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O Sergio Leo me passou um meme.  E diz:

Quero ver isso nos blogues do Bicarato, Biajoni, do da Lucia Malla, do Rafael Galvão, do Hermenauta e da Leila.”

OK, se é isso que ele quer…segurem-se:

Jornal não tem meme

02 de fevereiro, 2009 • 10:38 PM | 1 comentário

Como que para complementar meus argumentos aí embaixo sobre blogues e jornais (voltarei em breve ao assunto, isso é uma ameaça), o Jorge me manda algo tipicamente blogosófico, algo que traduz a faceta rede de relacionamentos carcaterística dos blogs.

Um meme.

É uma espécie de corrente do bem, em que amigos ou conhecidos pela blogolândia repassam uma sugestão de post a outros amigos, que os repassam e assim por diante. Brincadeira pura. E por que não? Mas o Jorge me ameaça, diz que contará podres da minha vida caso eu não dê seguimento ao post. Minha vida é um e-book ligado, Jorge, com apenas alguns arquivos deletados para evitar o acesso.

Mas, como na Internet, nunca se sabe se o que você apagou não ficou reproduzido em algum cache cagueta, obedeço. O meme manda contar seis coisas secretas ou nem tanto sobre a própria vida.

Isso é outra característica dos blogues. Só alguns cronistas expoem tanto sua vida em jornal como os blogueiro acabam fazendo na blogopolis. Sabemos das doenças, das perdas, das mudanças de emprego dos nossos blogueiros favoritos. É mais próximo isso da aldeia globsal do McLuhan do que nenhuma publicação impressa jamais chegou.

Mas vamos ao meme:

1) Como sabem só os amigos mais próximos, comecei a carreira de jornalista escrevendo, editando, montando (com textos datilografados em Composer, colados com cola Pritt), e imprimindo em xerox o bolteim O Vegetariano, da combativa Cooperativa dos Vegetarianos da Guanabara, a mais antiga do país. (e o único lugar onde encontrei estágio quando o currículo da UFRJ exigia isso). O que a maioria não sabe é que, nessa época, também ensaiei uma colaboração para a Ele e Ela como copydesk, reescrevendo cartas dos leitores para a seção Forum, de relatos/fantasias eróticos. Reescrevi dois, publicaram e nunca mais me pediram outros. Errei nos adejtivos, acho. Fui mais bem sucedido como free-lancer do jornal da arquidiocese, O Cristo em Copacabana. Pagava bem textos curtos, trabalho fácil.

2) Tenho enorme dificuldade em reler o que escrevo. Suspeito que os leitores também.

3) Em meus primeiros anos em Brasília, costumava fazer acompanhar refeições com Keep Cooler. E adorava. Sei, não deveria estar contando isso, é vergonhoso demais.

4) Não consigo assistir peças de teatro. Fico nervoso, temso com a possibilidade de que algo imprevisto interrompa a peça e a faça terminar em vexame. Isso quando a péssima qualidade dos atores me deixa tenso, nervoso, com o vexame que se desenrola no palco.

5) Na infância, roubava bolinhas nas cartelas de jogos de futebol de botão, no supermercado. Não me pergunte para quê. Juro que se as encontrasse, devolvia.Era um delito perfeito, até hoje. Mas o remorso é algo pesado, na mente do criminoso.

6) Eu cobri o primeiro Rock in Rio para O Globo, entrevistei o Whitesnake (com meu inglês de então, não entendi 70% do que falaram), o Ozzy Osbourne e outros que já me esqueci. E não fui a um show sequer. Não tive tempo, nem paciência. Chega. O que a gente não faz pelos amigos ganhos por um blogue.

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Mas quem é que precisa de lítio, afinal? _ clique para ampliar

OK, acho que em breve teremos uma chance de observar uma “experiência natural” em termos de teorias da conspiração.

Talvez alguns dos 4,5 leitores aí já tenham ouvido falar de coltan.  Bem, o coltan é o apelido para um minério denominado colombo-tantalita.  A graça do coltan é que é dele que se extrai o tântalo, um metal fartamente usado na fabricação de elementos eletrônicos essenciais para o funcionamento de vários equipamentos eletrônicos, inclusive telefones celulares.  A despeito do fato que o tântalo é produzido em uma porrada de lugares, inclusive o Brasil, o fato de que 25% das reservas conhecidas estão no Congo causa um grande mal estar nas partes mais civilizadas do mundo, justamente pelo fato de que a guerra civil que volta e meia estoura naquelas paragens é motivada, entre outras coisas, pelo controle das minas de coltan.  Isso evidentemente já criou uma indústria de ONG´s que denunciam o envolvimento estrangeiro no Congo porque as multinacionais estão, bem,  de olho no tântalo dos negões.

A beleza da coisa é aqui do outro lado do Atlântico desenrola-se o embrião de uma situação análoga.   A nossa amiga Bolívia calhou de ser presenteada pelo Altíssimo com as maiores reservas de lítio do mundo, e ocorre que o lítio é um elemento importantíssimo não só para dar um jeito nos companheiros maníaco-depressivos como também para produzir baterias de alta performance, que são o coração do funcionamento de uma verdadeira panóplia de gadgets _ e também, espera-se, do carro elétrico, ou seja uma parte importante da nascente indústria das energias alternativas.

OK, problemas resolvidos e alegrias para todos _ não fosse o fato de que a Bolívia pretende se tornar “a Arábia Saudita do lítio”, segundo matéria no NYT de hoje:

“We know that Bolivia can become the Saudi Arabia of lithium,” said Francisco Quisbert, 64, the leader of Frutcas, a group of salt gatherers and quinoa farmers on the edge of Salar de Uyuni, the world’s largest salt flat. “We are poor, but we are not stupid peasants. The lithium may be Bolivia’s, but it is also our property.”

Seria ruim se apenas o mundo livre, consumista e sassaricante sobre rodas estivesse a ponto de trocar a cruz pela caldeirinha, isto é, o monopólio árabe pelo monopólio quétchua.  Mas nada é tão simples, e como se diz, tudo sempre pode piorar:

“Of course, lithium is the mineral that will lead us to the post-petroleum era,” Mr. Castro said. “But in order to go down that road, we must raise the revolutionary consciousness of our people, starting on the floor of this very factory.

Os nossos anaeróbicos de plantão podem parar de segurar a respiração, já que o “Mr. Castro” aí não é o barbudo da amaldiçoada  ilha caribenha, mas sim Marcelo Castro, gerente da fábrica de beneficiamento dos sais de lítio que o governo boliviano, através da Comibol, construiu.  Porém, enquanto os bolivianos pensam em como usar o lítio para despertar a consciência revolucionária do seu povo, a reportagem mostra que outros países que também possuem lítio estão passando à frente do país das cholas:  a China já se tornou o maior fornecedor de lítio do planeta, explorando os sais de lítio existentes no…Tibete.  Alguém deveria se perguntar porque diabos o Criador resolveu botar o lítio em lugares tão desprovidos de problemas.

E na verdade existem bolivianos preocupados com isso:

Juan Carlos Zuleta, an economist in La Paz, said: “We have the most magnificent lithium reserves on the planet, but if we don’t step into the race now, we will lose this chance. The market will find other solutions for the world’s battery needs.”

Não que não haja quem ficasse feliz da vida se os salares bolivianos continuassem exatamente do jeito que são hoje.

E na boa, eu acharia ótimo.

***

UPDATE:

O Sêo Pedro Dória escreve mais a respeito disso, aqui.

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