? Como explicar isso? Como um quadro pode mudar tão repentinamente? O que teriam dito as militantes do Curumim à mãe para que ela mudasse de opinião? Seria semelhante ao que foi feito com o pai?

(..)

Na manhã da quarta-feira, dia 4 de março, ficamos sabendo que a criança estava internada na CISAM, acompanhada de sua mãe. O Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (FUSAM) é um hospital especializado em gravidez de risco, localizado no bairro da Encruzilhada, Zona Norte do Recife. Lá, por volta das 9 horas da manhã, nosso sonho de ver duas crianças vivas se foi, a partir de ato de manipulação da consciência, extrema negligência e desrespeito à vida humana.

Me parece que eles mesmos respondem à sua pergunta: a criança foi transferida de um hospital para outro com maior competência para tratar um caso tão grave.  Em nenhum momento o pároco se questiona sobre seus conhecimentos médicos.  Nem precisa: ele está no ramo de produção de anjinhos.

O segundo link já é bem mais complicado, e aponta para a seguinte notícia:

Menina estuprada de 9 anos é mãe mais jovem do Peru

LIMA, 2 dez (AFP) – Uma menina de nove anos deu à luz um menino neste sábado, fruto de um estupro, em um hospital público de Lima, informou o ministro peruano de Saúde, Carlos Vallejos.

O bebê nasceu com 2,520 kg e 47 cm e apresenta dificuldades respiratórias. Por isso, permanece na UTI.

A mãe precoce receberá ajuda psicológica, e seu filho terá toda assistência de que precisar, ressaltou o ministro Vallejos, após visitá-la.

“Ela permanecerá no hospital todo o tempo que for necessário até que seu filho e ela estejam em perfeitas condições”, declarou.

A garota foi vítima de abuso sexual de um primo de 29 anos, em um povoado pobre da província de Pachitea, no departamento centro-andino de Huánuco.

O caso comoveu o Peru, quando sua gestação foi revelada em setembro passado, tornando-a a mãe mais jovem do país.

Se eu bem entendi, Pedro Sette quer dizer que o fato da menina ter 9 anos não quer dizer nada, porque, ora bolas, meninas de 9 anos podem perfeitamente parir e portanto tornarem-se responsáveis por seus atosresponsáveis por atos de terceiros.

Isto me lembra, de novo, que parte importante da experiência de ser um anaeróbico é a de se imaginar capaz de julgar qualquer acontecimento, por mais complicado que seja, pela sua “intuição”, ignorando o que a ciência médica tem a dizer quanto à gravidez de meninas de 9 anos de idade.

***

Ato 2: Pedro Sette detestou Watchmen, e tenta demonstrar porque.  No processo, produz o seguinte argumento:

Comecei a odiar Watchmen porque ele me pareceu usar uma estratégia meio brasileira de sedução. “Olha só, nós éramos os super-heróis, mandávamos benzão, hoje estamos velhos e ferrados, mas ainda temos alguns truques na manga“. [grifo meu]

Não sei nem o que dizer.  Como assim, “estratégia brasileira”?  Alôoo-u, Pedro Sette, você viu “Cowboys do Espaço”?  “Impacto Profundo”?  “Gran Torino”? Se bobear o Rafael Galvão é capaz de citar uns quinhentos filmes AMERICANOS explorando esta temática.  Esse truque narrativo tem afinidade com um troço que tem até nome em um livrinho meio velho, a “Poética” de Aristóteles: peripécia.  Essa comichão por falar mal do Brasil que atormenta os anaeróbicos é caso, sei lá, para uma sonda anal.  Segue-se:

Parecia um show de Toquinho e Vinícius contando histórias do passado. Ou do MPB-4.”

Ou quatro anaeróbicos em uma mesa de livraria.  🙂

Mas o pior vem agora:

E a partir de um dado momento ficou claro o anti-intelectualismo do filme, que permeia uma pá de filmes. É sempre assim: os caras mais inteligentes acham que a humanidade não vale nada, e é preciso extingui-la; aí alguém se insurge contra eles, e os vence porque, com toda sua inteligência, esqueceram o coração. Em Watchmen isso só aparece pela metade: o “homem mais inteligente do mundo”, que também é um malvadão, realiza seu objetivo – mas, como o cara mais poderoso do mundo, o azul fosforescente, acaba concordando, não há coração que impeça a maldade. Os mais inteligentes sempre são maus e querem extinguir os menos inteligentes. O que demonstra, claro, que para aqueles “mais inteligentes” ser inteligente significa ser parecido com eles.”

Bom, agora complicou.  Pedro Sette não gostou de Watchmen por não gostou do filme que Watchmen poderia ter sido se fosse tão ruim quanto ele imagina, e não por ser tão ruim como ele imaginaria um filme ruim.  Porque, de fato, em Watchmen não existe a idéia de extinguir a humanidade _ pelo contrário, o plano de Ozymandias exige o sacrifício de uma pequena parte dela para salvar o restante (por mais idiota que seja a idéia).  Ou seja, Ozymandias pensava mais ou menos como a trupe anaeróbica que acha importante esmagar qualquer coisa que se mova na Faixa de Gaza para salvar a civilização judaico-cristã ocidental.

Mas enfim.  Tem gente pior fazendo crítica de cinema anaeróbica, como aquele cara que vê Deus em qualquer filme

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Via The Blogger, me deparo com a seguinte notícia:

Banco Central quer ensinar à população como identificar dinheiro falso

Alana Gandra
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro – O Banco Central (BC) pretende disponibilizar este ano material educativo na internet para que a população aprenda a identificar cédulas falsas. Segundo o chefe do Departamento do Meio Circulante do BC, João Sidney de Figueiredo Filho, será “uma auto-instrução”, mas ainda não foi fixada a data para implementação da medida.

***

Sinal de que a crise ainda não é tão grave por estas plagas.

Dureza vai ser quando o Banco Central começar a querer ensinar a população a identificar dinheiro de verdade…

“Flying is simply hours of boredom punctuated by moments of stark terror.”

_ Ditado atribuído à honrada classe dos aviadores profissionais, aqui (*).

(*) Não consegui encontrar confirmação independente, mas vai assim mesmo porque a frase é ótema.

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Quizz da Economist.

Reinaldo Azevedo transcreve em post um comentário da inominável Yara Chiara, a qual, por sua vez, entoa loas a Diogo Mainardi pela sua mais recente coluna.

Começa Tio Rei:

YARA CHIARA NAS ASAS DE DIOGO MAINARDI
Comentário da leitora Yara Chiara sobre a coluna de Diogo Mainardi. Volto depois.

Aí ele transcreve o texto da roadie, destacando os seguintes trechos:

Tudo foi calculado, cada palavra foi pinçada: desde o chinelo até o avião, passando pelo impagável orelhão, claro. Do mais chão, rasteiro, às alturas. E nada, a não ser a liturgia nacionalista e a irracionalidade que a cerca, consegue unir os brasileiros, desunidos por renda, direitos, deveres e, claro, 50.000 homícidos.

Numa perspectiva mais séria e histórica, o avião não foi inventado por nenhum dos citados: é essa parte da chave mesma do texto.”

E Tio Rei comenta:

Comento
Essa menina vai longe, não é?

Duvido, coitada.

Mas o Diogo, esse, não vai não.  De jeito nenhum.

Pois, diacho, para escrever essa sua coluninha do dia 7, Diogo vuduzou, vampirizou, chupou, um texto do…Not Tupy!

No qual, aliás, sentei o pau.  Mas que se dê o crédito ao anaeróbico certo, pombas.

Deu na Folha:

O jornal do Vaticano, “L’Osservatore Romano”, publicou artigo neste fim de semana no qual afirma que a máquina de lavar talvez tenha feito mais pela liberação da mulher no século 20 do que a pílula anticoncepcional ou o acesso ao mercado de trabalho. A declaração faz parte de um artigo em homenagem ao Dia Internacional da Mulher.

O artigo, intitulado “A Máquina de lavar e a liberação das mulheres –ponha detergente, feche a tampa e relaxe”.

“O que no século 20 fez mais para liberar as mulheres ocidentais?”, questiona o artigo, escrito por uma mulher. “O debate é acalorado. Alguns dizem que a pílula, alguns dizem que o direito ao aborto, e alguns [dizem que] o direito a trabalhar fora de casa. Alguns, porém, ousam ir além: a máquina de lavar.”

O texto então conta a história da máquina de lavar, desde um modelo rudimentar de 1767 na Alemanha, até os modernos equipamentos com os quais a mulher pode tomar um capuccino com as amigas enquanto a roupa é lavada.

O artigo cita as palavras da feminista americana Betty Friedan, que, em 1963, descreveu “o momento sublime de poder trocar a roupa de cama duas vezes por semana em vez de uma só“.

Segundo o texto, embora os primeiros modelos fossem caros e pouco confiáveis, a tecnologia evoluiu a tal ponto que há agora “a imagem da super mulher, sorrindo, maquiada e radiante entre os equipamentos de sua casa”.

***

That´s exactly the point!

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Afinal, todo mundo sabe que a máquina de lavar liberou as mulheres da dura labuta diária da lavagem de roupas para que elas pudessem ficar mais tempo queimando o almoço no fogão!

Os gordos também fazem gol.

O Leonardo Cruz, do A Terceira Margem do Sena, indicou um site incrível em um comentário aí embaixo.  É um site cristão que vende camisetas para pessoas arrependidas:

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When God wants to take His message of deliverance across the globe, there is NO stopping Him. Check out this feature of the EX Shirts on one of the fastest growing Christian Hip Hop magazines in the US: http://www.DaSouth.com. Also, hit up their new article, “Masturbation“.  It breaks down the lies behind masturbation, explains how this is actually a sin, and how we can be freed through Christ.

And if you need even more encouragement, check out ya girl Dameco’s latest blog entry, in which she fearlessly testifies to her struggle and victory over masturbation!

We pray that you will join us in breaking the silence on an issue that has stayed silent for too long. Be the first to boldly rock your Ex-Masturbator shirt and let’s change the world baby! Click below on one of the pictures to order your shirt.

Feel free to share your thoughts, testimony or any other comments with us.”

***

Bem, eu sou do tempo em que a vitória sobre a masturbação seria conseguir fazer the real thing, mas esse pessoal parece ter idéias diversas sobre o assunto.  

Tudo bem, eu sou a favor da diversidade.  Até acho legal o pessoal da Opus Dei substituir o sexo pelo cilício _ é o prazer de cada um, gente.

E isso, é claro, dá…quizz!

Stephen Wolfram, um desconhecido célebre, vai lançar o Wolfram Alpha _ um aplicativo que promete realizar de fato a web semântica.

Lançamento em maio deste ano.  A ver.

No Valor da última sexta-feira:

Brasileiros elaboram leis na África
Luiza de Carvalho, de São Paulo

Países africanos estão buscando cada vez mais advogados brasileiros para elaborar projetos de lei nas mais diversas áreas

Advogados brasileiros são cada vez mais requisitados por governos de países africanos, como Moçambique e Angola, para elaborar projetos de lei que abordam desde normas para licitações públicas até regulamentação do setor energético. O Instituto de Registro Imobiliário do Brasil coordena um grupo de especialistas que trabalha em uma proposta de legislação habitacional para Angola. Já o escritório Emerenciano Baggio elabora normas para implementação do sistema de transporte coletivo em Kinshasa, capital da República Democrática do Congo, enquanto o Approbato Machado Advogados prepara uma lei de falências para Moçambique, nos moldes da norma brasileira.

Pode parecer uma notícia interessante apenas do ponto de vista de criação de mercado para os escritórios de advocacia brasileiros, mas na verdade é uma tendência importante pois sinaliza uma expansão da esfera de influência brasileira no Exterior _ em um momento onde o neocolonialismo chinês encontra-se de pernas quebradas por causa da crise.  Para não falar que legislação&instituições não é bem um produto de exportação de muito sucesso na China.

Enquanto isso, no andar de cima

U.S. Supreme Court’s global influence is waning
By Adam Liptak

WASHINGTON: Judges around the world have long looked to the decisions of the United States Supreme Court for guidance, citing and often following them in hundreds of their own rulings since the Second World War.

But now American legal influence is waning. Even as a debate continues in the court over whether its decisions should ever cite foreign law, a diminishing number of foreign courts seem to pay attention to the writings of American justices.

“One of our great exports used to be constitutional law,” said Anne-Marie Slaughter, the dean of the Woodrow Wilson School of Public and International Affairs at Princeton. “We are losing one of the greatest bully pulpits we have ever had.”

Deu no Correio Braziliense:

Líder da CNBB ataca a ciência
Presidente da Regional 2, dom Antônio Muniz, diz que governo e médicos não podem “inventar teorias para justificar aquilo que querem fazer”

Mirella Falcão – Do Diário de Pernambuco Comentários Avalie esta notícia

Publicação: 08/03/2009 10:25 Atualização: 08/03/2009 10:25
O aborto realizado em uma menina de 9 anos, grávida de gêmeos depois de ser estuprada pelo padrasto, deu o tom da missa celebrada ontem em Recife, na Basílica do Carmo, para o lançamento regional da campanha da fraternidade da Conferência Nacional de Bispos do Brasil (CNBB). Mas quem deu o recado desta vez não foi o arcebispo dom José Cardoso Sobrinho, que protagonizou uma polêmica de repercussão internacional ao anunciar a excomunhão de todos os envolvidos na interrupção da gravidez da criança. Apesar de a cerimônia ser realizada na sua arquidiocese, dom José “abriu mão” do direito de celebrar para o presidente regional da CNBB, o arcebispo de Maceió, dom Antônio Muniz, presidir a missa. Durante o evento, que reuniu cerca de 600 fiéis, além do apoio a dom José, não faltaram críticas ao governo e à ciência que “inventa teorias para justificar o que quer fazer”.

O religioso chegou a duvidar do diagnóstico dos médicos de que a gestação gemelar colocava em risco a vida da criança. O caso da menina, segundo dom Muniz, tem muita relação com o tema da campanha deste ano, que é “Fraternidade e Segurança Pública”. “Não existe política de segurança que não pense na vida humana desde o princípio da sua existência. Esse episódio nos leva a fazer uma pergunta sobre a ética dos nossos dirigentes, que têm a incumbência do poder público”, defendeu o arcebispo da capital de Alagoas, que por diversas vezes agradeceu a “gentileza” de dom José em lhe entregar a presidência da cerimônia.

***

Ele está atacando a Ciência só para os católicos, ou em geral?

E aquela idéia de “deixar a Teologia para os teólogos”, não vale para a Medicina não?

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Araceli, 9 anos incompletos

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Feto de 15 semanas

Even fetuses born between 26 and 28 weeks have difficulty surviving, mainly because the respiratory system and the central nervous system are not completely differentiated…” (Moore, Keith and Persaud, T. The Developing Human: Clinically Oriented Embryology, page 103)

“The Kingdom of Heaven is within man.”

_ Hippolytus, Refutation 5.7,20.

Continuo me sentindo bonzinho e por isso vou traduzir uma coisa do Irish Times, via Crooked Timber:

A RYANAIR diz fala sério sobre planos de cobrar seus passageiros pelo uso do banheiro em sua aeronave. “Isso vai acontecer”, disse ontem  Michael O’Leary, executivo-chefe da empresa, a alguns jornalistas sobre a proposta que atraiuenorme publicidade mundial quando ele a apresentou como uma vaga possibilidade na semana passada.  O senhor O’Leary disse que os fabricantes de aeronaves lhe informaram que havia certas questões técnicas e de segurança sobre como utilizar um sistema de pagamento com moedas instalado nas portas dos banheiros, motivo pelo qual a proposta agora é que os passageiros usariam um cartão de crédito para ganhar acesso aos toaletes. Ele disse que se a companhia aérea fosse impedida de cobrar dos passageiros a entrada no banheiro, iria impor uma cobrança para que eles saíssem.

Mais tarde, o mesmo executivo voltou atrás na idéia, ao deparar-se com uma dura realidade:

“A Boeing pode colocar pessoas na lua, projetar caças e bombas inteligentes, mas não consegue conceber uma miserável mecanismo para possibilitar portas que aceitem moedas”, admitiu.  O senhor O’Leary também confessou que iss não seria possível também porque alguns “burocratas de Bruxelas” haviam decretado que os estabelecimentos onde são servidos alimentos e bebidas têm de fornecer banheiros gratuitos.”  [grifo meu]

Malditos burocratas, hein?

***

Gostaria de saber se Tio Rei, que defende com unhas e dentes o direito de nascer, dedicaria algumas palavras em prol do direito de urinar.

***

Mas vamos lá: eu sei o que um economista esperto diria sobre isso.  Seria algo mais ou menos assim:

Bem, é claro que a utilidade é maximizada quando as pessoas tem mais possibilidades de escolha.  A Ryanair tem concorrentes e, se você não quer pagar para ir ao banheiro do avião, tem outras opções, é claro.  Além disso, a discriminação de preços é algo eficiente, pois é claro que essa estratégia poderá se refletir em menores preços para as tarifas aéreas da Ryanair, visto que os passageiros que desejarem pagar para ir ao banheiro estarão subsidiando a tarifa dos que não precisam ir ao banheiro tão constantemente“.

Alguns problemas com essa idéia:

1) a partir do momento em que o ato de pagar para ir ao banheiro em um avião for uma característica encarada com naturalidade,  TODAS as companhias se sentirão compelidas a adotá-la _ exceto uma ou outra que vai cobrar dos seus passageiros um sobrepreço pelo luxo de poder ir ao banheiro sem pagar.

2) no novo equilíbrio, portanto, um maior número de companhias oferecerá a novidade _ e com isso a vantagem competitiva da Ryanair desaparecerá.  E assim os preços não necessariamente cairão _ ou se caírem em um primeiro momento, provavelmente voltarão coletivamente ao patamar anterior.  Até porque os banheiros, cujo custo maior para a linha aérea é o de existirem e tomarem o lugar de poltronas, continuarão lá.

Exceto, é claro, se a próxima novidade no conceito low-fare for o avião sem banheiros. Nesse caso sugiro que levem bastante Bom Ar.

***

Não há dúvida que o conceito low-fare é interessante e trouxe amplos benefícios aos viajantes e à sociedade como um todo (bem, há controvérsias).  No entanto, também é verdade que se os passageiros fossem tratados como bagagem as tarifas aéreas possivelmente seriam ainda menores _ e se o conceito de não ser tratado como uma mala passar a ser entendido como um “luxo” (o que quase já é realidade), então fica claro que o milagre da possibilidade de escolher fica meio prejudicado.

testeguardian

Aqui.

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(clique para ampliar)

Como acho que isso vai explodir na blogoseira, eu, que sou bonzinho (às vezes), vou até traduzir para os leitores que não lêem inglês:

“Parte da razão por que não gastamos muito tempo lendo blogs”, disse ele, “é porque, se você não os ler com muito cuidado,  pode ficar com a impressão de que existe alguma  resposta clara, seja de um modo ou de outro – do tipo, basta nacionalizar todos os bancos, por um lado, ou basta você simplesmente deixá-los sozinhos e eles vão ficar bem, por outro.

Não seria uma declaração muito polêmica, talvez, se o indivíduo que a proferiu não fosse Barack Obama, em uma entrevista exclusiva que deu ao New York Times, hoje.  O problema, claro, é que Obama construiu sua candidatura sobre os netroots, sendo os blogs uma parte importante desse esforço.

Eu até acho razoável dizer que, afinal, Obama tem um monte de gente paga para brifá-lo logo pela manhã com tudo que ele precisa saber durante o dia, e que seria realmente uma tolice para o homem mais poderoso do mundo perder seu precioso tempo surfando pela blogoseira para saber o que está rolando.  E também deve-se levar em consideração que ele está tentando rebater as críticas simplistas que vêm da direita e da esquerda.  Mas no frigir dos ovos, a declaração não deixou de ser inábil.

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Com aquilo roxo

Vamos deixar claro: quando eu disse que Collor “será lembrado pelos livros de História  como de muito maior importância do que aquela que lhe damos hoje“, não estou deflagrando uma campanha “Collor, volta”.  Estou apenas dizendo que o passar dos anos torna evidentes certas cadeias de causalidade que não temos como enxergar no momento em que elas estão sendo geradas.  Ou, como disse em um comentário:

Não tenho a menor saudade de Collor e me parece que a maioria dos que escreveram aqui também não. Dizer que os livros de História o verão sob uma luz diferente da que a sociedade o vê agora não significa que estou a ponto de deflagrar um movimento de sebastianismo político. Apenas estou acentuando o fato de que enquanto Collor estiver por aí, vivo e atuante, não haverá clima para uma avaliação histórica sobre seu governo. Collor ainda é matéria para o jornalismo, a doença infantil da História.

Como é de praxe, a montanha pariu um rato ou, nesse caso, dois: Tio Rei finalmente escreveu seu post sobre o caso do aborto feito na menina de 9 anos, e, por força das circunstâncias, teve que escrever mais um corrigindo o primeiro.

No post das 18:31, Tio Rei adotou postura cautelosa, embora tenha trilhado o caminho que já adivinhávamos:

A decisão do arcebispo de Olinda e Recife, que fique claro, tem alcance apenas religioso. Para um fiel comum, não pertencente à hierarquia católica, seu peso é simbólico, sem conseqüências na vida, digamos, civil. Faço tal observação porque, a julgar por certas reações, ficou parecendo que médicos e familiares foram alvos de uma punição legal. Que se note: d. José atuou de acordo com o que está expresso no Direito Canônico. As circunstâncias do caso talvez devessem ter empurrado o arcebispo para uma posição de conciliação. O aborto implica a excomunhão automática, é fato. Mas ele está investido de poder para considerar circunstâncias atenuantes – e, nesse caso, elas são muitas.”

Às vezes, uma assertiva, para ser clara e fiel ao que se quer dizer, necessita ser expressa em palavras duras, até chulas.  Então, quanto a este argumento de Tio Rei, tenho a dizer o seguinte:

Alcance apenas religioso“, o caralho. “Peso simbólico” é o cacete.

Suponhamos que os médicos, apesar de desejarem realizar sua missão, e cumprirem a lei do país, tivessem voltado atrás por medo da repercussão do caso.  Então teríamos uma menina de 9 anos grávida, correndo possível risco de vida, devido à opinião da Igreja _ independentemente da menina ser católica, evangélica, budista ou animista.

O curioso aqui é que ainda assim Tio Rei joga para a platéia _ que no caso dele não deve ser formada apenas por linha-duras da direita católica _ e fala em “posição de conciliação” e “circunstâncias atenuantes”. Seria bom ele explicar então porque motivo neste caso pululam as tais circunstâncias atenuantes mas nos casos de ortotanásia onde a pessoa expressou seu desejo de não continuar vivendo artificialmente, não.  Até porque no post seguinte, das 20:55, ele diz o seguinte:

de fato, é incorreto afirmar que d. José excomungou este ou aquele; ele apenas fez o anúncio. A excomunhão é automática nesse caso;

Ué, se a excomunhão é automática, então como o Bispo poderia ter conciliado?  Como as atenuantes interviriam no processo?  E porque apenas a equipe médica foi excomungada, mas não os pais da menina?

Tio Rei, no afã de jogar para a platéia, errou, mas preferiu não admitir seu erro, ou disfarçar essa admissão como uma “observação”.  De fato, o que importa aqui não é o caráter conservador do bispo de Olinda e Recife: o que importa é que a barbárie está inscrita nos termos constituintes da ICAR.  No caso, vale a pena reproduzir uma das declarações de d. José:

“A lei de Deus está acima de qualquer lei humana. Então, quando uma lei humana, quer dizer, uma lei promulgada pelos legisladores humanos, é contrária à lei de Deus, essa lei humana não tem nenhum valor

Deve ser por isso que no seu primeiro post Tio Rei diz que o bispo “errou no tom”:

A aparente “crueldade” de d. José, como li em algum lugar, se assenta num princípio que, pouco importa o que digam os militantes da morte, protege a vida. O que me parece é que faltou ao bispo, zeloso dos princípios, pesar as circunstâncias para que sua decisão não restasse contraproducente: em vez de chamar a atenção para a defesa da vida, apenas reforçou, ao olhos do público, uma espécie de rigidez que parece ignorar as fragilidades humanas. Acertou no princípio; errou no tom. Em tempos em que tudo se faz pensando apenas no marketing, d. José é mesmo um prodígio de falta de tino publicitário.”

E ao concluir seu primeiro post:

Como resta, creio, evidente, acho que o bispo escolheu o caminho do rigor que confunde em vez do da compreensão que esclarece.

Repito: “errou no tom“, o caralho.  “Acertou no princípio“, o cacete. “Rigor que confunde“, patavinas.

A fala do bispo entrega todo o ouro que Tio Rei e a direita católica pretendem esconder da sociedade: que seu projeto é totalitário.   Que com eles não tem essa de “alcance apenas religioso“.  O bispo disse em alto e bom som: “se a lei humana é contrária à lei de Deus, essa lei humana não tem nenhum valor“.  É a versão ocidental da sharia.

Também é curioso notar como Tio Rei também entregou o ouro ao falar em “falta de tino publicitário”.  Sim, é isso aí, como Goebbels já sabia, a propaganda é a, er, alma do negócio.  Principalmente quando é enganosa e, no varejo da tolerância, as letras miúdas mostram que é a sharia o que estamos comprando.

Alguns leitores me enviaram e-mails perguntando porque raio de motivo eu não fiz um post acerca do affair “ditabranda”.  Atendendo a estes pedidos é que faço este pequeno obituário.

Sabem, eu não sou contra qualquer revisionismo.  Sou daqueles que acham que, para o bem ou para o mal, Fernando Collor será um presidente lembrado pelos livros de História  como de muito maior importância do que aquela que lhe damos hoje _ mesmo qeu ele  se encarregue de acabar com sua reputação na atual legislatura como Senador.  

Revisionismos da ditadura já aconteceram vários.   Elio Gaspari, creio eu, deixa alguns de seus protagonistas ao menos (Golbery e Geisel) em muito melhor luz do que era comum que eles aparecessem.  O Antonio Barros de Castro escreveu um livrinho, “Economia Brasileira em Marcha Forçada”, que vai na contramão do consenso da ortodoxia econômica sobre a importância do II PND para o Brasil.

Eu não tenho a menor dúvida que o regime de exceção promovido pelos militares a partir de 1964 tinha realmente características algo distintas das que distinguiram da maior parte das ditaduras latino-americanas, africanas, asiáticas e européias que lhe foram contemporâneas.   Os militares _ ou parte deles, já que o “movimento” não era homogêneo _ realmente tentaram preservar um resquício de legitimidade democrática, mantendo viva em cativeiro uma oposição chamada MDB _ cujo pecado original gravado no DNA do partido revela-se hoje na mariposa que nasceu daquela crisálida, o PMDB.

Não obstante, as palavras têm seu valor, e chamar de “branda” uma encarnação autoritária do Estado brasileiro que se comprazia em censurar a Imprensa me parece uma atitude um tanto desavergonhada da parte de uma personalidade jurídica que diz ser um jornal.

Do cadáver insepulto em que se transforma a Folha de São Paulo, acho que o mínimo que podemos esperar, agora, é um editorial contra a universalização da internet _ algo cujo advento lhe despejaria na testa a última pá de cal.

“The spirit of liberty is the spirit which is not too sure that it is right.”

_ Juiz Learned Hand

O fato:

Dom José Cardoso Sobrinho (foto), arcebispo de Olinda e Recife, cumpriu a promessa que tinha feito na tarde de ontem e à noite anunciou a excomunhão de todos que participaram do aborto da menina de 9 anos que, estuprada pelo padrasto, estava grávida de gêmeos.

A mãe e parentes da menina, os médicos que interromperam a gestação e responsáveis por entidades humanitárias que deram apoio ao procedimento não poderão receber sacramentos, o que inclui a eucaristia.

Deixará de ser excomungado quem se arrepender, disse o arcebispo.

O pai da menina não foi atingido porque, chamado pelo arcebispo, ele teria, antes, assinado documento discordando do aborto.

A gravidez foi interrompida ontem pela manhã na 6ª semana de gestação porque a menina corria risco de morte ou de seqüelas permanentes. Em casos como esse, a lei permite o aborto.

Mas para dom Sobrinho, a “lei de Deus está acima de todas as leis humanas”.

De acordo com a versão on-line do Jornal do Comércio, o arcebispo disse considerar inadmissível “pôr fim a uma vida para salva outra”.

***

Não estou nem aí para a excomunhão em si.

O chocante é um bispo achar que uma menina de 9 anos deve morrer porque deu o azar de ser estuprada.

O interessante é que a defesa usual dos cristãos quando diante das asneiras da Igreja é dizer que “ué, mas a Igreja está fazendo aquilo no que acredita”.

Como se isso fosse suficiente.

***

UPDATE:

Tio Rei ameaça um post sobre o causo:

Daqui a pouco
Daqui a pouco, um post sobre a decisão de d. José Cardoso Sobrinho, que excomungou os médicos que fizeram o aborto numa garota de nove anos, estuprada pelo padrasto
.”

Não acredito que ele vá me surpreender.  Em dois posts anteriores mencionando o bispo de Olinda e Recife, Tio Rei defendeu o avanço da ICAR rumo à Idade Média pelas mãos de d. José.  Não há de ser agora que ele ensairá uma recueta.

dow666

Cheiro de enxofre

E depois o Paulo diz que o fim do mundo não está próximo…

(hat tip: PMF)

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