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A banana republic with nukes

_ Paul Krugman

***
Megan McArdle, incompreensível:

A journalist friend who spends way more time on politics than I do suggests that if the Democrats cave and include a capital gains tax, it will probably pass–but puts the odds of the Democrats caving at slim to none, since they can now blame any resulting crash on the Republicans.

I didn’t think it was possible to be more disgusted with politicians than I usually am, but I find it impossible to express the seething contempt that I feel at this kind of opportunism.  I don’t mind when they screw with the normal operation of the economy for venal personal gain.  But risking a recession in order to get a cut in the capital gains tax?  Letting it tank because you can always blame it on the Republicans?

Acuma? “you can always blame it on the Republicans“???????

Quadro dos votos na House of Representatives:

Democratas: 141 sim,  94 nâo
Republicanos:  66 sim, 132 não

WTF???

But you get it.  Os democratas são culpados por não terem incluído no pacote o que os republicanos queriam, isto é, mais cortes de impostos para os bem de vida.  Por algum motivo os republicanos não são culpados por não aceitarem o pacote sem o corte dos impostos.  Funny.

***

E com este post inauguro uma nova categoria, coisa que não fazia há tempos:  F.U.B.A.R.

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FUBAR:

 

Lehman’s demise triggered cash crunch around globe

Decision to let firm fail marked a turning point in crisis.

Two weeks ago, Wall Street titans and the government’s most powerful economic stewards made a fateful choice: Rather than propping up another failing financial institution, they let 158-year-old Lehman Brothers Holdings Inc. collapse.

Now, the consequences of that decision look more dire than almost anyone imagined.

Continua abaixo.

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O pouso eh uma queda controlada.

A decolagem eh o contrario disso.

Por aí:

a) Hank Paulson, secretário do Tesouro e ex-funcionário da Goldman Sachs, fez o bail-out da AIG (uma empresa de seguros), mas deixou o Lehman ir pro saco.  Agora, descobre-se que Goldman Sachs era o maior parceiro comercial da AIG.  Hummm.

b) Para quem tinha calafrios ao pensar que um reles operador quase quebrou uma casa como a Societé Generále, talvez não seja muito reconfortante saber que foi uma minúscula filial da AIG a responsável pela quebra da empresa-mãe _ a A.I.G. Financial Products, filial londrina da AIG, dirigida com mão de ferro e quase completa autonomia por um executivo que trabalhou na Drexel Burnham Lambert, célebre protagonista da crise dos junk bonds na década de 80.  A unidade londrina, com 377 funcionários, pagava em média mais de um milhão de dólares a cada funcionário _ e o fez por 7 anos.

c) Aventa-se a hipótese de que o Lehman, por sua vez, vendia CDS (credit default swaps, uma espécie de seguro contra falta de pagamento) para si mesmo _ o que por incrível que pareça é um bom negócio.  Pro Lehmans.  Sinal de que a situação da indústria financeira chegou a um ponto que faz gente como Robert Merton chegar a este tipo de tatibitate:

(…)the solution for society would not be to rid financial institutions of highly trained, innovation-oriented financial engineers. Rather (…) management teams, boards of directors, and regulators needed much more such expertise in their own ranks so they could understand the products they were offering and acquiring—as they so apparently did not in the recent past.” [grifo meu]

Causando comentários como esse em certas caixas por aí:

It seems odd that banks, which rely on confidence for their very existence, consider that innovating some new product that no-one clearly understands the fully implications of, and then converts a significant portion of their assets into these before they have truly been tested in the marketplace for a significant period of time (especially at least one downturn of the asset on which the derivative is based). If I had the same attitude about testing our products at work I would have been sacked a long time ago, and my work has only limited implications to our customers in most circumstances.”

Mas de minha parte tenho que reconhecer que a indústria farmacêutica inteira é construída sobre bases muito semelhantes.

d) A semana começa com intervenções bancárias na Inglaterra e nos Países Baixos.  E ninguém está ainda muito certo de que o pacote de salvamento norte-americano será aprovado no Congresso.

O Paulo do FYI veio aqui me dizer o seguinte:

Vc so quote other people, critica deus e o mundo e quando finge dar opiniao fica em platitudes.”

Bem, Paulo não parece saber de onde vem a palavra “blog“.  Se soubesse, perceberia que citar outros é um expediente bastante comum em um blog _ alguns diriam até essencial.  De fato, é até interessante notar que o Paulo usa extensivamente citações de outrem, embora, por algum motivo que deve pertencer à ordem do psíquico, exaspere-se terrivelmente ao ver esta técnica empregada em blogs alheios.  Fazer o quê.

Quanto a criticar “deus e o mundo”, sempre me pareceu que eu criticasse mais Deus que o mundo.  Claro, eu poderia escrever um blog extremamente deferencial, que apenas reunisse notícias boas e elogios sobre pessoas e eventos.  Só que neste caso eu teria outro emprego: seria um colunista social.  Por outro lado, novamente parece que o Paulo é chegado naquela idéia do “faça o que eu digo mas não faça o que eu faço”, a julgar pela “tag cloud” do seu blog, generosamente montado pelo WordPress e disponibilizado no blog dele por ele mesmo.  Por algum motivo (da ordem do psíquico??), parece que o que o Paulo mais gosta é falar sobre o que não gosta.  E acho que não é pra elogiar.

Quanto a essa recorrente indisposição do Paulo sobre minhas opiniões…bom, ainda bem para os parentes dele que eu só finjo ter opiniões.  Imaginem se eu as tivesse _ ele era capaz de ter uma síncope.

Hilário.

Primata ou ungulado?

Na mídia americana consagrou-se o hábito de analisar, além das falas e posições dos candidatos em debates políticos, também a sua “body language“, isto é, linguagem corporal.  Pundits de ambos os lados do espectro político norte-americano focaram quase que imediatamente no fato de que McCain não olhava para Obama durante o debate, o que foi lido pelos analistas como “contempt“, isto é, desprezo.

David Broder, articulista da Time, inovou e foi buscar inspiração na primatologia: escreveu um artigo intitulado “McCain as the Alpha Male” _ “McCain, o macho alfa“.  O conceito, que deriva da etologia, diz que o macho alfa é, simplesmente, o animal macho que domina o bando no contexto de animais sociais (sendo que em alguns tipos, como os elefantes, o que existe é a “fêmea alfa”).  Embora concedendo não ter havido um vencedor claro no debate, Broder usa o conceito de “macho alfa” para “mostrar” que o comportamento de Obama vis a vis McCain mostrou que McCain poderia ser o “macho alfa” entre os dois, ou seja, o macho dominante _ e que sua postura física indicava isso:

It was a small thing, but I counted six times that Obama said that McCain was “absolutely right” about a point he had made. No McCain sentences began with a similar acknowledgment of his opponent’s wisdom, even though the two agreed on Iran, Russia and the U.S. financial crisis far more than they disagreed. That suggests an imbalance in the deference quotient between the younger man and the veteran senator — an impression reinforced by Obama’s frequent glances in McCain’s direction and McCain’s studied indifference to his rival.” 

Francis de Wall é um primatologista, entretanto, e não gostou do que leu:

A confident alpha male chimpanzee would never show studied indifference. I have seen such behavior only in males who were terrified of their challenger…. A self-confident alpha male just approaches his challenger and sets him straight, either by attacking him or performing a spectacular display of his own. No avoidance of eye contact: he takes the bull by the horns. It rather is the hesitant or fearful alpha male who avoids looking straight at the other…. I read the body language between McCain and Obama as that between a senior male being challenged by a remarkably confident junior one. The senior didn’t know exactly what to do. He avoided eye contact and body orientation, probably realizing that a direct confrontation might not go his way. If McCain was an alpha male, it was an incredibly insecure one…

De qualquer maneira,  o dia seguinte pareceu mostrar empiricamente que alfa e beta ou estão trocados ou não são indicadores confiáveis nessas horas:

Obama abre dianteira de oito pontos sobre McCain

Chris Carlson/AP
Sondagem divulgada neste domingo (28) pelo instituto Gallup informa que Barack Obama ampliou a vantagem que o separa do rival John McCain.

Segundo o instituto, Obama dispõe agora de 50% das intenções de voto, contra 42% atribuídos a McCain. Uma dianteira de oito pontos percentuais.

Os resultados emergem de pesquisa telefônica feita pelo Gallup. Chama-se “tracking”. O instituto ouve diriamente algo como mil eleitores. E consolida os resultados a cada três dias.

Esta última consolidação, que tem margem de erro de dois pontos (para mais ou para menos), inclui a opinião de 2.719 eleitores ouvidos entre quinta-feira (25) e sábado (27).

Um período em que os americanos foram submetidos a dois fatos relevantes na formação da tendência de voto:

1. A negociação do pacote de socorro a Wall Street, que despeja R$ 700 bilhões do contribuinte americano em papéis podres de instituições financeiras;

2. O primeiro debate televisivo entre os dois candidatos, realizado na noite de sexta (26).

Uma seleção.  Você pode conferir a versão integral aqui. Mas realmente só tem graça para quem está muito por dentro do metiê.

Minhas preferidas vão em azul:

Bear Stearns Farm :

You’ve got two cows. It happens you’re playing golf while the first one escapes. You don’t give a shit. Cousin Jamie comes with uncle Ben and they steal your second cow, but you may as well keep playing bridge, ‘cos you still just don’t give a shit.

UBS Farm :

For ages, you had two plain vanilla traditional swiss cows. Ten years ago American farmers started to breed tantamount structured cows, producing tons of that new ponzi milk powder. After years of regretting not to participate in the bonanza, you came to get into structured milking just at the time where people figured out milk powder is just plain shit. In the meanwhile, the Food & Drugs Administration sues you for the 1st class swiss milk you’ve been pumping out of the US since farming was invented.

Fannie & Freddie Mortgage Farms :

You’ve got two cows, but they are starving, so your friend Henry comes up with a great plan : your cows will drink their own milk. This is where you explain Henry that they already do, since the beginning of the business.

Merrill Lynch Farm :

You’ve got two cows, and the farm is on fire. Farm of America agreed they will take the cows over, but they did not decide yet if they will let the farm burn down.

Lehman Brothers Farm :

YOU used to have two cows, and, look, any of them fucking pricks move… and YOU would have executed every mother fucker last one of them! Please let us know where YOU are, wifey is auctioning the paintings.

AIG Farm :

You’ve got two huge cows, and you sell them to the butcher. A few days after the butcher comes back with your cows for a refund because they’re too big to die.

Citigroup Farm :

You’ve got two huge cows, and you are confident they’re too big to die. The farm is on fire, but nobody notices because it’s burning off-balance.

Washington Mutual farm :

You’ve got two huge cows, you’d like to sell them to the butcher, and you know he won’t take them because they’re too big to die. So you split them in two, and your four newly attractive cows are immediately bailed out.

Alan Greenspan Farm :

You have two cows. You feed them with hormones, and sell their milk to all your neighbours. Then you retire and warn everybody about breast cancer.

Treasury Bond Farm :

You didn’t breed any cow, so you lend two from your chinese neighbour. Then you explain him you ain’t no land neither and he has to open his pasture for the cows he lent you, otherwise they would die, geddit?

Bald & Beard Farm Bailout plan :

You’ve got two cows, you put the farm on fire to get the insurance premium, and you explain on tv that everybody in the neighbourhood has to come fight the fire with their milk.

Short-Selling Ban Farm :

You thought you had two cows, but those are calves. Your wife calls them calves and she tells you to immediately run to town, and exchange them against a proper cow. Bitch. You point your gun at her and shout her to milk those two calves as if they were two cows, right?

Goldman Sachs Farm :

You used to have the two most beautiful cows on the Street, too bad there ain’t any Street anymore. Uncle Paulson left home some years ago, so you have been on your own for a while now. As you end up asking Uncle Warren for some help, you eventually find yourself acting submissively while he is enticing you into an incestuous relationship.

Tio Rei transcreve um trecho da coluna de Diogo Mainardi que, como de hábito, vive em um mundo que é red e cor-de-rosa:

Nos últimos dias, disseminou-se a idéia de que os contribuintes americanos sairiam perdendo com o pacote de ajuda às empresas quebradas. Na realidade, Ben Bernanke e Henry Paulson preparam-se para realizar um grande negócio para os cofres públicos, abocanhando uma montanha de títulos hipotecários por uma ninharia. Como Shylock, eles podem atribuir qualquer valor a esses bens, porque ninguém mais tem interesse em comprá-los.

Muita gente já mostrou alhures porque essa idéia é idiota.  Mas o que eu gostaria de ressaltar aqui é: como pode ser que, de repente, a idéia do Estado fazer bons negócios para os cofres públicos às expensas do mundo privado tenha entrado tão em voga entre pessoas para as quais escrever a palavra “Estado” com “e” minúsculo é mais que regra estilística de um manual de redação, mas sim um religioso dever?  Afinal, a idéia de uma Petrobrás forte não lhes é repugnante?  O reles pensamento de uma Pré-sal-brás não lhes revira o estômago?  Então que diabos está havendo?

Discutindo a possibilidade de que McCain não saiba a diferença entre uma crise financeira (“financial”) e uma crise fiscal (“fiscal”, em inglês), o  Washington Montly destaca um trecho do debate de ontem:

Lehrer: Are there fundamental differences between your approach and Senator Obama’s approach to what you would do as president to lead this country out of the financial crisis?

McCain: Well, the first thing we have to do is get spending under control in Washington. It’s completely out of control.”

***

Algumas razões pelas quais o gasto em Washington está fora de controle:

_ A negligência regulatória republicana tornou necessário fazer com que o Tesouro arcasse com um sistema financeiro falido.

_ A guerra americana no Iraque, que rende bilhões à panóplia de empresas contratadas pelo Pentágono, pressiona o déficit fiscal norte americano.

McCain, porém, defende a desregulamentação e a guerra no Iraque. WTF?

The last six months have made it abundantly clear that voluntary regulation does not work.”

-Christopher Cox,  Chairman Securities and Exchange Commission

(trecho da matéria  do NYT  S.E.C. Concedes Oversight Flaws Fueled Collapse , via The Big Picture)

***

Bonus track:

The commission created the program after heavy lobbying for the plan from all five big investment banks. At the time, Mr. Paulson was the head of Goldman Sachs. He left two years later to become the Treasury secretary and has been the architect of the administration’s bailout plan.

“Ah, bom” track:

On one level, the commission’s decision to end the regulatory program was somewhat academic, because the five biggest independent Wall Street firms have all disappeared.”

***

O fim do mundo.  O fim do mundo de fantasia do livre-mercadismo.

Tio Rei tem hoje um post lastimando o “fim do mundo unipolar”.  Para ele o ressurgimento de um mundo multipolar não parece ser grande coisa:

Nunca consegui saber o que as democracias ocidentais perderiam de importante com a possibilidade do tal mundo unipolar, que provocava tantos sustos. Mas sei o que estamos ganhando com o atual multipolaridade: um Irã que continua a desenvolver o seu programa nuclear, protegido por Rússia e China; uma Venezuela que caminha para a ditadura explícita buscando ancorar-se nos russos, e, o mais grave de tudo: a aceitação tácita, também entre nós, de que a democracia é só uma das escolhas entre outros sistemas aceitáveis e eficientes. E já há quem desconfie se é mesmo a melhor escolha, agora que se sabe que economia de mercado com ditadura é bem mais fácil de ser manejada.

Hããããã…esse é o trecho do “draft” do plano do Hank Paulson que foi devidamente ridicularizado a ponto de ser batizado “Authorization To Use Financial Force” blogoseira afora:

Sec. 8. Review.

Decisions by the Secretary pursuant to the authority of this Act are non-reviewable (!) and committed to agency discretion (!!), and may not be reviewed by any court of law (!!!) or any administrative agency (!!!!).”

Beeeem mais fácil, Tio Rei.  Bem mais fácil.

O Paulo não acha que a crise americana (hat tip: Samurai) seja o fim do mundo.  Suponho que ele não tem muitos amigos que trabalhem no Washington Mutual (ou já os perdeu a esta altura), o que poderia lhe dar uma nova perspectiva sobre o tema.  Mas é claro que tudo depende de como você define o que seja o fim do mundo.  Por exemplo, se você é o tipo de pessoa que acha que o aquecimento global não é um problema, ou está very heavy on drugs, então definir o que seja o fim do mundo é uma tarefa muito difícil.

Mas ao mesmo tempo parece que o Paulo está pondo suas barbas de molho.  🙂

O Claudio Haddad tem um artigo hoje na sua coluna no Valor.  Título: “Crise estrutural ou acidente de percurso?

O homem do IBMEC diz isso:

O sistema financeiro, pelo fato de trabalhar com ativos correspondendo a um múltiplo de seu patrimônio, é por natureza instável e sujeito a crises periódicas.

Mas responde à sua própria pergunta assim:

Vista dessa forma, a crise atual é um acidente de percurso do capitalismo, regime que, apesar de seus defeitos, tem se mostrado o mais eficiente em gerar riqueza e progresso na história humana.

Acho que ele tem uma definição de “estrutural” diferente da minha.

Mas nem tudo está perdido.  Essa é a melhor parte do texto:

Este articulista, que escreve neste jornal desde sua fundação em 2000, a convite do amigo Celso Pinto, aqui encerra suas atividades por tempo indeterminado. Fica um sincero agradecimento aos leitores que o têm prestigiado com seu tempo e comentários e à direção e equipe do Valor Econômico pelo apoio e oportunidade.

Bem, se a idéia era mesmo passar oito anos prestando este tipo de lip-service, eu diria que já vai tarde.

Outro dia o leitor Paulo Cândido fez esta observação:

PS: Você já notou que conforme você aumenta a barra lateral do blog mais a caixa de comentários se afasta do texto? Daqui a pouco quem mora em apartamento vai ter descer no vizinho para escrever o comentário… (quer dizer, arruma o template, menino).

Pois é, eu já havia notado.  O problema é que os comentários só aparecem depois da barra lateral.  Bem, eu sou meio mané, mas até onde consegui perceber, não havia nada que eu pudesse fazer quanto ao template, pois ele já vem pronto no WordPress e eu não tenho como modificá-lo (me parece que é possível, mas para isso é preciso pagar uma graninha para o WordPress).

A solução foi passar o cerol nos links.  Mas calma, eles não deixaram de existir _ eu apenas os transferi para uma nova página ao lado do “Sobre este blog” chamada “LinksBlogoseira”, ao invés de deixá-los na barra do lado, diminuindo assim a distância entre o post e os comentários.  Espero que gostem da mudança.

Puxa, só agora me toquei que aquele diálogo traduz uma realidade mais profunda:

– It was the Republicans, Sarah.

– I don’t understand.

_ Defense Secretary and his neocon aides. New, powerful, hooked into everything, trusted to run it all. People say they got dumb – a new order of dumbness. Then they saw all people as a threat. Not just the ones on the other side.  It decided our fate in a microsecond. Extermination.

Sério, gente, a coisa é demonstrável.

(clique para ampliar)

Na Economist, um pesquisa para saber em quem o mundo votaria na eleição americana.

Alguns resultados interessantes até agora.  Por exemplo, causa certa espécie que os leitores americanos da Economist que se dispuseram a votar apresentem o seguinte resultado:

Obama: 77%

McCain: 23%

Mas vai ver a Economist é uma revista “de esquerda”.

Mais interessante ainda é que Obama tem apoio maior entre os leitores da Economist nos EUA que no Brasil:

Obama: 75%

McCain: 25%

Perplexidade surge mesmo é quando se vê que Obama ainda ganha…na Colômbia:

Obama: 60%

McCain: 40%

E na Venezuela?

Obama: 59%

McCain: 39%

Bom, é claro que o quadro vai mudando à medida que os votos vão sendo contados.  O negócio é atualizado a cada 3 horas.

Minha proposta modesta: fazer a pesquisa valer como eleição, com direitos de cidadania aplicados a todo mundo.  Afinal é o resto do mundo quem está pagando a farra de consumo americana, ué.

Olhinhos vermelhos ruleiam

No Slashdot:

Technologizer writes

“They add insult to injury – and computing wouldn’t be the same without ‘em. So I rounded up a baker’s dozen of the most important error messages in computing history – from Does Not Compute to Abort, Retry, Fail to the Sad Mac to the big kahuna of them all – the mighty Blue Screen of Death. And just in case my judgment is off, I include a poll to let the rest of the world vote for the greatest error message of all.

O autor do post faz uma observação pertinente:

I can’t believe that “I’m sorry Dave, I’m afraid I can’t do that” didn’t make the list.

Eu talvez votasse nessa:

– It was the machines, Sarah.

– I don’t understand.

_ Defence network computers. New, powerful, hooked into everything, trusted to run it all. They say it got smart – a new order of intelligence. Then it saw all people as a threat. Not just the ones on the other side.  It decided our fate in a microsecond. Extermination.

Embora reconheça que há uma razoável margem de dúvida sobre se esse output pode mesmo ser considerado uma “mensagem de erro”…

***

Ué, eu não sabia disto.

Bush falou ontem na TV ao povo americano.  Deu no NYT:

President Issues Warning to Americans

WASHINGTON – President Bush appealed to the nation Wednesday night to support a $700 billion plan to avert a widespread financial meltdown, and signaled that he is willing to accept tougher controls over how the money is spent.
As Democrats and the administration negotiated details of the package late into the night, the presidential candidates of both major parties planned to meet Mr. Bush at the White House on Thursday, along with leaders of Congress. The president said he hoped the session would “speed our discussions toward a bipartisan bill.”

Mr. Bush used a prime-time address to warn Americans that “a long and painful recession” could occur if Congress does not act quickly.

Our entire economy is in danger,” he said.” [grifos meus]

Wall Street pode ir parando de se preocupar em entrar em uma gelada, muito pelo contrário:

Exclusive: The methane time bomb
Arctic scientists discover new global warming threat as melting permafrost releases millions of tons of a gas 20 times more damaging than carbon dioxide

Preliminary findings suggest that massive deposits of subsea methane are bubbling to the surface as the Arctic region becomes warmer and its ice retreats

The first evidence that millions of tons of a greenhouse gas 20 times more potent than carbon dioxide is being released into the atmosphere from beneath the Arctic seabed has been discovered by scientists.

The Independent has been passed details of preliminary findings suggesting that massive deposits of sub-sea methane are bubbling to the surface as the Arctic region becomes warmer and its ice retreats.

(…)

In the past few days, the researchers have seen areas of sea foaming with gas bubbling up through “methane chimneys” rising from the sea floor. They believe that the sub-sea layer of permafrost, which has acted like a “lid” to prevent the gas from escaping, has melted away to allow methane to rise from underground deposits formed before the last ice age. …

Orjan Gustafsson of Stockholm University in Sweden, one of the leaders of the expedition, described the scale of the methane emissions in an email exchange sent from the Russian research ship Jacob Smirnitskyi.

“We had a hectic finishing of the sampling programme yesterday and this past night,” said Dr Gustafsson. “An extensive area of intense methane release was found. At earlier sites we had found elevated levels of dissolved methane. Yesterday, for the first time, we documented a field where the release was so intense that the methane did not have time to dissolve into the seawater but was rising as methane bubbles to the sea surface. These ‘methane chimneys’ were documented on echo sounder and with seismic [instruments].” …

“The conventional thought has been that the permafrost ‘lid’ on the sub-sea sediments on the Siberian shelf should cap and hold the massive reservoirs of shallow methane deposits in place. The growing evidence for release of methane in this inaccessible region may suggest that the permafrost lid is starting to get perforated and thus leak methane” …

(Do The Independent, via A Fistful of Euros)

(clique para ampliar)

(hat tip: Samurai no Outono)

Ou, as alegrias das partidas dobradas:

The problem with financial institution balance sheets is that on the left hand side nothing is right and on the right hand side nothing is left.

Algum gênio anônimo, a quem eu realmente invejo, criou uma nova versão daquele clássico do spam, a famosa carta nigeriana:

Dear American:

I need to ask you to support an urgent secret business relationship with a transfer of funds of great magnitude.

I am Ministry of the Treasury of the Republic of America. My country has had crisis that has caused the need for large transfer of funds of 800 billion dollars US. If you would assist me in this transfer, it would be most profitable to you.

I am working with Mr. Phil Gram, lobbyist for UBS, who will be my replacement as Ministry of the Treasury in January. As a Senator, you may know him as the leader of the American banking deregulation movement in the 1990s. This transactin is 100% safe.

This is a matter of great urgency. We need a blank check. We need the funds as quickly as possible. We cannot directly transfer these funds in the names of our close friends because we are constantly under surveillance. My family lawyer advised me that I should look for a reliable and trustworthy person who will act as a next of kin so the funds can be transferred.

Please reply with all of your bank account, IRA and college fund account numbers and those of your children and grandchildren to wallstreetbailout@treasury.gov so that we may transfer your commission for this transaction. After I receive that information, I will respond with detailed information about safeguards that will be used to protect the funds.

Yours Faithfully Minister of Treasury Paulson

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Eu reconheço arte quando vejo uma.

Os únicos seriados que ando conseguindo ver na TV são “Painkiller Jane” e “The L Word“.

OK, eu devo ser lésbica.

 

Bruges, Bélgica – clique para ampliar

Bruges, na Wikipédia:

Bruges (DutchBrugge) is the capital and largest city of the province of West Flanders in the Flemish Region of Belgium. It is located in the northwest of the country.

The historic city centre is a prominent World Heritage Site of UNESCO. It is egg-shaped and about 430 hectares in size. The area of the whole city amounts to more than 13,840 hectares, including 193.7 hectares off the coast, at Zeebrugge (“Seabruges” in literal translation). The city’s total population is more than 117,000, of which around 20,000 live in the historic centre.

Along with a few other canal-based northern cities, it is sometimes referred to as “The Venice of the North“.

Bruges has a significant economic importance thanks to its port, and is also home to the College of Europe.

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Tamandaré, Pernambuco – clique para ampliar

Tamandaré (PE) na Wikipédia:

Tamandaré is a beach located roughly 100km (60 miles) south of Recife, the capital city of the Brazilian state of Pernambuco. The beach is a small town whose locals are from the upper lower class of Brazil. The town is a haven for upper middle class residents of Recife and other nearby cities, who own summer homes in the area.

***

Somewhere in the middle of nowhere – clique para ampliar

Algum lugar na costa do Saara Ocidental.

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Agora eu queria saber: alguém aí tem uma boa teoria para explicar porque a histórica e relativamente importante cidade de Bruges, capital da Flandres Ocidental, aparece com uma resolução menor no Google Earth do que a cidade de Tamandaré, na costa de Pernambuco, ou mesmo menor do que uma praia sem nome na costa do Marrocos?

(clique para ampliar)

O teretetê em alguns jornais de hoje é a revelação da ex-namorada brasileira de McCain.  No Globo, por exemplo:

Ex-modelo brasileira que namorou o candidato à presidência dos EUA diz que ele era ‘bom de tudo’

RIO – “Ele era gostosinho, carinhoso e romântico”. Não foi exatamente nestes termos que o Partido Republicano apresentou, no mês passado, o senador John McCain como seu candidato à Presidência dos EUA este ano. Mas é assim que se refere a ele Maria Gracinda Teixeira de Jesus, que viveu um romance tórrido com McCain, nos anos 1950, no Rio de Janeiro. A história dos dois foi contada pelo senador em seu livro de memórias “Faith of my fathers” (numa tradução livre, “A fé de meus pais”, de 1999). Nesta sexta-feira, o jornal “Extra” conversou com a ex-modelo e bailarina em Teresópolis ( assista ao vídeo da entrevista exclusiva com a ex-modelo ).

Apesar dos 77 anos, Maria Gracinda ainda conserva a vaidade da época em que foi Rainha do Comércio do Rio de 1949, com apenas 17 anos, e candidata a Miss Distrito Federal Universo de 1954. O encontro com McCain aconteceu três anos depois, em 1957. A modelo costumava almoçar nos navios estrangeiros que atracavam na Praça Mauá. Foi num deles, o Vera Cruz, que ela conheceu o então tenente da Marinha americana John Sydney McCain.

Na boa, a história até pode ser explorada pelo GOP.  Do jeito que McCain anda gagá a história com a brasileira ainda pode até dar uma força à sua candidatura:

Ela também contou passagens picantes do relacionamento com McCain.

– Ele beijava muito bem. Cheguei ao ponto de gostar tanto disso que comprei um livro que ensinava a beijar – diz Maria Gracinda, que não fugiu da pergunta sobre os dois terem feito sexo ou não:

– O que você acha? Claro que sim… Ele não era bom só de beijar, era bom de tudo – completa, com uma risada..

Garanhão!

Eu sei que a maioria de vocês que frequenta o blog certamente têm de mim a mais pura e cândida das idéias, ser angelical que sou.  A verdade porém é bem outra.  Quando provocado, sei ser tão mau quanto um pica-pau.  E nada consegue me provocar mais do que a criatividade dos tradutores de títulos de filmes para o português.  No Correio Braziliense:

As Aventuras de Moliére, um Irreverente Adorável Sedutor

(Molière, França, 2007)

Sinopse: O diretor teatral francês Jean-Baptiste Poquelin, o Moliére, é contratado por um rico empresário para escrever uma peça. A empreitada acaba deixando o escritor em maus lençóis.

Notem que o jornal comete o requinte de exibir o título original do filme, como a querer bradar aos quatro pontos cardeais a superioridade do marqueteiro de cinema brasileiro perante o resto do mundo: afinal, porque chamar um filme simplesmente de Molière, quando podemos usar o letreiro dos cinemas para chamar a atenção ao fato de que ele era um aventureiro irreverente adorável sedutor (algo que você poderia perfeitamente descobrir se assistisse ao filme, logo, trata-se de um spoiler), e ainda por cima teve o nome escrito errado por gerações de compatriotas?

Para não falar da intimidade no chamamento: “Jean-Baptiste Poquelin, o Moliére”, assim como quem diz “Jean-Baptiste Poquelin, o Beirra-Mer”.  Mais respeito com o dramaturgo, pô!

Brad DeLong pescou um parágrafo de um artigo de John McCain que vai saiu no número setembro/outubro da Contingencies, a revista Academia Americana de Atuária:

Opening up the health insurance market to more vigorous nationwide competition, as we have done over the last decade in banking, would provide more choices of innovative products less burdened by the worst excesses of state-based regulation.

How timely.

No The Big Picture, algumas verdades:

The “New” New Deal

I am having a hard time keeping up with all of the bailouts and special facilities created for dealing with this crisis.  Am I missing any?

– Bear Stearns 
– Economic Stimulus progam
– Housing Bailout Program
– Fannie & Freddie
– AIG
– No Short selling rules
– Fed liquidity programs (Term Lending facility, Term Auction facility) 
– Money Market fund insurance program
– Special Loans for GM & Ford 
– New RTC type program

If you are a fan of irony, consider this: The conservative movement has utterly hated FDR, and his New Deal programs like Medicaid, Social Security, FDIC, Fannie Mae (1938), and the SEC for nearly 80 years. And for the past 8 years, a conservative was in the White House, with a very conservative agenda. For something like 16 of the past 18 years, the conservative dominated GOP has controlled Congress. Those are the facts.

We now see that the grand experiment of deregulation has ended, and ended badly. The deregulation movement is now an historical footnote, just another interest group, and once in power they turned into socialists. Indeed, judging by the actions of the conservatives in power, and not the empty rhetoric that comes out of think tanks, the conservative movement has effectively turned the United States into a massive Socialist state, an appendage of Communist Russia, China and Venezuela. 

To paraphrase Floyd Norris, we have become Marxists, but of the Groucho, not Karl, variety . . .

***

Para sermos justos, eu li em algum lugar _ bem no início da crise, ou seja, na semana passada _ que Bush havia dado a Bernanke e Paulson carta branca para lidar com o problema, mas havia se distanciado da condução da política.   Essa cobertura do NYT parece confirmar que a administração republicana está tendo que engolir um remédio indigesto:

President Bush and his top advisers have adamantly opposed bailouts, but the mortgage crisis has already forced the Treasury and the Fed to bail out four of the country’s most prominent financial institutions — Bear Stearns in March; Fannie Mae and Freddie Mac earlier this month; and American International Group, the insurance conglomerate, just this week.

E de fato apesar de tudo mesmo a expectativa de uma ação legislativa de salvamento dos mercados financeiros pode ser torpedeada pela bancada republicana:

(…)whether a legislative consensus could be found remained an open question, and members of Mr. Bush’s own party were among those who were most critical of the increasing federal intervention in private markets.

At the meeting Thursday night, where officials said the atmosphere was tense, Senator Richard Shelby of Alabama, the senior Republican on the banking committee, was notably skeptical.

A spokesman for the senator, Jonathan Graffeo, said later: “Senator Shelby believes it’s his responsibility to be skeptical on behalf of taxpayers. He believes our goal must be to minimize taxpayer exposure while maximizing the benefit to the economy. ”

Earlier in the day, Representative John A. Boehner of Ohio, the House Republican leader, had expressed similar wariness about the risk to taxpayers’ funds. And Representative Jeb Hensarling, a Texas Republican who heads a coalition of House conservatives, was circulating a letter to the administration demanding that it not engage in any further bailouts.

Como disse o Tyler Cowen, as consequencias econômicas da crise se revelarão nos próximos meses, mas as ideológicas ainda ficarão conosco por um bom tempo.

Peraí, peraí. Assim não dá! Eis o que Tio Rei escreveu na terça-feira:

Cães de Aluguel

Os leitores têm razão. Ao abordar a guerra de facções do PT, fiz uma referência ao filme Os Bons Companheiros, de Scorsese. Mas errei. Confundi os mafiosos. O filme em que todos morrem no fim numa troca de tiros é outro, de Quentin Tarantino. E o nome é muito mais apropriado ao caso em tela: Cães de Aluguel.

E hoje:

A acolhida

O País dos Petralhas tem sido muito bem-recebido. Também além-mar. O blog português Atlântico, uma das excelentes coisas para se ler na chamada “Rede Mundial de Computadores”, recomenda o livro e reclama a publicação em Portugal. Dezenas de sites e blogs brasileiros saúdam o livro. Não dá para listar todos porque são muitos. Uma consulta ao Google lhes dirá. E há os cães de aluguel de sempre. Mas o livro existe também para eles. Ou contra eles!” [grifo meu]

Vou processar Tio Rei por plágio.

Descobri no blogroll do Mark Thoma:

Arctic Economics

Um blog com uma visão curiosa sobre todas as coisas árticas, desde a provável extinção dos ursos polares até a probabilidade de se achar petróleo na plataforma submarina islandesa.

O piloto do blog é Ben Muse, um economista do Alasca.

Brad DeLong:

Is 2008 Our 1929?

No. It is not. The most important reason it is not is that Bernanke and Paulson are both focused like laser beams on not making the same mistakes as were made in 1929.

They are also focused, but not quite as much, on not making the mistakes made by Arthur Burns in the 1970s.

And they are also focused, but not quite as much, on not making the mistakes the Bank of Japan made in the 1990s.

They want to make their own, original, mistakes…

 

(clique para ampliar)

Ao fechamento da NYC, o Dow apresentou uma recuperação expressiva em relação ao início do pregão e ao dia de ontem, embora voltando apenas ao território da terça-feira negra.

Analistas acreditam que a recuperação deveu-se, mais do que ao esforço coordenado de vários bancos centrais em inundar o mercado com dinheiro, à proibição efetiva na Inglaterra e à ameaça de proibição nos EUA das transações “short-selling”, onde um especulador aposta na baixa de um título.

Vamos ver o que nos traz o amanhã.

***

Mas não é estranho que o mercado tenha se acalmado (ainda que provisoriamente) principalmente por causa de uma proposta de 2 ex-figurões democratas, um dos quais é conselheiro econômico de Obama?

Esta é a gravação da entrevista onde McCain mostra que não sabe quem é Zapatero e nem mesmo que a Espanha é um país europeu que faz parte da OTAN.

Zapatero, zapatista, é tudo a mesma cucarachada…

(hat tip: Samurai no Outono)

***

UPDATE:

Incrivelmente, a campanha de McCain resolveu, ao invés de assumir a gafe, vender a idéia de que ela foi intencional.  Um assessor de McCain enviou o seguinte e-mail ao Washington Post, a título de esclarecimento:

The questioner asked several times about Senator McCain’s willingness to meet Zapatero (and id’d him in the question so there is no doubt Senator McCain knew exactly to whom the question referred). Senator McCain refused to commit to a White House meeting with President Zapatero in this interview,” he said in an e-mail.

O Huffington Post tem boas questões sobre isso.  Afinal a Espanha:

  • Faz parte da OTAN, logo, é um aliado;
  • Tem cerca de 1.000 soldados no Afeganistão;
  • Sofreu um ataque da Al-Qaeda;
  • É a sétima economia do mundo;
  • É influente na América Latina;
  • É uma democracia.

O HP não disse, mas raios, segundo o CIA Factbook 15% da atual população dos EUA é hispânica.

Se McCain realmente quer confrontar a Espanha, é bom que tenha algum bom motivo _ porque do contrário podemos achar que ele quer confrontar todos e qualquer um.

(clique para ampliar)

Via um link no Marginal Revolution, fiquei sabendo que a última moda agora é exercitar-se no trabalho.  Como trabalhar no computador enquanto se anda em uma esteira, por exemplo.

O que me preocupa é que certamente logo aparecerá algum esperto conectando dínamos na esteira para gerar energia para o computador.  O que é certamente um passo em direção à extração sustentável e ecologicamente correta de mais valia.

(clique para ampliar)

Apesar da ação coordenada dos Bancos Centrais, que estão despejando $247 bilhões na economia, as expectativas parecem continuar indo ladeira abaixo.  O Dow Jones continua despencando, como podem ver.  Não que este tipo de coisa ajude.

***

Enquanto isso, o resto do mundo observa.

***

Update:

(clique para ampliar)

Leve em consideração que o que parece “alto” à esquerda foi a terça-feira negra.

Tyler Cowen tem um post comentando as últimas declarações de Sarah Palin e McCain sobre a crise.  Ambos têm desempenho medíocre, mas Tyler está certo ao afirmar que Sarah ainda consegue se sair melhor que o “experiente” McCain, o qual está decididamente senil, como podem ver abaixo:

LAUER: So if we get to the point middle of the week as we heard in that report where AIG might have to file for bankruptcy, they’re on their own?

McCAIN: Well…quote, “on their own”…we have to – we cannot have the taxpayers bail out AIG or anybody else…this is something we’re gonna have to work through — there’s too much corruption, there’s too much access, we can fix it, I believe in America – we can have a 9/11 commission such as we had after 9/11, ‘cause this is a huge crisis and we can come up with fixes and we can make sure that every American has a safer future and that is to make them know that their bank deposits are safe and insured.” [grifo meu]

Sugestão que parece indicar que a primeira medida de McCain na inauguration será mandar os marines invadirem Wall Street.

Excelente artigo do historiador econômico Hans-Joachim Voth no VoxEU:

 

Paying the piper, reaping the returns

Few days defined the course of 20th century history as decisively as January 30th, 1933. With Adolf Hitler’s seizure of power in Germany, the course was set for another world war with millions of casualties, for genocide on an unprecedented scale, and for the abrupt end of Weimar’s vibrant cultural and intellectual life.

Who profited from the Nazi rise to power? Long before the first cabinet meeting was held under Chancellor Hitler, Communists had argued that the Nazi party was simply an instrument of capitalist forces. Memoirs of ambassadors and the investigations leading up to the Nuremberg trial seemed to confirm the complicity of many leading business men in the Nazi rise to power. This consensus was shattered a generation ago, when historians – Henry A. Turner (1985) most prominently among them – started to argue that there was no “smoking gun” linking big business and the Nazi party before 1933. Connections, he argued, had been isolated, were unrepresentative, and the total support given did not amount to much.

Instead of trawling the same overfished archives, Thomas Ferguson and I decided to look at what the financial markets saw when the Nazi party suddenly came to power (Ferguson and Voth 2005). Instead of having to assess the importance of every interaction between individuals, stock markets have the beauty that people have to put their money where their belief is. If the Nazi party’s rise to power made a big difference to the value of a firm that had given early support to the party, chances are that these contacts mattered.

Leiam o resto lá.  Só dou uma dica:

 

(clique para ampliar)

Firms connected with the Nazi party outperformed unaffiliated firms massively. Their share prices rose by 7.2% between January and March 1933 (43% annualised), compared to 0.2% (1.2% annualised) for unaffiliated firms. The politically induced change was equivalent to 5.8% of total market capitalisation. This is a high number by international standards. Johnson and Mitton (2003) estimate that revaluation of political connections in Malaysia during the East Asian crisis wiped 5.8% of share values. While comparable in magnitude, it took 12 months for this change to occur.

Affiliated firms did better, no matter their mode of connection with the party. The return differential favouring connected firms existed for both small and large firms, for firms in nine out of eleven sectors, and for those with high and low dividend yields. We also examined if expected rearmament was to blame for the value of connections, using lists of potential defence contractors compiled by the German armed forces (Hansen 1978). Our finding persists.

(clique para ampliar)

A então apenas governadora Palin, em seu gabinete de governadora palin do Alaska.

I rest my case.

in the end karma always beets dogma

Comentarista basquebob, neste post do Big Picture.

OK, eu achava que as coisas estavam ruins.  Mas parece que estão piores.  Quentinho do NYT:

(clique para ampliar)

Dois textos interessantes, um do Roubini:

The transformation of the USA into the USSRA (United Socialist State Republic of America) continues at full speed with the nationalization of AIG

Last week we argued that, with the nationalization of Fannie and Freddie, comrades Bush, Paulson and Bernanke had started transforming the USA into the USSRA (United Socialist State Republic of America). This transformation of the USA into a country where there is socialism for the rich, the well connected and Wall Street (i.e. where profits are privatized and losses are socialized) continues today with the nationalization of AIG.

This latest action on AIG follows a variety of many other policy actions that imply a massive – and often flawed – government intervention in the financial markets and the economy: the bailout of the Bear Stearns creditors; the bailout of Fannie and Freddie; the use of the Fed balance sheet (hundreds of billions of safe US Treasuries swapped for junk toxic illiquid private securities); the use of the other GSEs (the Federal Home Loan Bank system) to provide hundreds of billions of dollars of “liquidity” to distressed, illiquid and insolvent mortgage lenders; the use of the SEC to manipulate the stock market (restrictions on short sales); the use of the US Treasury to manipulate the mortgage market (Treasury will now for the first time outright buy agency MBS to manipulate and prop up this market); the creation of a whole host of new bailout facilities (TAF, TSLF, PDCF) to prop and rescue banks and, for the first time since the Great Depression, to bail out non-bank financial institutions; the recent extension of the collateral available for the TSLF and PDCF facilities to a much wider range of toxic securities including equities and thus allowing the Fed to effectively manipulate even the stock market; and a whole range of other executive and legislative actions (including the recent bill to provide a public guarantee to mortgages for banks willing to reduce their face value).

So, with the nationalization today of AIG, comrades Bush, Paulson and Bernanke welcome you again to the USSRA. At least in the case of Fannie and Freddie these two institutions were semi-public to begin with as they were Government Sponsored Enterprises (GSEs). Now we get instead the first pure case of a fully private company, actually the largest insurance company in the world, being nationalized. So the US government is now the largerst insurance company in the world. So the transformation of the USA into the USSRA goes a step further.

E outro do Willem Buiter:

The end of American capitalism as we knew it

This is what I read this morning on FT.com: “The US Federal Reserve announced that it will lend AIG up to $85bn in emergency funds in return for a government stake of 79.9 per cent and effective control of the company – an extraordinary step meant to stave off a collapse of the giant insurer that plays a crucial role in the global financial system. Under the plan, the existing management of the company will be replaced and new executives will be appointed. It also gives the US government veto power over major decisions at the company.”

I almost decided to go back to bed, convinced I must be dreaming.The proximate cause of the demise of AIG as a private firm were its ‘monoline’ activities, its exposure to massive amounts of credit risk derivatives like CDS, many of them linked to the US real estate sector. The largest insurance supermarket in the world, with a balance sheet in excess of $1 trillion nationalised because it was deemed too big and too globally interconnected to fail! The fear that drove this extraordinary decision is that AIG’s failure would increase counterparty risk, actual and perceived, throughout the financial system of the US and the rest of the world, to such an extent that no financial institution would have been willing to extend credit to any other financial institution.Credit to households and non-financial enterprises would have been the next domino to fall, and voilà! , financial Armageddon.

O resto do texto, abaixo do folder.

Já agora parece que outros bancos vão quebrar, inclusive um lá da área do Paulo, o Washington Mutual.

Endgame, povo.  Segurem-se.

***

UPDATE:

Ops!  O mundo é muito dinâmico.

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Also not too big to fail

Comentarista Douglas Watts, no The Big Picture:

The good news is that the sitting guvmint does not believe the world’s ice sheets are too big to fail because their failure will be conveniently deferred to 30-50 years from present. Happy motoring.”

(hat tip: Naked Capitalism)

Resolvido o problema do AIG.  Deu no NYT:

Fed to Loan A.I.G. $85 Billion in Rescue

By EDMUND L. ANDREWS
This article was reported by Edmund L. Andrews, Michael J. de la Merced and Mary Williams Walsh and written by Mr. Andrews.

WASHINGTON – Acting to avert a possible financial crisis worldwide, the Federal Reserve reversed course on Tuesday and agreed to an $85 billion bailout that would give the government an ownership stake in the troubled insurance giant American International Group, according to people briefed on the negotiations.

***

Bom, eis a mágica do mercado em funcionamento:

Desregulação = menos Estado = crise sitêmica = estatização = mais Estado

Não é brilhante?  A única diferença é que no final da equação os contribuintes ficaram mais pobres e um bando de plutocratas ficou trilionário.  Parafraseando uma das tiradas prediletas do Paulo do FYI, essa é uma “win-whinning situation“.

Ou é assim que eu me sinto quando vejo os denialists “esquecendo” as lições de 29.

Mas como antídoto, temos o Martin Wolf no Financial Times:

The end of lightly regulated finance has come far closer
By Martin Wolf

These are dramatic times. By Monday of this week, three of Wall Street’s top five investment banks – Bear Stearns, Lehman and Merrill Lynch – had disappeared as independent entities. The insurance group AIG is in serious trouble. What was, until recently, the brave new US financial system is melting away before our eyes.

Over the past few weeks three experiences have helped clear my mind on this crisis. First, I reread Hyman Minsky’s masterpiece, Stabilizing an Unstable Economy. Second, I engaged in a debate on the future of regulation with my admired colleague and friend, John Kay.* Finally, on Monday, I moderated a session on this crisis at the Swift International Banking Operations Seminar in Vienna.

I structured this latter discussion around four questions. What went wrong? Is the worst over? What are the lessons for financial institutions? What are the lessons for governments? Here then are my current answers to these questions.

O resto abaixo do folder.

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McCain sobre a crise (tentando remendar sua declaração anterior sobre os “fortes fundamentos” da economia americana):

“I said the fundamental of our economy is the American worker. I know that the American worker is the strongest, the best, the most productive and most innovative,” he told CBS. “They’ve been betrayed by a casino on Wall Street of greed, corruption and excess that has damaged them and their futures. And we’re going to fix it.

Que será que a reality-based community republicana dirá sobre seu candidato nessa hora?

Floyd Norris:

Those who were complaining, only months ago, that excessive regulation was making American markets uncompetitive, had it exactly wrong. It was a lack of regulation of the shadow financial system and its players that allowed this to happen. The regulators might not have gotten it right if they had tried to put limits on leverage, or assure that it was clear what risks were being taken, in the world of derivatives and securitizations. But deciding not to even try, and assuming that risks traded secretly would somehow end up in the hands of those most able to bear them, reflected ideology, not analysis.

Um comentário no Angry Bear sobre a cultura do débito nos EUA:

When Bush was elected, we paid off the house and took our money out of investments and into insured accounts. I advise others not to do the same. When you have no house payment, you feel like you are living in somebody else’s house. It’s a very anxious feeling, and it’s putting a strain on my marriage. In addition, there is no shorter path to ostracism in the workplace than carrying no (or very little) debt. I’ve got nothing to talk about with co-workers, and they suspect I have ties with affluent and generous terrorists.

Notícia no Estadão:

Concordata do Lehman é parte de uma reestruturação, diz FMI

Fundo alerta, no entanto, que mais instabilidade não está descartada por conta das incertezas no curto prazo

WASHINGTON – O pedido de concordata do Lehman Brothers e a venda da Merrill Lynch são parte de um processo de reestruturação e consolidação do sistema financeiro dos EUA, disse o executivo número dois do FMI na segunda-feira. O primeiro vice-diretor gerencial do fundo, John Lipsky, afirmou no entanto que a velocidade e a escala dos acontecimentos trouxeram algumas incertezas para o curto prazo e que mais instabilidade não pode ser descartada. O Lehman Brothers negocia desde a última segunda a venda de grande parte de seus ativos ao banco britânico Barclays, que era o principal candidato à compra da instituição norte-americana.

Lipsky disse que o FMI ainda mantém a previsão de que haverá uma recuperação gradual da economia global em 2009, apesar dos distúrbios financeiros. O temor de um risco sistêmico com o pedido de concordata do Lehman e a venda do Merrill Lynch, além dos problemas enfrentados pela AIG, promoveram uma fuga do risco nos mercados globais na última segunda. As Bolsas asiáticas fecharam o pregão desta terça-feira em forte queda. Na última segunda, as Bolsas desabaram pelo mundo, significando para a Bovespa o maior tombo porcentual em mais de sete anos.

Viram?  É só a destruição criativa em ação.

É fantástico notar como rapidamente a ordem da causalidade é invertida nestas horas.  Na verdade, a quebradeira é que está exigindo uma reestruturação e consolidação do sistema financeiro, ponto final.  E isso na melhor das hipóteses, é claro.

Já Tio Rei se sai com um texto interessante

É crise “NO”, não “DO”. E a experiência…

Chegaram alguns comentários reproduzindo argumentos que passaram a ser correntes na imprensa européia e o no lobby democrata, nos EUA: quais são as credenciais de John McCain e de Sarah Palin para responder à maior crise do capitalismo desde 1930? Huuummm… Não quero que isso seja um jogo de palavras apenas, mas acho que há uma crise NO capitalismo, não uma criseDO capitalismo.

Sabem por quê? Para que houvesse uma crise DO capitalismo, seria necessário que o sistema estivesse sendo pressionado por uma alternativa – e, então, tendo de responder a essas pressões, suas contradições e fragilidades iriam aparecendo, vislumbrando-se adiante a ameaça do colapso. Mas nada disso é verdade. Não há alternativa nenhuma. Há um problema – enorme! – derivado da explosão da bolha imobiliária e do fornecimento irresponsável de crédito. Culpa do governo americano? De Bush? Está para ser demonstrada.

Bom, Tio Rei pelo menos já deu um passo além do FMI: ele reconhece que há uma crise.  Entretanto,  para seu azar fica difícil nas atuais circunstâncias separar o que seria uma crise DO capitalismo de uma crise NO capitalismo.  Para todos os efeitos, na verdade não há diferença alguma, e o fato de que não há uma alternativa é irrelevante.  Até porque no frigir dos ovos há: afinal o que está em crise é o capitalismo na sua versão financeira anglo saxônica.

Fantástico mesmo é a incrível cara de pau ao dizer que a responsabilidade do governo Bush sobre a crise _ é, este que está aí desde o ano 2000 _ “está para ser demonstrada“.  Bem, talvez esta reação de um deputado republicano, transcrita pelo Financial Times, possa ser contemplada como uma demonstração…não?

Oxley hits back at ideologues

In the aftermath of the US Treasury’s decision to seize control of Fannie Mae and Freddie Mac, critics have hit at lax oversight of the mortgage companies.

The dominant theme has been that Congress let the two government-sponsored enterprises morph into a creature that eventually threatened the US financial system. Mike Oxley will have none of it.

Instead, the Ohio Republican who headed the House financial services committee until his retirement after mid-term elections last year, blames the mess on ideologues within the White House as well as Alan Greenspan, former chairman of the Federal Reserve.

The critics have forgotten that the House passed a GSE reform bill in 2005 that could well have prevented the current crisis, says Mr Oxley, now vice-chairman of Nasdaq.

He fumes about the criticism of his House colleagues. “All the handwringing and bedwetting is going on without remembering how the House stepped up on this,” he says. “What did we get from the White House? We got a one-finger salute.”

É claro que sempre é possível uma saída de emergência: basta classificar Bush como “democrata”.

Shorter FYI ( (C) D-Squared via  Sadly, No! ):

Pô, gente, mas a Peste Negra foi muito pior!!!!

setembro 2008
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