Saiu um paper que está causando considerável rebuliço (“The N-Effect: More Competitors, Less Competition“, por Stephen M. Garcia e Avishalom Tor).   Trata-se de um experimento psicológico que demonstra que nossa competência em competir é inversamente proporcional ao número de pessoas com que competimos.  Via Jonah  Lehrer dos Science Blogs, uma citação de  sumarizando o achado:

If you’ve ever had to take a test in a room with a lot of people, you may be able to relate to this study: The more people you’re competing against, it turns out, the less motivated and competitive you are. Psychologists observed this pattern across several different situations. Students taking standardized tests in more crowded venues got lower scores. Students asked to complete a short general-knowledge test as fast as possible to win a prize if they were in the fastest 20 percent completed it faster if they were told that they were competing against 10 people rather than 100. Students asked how fast they would run in a race for a $1,000 prize if they finished in the top 10 percent said they would run faster in a race against 50 people rather than 500. Similarly, students contemplating a job interview or Facebook-friending contest said they would be less competitive if they expected more competitors – even if “winning” only required finishing in the top 20 percent. The authors conclude that competitiveness was curtailed because the larger the group, the more difficult it is to compare oneself directly to others.”

Se isso se mostrar verdadeiro não apenas na área das pessoas físicas mas também das jurídicas, temos um problema grave com os pressupostos da advocacia da concorrência como política pública, que é o seguinte: o cenário da competição perfeita é o mais avesso ao desenvolvimento da inovação, embora seja o mais eficaz na manutenção de preços baixos, isto é, iguais ao custo marginal.  Ou seja, para usar economês, a eficiência alocativa se daria em detrimento das eficiências dinâmicas (o problema não é tão grave, porém, na medida em que mercados perfeitamente competitivos são raros ou praticamente inexistentes).

O Lehrer faz um paralelo interessante com uma descoberta feita por uma outra psicóloga experimental, Sheena Yengar, sobre o fato de que o excesso de escolhas causa paralisia decisória:

In 2000, she set up a booth in an upscale supermarket with a variety of gourmet jams and jellies, all of which scored about equally well in taste tests. Sometimes, her booth showcased 6 different jams, and sometimes it had 24 different jams. Economists assume that more choices lead to increased consumption, since everyone can try out the different jams and find their favorite. (They can maximize their subjective utility.) But when Iyengar increased the number of jams on display, purchases of jam decreased dramatically. When her booth only had 6 different jams, 30 percent of people who stopped by the both ended up buying one of the varieties. However, when she put 24 different jams on display, only 3 percent of people bought a product. All the possibilities short-circuited the brain.” [grifo meu]

(a primeira vez que eu havia ouvido falar disso foi no livro de Barry Schwarz, “The Paradox of Choice“)

A última frase grifada é a ponte entre uma coisa e outra, segundo Lehrer, mas não tenho certeza se o mecanismo é o mesmo.  No caso do excesso de escolha, a mente é levada à paralisia decisória por simples “overflow”, isto é, provavelmente por não ser capaz de analisar todos os parâmetros de todas as escolhas e maximizar a satisfação.  Já no caso da competição em excesso o que parece ocorrer é uma situação de economia de esforço: ao entrar em uma competição onde está convencida que não pode ganhar, a mente aloca menos recursos para a competição.

Em todo caso o Lehrer aponta saídas para estas situações.  No caso do paradoxo da escolha, a solução é agrupar as alternativas em classes ou categorias (não pude deixar de pensar em esquerda, direita e as miríades de colorações políticas agrupadas nestas duas categorias).  No caso da competição, a idéia salvadora é agrupar os concorrentes em salas menores, ao invés de todos eles em um lugar só (será que o antigo vestibular unificado do Cesgranrio no Maracanã acabou com as carreiras de muita gente?).

OK, vamos repensar a São Silvestre

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