Lá no Torre de Marfim, um post sobre música. A habitual lenga-lenga sobre como são péssimos os músicos populares brasileiros _ nunca dá pra saber nessas discussões onde e quando a má-vontade se disfarça de elogio à qualidade, e além disso, para piorar, gosto não se discute e tals.  Mas um trecho de um comentário do Matamoros chamou minha atenção:

Eu nunca critiquei Gonzaguinha ou qualquer outro dos piores nomes da MPB por ser um ícone da esquerda. Acho que Gonzaguinha era um mau músico e um péssimo letrista, com uma tendência populista das piores. Já impliquei com Zé Ramalho, Oswaldo Montenegro, Guilherme Arantes e Kleiton e Kledir porque não gosto deles como músicos e letristas, não por serem de esquerda ou de direita.

Eu já ia dizendo, “então, Matamoros, o que você acha dos músicos de direita, bwahahahahaha“, quando me dei conta de que é meio difícil achar um músico brasileiro de direita, ou que se diga de direita.  Eu aposto que o meio sertanejo está cheio deles, por exemplo, mas a questão simplesmente não costuma surgir na imprensa.

Eu acho, na verdade, é que os músicos de direita fazem o que podem por passar como pessoas normais (sim, isso é uma provocação).  Vejamos o caso, por exemplo, de Fernanda Abreu.

Musa do funk carioca, Fernanda Abreu é uma dileta filha da classe abastada da cidade de São Sebastião.  Em sua Abreugrafia no site que mantém no UOL, ela confessa ter morado em uma casa de dois andares no Jardim Botânico.  Mascara, porém, ser neta de um Desembargador, sob a “simpática” informação de que sua mãe era bibliotecária, seu pai era arquiteto e seus avós por parte de mãe tem ascendência negra e indígena.  Mas até aí, tudo bem _ ninguém tem culpa de ser rico.  O diacho é o seguinte:

Sempre estudamos (eu e Felipe) em ESCOLA pública por princípio dos meus pais, o que refletiu na diversidade dos nossos amigos.

Isso é simplesmente MENTIRA.  Ela cursou o segundo grau no que era um dos melhores colégios particulares cariocas da década de 70 _ algo do que sou testemunha ocular.

É meio difícil entender porque alguém se submete a um papelão desses.  Imagino que talvez por uma questão de marketing.  Como produto, Fernanda Abreu se vende como intérprete do cadinho de raças e culturas cariocas, Rio 40 graus etc.  Então parece que ela se sente no dever de demonstrar que tem “raízes populares” _ coisa que ela pode até ter, mas não foi por aí.

Dito isto, devo dizer que tenho “Raio X”, que considero um bom disco.  E admito que posso ter viajado na maionese, já que os subterfúgios utilizados por Fernanda não significam necessariamente que ela é uma pessoa “de direita”.

Mas enfim, nem nada nem ninguém me impedirão de produzir, de vez em quando, posts perfeitamente inúteis.  🙂

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