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Também no Valor, uma matéria sobre a Gafisa (ou melhor, sobre a mudança de comando na Tenda, construtora voltada para o mercado, er, “popular”, que afundou em um episódio curioso e foi comprada pela construtora paulista).

É heróico comprar uma construtora residencial voltada para a baixa renda nesta época.

Se eu ainda fosse um cara de case studies estudaria a Gafisa.  Há pouco tempo eles compraram a Alphaville, empresa especializada na construção de condomínios de luxo.  Sinal de que eles querem ser capazes de oferecer um “cardápio completo” no negócio imobiliário.  Resta saber se vai dar certo.

Felizmente, não temos um mercado hipotecário pujante.   🙂

Eu em geral gosto dos posicionamentos do Wanderley Guilherme dos Santos.  Hoje ele escreveu um artigo para o Valor (“A crise não sei onde dói não sei por quê“) que é ao mesmo tempo didático e impreciso, pois o que ele faz é explicar tatibitatimente a questão dos problemas da ação coletiva, mas ao mesmo tempo a emprega para falar sobre a atual crise, o que não me parece ser a melhor das abordagens nem para o diagnóstico nem para o tratamento.  Mas enfim. 

[a íntegra do texto está abaixo do folder, para os sem-Valor]

O que me deixou insatisfeito mesmo foi o fecho do texto:

(…)convinha ao governo brasileiro, por uma de suas altas figuras, o ministro da Fazenda, o presidente do Banco Central ou mesmo o presidente Luiz Inácio, ocupar uma cadeia nacional de rádio e televisão e dar conta ao país da natureza da crise, de sua extensão no mundo e no Brasil, das medidas tomadas e suas razões, e o que se espera para o futuro próximo. Nós, eleitores, alfabetizados e analfabetos, entendemos muito bem quando as autoridades falam claramente do que se trata.

Pois é, não.  Não se apaga um incêndio jogando em cima dele a clara gasolina da verdade.  Não se administra o pânico contando os fatos que podem reforçá-lo.  Em um mundo de profecias que se auto-realizam, há que pensar duas vezes em abraçar a profissão de profeta.

Nessas circunstâncias, falar a verdade é função dos analistas, e não dos governantes.

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ATLAS
SHRUGGED

UPDATED FOR
THE CURRENT
FINANCIAL
CRISIS.

BY JEREMIAH TUCKER

– – – –

1.

“Damn it, Dagny! I need the government to get out of the way and let me do my job!”

She sat across the desk from him. She appeared casual but confident, a slim body with rounded shoulders like an exquisitely engineered truss. How he hated his debased need for her, he who loathed self-sacrifice but would give up everything he valued to get in her pants … Did she know?

“I heard the thugs in Washington were trying to take your Rearden metal at the point of a gun,” she said. “Don’t let them, Hank. With your advanced alloy and my high-tech railroad, we’ll revitalize our country’s failing infrastructure and make big, virtuous profits.”

“Oh, no, I got out of that suckers’ game. I now run my own hedge-fund firm, Rearden Capital Management.”

“What?”

***

Go ahead.   🙂

Ele sempre me lembra esse personagem.  Ou esse.  Já os moinhos de vento

viralata

Um mundo inteiro a conquistar

No evento onde estou, falou uma moça herdeira de celebrado sobrenome.

Pifiamente, porém.  Inclusive leu a sua fala alegando estar muito cansada para poder articular livremente seus pensamentos sobre o tema em tela.  Dizem que repetiu ipsis litteris o pensamento de seu genitor famoso.

Deve ser dureza ter que honrar um sobrenome.  Há um tipo de felicidade em ser um vira-latas, que é a liberdade de poder ir em frente sem ter que rebocar uma reputação alheia.

Estou em uma cidade litorânea do Nordeste brasileiro, em um evento.   Estranha cidade: um número de carrões desproporcional ao número total de carros.  A infraestrutura da cidade é detonada, mesmo nas áreas pretensamente nobres.   Me parece que não existe, ou é ínfima, a classe média por aqui:  ou você tem muita grana, ou é um zé-ninguém.

Como meus leitores já sabem, eu não sou um grande fã da criação da BrOi.  Acho que ainda é cedo demais, dada a falta de competição existente até hoje no mercado de telecomunicações brasileiro, para se permitir uma operação deste porte _ embora os efeitos anticoncorrenciais diretos da operação não sejam tão grandes como às vezes se quer fazer acreditar, principalmente porque na telefonia fixa as duas operadoras nunca concorreram nas mesmas áreas locais.  O que me irrita, entretanto, é gente que não faz o seu trabalho direito, como mostra está matéria da Veja transcrita por Reinaldo Azevedo:

VEJA 1 – A Supertele que revelou os PTs

Por Ronaldo França e Ronaldo Soares:
Com uma assinatura, o presidente Lula validou, na última quinta-feira, uma das mais complexas, intrincadas e corrosivas operações do mundo dos negócios no Brasil. A transação, que não sairia sem o aval de Brasília, dividiu o governo em facções, despertou os instintos mais primitivos do lobby privado e mudou a face do Partido dos Trabalhadores. A assinatura do presidente era esperada e adiada desde 2005 em virtude dos desdobramentos políticos e policiais do negócio. Ela altera as regras que vigoravam desde 1998, ano da privatização do sistema Telebrás, e proibiam que uma operadora de telefonia fixa oferecesse serviços em mais de uma região do país. A mudança viabilizou a compra da Brasil Telecom, a terceira maior empresa de telefonia fixa do país, pela Oi, a vice-líder do setor em vendas. Juntas, as duas vão faturar por ano 29 bilhões de reais, formando a terceira maior geradora de caixa do setor privado nacional – atrás apenas da Vale e da Gerdau. Será criada também a 30ª maior operadora de telefonia do mundo. A mudança, feita pelo presidente por decreto, não precisa passar pelo crivo do Congresso. Apenas a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) vão ainda analisar o negócio, sem perspectivas de reversão, porém.

Bom:

A assinatura do presidente (…) altera as regras que vigoravam desde 1998, ano da privatização do sistema Telebrás, e proibiam que uma operadora de telefonia fixa oferecesse serviços em mais de uma região do país.”

Bullshit. De acordo com o cronograma explicitado pelo Decreto 2.534 de 1998, que criou o Plano Geral de Outorgas agora substituído, vigorava a seguinte regra:

§ 2º A prestação de serviços de telecomunicações em geral, objeto de novas autorizações, por titular de concessão de que trata o art. 6º, bem como por sua controladora, controlada ou coligada, somente será possível a partir de 31 de dezembro de 2003 ou, antes disso, a partir de 31 de dezembro de 2001, se todas as concessionárias da sua Região houverem cumprido integralmente as obrigações de universalização e expansão que, segundo seus contratos de concessão, deveriam cumprir até 31 de dezembro de 2003.

Como se vê, desde 2003 as concessionárias que cumpriram suas metas de universalização e expansão podiam atuar em outras áreas do país, aí como autorizadas, ou seja, com menos obrigações do que em suas próprias áreas de concessão. O que o PGO proibia era que a mesma empresa possuísse duas concessões de telefonia fixa em áreas diferentes.

Mas a bobagem continua:

A mudança, feita pelo presidente por decreto, não precisa passar pelo crivo do Congresso.”

Esse é um truque bacana do jornalismo: denunciar uma situação já existente. Dita desse modo parece que a modificação está sendo feita à socapa pelo governo. No entanto, a possibilidade de alterar as regras regulatórias por Decreto está plasmada na Lei Geral de Telecomunicações aprovada pelo Congresso em 1994. Se o Congresso não gosta do que ele mesmo aprovou, devia ter tomado providëncias.

Suponho que se os “Ronaldinhos” autores da matéria não fazem o seu trabalho direito, é porque estão fazendo um outro trabalho. Não é difícil imaginar qual seja.

Alguém pode me perguntar: mas o que o RA tem a ver com isso? Bom, ao selecionar esta notinha imprecisa e maldosa para seu blog, acho que ele é conivente com o mal-feito jornalístico. Ronaldinho, Reinaldinho, é tudo a mesma coisa quando se trata da Veja…

Deu no Estadão:

Muçulmanos da Malásia são proibidos de praticar ioga

A autoridade que regula a relação dos muçulmanos malaios com sua fé considerou que a ioga não é só um tipo de exercício físico, mas inclui elementos espirituais hindus, adoração e cantos

KUALA LUMPUR – O Conselho Nacional de Fátuas da Malásia emitiu neste sábado um édito religioso no qual proíbe os muçulmanos de praticar ioga, por considerar que este exercício contém elementos do hinduísmo que poderiam corrompê-los.
A autoridade que regula a relação dos muçulmanos malaios com sua fé considerou que a ioga não é só um tipo de exercício físico, mas inclui elementos espirituais hindus, adoração e cantos.

“Acreditamos que a ioga combina exercícios físicos com elementos religiosos como o canto e a adoração, com o propósito de conseguir a paz interior e, em última instância, unir-se a um Deus diferente ao dos muçulmanos”, disse o diretor do conselho, Abdul Shukor Husin.

“A ioga é inadequada, pode destruir a fé de um muçulmano”, acrescentou.

Fico me perguntando o que mais pode “destruir a fé de um muçulmano” segundo o “Conselho Nacional de Fátuas da Malásia”. Andar de Rolls-Royce? Voar em um Airbus? Usar um iPhone? Quem sabe, talvez, o simples pensamento de que existe um mundo não-muçulmano?

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Cuidado com o cão!

Lendo este excelente texto que me foi indicado pelo Ratapulgo, sobre os graffiti na Pompéia romana, encontrei o termo “latrinária”.  Ele é usado para designar o tipo especial de graffiti deixado por gente sem o que fazer em banheiros públicos.  Pesquisando mais um pouquinho descobri isto:

Grafitos de banheiro: um estudo de diferenças de gênero

Resumo 

Foram analisadas diferenças de gênero em grafitos de banheiro (N = 1349), focalizando-se aspectos da sexualidade humana. Grafitos foram coletados em banheiros de “cursinhos” pré-vestibulares e de uma universidade, localizados em São Paulo, SP, Brasil. Não foram encontradas diferenças de gênero significativas em termos de freqüência de grafitos sexuais. Contudo, a análise do conteúdo sexual das inscrições revelou diferenças significativas. Foi utilizado o Modelo de Regressão Logística para verificar quais categorias de grafitos sexuais diferenciavam homens de mulheres. Nos “cursinhos”, as categorias diferenciadoras foram “analidade” (B: 1,7560, gl = 1, p £ 0,01) e “xingamento” (B: 0,8843, gl = 1, p £ 0,01), temas preferidos pelos homens. Na universidade, as categorias diferenciadoras foram “xingamento” (B: 0,4445, gl = 1, p £0,05) e “elogio sexual” (B: -0,7654, gl = 1, p £ 0,05): os homens produziram maior número de xingamentos, enquanto que as mulheres realizaram mais elogios. “Xingamento”, portanto, foi uma categoria diferenciadora de gêneros nos dois ambientes: os homens se mostraram mais agressivos que as mulheres ao produzirem grafitos sexuais. Este resultado indica que pode haver alguma relação entre agressividade e sexualidade. 
Palavras-chave: Grafitos de banheiro, Diferenças de gênero, Sexualidade, Agressividade.”

Comprovando assim que existe gente que tem ainda menos do que fazer do que aqueles que escrevem em banheiros públicos.  Apenas superados, talvez, por quem procura essas coisas na Internet.

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Depois eu explico.  🙂

Achei lá no blog do Renato Cruz.

Visual interessante, mas…Kirk e Spock teenagers??  Isso me lembra o batalhão tebano.  Dessa vez rola!

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Delicious Toby

O Pedro Dória tem um post comentando sobre a proposta da, hum, “bela” ministra do meio ambiente equatoriana, para salvar a floresta amazônica equatoriana.  Nas palavras do próprio Pedro:

 

A bela ministra equatorenha do meio-ambiente, Marcela Aguiñaga, está circulando a Europa com uma proposta de baixo do braço. A maior reserva petrolífera de seu país está sob o solo da Floresta Yasuni, Reserva de Biosfera da UNESCO e parte da Amazônia. A pressão das empresas petroleiras para que o governo autoriza a exploração da área não é pouca e o petróleo já é a maior fonte de renda em exportações do país.

Aguiñaga propõe que o Equador se comprometa a não explorar o petróleo de Yasuni. Seria o primeiro país do mundo a abrir mão de uma reserva. Mas ela quer ser paga por isso. O petróleo do Equador seria vendido no mercado internacional de certificados de carbono e empresas européias, que buscam compensação para suas emissões, pagariam a conta.

O Pedro chama a atenção para um problema da proposta:

A dificuldade que ela e o presidente Rafael Corrêa encontram é simples: e se os sauditas exigirem ser compensados pelo petróleo que não produzirem? E se uma onda compensatória do tipo surge e o mundo pára de produzir petróleo mas continua esperando ser pagos pela energia que não é entregue? A ministra argumenta que o modelo serviria apenas para países que têm uma biosfera a proteger.”

Eu não entendo muito do mercado de créditos de carbono, mas acho que se TODOS os produtores resolvessem entrar nesse negócio, haveria uma hora em que o preço do petróleo ficaria tão elevado a ponto de nenhuma receita a partir dos créditos compensar a paralisação da produção.

Acho é que a proposta tem um outro problema: E se um próximo governo equatoriano achar que tudo isso é uma bobagem e resolver mandar brasa na perfuração na floresta?  Porque, veja, o fato de alguém pagar pelos certificados de carbono equatorianos não significa que o petróleo vai desaparecer de debaixo da terra.  Uma vez que o Equador tenha embolsado a grana dos créditos, o que exatamente impediria que um novo governo, soberano, mandasse os certificados às favas e começasse a comercializar o petróleo, sem devolver a grana faturada com os créditos?  Esse é um problema de enforcement, e não é dos menores.

De forma geral, na verdade, a proposta me lembra a campanha “Save Toby“:

Save Toby is a humor website. The premise of the site is that the website’s anonymous webmasters, will eat Toby, a pet rabbit, unless he receives $50,000 in donations to care for it. The website has also spawned a book, fully titled: Save Toby: Only YOU have the power to save Toby!”

Com a semelhança que nada impediria o dono do site de comer Toby no fim das contas.

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O GAO (General Accounting Office), que é um TCU turbinado lá dos gringos, elencou um conjunto de pontos que deveriam ser prioridade para a nova administração Obama, no seu entender.  São eles:

  1. Supervisão de instituições e mercados financeiros; 
  2. Atividades americanas no Iraque e Afeganistão; 
  3. Proteção do território dos EUA; 
  4. Descontrole da despesa com defesa; 
  5. Melhoria da imagem dos EUA mundo afora; 
  6. Finalização do planejamento do Censo de 2010; 
  7. Atenção aos membros das FFAA; 
  8. Preparação para emergências na saúde pública; 
  9. Reestruturar a supervisão da vigilância sanitária sobre alimentos;
  10. Reestruturar a abordagem atual sobre transportes de superfície;
  11. Descomissionamento do Ônibus Espacial;
  12. Garantir uma transição efetiva para a TV digital, e
  13. Reconstruir a prontidão militar das FFAA.

Quer dizer, só por que o cara é negão dão a ele um trabalho a mais que ao grego, pô.

[Já com o número do PT não, pois como todo mundo sabe o GAO é a ponta de lança do Foro de São Paulo nos EUA]

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Hoje de manhã, por motivos que não cabe relatar aqui, vi o filme “Alguém Tem que Ceder” em DVD. Um pouco depois falei com uma amiga que tinha visto o filme, e caí na esparrela, lá pelas tantas, de dizer que tinha achado o filme “um filme de mulherzinha”, apesar de ter gostado.

A resposta foi:  “mas PORQUE um filme de mulherzinha???????????

***

A diferença entre um chato quase certo e um chato provável é que o chato quase certo vê filmes com a “suspension of disbelief” desligada ou no mínimo apenas meio ligada, enquanto o chato provável está com ela à toda (há motivos pelo qual essa pessoa pode ser chata também, mas deixemos isso para um futuro post).  O chato quase certo, portanto, nasceu para ser crítico de cinema e não sabe disso.

Bem, antes mesmo de me informar sobre a ficha técnica do filme (o que só fiz depois de tê-lo visto), eu poderia jurar que a película havia sido dirigida por uma mulher, e que o roteiro certamente também havia sido escrito por uma mulher.  Só uma mulher, por exemplo, faria um personagem como Harry Sanborn, ainda mais interpretado por Jack Nicholson, chorar por amor (ou por quase qualquer outra coisa).  De fato basta acompanhar a melodia emocional do filme para saber que o mesmo foi feito por mulheres, para mulheres.

Pois é, batata:

A diretora Nancy Meyers também é roteirista do e produtora do filme. Ela escreveu a personagem Erica Barry especialmente para Diane Keaton.”

***

Que eu me lembre, essa foi uma lição que aprendi lendo um livro de autoria de Arthur C. Clarke intitulado “Mundos Perdidos de 2001”.   Apesar de pelo título alguém poder achar que trata-se de uma continuação de “2001 – Uma Odisséia no Espaço”, o livro é mais ou menos um relato do “making of” do filme, contendo também pedaços alternativos de cenas que nunca foram filmadas.  Isso é interessante, porque “2001” nunca foi um “livro que virou filme” _ livro e roteiro surgiram mais ou menos juntos.  O desconcertante no “Mundos Perdidos” é vermos os finais alternativos, que seriam, creiam-me, muito decepcionantes.  Ao que parece quem salvou o dia foi Carl Sagan, que teria sugerido aos autores evitar reprodurir seres alienígenas com formas antropomórficas.  O conselho de Sagan, aliado provavelmente ao fato de que virtualmente inexistiam técnicas de “computer graphics” capazes de enfrentar uma tela grande na época (o que retrospectivamente torna o filme ainda mais visualmente acachapante), foi diretamente responsável pelo grande charme do filme, que é seu final enigmático.

Esse final enigmático foi objeto de conversas por muitos anos no meu círculo de amigos nerds, pois ficávamos lá tentando entender o que Kubrick queria dizer com o filme, quando boa parte do que ele quis dizer foi meio involuntário, cinematograficamente falando.

***

O problema, é claro, é que é meio inevitável aplicar-se isso à vida real.

Religiões, por exemplo, são criadas por um tipo especial de roteirista, aquele que pensa que é um espectador mas vê o mundo com um tipo de senso crítico.  Portanto, eles vão formulando e reformulando o roteiro teológico à medida em que as, digamos, “limitações cinematográficas” forçam improvisações e soluções criativas.  Já a massa de fiéis é sempre formada por pessoas capazes de ligar no máximo sua capacidade de “suspension of disbelief“.

Então é isso: a fé na verdade é apenas uma “suspensão da descrença”.  Dizê-lo é fácil, mas demonstrá-lo assim rigorosamente é algo que exige algum método.

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(hat tip: Samurai)

Na Fox News, notícia de que Heidemarie Stefanyshyn-Piper, primeira astronauta mulher a comandar uma missão extra-veicular na ISS, deixou “cair” uma sacola de ferramentas enquanto tentava consertar uma junta dos painéis solares da estação espacial.   Trata-se do maior item já perdido por um astronauta em um passeio espacial, adicionando assim alguns quilos à já espantosa quantidade de lixo espacial em órbita da Terra.

Ainda bem que a ISS não tem pneus.  🙂

***

Fazem exatos 10 anos que as primeiras peças da ISS foram colocadas em órbita.   Uma década depois, o complexo está sendo expandido para suportar aguentar 6 astronautas simultaneamente, e o apartamento orbital terá a partir de agora duas cozinhas, dois banheiros e cinco leitos, além de vaga na garagem e vista para o Sistema Solar.  A um custo de 100 bilhões de dólares, é uma hipotecazinha pesada.

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Galvão e a vontade de preencher o vazio existencial

Rafael Galvão queixou-se amargamente deste meu post. O motivo? Este.

Não se preocupe, rafex. Você tem licença poética para liberar o seu furico metafísico e matar a racionalidade a golpes de bom humor de vez em quando.  Mas vê se não abusa.   🙂

“Eu sei que era errado, mas o mercado ficou lá, me provocando…”

Já ouviram falar do conceito de “seleção adversa”? É utilizado em economia para denominar um tipo de falha de mercado, comum no setor de seguros, onde um usuário de um serviço se autoseleciona por conhecer seu perfil melhor do que o fornecedor do serviço. Exemplo típico: se sei que estou com uma doença grave, procuro um plano de saúde para me tratar (dando uma de “carona” sobre os usuários que pagam o plano já há muito tempo e usam-no com pouca frequencia).

Pois é, sempre fico preocupado com manifestações da seleção adversa nas várias profissões com que nos defrontamos no dia a dia. Por exemplo: o barbeiro psicopata. O bombeiro incendiário. O policial corrupto. O ginecologista tarado.  O pundit anaeróbico com retenção anal.

Meet the ultimate threat, o animador de festas infantis pedófilo.  Deu no Globo:

Polícia prende animador de festas infantis acusado de pedofilia

RIO – Um dia depois da prisão de um americano acusado de pedofilia no Leblon , na Zona Sul da cidade, a polícia prendeu mais um homem acusado de abusar sexualmente de crianças no Rio. O animador de festas infantis Rogger Peixoto Lucas, de 40 anos, foi preso na manhã desta terça-feira por agentes da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) em seu apartamento, na Avenida Maracanã, na Zona Norte.

De acordo com a polícia, Rogger teria abusado de uma menina que ele teria conhecido num abrigo onde ele realizou festas infantis. Os abusos ocorreram por cinco anos. A menina, que hoje está com 17 anos, teria feito a denúncia de abuso ao saber que ele teria aliciado sua irmã, de apenas 12 anos.”

Qualquer semelhança é mera coincidência.

É quando as gatinhas já não te paqueram como antes mas você ainda não tem idade para usar a vaga para idosos no estacionamento da academia.

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OK, parem as rotativas!

A moça da direita na foto acima é Carol Miranda, sobrinha da cantora Gretchen que, para quem não sabe, é um patrimônio da cultura nacional (a inventora do conga-conga-conga, entre outras estrofes inesquecíveis da música popular brasileira).   Gretchen a indicou meses atrás como “Rainha do Bumbum” _ título, sabe-se agora, hereditário _ pois a nobiliarquia vinha sendo ameaçada por impostoras de fora do, digamos, círculo familiar da família Gretchen (como por exemplo por Andressa Soares, a mulher melancia, Grace Kelly, a mulher maçã, Daiane Cristina, a mulher jaca, Ellen Cardoso, a mulher moranguinho, e outras mulheres do reino vegetal de cuja existência podemos apenas suspeitar).

[Depois disso Gretchen confessou que Caroline é na verdade sua “sobrinha de consideração“, e não de sangue, o que causou certo escândalo na…bom, é difícil causar escândalo nesse meio]

A apresentação da herdeira à sociedade foi feito em grande estilo, com a moça de recém-feitos 19 anos cantando uma releitura de um antigo sucesso de Gretchen, agora intitulado, como pedem os novos tempos, de “Funk do Piripiri”.

Obviamente,  Carol não perdeu tempo e depois de fazer o ensaio “de rigueur” na Sexy Premium resolveu ir além e lançar-se no mundo da produção audiovisual ao aceitar estrelar um título da produtora “Sexxxy World” por um cachê de 500 mil reais _ quantia acima da média, pelo fato da musa declarar-se “virgem”.  Mas nesse caso, perguntará meu leitor mais afoito, como pode ela filmar um pornô?

Ah, a ingenuidade:

Carol Miranda topou. Mas em partes. Depois de receber uma proposta de R$ 500 mil da produtora “Sexxxy World” para ter sua primeira transa em frente às câmeras, a sobrinha de consideração de Gretchen aceitou fazer o pornô. Mas não vai perder a virgindade no longa-metragem, de 90 minutos.

A MC assinou a proposta para filmar “Fiz pornô e continuo virgem” na sexta-feira, 19, e já grava sua primeira participação no próximo fim de semana, em São Paulo. De acordo com sua assessoria de imprensa, Carol aparece em apenas uma cena e só fará sexo anal no filme, cujo tema são os anos 80.” [grifo meu]

Eu também fiquei me perguntando, leitor, porque motivo o filme tem como tema os anos 80, mas as arcanas razões para isso devem ser procuradas no próprio produto, para quem tiver essa curiosidade.  Mas vamos ao que interessa.

Declaração da cantora e atriz mostra a racionalidade por trás (ops) da decisão:

Estou sozinha, não estou namorando, e optei por fazer sexo anal. Vou fazer, continuar virgem e resolver minha vida. Depois, sei que vou encontrar uma pessoa bacana para ficar comigo e perder minha virgindade”, diz ela com ares de mocinha sonhadora. ” [grifo meu]

OK.  E depois tem quem reclame do “relativismo”.

[Mas sempre se pode recorrer, é claro, ao conceito de “virgindade técnica“]

É claro que não faltou quem observasse essa novidade: enquanto atrizes e outras celebridades veteranas começam a fazer pornô e só depois da estréia comecem “no anal”, como se diz no metiê, a jovem em questão inverteu a trajetória natural da carreira e começou pela heterodoxia, para só depois “entregar o ouro”.   São, talvez, os efeitos dos novos tempos.  Pensando bem, não deixa de ser um indício de uma possível revalorização daquela peça esquecida da anatomia feminina, o hímen.

Amiga minha de antigos carnavais gosta de contar que, quando na faculdade, uma das palavras de ordem da ala feminina do “movimento” era cantar a plenos pulmões o refrão “sexo anal derruba o capital“.   Sim, as moças rebeldes de antanho tinham o costume de preservar a “prataria” sem, no entanto, deixar de prestar tributo ao sexo livre.   Por algum motivo este comportamento, que no fundo (ôpa!) parece tão burguês, era entendido como profundamente (êpa!) revolucionário e contestador, talvez porque ao optar por uma forma de relação sexual desvinculada da reprodução humana seus praticantes imaginassem estar dando um tapa na cara de tudo isso que aí está.  Não podiam imaginar, é claro, que o Sistema seria capaz de criar Gretchen e o conga-conga-conga.

Não que Caroline Miranda esteja minimamente a par do caráter subversivo da sodomia:

Como a sua família reagiu?
Carol Miranda:
Todo mundo me apoiou. Foi uma proposta muito boa, e eu não sei se vou ter outra oportunidade como essa na vida.

Lavou, tá novo: eis a lógica a motivar todas as subprimes deste mundo.

(*)

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Tio Rei terceirizando sua fábrica de bobagens para Augusto de Franco:

Lula-aqui, Evo-ali, Obama-lá

Vale a pena ler o artigo de Augusto de Franco na seção Tendências/Debates da Folha. Seguem trechos:

Dentre os quais ele, com sua característica falta de noção, escolhe este:

A democracia não precisa de líderes extraordinários, super-homens, caudilhos carismáticos que eletrizam as multidões e arrebatam as massas em nome de um porvir radiante. A democracia, como dizia John Dewey, é o regime das pessoas comuns; sim, das ordinárias, não das extraordinárias.
(…)
Quem precisa de coisas extraordinárias, mitos fundantes (líderes ungidos, predestinados a cumprir um papel redentor), utopias fantásticas (reinos milenares de seres superiores ou regimes universais de abundância) são autocracias, não democracias.

Pois é, uma imagem vale por mil palavras, não?

Depois do 45x0 no Porco, o Estadão me sai com essa:

Juiz De Sanctis continua no caso Satiagraha, decide TRF-3

Pedido havia sido feito pela defesa do banqueiro Daniel Dantas, que alegava que o juiz era ‘imparcial’

SÃO PAULO – O Tribunal Regional Federal da 3ª Região decidiu por dois votos a um que o juiz da 6ª Vara Federal Fausto De Sanctis continua na condução da Operação Satiagraha, informou a assessoria do órgão ao estadao.com.br. A ação investiga o banqueiro Daniel Dantas, o megainvestidor Naji Nahas e o ex-prefeito Celso Pitta. O afastamento de De Sanctis foi requerido pela defesa de Dantas, réu por crime de corrupção ativa em ação penal sob responsabilidade do juiz. A defesa alegara que o juiz é parcial.

É muita felicidade, Senhor, eu não mereço.  Agora é só esperar Tio Rei espernear.

(entretanto muita água ainda vai rolar debaixo dessa ponte, há várias outras armas assestadas contra o juiz)

Agora, que ato falho é esse na manchete?

Pedido havia sido feito pela defesa do banqueiro Daniel Dantas, que alegava que o juiz era ‘imparcial’

Realmente, juízes imparciais são terríveis.  🙂

A única coisa mais chata que um ateu militante é um à toa militante.

Aceite sem pestenajar: boa parte de nossa literatura é formada por traidores e heróis.

(Borges até escreveu um conto intitulado “Tema do Traidor e do Herói”).

Embora a versão “pura” do herói, em si, atraia um certo fascínio infantil, a maturidade traz pensamentos mais sombrios sobre essa condição.  Como, por exemplo, o fato de que…

Can you avenge evil and not become it?

E de fato embora o arquétipo do herói apolíneo tenha sua popularidade, o herói maldito, ambíguo, também _ talvez ainda mais.  Porque o herói que combate o mal talvez tenha que compreender o mal para melhor combatê-lo.  E para compreendê-lo deve pensar como ele.  Isso significa que há sempre uma parcela do mal dentro do herói _ controlável, espera-se _ mas talvez nem sempre.  Aliás, sempre esperamos que o herói seja bastante malvado contra os maus.

***

Cosma Shalizi tem um post ótimo sobre estratégias evolucionariamente estáveis (EEE´s) e reciprocidade forte.  EEE´s são um conceito em teoria dos jogos e referem-se a estratégias que não são invadidas por nenhuma outra estratégia _ isto é, nenhum jogador jogando uma outra estratégia consegue incrementar sua população entre jogadores que jogam a EEE (se não ficou muito claro, por favor leia isto).  Reciprocidade forte refere-se a certas qualidades de estratégias que costumam ser vencedoras em torneios de estratégias _ principalmente à chamada “tit for tat”, que é, basicamente, uma estratégia onde o jogador joga recompensando o outro jogador por uma jogada cooperativa ou o castiga por uma estratégia “enganadora”.  A tit-for-tat, mostra-se, é bem robusta, e costuma ser a vencedora em um amplo conjunto de situações (embora nem sempre, como mostra o post do Cosma).  

Ele cita um exemplo de “dilema do prisioneiro espacial” onde as estratégias são postas para competir em uma simulação computacional de duas dimensões.  O resultado, narrado por ele, é muito interessante:

Spatial Prisoners’ Dilemma can give you very nice pictures, where there are clusters of very forgiving, cooperative agents, all being nice to each other, surrounded by a periphery of unforgiving TFT players, with completely uncooperative, defection-prone hordes beyond.

Não sei porque sempre que leio este texto me lembro de Hobbiton, com seu perímetro protegido pelos Andarilhos, com perigos cercando-os por todos os lados.

***

Isto tudo me veio à mente quando li este artigo do Physorg sobre tentativas de modelar a diversidade de personalidades humanas.  A questão é simples: porque será que personalidades variam, ao invés de a seleção natural selecionar apenas um tipo de personalidade?  A resposta: variação cria variação.  Leiam lá que é bacana.

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Filosofando a marteladas

Anteontem eu conversava com uns amigos quando um deles disse que gostaria de ver uma adaptação para o cinema de “Thor”.

Pois é, parece que a última moda em Hollywood é usar histórias em quadrinhos como inspiração para novos filmes.   O Den of Geek traz uma lista de 75 quadrinhos que podem acabar nas telonas nos próximos anos.  E _ surpresa! _ Thor está lá, com estréia prevista para julho de 2010.  Parece que Daniel Craig não quis poluir sua atual franchise de 007 com martelos e capacetes com asas e declinou o convite de interpretar o deus nórdico.

No meu post sobre a Islândia, tive a honra de receber a visita do Pedro, que pelo que entendi é um brasileiro que mora na Islândia.  Brasileiro vai parar em cada lugar, não é mesmo?

E o melhor é que ele tem um blog intitulado “Vida na Islândia“.  Muito interessante, tem várias galerias de fotos e até uma FAQ sobre…vida na Islândia.  Vale a pena uma visita (ao blog, é claro.  À Islândia imagino que também, mas parece que é preciso muito tempo e dinheiro para ir lá).

Tio Rei resolveu “redimir-se” do que disse perante as observações de um leitor seu a respeito daquele post que comentei aqui.  Mas há um bom motivo para tal ataque de humildade.  O leitor até começa bem:

15 estados norte-americanos (Califórnia, Texas, New York, Florida, Illinois, Pennsylvania, Ohio, New Jersey, North Carolina, Georgia, Virgina, Michigan, Massachussets, Washington e Maryland) concentram exatos 68,1%do PIB norte-americano (fonte: Bureau of Economic Analysis). Estes estados representavam 66,0% da população em jul/07 (fonte: US Census Bureau).

Os dois maiores estados brasileiros (SP e RJ) concentram 45,5% do PIB e representam 30,0% da população. Nos EUA, os 4 maiores estados representam 34,9% do PIB e 32,5% da população.

Bem, a renda aqui é mais concentrada do que nos EUA. Verdade inegável, como vemos pelos números.

Mas logo em seguida vemos porque Tio Rei resolveu dar voz ao rapaz:

A questão é saber como chegar lá. Será via bolsa-família? Proteção dos índios/quilombolas? Cotas nas universidades públicas? Ou será através da manutenção de instituições sérias durante décadas, sem mudanças espertas das regras do jogo no meio do caminho, na base da conveniência do coronel de plantão?

O rapaz parece ignorar que está falando do país que inventou a ação afirmativa.  Do país da GI Bill.  Do país que possui um gigantesco sistema de auxílio às pequenas e médias empresas.  Do país que ainda mantém em pé boa parte da infraestrutura social do New Deal.  Do país que criou as ferrovias transcontinentais por iniciativa governamental e depois fez a reforma agrária a partir de suas linhas.  Do país que faz política industrial, tecnológica e regional a partir dos gastos militares.  OK, de um país que “mantém instituições sérias durante décadas“. 

Infelizmente ele parece entender a expressão “instituições sérias” de forma errada:

Reinaldo, precisamos sim nos indignar pela concentração de renda no país. Mas não pelos motivos que se adivinham por trás das manchetes que vimos hoje. A concentração de renda não é fruto da ganância dos banqueiros e empresários, localizados no eixo sul-sudeste. A renda concentra-se onde a livre iniciativa é sufocada pela burocracia. Onde o cartório dita o ritmo dos negócios. Onde os impostos são usados para azeitar a máquina estatal, ao invés de reverter em serviços essenciais. Onde a inflação é a saída fácil para o difícil problema de equilibrar o orçamento.

Sei.

Bem, no geral, eu sou um crítico dos desperdícios governamentais.  Acho mesmo que haveria um enorme espaço para sua redução _ embora governo atrás de governo, mesmo o governo FHC com seu discurso sobre a reforma do Estado, tenham sido ineficazes neste particular.  Mas daí a insinuar que a iniciativa privada, livre leve e solta, promoveria a desconcentração de renda, vai um grau de suspension of disbelief só verificável em ficções científicas classe B.

Um país onde a capital da burocracia estatal representa 3,8% do PIB não vai resolver nunca o seu problema de concentração de renda. O District of Columbia representa 0,7% do PIB norte-americano. Enquanto tivermos um estado maior que o país, a desconcentração de renda será uma utopia oferecida como moeda em troca de votos.

Agora o rapaz maltratou os números.

D.C. pode ser responsável por apenas 0,7% do PIB dos EUA, mas por outro lado, também representa apenas 0,19% de sua população _ ao passo que o Distrito Federal, se representa 3,8% do PIB brasileiro, em compensação abriga 1,32% da população do Brasil.   Na prática, portanto, a capital federal norte americana morde uma parcela muito maior da renda nacional do que a capital federal brasileira.  Não é de se admirar, já que nos EUA a capital federal, District of Columbia, também apresenta o maior PIB per capita da federação…e de longe!  Isso me parece contrafactual o suficiente, já que ninguém parece disposto a afirmar que D.C. sufoque a livre iniciativa norte-americana.  Até porque, como estamos vendo  ultimamente, essa parece ser bastante capaz de sufocar-se a si mesma quando deixada entregue aos seus próprios desígnios.

***

Portanto, Tio Rei, nice try.  Você quase pareceu ser mesmo um blogueiro capaz de redimir-se de seus atos mais tresloucados.  Infelizmente, parece que só é capaz disso quando alguém o censura em nome de uma tese ainda mais obnóxia do que as suas.

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Pra quem receava que o Apostos convocasse um melancia para substituir aquela frutinha, o Sergio Leo foi para o Verbeats.  🙂

Pensei que a esta altura Tio Rei iria estar estrebuchando contra a anistia dada a João Goulart.  Claro, afinal periga do gaúcho até sair da tumba e concorrer à presidência em 2010.

Mas não, as preocupações de Tio Rei são outras:

E daí?

Ai, que preguiça, diria aquele…

O IBGE divulgou a informação de que 78,7% do PIB do Brasil se concentram em oito unidades da federação: São paulo, Rio, Minas, Rio Grande do Sul, Paraná, Bahia, Santa Catarina e Distrito Federal.

O número, embora em queda, está sendo tomado como evidência da concentração da riqueza no país. É mesmo, é? A população brasileira deve andar perto de 190 milhões. Esses estados (mais DF), juntos, somam 118,4 milhões de pessoas – 62% da população do país.

O que há de errado em 62% da população do país responder por 78,7% da riqueza? Nada.

Nada, se não considerássemos a estrutura interna desta distribuição. Porque aqueles 21,3% do PIB que sobraram, evidentemente, não estão igualmente distribuídos entre os 38% restantes da população do país. Nem os 76,7% estão igualmente distribuídos entre os tais 62%.

Daí que a conclusão correta é que esta forma de medir a desigualdade não é das melhores.  A conclusão errada é a de que ela ou não importe ou não exista.

Ai, que preguiça.

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Aham:

Bush defende livre mercado de críticas de excesso de liberdade
Presidente dos EUA pede reformas moderadas, enquanto europeus e emergentes querem normas mais rígidas

O presidente George W. Bush está a postos para defender o livre mercado das críticas de excesso de liberdade. Falando à frente da primeira sessão formal do G-20 (grupo formado por países emergentes e desenvolvidos), neste sábado, Bush disse que os líderes estavam comprometidos com os princípios de livre comércio e abertura de mercados, informa a rede CNN. Ele ainda afirmou que houve progresso desde o almoço de sexta-feira na Casa Branca. “Tivemos uma boa discussão franca na noite passada”, declarou o presidente americano. “Há algum progresso sendo feito, mas ainda há muito trabalho a ser feito.

Lembram do Dead Parrot Sketch?

Pois é, um professor americano descobriou que a piada tem 1.600 anos e já era contada por uma dupla de comediantes gregos, Hierocles e Philagrius.

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No Financial Times:  “Carta da Islândia“.

(…)We live now in a foreign-currency lockdown, and although the government has assured everyone that there are sufficient reserves to buy essentials such as oil, grain and medical supplies for the winter, such assurances only serve to create a further sense of unease in a people who have learnt to take such commodities for granted.

There is some encouraging news. The International Monetary Fund is putting the finishing touches to a $2bn bailout package and this is likely to lead to a further $4bn from a consortium of Nordic central banks. These funds will come with stringent conditions that will impose external financial controls and impinge heavily on Iceland’s hard-won sovereign independence. But they should inject some much-needed confidence into the currency and into an embattled people.

There is an Icelandic expression: “We started with two empty hands.” Whoever coined it could not have expected that it would still be so pertinent in 2008, as the nation begins the process of rebuilding its economy and that thing it covets most of all, its reputation.

It is going to be a long, hard struggle.

***

Os islandeses estão tentando de tudo para comover seus principais credores, os ingleses.  Até jogar pesado.

Interessante:

Early Islamic Scholars on the Division of Labour

A scholarly article in the Journal of Institutional Economics, 2008, vol 4: 3, pp 403-413, ‘Nasir ad Din Tusi on social co-operation and the division of labour: fragment from The Nasirean Ethics’ by Guang-Zhen Sun (Monash University, Victoria, Australia) contains interesting material on a neglected part of the history of scientific endeavour:

“In particular, al-Ghazali (1058-1111), ‘unquestionably the greatest theologian of Islam and one of its noblest and most original thinkers’ (Hitti, Philip K. 2002: 431 [History of the Arabs, 10th edition, Palgrave Macmillan, New York]), makes some observations of the vertical division of labour that strikingly resemble Adam Smith’s in an interesting manner. In his most important book, Ihya Ulum al-Din (Revivification of the Sciences of Religion), al-Ghazali wrote:

For a bread, for example, first the farmer prepares and cultivates the land, then the bullock and tools needed to plough the land. Then the land is irrigated. It is cleared from weeds, then the crop is harvested and grains are cleaned and separated. Then there is milling into flour before baking. Just imagine – how many tasks are involved; and we here mention just only some. And imagine the number of people performing these various tasks, and the number of various kinds of tools, made from iron, woods, stone, etc. If one enquires, one will find that perhaps a single loaf of bread takes its final shape with the help of perhaps more than a thousand workers.’ (Ihya, 4:118; quoted inGhazanfar and Illahi, 1990: 390; ‘Economic Thought of an Arab Scholastic: Aby Hamid al-Ghazali, 1058-1111’, History of Political Economy, vol. 22: 381-403)

Compare com Smith:

““How many different trades are employed in each branch of the linen and woollen manufactures, from the growers of the flax and the wool, to the bleachers and smoothers of the linen, or to the dyers and dressers of the cloth!

Lembram-se de quando o preço do barril bateu nas alturas e começou um intenso debate sobre se havia ou não especulação?  Pois é:

How Oil is Actually Priced: Be Worried

A recent article published in the Asia Times by former oil market regulator Chris Cook and posted below argues that all oil prices take their clues from the Brent spot price, a price that could be easily manipulated. Cook therefore believes the prices of all traded oil contracts, including WTI itself could suddenly decline in a way similar to the decline in mortgage backed securities that are highly leveraged to the relatively small amount of bad mortgage debt written over the past few years.

Cook states that the U.S. WTI contracts are linked by strong arbitrage trades to the European Brent/BFOE futures contracts which in turn are priced directly off the spot cash market for shipload quantities of oil in Europe. Thus, he says, virtually all futures prices depend on the European spot market. Unfortunately, this spot market is very thin and thus subject to manipulation which could either be intentional or accidental based simply on speculative greed. Cook claims that $260B of contracts including “structured products” rest on a base of only $4B of actual cash trades. In other words, he suggest that at some point oil could become like tulips were in the 17th century.

Adding to his alarm is the fact that the cash trades do not take place on any exchange. There are no records of which trades are done by which individuals. Even if the individuals were known, there is no regulatory mechanism in place to monitor or control the fairly small quantity of oil-for-cash trades.

Mr. Cook foresees the return of rabid speculation to the oil pits and fears it will result ultimately in a collapse. Whether such fears are justified or not it seems reasonable that there should be more transparency and oversight of the spot oil market than what apparently exists.”

No auge da coisa o Krugman disse que o preço estava sendo guiado pela demanda mesmo, e escreveu até um paper contrário à teoria da especulação ( a Veja também embarcou nessa ).  Mas acho que nem mesmo a crise pode explicar uma variação de mais de 140 dólares o barril para os atuais 60.

***

Por outro lado…peak oil à mexicana.

Deu no UOL:

O cineasta Guillermo del Toro será o produtor de uma nova versão cinematográfica do clássico Pinóquio. O filme será feito em stop motion e baseado no roteiro de Carlo Collodi e Gris Grimly, com uma abordagem mais sombria da história.

Tinha ouvido falar que o Toro estava com um projeto de filmar “Nas Montanhas da Loucura” de Lovecraft _ o que seria um feito similar ao do Peter Jackson filmando LoTR.  Será que ele desistiu?

Várias obras do argentino, em espanhol, de grátis!

Rio de Janeiro, “City of Splendour” _ Traveltalks, 1936

(o pior é que eu conheci o Pavilhão Mourisco, que aparece aos 4:50 minutos, e a Praia de Copacabana antes do aterro, que aparece aos 5:00 minutos)

Curiosidade: um Traveltalk mais antigo do Rio (1932), com essencialmente o mesmo roteiro mas outro nome (“Rio the Magnificent”), só que em preto e branco.

Outra curiosidade: “Roberto Carlos em ritmo de Aventura“, de 1967 – um passeio de helicóptero com um piloto que hoje seria certamente preso.  Repare no Palácio Monroe, e também no terreno baldio que existia antes de construírem o Shopping Rio Sul.  Se eu bem me lembro, nos anos 70 ali funcionava uma danceteria chamada Tropicana (o shopping foi inaugurado em 1980).

(mas encontrei um relato de que a Tropicana funcionava no Canecão.  O sujeito é uma alma irmã, pois também tive a mesma reação que ele quando surgiu a discoteca _ “achei isso tudo muito esquisito! Aquilo num era dança de homem!” _ e a Tropicana foi um divisor de águas entre o papai aqui e uma turminha que eu frequentava na época, pois preferi seguir solitário nas águas revoltas do rock’n’roll).

(sei lá, vai ver no tal terreno baldio funcionava algum circo).

Os paulisstass andam tendo orgasmos com esse vídeo do YouTube.  Repare nos “típicos conjuntos residenciais” aí pelos 9:50 minutos mais ou menos.  O visual é um tanto fascista; natural, para algo filmado no auge da ditadura getulista.

Faith based banking

Tio Rei, babejante e desmemoriado:

O pobrismo é o outro lado da bundalização

Lula e Marisa Letícia deram para o papa um presentinho que retrata retirantes nordestinos. É mesmo?

O pobrismo é o outro lado da bundalização no Brasil. Na versão erótico-exaltatória, temos a bunda e a ginga da mulata. Na versão vitimista-resistente-expiatória, o retirante.

Lula, claro, mais uma vez, como sempre (ver um dos posts abaixo), está exaltando a si mesmo. Como sabem, ele vive a lembrar essa condição.

Aí um tonto logo poderia dizer: “Alguma coisa contra o Nordeste?” Nada! Ao contrário.

Por que ele não deu para o papa um livro de Gilberto Freyre, de Joaquim Nabuco, de João Cabral de Melo Neto, de Graciliano Ramos, de…

Tio Rei, sua anta…já se perguntou o que o Papa ganhou de FHC?

Pois é, quando João Paulo II veio ao Brasil, a Dona Ruth Cardoso cismou de dar declarações apoiando a lei que regulamentava, entre todas as coisas…o aborto nos hospitais públicos.  Isso um dia antes do desembarque papal.  Evidentemente, as coisas ficaram tensas entre a Santa Sé e o governo brasileiro, FHC levou puxões de orelha da maioria dos bispos e tal.  Para remendar as coisas

Numa espécie de prestação de contas informal, o presidente deu de presente a João Paulo II um exemplar do Programa Nacional dos Direitos Humanos e do projeto Toda Criança na Escola.

Vai ver pra demonstrar que apesar de abortista o governo tucano amava as crianças.

Bundalização é isso.

Tudo correndo bem, a NASA lançará nesta sexta mais uma missão até a Estação Espacial Internacional, ou ISS em inglês.

A missão é importante porque carrega mais um toilette a ser fixado à estrutura da estação, além de novas acomodações para astronautas, permitindo que se dobre a tripulação da ISS.  Também farão reparos nas juntas que permitem que os painéis solares fiquem permanentemente voltados para o Sol, garantindo assim a geração de energia do complexo.

Mas a estrela da festa é o dispositivo que os astronautas apelidaram de “cafeteira”. Trata-se de um equipamento responsável pela purificação e reciclagem da água para reutilização.  O que significa, é claro, que o aparelho reciclará a urina dos próprios astronautas, uma perspectiva que não cai bem com todo mundo, mesmo experimentados lobos do ar.

Inquirida sobre o assunto, a doutora Sandra H. Magnus, que irá substituir um dos astronautas que atualmente ocupam a estação e ficará lá por 3 meses e meio, explicou que não vê problemas na coisa.   Afinal, toda a água que usamos no banheiro volta para a Natureza e ali é reciclada, portanto, o que ocorrerá no sistema hídrico da ISS é o mesmo que acontece na Terra, apenas em uma escala de tempo diferente.

***

Uma das decisões que o governo Obama terá que tomar é: o que fazer da estação espacial?   A única forma que os EUA têm de chegar lá é através do Space Shuttle _ mas o programa Space Shuttle já está marcado para chegar ao fim.  A Lookhead Martin já parou de fabricar os tanques de combustível externos (e não-reutilizáveis) que permitem a decolagem do ônibus espacial, e assim que os últimos exemplares forem utilizados, a frota dos Space Shuttles será uma peça de museu _ o que deverá ocorrer por volta de 2010.  E o projeto Orion, a nova espaçonave que deverá substituir os ônibus, não ficará pronta até bem depois do último vôo de um Shuttle (última estimativa, 2014-5).  O que significa que por um apreciável período de tempo a única forma de qualquer das nações que bancam a ISS aportar por lá será através de uma Soyuz russa.

Há uma ampla pressão da comunidade científica americana para que simplesmente se abandone a ISS, tida como uma das piores decisões já tomadas pela NASA.  A ISS custa 2 bilhões de dólares por ano; a frota de Shuttles, que atualmente praticamente só tem uso para manter a ISS, custa 4 bilhões ao ano.  Apesar desse expressivo gasto (os EUA bancam o grosso do custo da estação e o custo integral das Shuttles), o retorno em termos de ciência é muito baixo.  Mesmo os conhecimentos sobre a permanência em longo prazo de seres humanos no espaço já haviam sido estabelecidos pelos longos anos de funcionamento da estação espacial MIR russa.

O que aprendemos com tudo isso é: a manutenção de seres humanos no espaço é muito cara e muito perigosa.  Não podemos escapar facilmente da realidade de que somos organismos especialmente adaptados para viver sobre a casca do ovo terrestre, e não nos damos muito bem com ambientes sem oxigênio, com alta radiação e gravidade zero.  De fato, há uma boa chance de que um ser humano que fique muito tempo no espaço simplesmente não consiga retornar à superfície do planeta, ao menos não sem sequelas permanentes.  E ninguém sabe como a falta de gravidade afetaria um ser humano concebido no espaço.

Por este motivo _ e também pelo sucesso extraordinário das missões robóticas não tripuladas a outros planetas, como a Cassini/Huygens a Saturno e as inúmeras sondas dirigidas a Marte, inclusive as duas Mars Rovers que estão lá funcionando há 3 anos _ não existe realmente base racional alguma para a continuidade do programa de exploração espacial tripulada.

O problema é saber se a administração Obama reconhecerá estes problemas.  Aparentemente, Obama vinha alimentando a idéia de manter a ISS e apressar a conclusão do Orion, ao mesmo tempo dando algum dinheiro para estender um pouco a vida útil dos Shuttles.   A crise financeira, porém, pode mudar esses planos.  Há ainda um grande problema político envolvido, que é a relação entre os EUA e a Rússia, a qual vem se deteriorando nos últimos tempos, começando com a idéia idiota de Bush de instalar um sistema anti-mísseis na Polônia sob a alegação pífia de proteger os EUA de um ataque iraniano, e piorou bastante com a reação americana aos eventos na Georgia _ os quais cada vez mais parecem ter tido origem em uma conspiração neocon.

Ou seja, diante da provável maior escassez de recursos, uma extensão da sobrevida da Shuttle canibalizaria recursos do Orion _ apenas adiando, portanto, a dependência americana dos russos.  Deixar a Shuttle morrer disponibilizaria recursos para a aceleração do desenvolvimento do Orion _ mas significaria criar uma dependência perante os russos a partir de 2010.  Eis posto o dilema.

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O prefeito de uma cidade turca resolveu processar Chirstopher Nolan e a Warner Brothers por terem usado o nome “Batman” no filme “Batman”.   O motivo?  Bem, o nome da cidade que elegeu o prefeito é…Batman.  E ele alega que o filme tem causado problemas de ordem psicológica à cidade, como, por exemplo, o aumento da taxa de suicídio entre as mulheres.

Talvez o que explique a taxa de suicídio seja o crescimento do fundamentalismo muçulmano na Turquia.  Mas de qualquer forma, não deixa de ser um contra-ataque original, ainda que provavelmente ineficaz, ao tipo de sacanagem que a indústria do audiovisual vem preparando contra seus consumidores.

Aham:

The Obama of Brazil
He came from the left and poverty, but da Silva rules from the center, as Obama must.

Like Barack Obama, Brazil’s president rose to power from poverty and the political left. But during six years in office, he has ruled from the center, tapping Brazil’s market strengths, earning him world respect. When the two men finally meet, it may be President Luiz Inácio Lula da Silva – or “Lula” – who teaches Mr. Obama a thing or two.”

Parece que o Christian Science Monitor resolveu sacanear o Daniel Piza.

(hat tip: Sebastião, comentarista lá no post do DP)

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Abramos as portas aos refugiados!

No Naked Capitalism, uma boa cobertura da crise islandesa _ pra quem não sabe, os bancos islandeses entraram firme no cassino financeiro, e quando começaram a dar mostras de pouca saúde financeira…bem, a Inglaterra usou a lei antiterrorismo (!) para bloquear os recursos deles que estavam em solo britânico, enquanto o governo islandês não se responsabilizar pelos depósitos de clientes ingleses no Icesave.  Como se não bastasse, a Inglaterra também está agindo por debaixo dos panos para bloquear o empréstimo do FMI à Islândia.  É claro que o governo islandês não está nada satisfeito _ cálculos indicam que assumir essa dívida equivalerá à Islândia ter que pagar, per capita, 3 vezes o que a Alemanha teve que pagar aos Aliados após a Primeira Guerra.  Os islandeses lembram que isso é uma injustiça para com o histórico aliado, já que os valorosos pescadores islandeses enfrentaram os submarinos alemães para pescar o peixe que a Inglaterra importava, etc.  Ao que os ingleses, caracteristicamente, retrucam:  drop dead.

Agora, isso aqui é impressionante:

Opinion polls in Iceland indicate that one third of the population is considering emigration. Further economic hardship due to Icesave obligations may make that expression of opinion a reality. Meanwhile, many companies are facing bankruptcy and others are contemplating moving their headquarters and operations abroad.” [grifo meu]

Na verdade, imagino que enquanto um terço da população quer emigrar, um outro terço esteja considerando seriamente a possibilidade de vestir um chapéu com chifres, pegar seu Drakkar e ir saquear a Inglaterra, como nos velhos tempos.

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Ele roubou o Natal

Bom, talvez seja apenas coincidência que logo após as duas maiores varejistas de eletrônicos dos EUA entrarem em pane (a Circuit City bateu às portas do regime de concordata e a Best Buy confessou que também não está passando muito bem), o pessoal do Clusterstock me saia com essa manchete:

Citi (C) Cancels Christmas (C)

Wall Street’s war against Christmas continues. Today Citi informed employees that it was canceling the bank sponsored holiday parties. Managing directors at the bank have been urged to donate money that would have been spent on the holiday parties to charity. The bank says the move acknowledges “the many many people less fortunate than ourselves this holiday season.“”

Infelizmente, porém, acho que não é coincidência.

Paulo, Paulo, como é mesmo que era aquela história do Natal?

Mais um post nesta longa série.  Comentando notícia da Reuters dizendo que Obama propóe trazer o Irã para a mesa de conversações a respeito dos Talibans no Afeganistão, Tio Rei se sai com esta:

Será que a volta da velha política cínica do “ditador bom é ditador que é nosso amigo” — quando, dizem, o conservadorismo americano era inteligente — voltará a ser influente? Parece que é assim que “Press”, que substitui o unilateralista Barney, pretende que o mundo seja lido.

Diálogo com Irã — um dos maiores financiadores do terrorismo islâmico no mundo e ameaça real à estabilidade da região por causa de seu programa nuclear — para conter o terrorismo dos talebans? Uau!!!

Como assim, a “volta”?  Em que momento de sua história os EUA não tiveram países não-democráticos como amigos?  Já na Guerra da Independência buscaram apoio na monarquia espanhola.  De lá pra cá não mudaram muito _ Bush, por exemplo, se aproximou da ditadura paquistanesa e até deixou que o Paquistão explodisse umas bombinhas nucleares (por algum motivo a bomba atômica real paquistanesa é menos perigosa do que a bomba atômica imaginária iraniana).  E será mesmo que Tio Rei não sabe que o maior financiador do terrorismo islâmico é a Casa de Saud, os dirigentes do “aliado” Arábia Saudita? 

***

Hoje vimos uma coisa interessante:  Tio Rei entrando em pane total ao ter que confrontar comentários de seus próprios leitores fiéis que ficaram horrorizados ao descobrir que Reinaldão NÃO é um libertário _ muito pelo contrário, acha que existe um jeito cristão de matar e que a tortura é justificável em certos casos.

Por acaso, descobri por aí um blog bem interessante e engraçado: Corporativismo Feminino.

Ele bem que é capaz de ensinar uma ou duas coisas a nós, cuecas.  Aliás, vocês que ainda estão “no mercado”, não deixem de ver o resultado da enquete que está em andamento (“O que é uma bola fora no primeiro encontro?” _ naturalmente, do ponto de vista DELAS).

Assim, e também para testar uma feature do WordPress que eu nunca havia usado, aí vai a enquete “o que é uma bola fora no primeiro encontro” do ponto de vista cueca:

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Aqueles de vocês que andam lendo os jornais americanos possivelmente terão percebido o aumento da popularidade da expressão “to hit the ground running“, em geral no contexto da transição de poder na Casa Branca, onde a nova equipe terá que assumir em meio a um ambiente de crise e sem tempo para se acostumar com as correias transmissoras do poder.

[a expressão se traduz, grosso modo, por “cair no chão correndo” _ mas eu não conheço uma versão autóctone da mesma, se alguém conhece por favor se manifeste]

Ao lê-la, pensei em fazer um grande post sobre como nações profundamente militaristas possuem em sua própria linguagem do dia a dia expressões derivadas do jargão militar.  Quebrei a cara:

Hit the ground running’ didn’t originate in WWII, as is often reported. The literal use of this phrase saw the light of day sometime toward the end of the 19th century in the USA. An early citation of it is found in a whimsical story which was syndicated in several newspapers, including The Evening News, 23rd April 1895, in a piece headed ‘King Of All The Liars’ (and should their readers have not got the picture from the text, they were kind enough to provide one):

I turned to run and figured to a dot when he shot. As he cracked loose I jumped way up in the air and did a split, just like what these show gals does, only mine wasn’t on the ground by six foot. The bullet went under me. I knew he had five more cartridges, so I hit the ground running and squatted low down when his gun barked a second time.

O que mostra que um charuto às vezes é apenas um charuto, de fato.

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