O Financial Times publica matéria (traduzida no Valor) sobre sua desconfiança de que Bernie Madoff fez vítimas no Brasil a partir do Banco Safra:

Clientes do Grupo Safra, que inclui um dos maiores bancos do Brasil e que mantém importantes operações de “private banking” nos Estados Unidos e na Europa, despontam como vítimas do escândalo de Bernard Madoff. O “Financial Times” acredita que o Banco Safra de São Paulo comercializou por muitos anos um fundo chamado “Zeus Partners Limited”, um dos muitos fundos “alimentadores” que direcionaram dinheiro à Bernard Madoff Securities, a firma de corretagem de valores de Madoff na cidade de Nova York, proveniente de investidores de todo o mundo.(…)

Um investidor de São Paulo que pediu para não ser identificado disse que normalmente hesitava em comprar fundos, mas que foi abordado por seu representante do Safra com uma tática “muito agressiva de vendas”. “Eles disseram que era um fundo muito bom com um excelente histórico e que o próprio [Joseph] Safra [o chefe do Grupo Safra] colocou uma boa parte do seu dinheiro nele.

O Banco Safra no Brasil não respondeu aos pedidos para comentar sobre o fundo Zeus e seu envolvimento com Madoff. Pessoas familiarizadas com o assunto disseram que o fundo investiu pelo menos US$ 300 milhões em prol dos clientes do Safra.”

Clientes do Safra são vítimas de Madoff
Jonathan Wheatley, Financial Times, de São Paulo
18/02/2009
 
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Clientes do Grupo Safra, que inclui um dos maiores bancos do Brasil e que mantém importantes operações de “private banking” nos Estados Unidos e na Europa, despontam como vítimas do escândalo de Bernard Madoff. O “Financial Times” acredita que o Banco Safra de São Paulo comercializou por muitos anos um fundo chamado “Zeus Partners Limited”, um dos muitos fundos “alimentadores” que direcionaram dinheiro à Bernard Madoff Securities, a firma de corretagem de valores de Madoff na cidade de Nova York, proveniente de investidores de todo o mundo.

 

Mais de vinte outros fundos alimentadores mantiveram mais de US$ 20 bilhões com Madoff, manchando a reputação de alguns dos maiores bancos privados e especialistas de fundos de hedge, bem como o banco espanhol Santander.

 

Operadores dos fundos alimentadores incluem alguns grandes nomes em gestão de fundos, como o banco privado suíço Union Bancaire Privée; Tremont, pertencente ao gestor de ativos dos EUA OppenheimerFunds; e Pioneer Alternative Investments, que faz parte do banco italiano Unicredit.

 

O Grupo Safra nega qualquer envolvimento com a Bernard Madoff Securities.

 

Uma porta-voz do Safra em Nova York disse que o Banco Safra no Brasil não teve nenhum envolvimento com os fundos de Madoff e que nenhum dos bancos do grupo Safra promoveu qualquer fundo Madoff, apesar de alguns bancos da família Safra fora do Brasil terem efetivamente investido em alguns fundos de Madoff quando os clientes assim solicitavam. A porta-voz acrescentou: “O fundo Zeus não é um fundo Safra.”

 

Mas documentos obtidos pelo “Financial Times” de investidores no Brasil incluem uma descrição em uma página do fundo intitulado “Safra Group” e “Zeus Partners Limited” e ostentando o símbolo do Grupo Safra.

 

O “FT” também obteve um “sumário executivo” do fundo que relaciona o Banque Jacob Safra (Gibraltar) Limited, que integra o Grupo Safra, como custodiante do fundo.

 

A descrição do fundo contém várias marcas características dos fundos Madoff, incluindo a agora notória estratégia da “não tradicional… ‘split-strike conversion'” (operação que negociava duplo valor de exercício para estabilizar ganhos e reduzir perdas), que teria sido empregada por Bernard Madoff, e lucros mensais quase ininterruptos ao longo de cinco anos a partir do começo de 2002.

 

Um investidor de São Paulo que pediu para não ser identificado disse que normalmente hesitava em comprar fundos, mas que foi abordado por seu representante do Safra com uma tática “muito agressiva de vendas”. “Eles disseram que era um fundo muito bom com um excelente histórico e que o próprio [Joseph] Safra [o chefe do Grupo Safra] colocou uma boa parte do seu dinheiro nele.”

 

O Banco Safra no Brasil não respondeu aos pedidos para comentar sobre o fundo Zeus e seu envolvimento com Madoff. Pessoas familiarizadas com o assunto disseram que o fundo investiu pelo menos US$ 300 milhões em prol dos clientes do Safra.

 

Daniel Chiplock, da banca de advocacia Lieff Cabraser Heimann & Bernstein de Nova York, disse: “Temos sido contatados por investidores no Brasil e na Argentina que nos informaram que este fundo em particular foi comercializado para eles por seus representantes do Safra como um veículo de investimento extremamente seguro”.

 

David Rosemberg, advogado da Broad e Caselli EM Miami, relatou ter sido contatado por investidores no Brasil e no México que haviam investido no fundo Zeus. “Alguns deles souberam com antecedência, mas a maioria só descobriu depois de ele ter desabado que este era um fundo alimentador Madoff”, ele disse. Vários bancos envolvidos no escândalo de Madoff ofereceram algumas formas de indenização aos investidores.

 

Celfin Capital, um banco de investimento chileno de médio porte, anunciou um plano de restituição para os seus próprios clientes em 20 de dezembro do ano passado, cerca de uma semana depois de a suposta fraude ter sido revelada.

 

Atualmente ele está devolvendo aproximadamente US$ 11 milhões – o valor original total – a 100 investidores. O Banco Nacional do Kuait, enquanto isso, devolveu US$ 50 milhões a investidores atingidos.

 

Santander, cujos clientes perderam 2,33 bilhões de euros, anunciou a sua proposta de retribuição em dezembro.

 

O banco espanhol afirma que indenizará investidores individuais, mas não institucionais, nos seus fundos de Renda Variável de Estratégia Máxima nos EUA por meio de ações preferenciais no banco, pagando um cupom de 2% anuais.

 

Parte destes investidores também está no Chile, onde pelo menos 200 vítimas do escândalo Madoff foram identificadas, segundo relatos feitos pela imprensa local.

 

A maioria delas eram pessoas ricas que compraram produtos relacionados a Madoff comercializados pelo Santander e o BBVA, o segundo maior banco espanhol.

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