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Ato, ato, ato, cada um com seu sapato

Sempre me espanto quando pessoas otherwise perfeitamente razoáveis e inteligentes mostram um ponto cego no seu entendimento das coisas.

Lá no Torre de Marfim, Arranhaponte perpetrou uma dessas ocasiões.  A idéia geral parece ser a de que é graças a Bush e ao exército de libertação americano, afinal, que um jornalista iraquiano tem agora o direito de atirar um sapato no Presidente dos EUA.

A idéia é questionável sob inúmeras luzes.   A começar que essa noção de “direito” é meio vaga, já que segundo o Guardian

The Iraqi journalist who threw his shoes at George Bush appeared before a judge yesterday on charges of “aggression against a president”.

The court decided to keep Muntazer al-Zaidi in custody, and after an investigation is carried out the judge may send him for trial under a clause in the Iraqi penal code that punishes anyone who attempts to murder Iraqi or foreign presidents.

Such a crime could result in imprisonment of seven to 15 years.

His brother claimed yesterday that the television reporter had been beaten in custody.

Zaidi suffered a broken hand, broken ribs, internal bleeding and an eye injury, his older brother, Dargham, told the BBC.

Mesmo sob o manto do Patriot Act, penso que se um conterrâneo de Bush atirasse um sapato em cima dele não receberia tratamento similar.

É claro que isso é o de menos.  O de mais é que a aventura americana no Iraque custou, segundo estimativas conservadoras, algo entre 90 e 100 mil vidas civis iraquianas (Iraqi Body Count), ou quase 700.000 segundo o estudo da John Hopkins.  Certamente o número de sapatos atirados para causar uma mortandade dessas deve ser bem alto.  Como se não bastasse, os EUA criaram um buraco do qual ainda não sabem muito bem como vão sair, sem que haja de fato a menor garantia de que o Iraque pós-retirada das tropas americanas será um baluarte da democracia.

Então antes de entoar loas às capacidades de statebuilding de Bush, é melhor por os pés no chão.

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