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Os pundits democratas não tardaram a observar que a escolha de Sarah Palin por McCain pode significar muitas coisas, mas uma delas, certamente, é que ele achou que valia a pena abrir um flanco em um dos seus ataques mais fortes a Obama _ a do “inexperiente”.   Sarah Palin, jornalista e miss em sua pequena cidade natal de Wasilla, no Alaska, chegou a ser prefeita de sua cidade por duas vezes (nada terrivelmente difícil quando se trata de uma cidade com apenas 5000 almas _ há condomínios com mais gente em Brasília), mas é governadora do Alaska há apenas dois anos (o Alaska inteiro não tem nem 700 mil habitantes, lembrem-se).

Os democratas dizem que tal currículo não é significativamente impressionante diante do de Obama.  Esse é um dado importante, principalmente diante do fato de que McCain será o mais velho candidato a assumir uma presidência nos EUA, se vencer as eleições, o que significa que Sarah Palin reúne chances não desprezíveis de vir a ser chamada a liderar o país mais poderoso do mundo.  Os republicanos, em contra ataque, já dizem que dois anos no comando do executivo de um Estado, mesmo sendo o Alaska, já e mais currículo do que o de Obama.

Para resolver a questão, nada melhor do que chamar a própria Sarah Palin a explicar-se.  Bem, por sorte, duas semanas antes de ser escolhida por McCain, ela foi entrevistada pela Time, e disse o seguinte:

Did being younger and being a woman gives you a better perspective on politics and government than a more traditional politician?

What’s more of a challenge for me over the years being in elected office has been more the age issue rather than a gender issue. I’ve totally ignored the issues that have potentially been affecting me when it comes to gender because I was raised in a family where, you know, gender wasn’t going to be an issue. The girls did what the boys did. Apparently in Alaska that’s quite commonplace. You’re out there hunting and fishing. My parents were coaches, so I was involved in sports all my life. So I knew that as woman I could do whatever the men were doing. Also that’s just part of Alaskan life.

But the age issue I think was more significant in my career than the gender issue. Your resume not being as fat as your opponent’s in a race, perhaps [but] being able to capitalize on that… being able to to use that in campaigns — I don’t have 30 years of political experience under my belt … that’s a good thing, that’s a healthy thing. That means my perspective is fresher, more in touch with the people I will be serving. I would use that as an advantage. I’ve certainly never been part of a good old boy club. That I would use in a campaign. And that’s been good.

I rest my case.

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Apenas procure não chegar muito perto

Do blog Green Grabbo (nos Science Blogs), muito chateada porque um amigo dela disse que vulcões foram responsáveis por algumas extinções em massa nos oceanos e ipso facto “volcanoes are evil“:

  • Volcanoes bring water from the Earth’s interior to its exterior. What do you think your salty friends are swimming in – space unicorn pee?
  • Volcanoes also flux out CO2, which keeps us warm and cozy. Without volcanoes, we never would have escaped from Snowball Earth.
  • Ditto other volatiles. Do you want to try life without volcanic sulfur? I don’t either.
  • Volcanoes created the continents (and islands). Without continents, there would be no primeval life-cradling tide pools. Also, we would be mermaids.
  • Submarine volcanoes provide a source of energy for all manner of exotic salty friends.

Com um belo comentário final:

Volcanoes were here before we snotty, ungrateful hydrocarbons metamorphosed from the goo, and volcanoes will be here after we’re gone. They’re not always perfect, but they work their calderas off to provide us with a hospitable surface environment. Punk metazoans oughta show a little more respect.

Convencidos?

Dada que a solução para a criminalidade favorita do Tio Rei é “prender, prender, prender”, penso que ele vai ficar chateado com essa reportagem da Economist, que em certo ponto diz:

There is much academic debate as to what else might lie behind the fall in São Paulo’s murder rate. Perhaps this is not surprising: argument continues over what caused a similar decline in the United States during the 1990s. In São Paulo’s case, there seem to be three reasons.
The first is tighter gun-control. A 2003 law restricted the right to carry guns. A subsequent amnesty and gun buyback programme took half a million weapons off the streets. The following year saw the first drop in the murder rate. A new effort to take more guns out of circulation will begin later this year.
Second, changes to policing have played their part. Killings involving São Paulo’s police have declined (at one point in the early-1990s they accounted for a fifth of all violent deaths). According to Josephine Bourgois of the Brazilian Forum on Public Safety, a research group, the police have also become better at solving murders. A 700-strong murder squad was set up, and claims to have raised the proportion of homicides that are solved from the national average of just 8% to 70%. The squad uses computer profiling to spot patterns and to act preventively.
The third factor is demographics. The 1990s saw a bulge in the proportion of 19-24 year-olds, which coincided with a rise in youth crime, points out Alicia Bercovich of IBGE, the statistics agency. Between 2000 and 2006, the proportion of 15-24-year-olds in São Paulo’s population fell slightly, from 19.4% to 17.6%.
In some places these broader trends have been reinforced with local changes, such as requiring bars to close earlier. A decline in the use of crack cocaine may also have helped. Finally, in some areas of São Paolo a criminal gang called the Primeiro Comando da Capital has acquired a temporary monopoly of criminal thuggery, reducing the need to kill rivals. Yet problems such as gang violence become easier to deal with when the murder rate is falling. If it continues to do so, at least one Brazilian stereotype may need to be retired.” [grifo meu]

Essa imprensa esquerdista é fogo.

No estaleiro…

Os meus 4,5 leitores já terão percebido que o ritmo de atualização do blog sofreu uma queda significativa.

Então, aproveito que o blog acaba de passar pelos 200 mil hits para informar que essa tendência é mais ou menos permanente. O fato é que “in real life” estou com um número quase inadministrável de compromissos, e a tendência, dada a evolução previsível da minha vida profissional e pessoal, é piorar. Muito.

Talvez a solução mais óbvia e racional fosse acabar de vez com o blog, mas, que diacho, ele tem valor sentimental pra mim, e eu não consigo tirar o tubo, pelo menos não por enquanto.

Então é isso, vamos ficar neste pinga-pinga por tempo indeterminado, mas que deve ser longo. Isto não impede que um dia ou outro eu aproveite uma porosidade aqui ou ali para postar umas coisinhas mais interessantes, é claro. Até para não perder o hábito. 🙂

Abraços a todos os que me acompanharam até aqui. E obviamente, sempre estarei disponível para um bate-papo ocasional no e-mail.

Como ficará o mercado para palestras de ex-presidentes após 2010?

]

Ela não é fofa?

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Informo à praça que este blog resistirá à tentação de fazer piadas fáceis envolvendo chineses invejosos, varas e atletas olímpicas.

Baiano não morre, baiano sai de cartaz.

Tio Rei acabou de fazer um post esquisitão sobre a questão Rússia vs Geórgia.

A questão de mérito que ele não contempla é que a Geórgia resolveu “invadir” a província separatista Ossétia do Sul. Claro que é uma província dela, Geórgia, mas é cheia de russos, e os georgianos entraram batendo para valer _ acreditando, é claro, no apoio ocidental.

E é claro que as chancelarias ocidentais estão cansadas de saber disso, que o governo georgiano bravateou.

Então Tio Rei usa todas as analogias erradas sobre o assunto: Iraque, Kosovo, etc. etc. Porque é claro que ele quer ocultar a única analogia comparável, que foi a grita da imprensa ocidental quando a China reprimiu pesadamente o separatismo tibetano.

Tio Rei usa o straw man georgiano para bater em Obama:

(…)há uma diferença brutal de clareza entre John McCain e Barack Obama no que concerne à questão russa. O candidato republicano censurou o Kremlin com palavras insofismáveis. Obama? Usou variantes do seu “change”. A tática do democrata tem sido esta: quando não sabe o que dizer, afirma que a pergunta está errada.

Não, não há diferença. Ambos estão no plano da retórica, e provavelmente nenhum dos dois, depois de eleito, iria sair daí.

Mas o mais estranho é que Tio Rei depois diz isso:

E o tal Ocidente vai fazer o quê? A frase emblemática, infinitamente mais ampla, é certo, em horas assim é a famosa frase de Churchill referindo-se ao acordo celebrado por Chamberlain e Dalladier com Hitler: “Entre a desonra e a guerra, eles escolheram a desonra e terão a guerra”.

A palavra de ordem, nestes tempos em que se forja aquela “nova era” de que fala Musil, é escolher a desonra para evitar a guerra…

Tio Rei não está entendendo a dinâmica do fim da Guerra Fria. A Guerra Fria “acabou” quando a União Soviética desmoronou e deixou de tentar ser uma alternativa ao capitalismo. Mas agora estamos vendo que mesmo uma Rússia capitalista pode ir à guerra, se movida pelo nacionalismo. Nem por isso, porém, ela deixou de ter armas nucleares, e embora seu arsenal deva ser muito inferior hoje ao do auge militar da União Soviética, a atual Rússia já não é tão miserável quanto a que saiu da Perestroika _ e faz ranger seus sabres. A pergunta então é: mesmo hoje, os EUA tentariam arriscar um “first strike“?

É fácil ladrar com a boca alheia, mas Tio Rei não é tem como ser responsabilizado por duas ou três grandes cidades americanas virando vapor. Já o sujeito sentado na Casa Branca tem, seja ele preto ou branco.

Títulos de notícias no Estadão on line:

Petróleo cai e derruba ações da Petrobras

Soros aposta 22% do seu fundo na Petrobras

Quem diria que o velho lobo do mar financeiro ia apostar seu fundo e perdê-lo em um teste do pré-sal qualquer, hein??

Deu no NYT: cientistas holandeses criaram um “mapa genético da Europa”.

Biologists have constructed a genetic map of Europe showing the degree of relatedness between its various populations.

All the populations are quite similar, but the differences are sufficient that it should be possible to devise a forensic test to tell which country in Europe an individual probably comes from, said Manfred Kayser, a geneticist at the Erasmus University Medical Center in the Netherlands.

The map shows, at right, the location in Europe where each of the sampled populations live and, at left, the genetic relationship between these 23 populations. The map was constructed by Dr. Kayser, Dr. Oscar Lao and others, and appears in an article in Current Biology published on line on August 7.

The genetic map of Europe bears a clear structural similarity to the geographic map. The major genetic differences are between populations of the north and south (the vertical axis of the map shows north-south differences, the horizontal axis those of east-west). The area assigned to each population reflects the amount of genetic variation in it.

Eis o mapa:

(clique para ampliar)

Nota-se que há uma barreira pronunciada entre os finlandeses e o restante dos europeus, que não passa desapercebida no estudo:

The map also identifies the existence of two genetic barriers within Europe. One is between the Finns (light blue, upper right) and other Europeans. It arose because the Finnish population was at one time very small and then expanded, bearing the atypical genetics of its few founders.”

Se Hitler soubesse disso é até possível que tivesse deixado os judeus em paz, se bem que a busca no Google por “typical finish people” traz resultados que provavelmente não deixariam Hitler muito entusiasmado com o “hate potential” do povo finlandês _ porque diabo os miseráveis tinham que parecer tão arianos? Porém, provavelmente desconfiados de que um dia a maré pode virar, criaram logo uma empresa de telefones celulares (provavelmente todos pré-grampeados) para saber o que o mundo está planejando.

O gozado é que os finlandeses não estão sozinhos nessa. Com menor taxa de separação, mas ainda assim outsiders, estão os italianos:

The other is between Italians (yellow, bottom center) and the rest. This may reflect the role of the Alps in impeding free flow of people between Italy and the rest of Europe.” [grifo meu]

Otzi que o diga.

Isso aqui é interessante, vikings à parte:

Europe has been colonized three times in the distant past, always from the south. Some 45,000 years ago the first modern humans entered Europe from the south. The glaciers returned around 20,000 years ago and the second colonization occurred about 17,000 years ago by people returning from southern refuges. The third invasion was that of farmers bringing the new agricultural technology from the Near East around 10,000 years ago.

E isso porque esqueceram de citar as invasões árabes. Bom ponto para um scaremongering, hein?

Em 1992, a TV Guide Magazine fez uma pesquisa intitulada: “Would You Give Up TV For A Million Bucks?

O resultado foi o seguinte: 46% dos respondentes disseram “não, obrigado”.

O que é “willingness to pay” suficiente para um serviço que é basicamente “de grátis”.

Mesmo sabendo que o público de blogs é um tanto diferenciado, pergunto: você toparia deixar de assistir TV pelo resto de sua vida por um milhão de dólares?

Tchan tchan tchan tchan!

Procurando por um determinado assunto na rede, topei com o site da Fenamilho. Abre aspas:

Maio é o mês da Fenamilho – Festa Nacional do Milho….A Fenamilho é uma realização do Sindicato dos Produtores Rurais, com apoio da Prefeitura Municipal e de empresas da cidade e da região – parcerias que dão sustentação e sucesso à extensa e diversificada programação.

O município em questão é Patos de Minas.

O que é interessante mesmo (bom, pelo menos para mim que não tenho maiores vínculos com o milho, seus derivados e sua cadeia produtiva) é que o site mantém uma galeria das fotos das Misses Fenamilho, começando em 1959, até hoje. E por mais que esse elenco de vencedoras certamente reflita também flutuações puramente conjunturais, como jabás, preferências pessoais dos jurados, etc, com certeza a galeria também mostra a evolução da noção de beleza através dos tempos (como podemos ver abaixo ao comparar a Miss mais antiga com a mais recente). Bom, pelo menos em Patos de Minas…

***

A galeria também oferece a oportunidade de avaliarmos a evolução dos nomes de misses através da segunda metade do Séc. XX ate a aurora do Séc. XXI. Começando pela indefectível Helena, de 1959, passando pela Maria Emília em 1960 e a Vera em 1961, até chegarmos na Raysilla (2002), Neila Nara (2003) e, ok, a Amanda (2007). Mas vocês não perdem por esperar mais um ano. 🙂

***

Isso porque o site mostra também as candidatas de 2008: Gisllene, Jaqueline, Jordânia, Júnia e uma inacreditável Katrina Rubiatânia…que aliás foi a vencedora do certame.  Parabéns, Katrina!

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O que aconteceu com os nomes? Eu não sei. Favor perguntar aos verdadeiros responsáveis, os pais de moças como Katrina Rubiatânia (donos de nomes relativamente comuns como Geraldo e Mari Lúcia – ok, Dona Mari, nada contra a senhora ou sua família, mas Mari Lúcia já é meio the shape of things to come).

Do Estadão:

O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto, disse ontem que é “lamentável e muito perigoso o flagrante desrespeito da Polícia Federal com o mais importante tribunal de Justiça do país”. A PF alegou que o uso de algema na Operação Dupla Face obedeceu a termos da portaria da cúpula da corporação, que autoriza o uso do equipamento. “Ao afirmar que portaria da polícia é mais importante que a Constituição, o delegado encarregado da operação presta desserviço à Nação”, acusou Britto. Para ele, a algema é usada como forma de antecipação da pena, “condenando moralmente os investigados e impingindo a eles condição indigna”.

O gozado é que o grande irmão do norte não parece se importar com isso. Prova. Prova.

Michael Jackson e Paris Hilton podem se importar, mas parece que não têm cacife bastante para acionar a Suprema Corte dos EUA. Já por aqui…

Claudio Haddad falando sobre a crise financeira hoje no Valor: depois de apontar o dedo acusador para um problema agente-principal dentro dos bancos, ou seja, para os seus empregados, a matraca do IBMEC metralha:

Será que nesse contexto mais regulamentação e controle governamental seriam a solução? Não necessariamente. Uma regulamentação mais inteligente poderia ter evitado um otimismo exagerado quanto ao grau de risco de operações estruturadas, classificadas como AAA, mas que se provaram ser de péssima qualidade na hora da crise. Entretanto, a análise tende a ser pelo espelho retrovisor, nada garantindo que a próxima crise não vá ocorrer com outro tipo de ativo, considerado mais seguro pelo regulador. Inibir a inovação financeira e controlar o sistema de forma rígida tampouco resolve. O Crédit Lyonnais era um banco estatal operando em um sistema financeiro pouco sofisticado e altamente regulado, o que não o impediu de ter de ser capitalizado pelo governo para não quebrar. O mesmo acontece hoje com os bancos estatais chineses.

O problema não é trivial e não há soluções fáceis. Excesso de regulação inibe a concorrência, restringe a oferta de crédito e dificulta a diluição de risco, sendo prejudicial à economia. O fundamental é ter muito cuidado para não passar do ponto.

Coitado, não passa no teste de Turing.

(*) Qualquer que seja o desastre, um robô não pode pôr em dúvida o livre mercado ou, por omissão, permitir que o livre mercado seja contrariado.

Deu no blog Zeros e Uns, da Exame, mantido por Sérgio Teixeira Jr.:

É do Brasil-sil-sil

Aconteceu o que parecia óbvio para muitos e que uma própria alta executiva da empresa disse ser uma “evolução natural”: toda a gestão do Orkut vai passar para o Google Brasil.

A mudança ainda está em andamento, e os responsáveis por ela preferem esperar um tempo antes de relatar em detalhes como será a nova gestão do serviço de maior audiência do Brasil. Mas a decisão já foi tomada. O Orkut será um dos raros produtos do Google totalmente gerenciados e desenvolvidos fora da sede, em Mountain View, na Califórnia.

O desenvolvimento vai ficar a cargo da equipe de 50 engenheiros que o Google tem em Belo Horizonte. Uma ou outra função específica pode ser terceirizada para outros centros, mas todas as decisões sobre o produto vão ser tomadas pelo escritório daqui. Quem está cuidando da transição é Victor Ribeiro, ex-diretor do UOL que foi contratado pelo Google em fevereiro.

“Era uma evolução quase natural”, diz Sukhinder Singh Cassidy, responsável pela empresa na América Latina e na região Ásia-Pacífico. “O Brasil tem a maior base de usuários do Orkut no mundo. Vamos aprender com os usuários brasileiros e levar as inovações que saírem do país para o resto do mundo.”

Essa notícia é mais um sinal da crescente importância do Brasil nos planos do Google. Como escrevi nesta reportagem exclusiva que está na nova edição de EXAME, o país foi promovido dentro da estrutura mundial da empresa e agora vai comandar toda a América Latina. O presidente do Google Brasil, Alexandre Hohagen, também subiu um degrau na companhia, e vai chefiar as operações da empresa do México até a Argentina.

Depois de anos esquecido em algum canto na sede do Google, quem sabe agora, sob o comando de brasileiros, o Orkut — e seus 29 milhões de usuários brasileiros — recebe a atenção que merece.

Ok, ok, ufanismos à parte, eu desconfio que esse movimento tem dois motivos básicos:

a) O primeiro está exposto no texto: no momento em que olho, a base de usuários do Orkut tem 53,3% de brasileiros.  Em distante segundo lugar vem a Índia (faz tempo que não olho, porque costumava ser o Irã ou o Paquistão), com 17,07% e em terceiro os EUA, com 15,14%.  Enquanto isso, redes sociais crescentes e afluentes como o Facebook são fortes nos EUA e Europa (mais dados aqui).  Isso significa, provavelmente, que qualquer que seja o modelo de negócios que transfomará redes sociais em dinheiro (e há considerável controvérsia sobre o assunto), o Orkut tem um potencial bem menor que seus atuais concorrentes.

b) O segundo tem a ver com os problemas legais enfrentados pelo Orkut.  Vocês provavelmente estão lembrados de episódios envolvendo desde problemas de privacidade e imagem até pornografia infantil envolvendo o site, que levaram o Google a ter que assinar um termo de conduta com o Ministério Público.  Esta fonte inesperada de problemas não deve ter deixado a firma cujo lema é “Don’t be evil” nada feliz.

Diante disso, acredito que a entrega do controle do Orkut à subsidiária brasileira provavelmente significa que o mesmo perdeu importância estratégica para o Google.   E pode significar também _ caso o Google ainda esteja convencido de que redes sociais, afinal de contas, são importantes _ que o Google vá às compras _ antes que um aventureiro o faça.

Deu na Exame:

Acionistas da PETROBRAS ameaçam ir à Justiça contra “Petrosal”

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO (Reuters) – Se o governo delegar à uma nova estatal todos os poderes sobre o petróleo extraído da camada pré-sal pode se preparar para ações na Justiça dos atuais acionistas da Petrobras .

Pela primeira vez reunidos em assembléia, depois de ter aumentado dentro e fora do governo o apetite por uma espécie de “empresa espelho” da Petrobras para o pré-sal, apelidada pelo mercado de “Petrosal”, os acionistas questionaram nesta quarta-feira o diretor financeiro, Almir Barbassa, que se limitou a dizer que não iria comentar o assunto.

Ele lembrou que uma comissão interministerial foi criada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tratar do pré-sal e que ainda não há nenhuma definição. O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, apóia a nova estatal.

A preocupação do governo é garantir maior arrecadação diante da perspectiva da existência de um volume de petróleo que colocaria o Brasil entre as grandes potências produtoras.

A reunião com os acionistas aconteceu um dia depois de o presidente Lula falar com todas as letras que o pré-sal “não é para meia dúzia de empresas”, aumentando ainda mais a preocupação em relação ao tratamento que será dado à nova área.

Até aí, tudo bem.  O direito de espernear é livre a acho que há fumos de bom direito na reivindicação dos acionistas, ao menos quanto às áreas já exploradas pela Petrobrás _ se hoje o pré-sal é uma área com “risco zero” de exploração isso se deve em grande medida à ação da empresa na área.  Porém às vezes nego se excede:

Pode ir para o Supremo (Tribunal Federal) e se alongar durante muito tempo sim”, disse à Reuters o presidente da Apimec/RJ [Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais, N. Hermê], Luiz Fernando Lopes Filho, após a assembléia, referindo-se à possibilidade de criação de uma nova empresa para o pré-sal.

Tem gente inclusive da própria oposição ao governo comungando com isso, que devemos aproveitar esses recursos extraordinários para investir em educação. Como disse ontem o Tasso Jeiressati…há um complô formado para isso, complementou.

Ou seja, o cara já caiu no “framing” do problema colocado pelo Presidente…e só vai sair dali bem machucado.   Se sair…   🙂

Foto da cantorinha censurada. Tadinha, até que ela não é tão feia, e um dentista faria maravilhas ainda a tempo dela aparecer na Olimpíada, eu acho.

***

Desculpinha da organização:

The audience will understand that it’s in the national interest,” said Chen Qigang, the musical director for the program.

Pelo visto o interesse nacional chinês se insinua nas situações mais inesperadas. Imaginem quando a China for uma superpotência pra valer…

Dawning of intelligence

Great news:

Learning how to cook food stimulated a big leap in human cognition some 150,000 years ago, a new study suggests. Cooking breaks down fibers and makes nutrients more readily available, so our digestive systems then required less energy than those of creatures eating all raw foods. This freed calories up to feed our brains, the thinking goes.

Ela já pode cantar no Faustão

Deu no Valor:

Lin Miaoke (foto) foi alçada rapidamente à categoria de estrela após sua performance cantando o hino chinês durante a abertura da Olimpíada de Pequim, mas o Comitê Organizador dos Jogos teve de admitir que ela apenas dublou uma outra menina, Yang Peiyi, depois de o Politburo chinês ter achado que sua voz não era boa o bastante e que a verdadeira cantora não era bonitinha o bastante. O Comitê reconheceu também que a cena de pegadas feitas com fogos de artifício havia sido gravada, usando efeitos de computador, e não ocorreu durante a cerimônia. O envolvimento de altas autoridades chinesas nesses detalhes do evento mostram quão seriamente os políticos estão levando o efeito de marketing que os Jogos podem ter sobre a imagem do país. Entretanto patrocinadores da Olimpíada têm reclamado que suas marcas não estão tendo a projeção que havia sido combinada com o Comitê Organizador. Isso pode levar a uma saia justa com as grandes empresas e o Comitê Olímpico Internacional, responsável pelas cotas dos patrocinadores.

E isso por enquanto. Suponho que assim que a engenharia genética estiver plenamente aperfeiçoada pequenos acidentes do acaso como esse serão rapidamente superados pelo Politburo…

***

Se bem que minha tese é que Lin Miaoke deve ser filha de algum alto comissário do PCC, já que não é possível que entre um bilhão e trezentos milhões de pessoas não seja possível achar uma menina bonitinha com boa voz…

A Gol diminuiu o tamanho da barrinha de cereal.

Enquanto o governo teme que o STF, em seu ataque de garantismos (gerando absurdos pelo caminho), vá derrubar a Lei Seca, os restaurantes vão tendo que se adaptar à nova realidade.  Um restaurante em Brasília me enviou o seguinte e-mail promocional:

Bom dia! Desejamos uma ótima semana a todos! A partir de hoje, o Gazebo passa a disponibilizar um motorista profissional que ficará à disposição daqueles amigos que quiserem relaxar bebendo um bom vinho durante o seu jantar, sem se preocupar em ter que dirigir depois…O profissional que irá dirigir o seu veículo será seguido pelo nosso veículo-escolta até o seu destino retornando com o motorista em seguida.

O que seria uma solução quase perfeita, a menos que a idéia fosse wine and dine e depois…motel.

Há sinais claros de que Tio Rei tá pirando na batatinha. Dois posts de hoje, o primeiro deles sobre…novelas:

O PADRÃO FLORA DA FAUNA DE SEMPRE

Não acompanho a novela das oito, que passa às nove, mas sei que o autor surpreendeu boa parte da audiência. A que se dizia boazinha e fazia praça da sua dignidade é, na verdade, a vilã de manual, e a outra, a que sempre cometeu o pecado de falar com clareza, é a inocente. Por mais uns cinco ou seis meses, o mal vencerá o bem, até que aconteça o contrário. O surgimento do folhetim trouxe consigo um aumento do otimismo das massas…

Huummm… Se decido processar alguém, quem arca com o custo da decisão sou eu. O mesmo vale para Diogo Mainardi. A fantasia da luta de pequeninos contra gigantes é falsa — como é falso tudo o que deriva da pena de ratazanas achacadoras — a fauna conhecida.” [grifos meus]

Speaks volumes.

O segundo post é sobre a guerra americana no Iraque:

Primeiro Diogo; depois o Wall Street Journal…

“Pouco importa o que aconteça em novembro, a guerra no Iraque não chegará ao fim por intermédio de Barack Obama ou de John McCain. A guerra no Iraque acabou. Os Estados Unidos venceram.”

Não é um trecho da coluna de Diogo Mainardi na VEJA desta semana, que chegou aos leitores na madrugada do dia 3. Cito o artigo de Bret Stephens — “Minha aposta com Francis Fukuyama” — no Wall Street Journal, publicado no dia 5. A seção em que escreve se chama “Visão Global” — aquela que muitos no Brasil, e até nos EUA, se negam a ter em relação ao tema.

Diogo na VEJA desta semana, se é que alguém não leu: “A guerra no Iraque acabou. (…) A campanha presidencial americana (…) também reflete um distanciamento amalucado da realidade. A plataforma dos candidatos para a guerra no Iraque baseou-se no cenário de um ano atrás. Barack Obama apostou numa derrota americana e prometeu fugir em disparada. John McCain apostou numa batalha longa e sangrenta, perfeita para alguém com seu passado militar.” [grifos meus]

Isso é engraçado, porque a maioria dos analistas sérios jamais previu uma derrota americana no Iraque. Nunca esteve em discussão que dada a desproporção de forças nem Saddam Hussein nem os insurgentes tinham condições de resistir ao poder militar dos EUA.

O problema aí é: como você define a vitória? Em 2005 Bush fez um discurso onde disse o seguinte:

Our mission in Iraq is clear. We’re hunting down the terrorists. We’re helping Iraqis build a free nation that is an ally in the war on terror. We’re advancing freedom in the broader Middle East. We are removing a source of violence and instability, and laying the foundation of peace for our children and our grandchildren.” [grifos meus]

Comparemos isso com o discurso de George Pai no início da guerra do Golfo em 1992:

Our objectives are clear: Saddam Hussein’s forces will leave Kuwait. The legitimate government of Kuwait will be restored to its rightful place, and Kuwait will once again be free. Iraq will eventually comply with all relevant United Nations resolutions, and then, when peace is restored, it is our hope that Iraq will live as a peaceful and cooperative member of the family of nations, thus enhancing the security and stability of the Gulf.

Desalojar o Iraque do Kwait era algo relativamente fácil para os EUA. Entretanto, os EUA estão descobrindo que o objetivo de “regime change” é um pouco mais complicado. Não é à toa que McCain fala em ficar 100 anos no Iraque, se for preciso _ mais tempo do que durou o British Raj.

Mas tudo bem. Já incorreram em semelhante erro antes.

Excelente post do Sergio Leo. Cool, muito cool. O Sergio Leo é muito cool, embora eu desconfie que o Oliveira seja seu alter ego. 🙂

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Agora, cá entre nós, também achei estranho pacas que os organizadores tenham optado por eliminar qualquer referência às “conquistas do socialismo”. Tudo bem que o PCC hoje faça o mea culpa da revolução cultural, mas achei deveras esquisito não ter um pinguinho de realismo socialista na parte artística da cerimônia.

Poster sobre o programa espacial chinês, 1999

A palavra “netnografia“.

É de matar o Aldo Rebelo de apoplexia.

Saiu essa foto aí no Estadão: Henry Kissinger, ex-secretário de Estado dos EUA, estava presente na cerimônia de abertura das Olimpíadas 2008, em Pequim.

Não deixa de ser irônico que a autoritária China, tão criticada por ninguém menos que o homem de Guantânamo, seja um dos únicos lugares para onde Kissinger pode viajar sem medo de ser preso.

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Quanto à cerimônia em si, só digo uma coisa: Londres vai ter que rebolar.

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Quase caí da cadeira quando vi a delegação de Formosa. Ué???

Falta de solidariedade de classe entre os camaradas vírus

Deu na Folha:

Vírus consegue atacar outro vírus, diz estudo na “Nature”

DA EFE

Até vírus podem sofrer infecções virais, afirmam cientistas franceses, numa descoberta que pode ajudar a explicar como eles trocam genes e evoluem rapidamente.
Uma equipe da Universidade do Mediterrâneo, em Marselha (França), descobriu um tipo de vírus até então desconhecido, que chamou de virófago.
O estudo foi publicado na revista científica britânica “Nature”. Quando observavam através do microscópio uma ameba infectada por uma cepa de mimivírus (o maior conhecido), os cientistas notaram que um pequeno vírus, batizado de Sputnik, estava grudado em outros vírus que se reproduziam numa ameba.
Já se conheciam vírus capazes de atacar bactérias, mas este é o primeiro exemplo de infecção viral em vírus, dizem os cientistas.
Embora não mate o mimivírus, o virófago reduz a taxa de reprodução da vítima e faz com que nasçam unidades deformadas do vírus. O objetivo do Sputnik, que não é capaz de infectar a ameba sozinho é aumentar a sua própria taxa de reprodução.
Vírus que adoecem reacendem o debate sobre se o vírus é um ser vivo. Alguns biólogos não os consideram vida porque eles não produzem suas próprias proteínas.

***

O interessante é que a matéria da Nature realmente tem um outro spin (observado muito de passagem na matéria da Folha), que é o de saber se um vírus é um ser vivo ou não.  Eis um trecho:

“There’s no doubt this is a living organism,” says Jean-Michel Claverie, a virologist at the the CNRS UPR laboratories in Marseilles, part of France’s basic-research agency. “The fact that it can get sick makes it more alive.”” [grifo meu]

Ou seja, o pesquisador parece pensar que a faculdade de poder morrer é que seria o traço distintivo da vida.

***

Meu velho pai, portanto, é quem estava certo.  Ele gostava de dizer o seguinte: “Pra morrer basta estar vivo”.

Tio Rei comenta notícia sobre a decisão do STF limitando o uso de algemas:

Bom, para começar, me pergunto se Tio Rei decidiu aprofundar a política da Veja de fazer “political statements” a partir da ortografia e, assim como em editorial a revista decidiu não mais grafar a palavra “Estado” com “e” maiúsculo, o colunista decidiu que o plural de “pobres” tem que ser assim mesmo, “os pobre”, tipo assim, pra reforçar o sentido da palavra.

É claro que esse é um detalhe que empalidece diante da descoberta feita por Tio Rei de que raios, a polícia TAMBÉM algema “os pobre”.  Quer dizer, isso quando dá tempo, já que a polícia não costuma gastar nem vela, que dirá algemas com defuntos.

Mas Tio Rei continua:

Com efeito, algemar alguém quando a pessoa não oferece resistência significa uma forma de antecipar a pena sem que tenha havido condenação — e uma das piores penalidades que há é a execração pública.

E eu, que pensava que Tio Rei dedicava seu blog à execração pública do alheio.  Bom, mas enfim, demorô.

Uma das coisas que mais me assombra no serviço público brasileiro é o fato de que a Justiça faz uma leitura tão restritiva do comando constitucional acerca da chamada “impessoalidade” que torna quase impossível a adoção de exames psicotécnicos na seleção de pessoal em concursos públicos. Como resultado, em todo concurso eu avalio que entrem uns 10% de pessoas um tanto perturbadas, e uns 2-5% de pessoas GRAVEMENTE perturbadas (gostaria de saber como isso se compara com a população geral, mas estou com preguiça de procurar).

Eu achava que esse era um problema só nosso. Mas descobri que há casos bem piores; há alguns dias, suicidou-se um cientista militar norte-americano que era o provável responsável pelo envio das cartas com antraz logo após os ataques de 11 de setembro. Agora, uma reportagem do NYT revela que ele estava pirando na batatinha já há algum tempo:

In Anthrax Scientist’s E-Mail, Hints of Delusions

WASHINGTON – Bruce E. Ivins went to work each day in a high-security federal laboratory where he handled some of the world’s deadliest substances. But more than a year before the 2001 anthrax attacks, the scientist admitted to himself that he was losing his grasp on reality.

“Paranoid man works with deadly anthrax!!!” he wrote in one e-mail message in July 2000, predicting what a National Enquirer headline might read if he agreed to participate in a study on his work.

“I wish I could control the thoughts in my mind,” he added a month later in another message to a colleague. “It’s hard enough sometimes controlling my behavior. When I am being eaten alive inside, I always try to put on a good front here at work and at home, so I don’t spread the pestilence.”

He continued, “I get incredible paranoid, delusional thoughts at times, and there’s nothing I can do until they go away.”

These e-mail messages and dozens of others are a central element in the case the Federal Bureau of Investigation laid out on Wednesday against the man they say is responsible for the anthrax attacks that killed five people and panicked the country. They provide glimpses into the personality of a man obsessed with a sorority that he first encountered while an undergraduate, asserting in an e-mail message that the women’s group was waging a “fatwah” against him.”

Como vêem, Dr. Freud, sempre certo.

Isso aqui é interessante:

An Army spokeswoman said researchers at Fort Detrick must undergo background checks by the F.B.I. before they may work with biological agents and toxins like anthrax. Employees are required to report “potentially disqualifying” medical problems or use of prescription drugs. Supervisors who notice that employees are under particular stress or are acting abnormally can block them from entering the high-security space. But Dr. Ivins was not barred from access to biodefense agents until November 2007, when his house was searched and guns were found. At that point, he was the leading suspect in the anthrax attacks.

É isso, a proverbial incapacidade de certas organizações reconherem um problema quando vêem um. Remember o caso da astronauta que tentou matar a esposa de outro astronauta de quem era amante.

E isso é fantástico, de botar Harvey Dent no chinelo:

By December 2001, Dr. Ivins began writing poems to himself about what he said were the “two people in one,” meaning “me+the person in my dreams.” In one, he wrote:

I’m a little dream-self, short and stout.

I’m the other half of Bruce – when he lets me out.

When I get all steamed up, I don’t pout.

I push Bruce aside, then I’m free to run about!

***

Decerto isso não é um apanágio das instituições públicas. De fato, imagino que na iniciativa privada exista um grande incentivo a se “fechar os olhos” para esquisitices e problemas mentais, se o funcionário for muito importante para a empresa. E não vejo problema nisso, embora pense que seria bom se houvesse um esforço de vigilância um pouco maior para detectar rapidamente se o cara está próximo de cruzar a linha. O que talvez, aliás, seja impossível.

Deu no Jornal do Brasil:

Cabo Anselmo ressurge com discurso de direita

Vasconcelo Quadros, Jornal do Brasil

BRASÍLIA – Parece brincadeira, mas era só o que faltava para tornar ainda mais exótica a política brasileira: Anselmo José dos Santos, o Cabo Anselmo, o ex-marinheiro que traiu a esquerda armada na época da ditadura militar, quer ser candidato à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2010 com uma bandeira de extrema direita: “Salvei o Brasil do comunismo em 64 e quero salvá-lo de novo”.

O slogan está sendo divulgado pelo delegado da Polícia Civil paulista Carlos Alberto Augusto, conhecido no período da repressão por Carteira Preta, policial que há 39 anos desempenha sozinho os papéis de protetor, guardião e porta-voz do Cabo Anselmo.

E o sujeito é disputado:

O delegado garante que a candidatura não é apenas mais uma idéia excêntrica dos órfãos da ditadura militar.

– Hoje, cinco partidos de direita querem o Anselmo como candidato. E ele será – disse. – Está faltando a documentação que devolva a ele a cidadania e os direitos políticos.

Mas quem, exatamente, é o valoroso candidato?

Traidor que levou à morte dezenas de ex-companheiros das guerrilhas urbana e rural, Cabo Anselmo é um triste personagem que vaga clandestinamente pelo país há mais de 40 anos. No ato de traição mais marcante, entregou à morte seis ex-companheiros do grupo guerrilheiro Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), entre os quais, sua ex-mulher, a paraguaia Soledad Barret Viedma, grávida de cinco meses.

As execuções, ocorridas em janeiro de 1973, em Abreu e Lima, município da Região Metropolitana de Recife, ficaram conhecidas como o Massacre da Chácara São Bento e deram a Anselmo José dos Santos o apelido de Anjo da Morte. Embora já tenha afirmado que não sabia da gravidez da ex-mulher, o fato de Soledad ter sido encontrada morta ao lado do feto é o maior trauma que carrega na sua vida errante.

***

Me parece que aqueles que querem igualar os crimes cometidos pelos guerrilheiros e os cometidos pela repressão, digamos, exageram.

***

OK. Não acho que veremos um Reinaldo Azevedo, por exemplo, levar água para este tipo de moinho. RA tem um caso de amor com Serra onde a fidelidade parece ser a tônica. Mas o wild fringe da blogoseira anaeróbica, essa pode começar a flertar com a idéia…vai ser engraçado.

***

O Cabo Anselmo quer anistia.  Será que ele merece?

***

Update:

Na verdade, nem é preciso procurar muito.

Um filme muito superestimado.

Estréia nesta semana o “Encarnação do Demônio”, de José Mojica Marins, o Zé do Caixão.

Pra quem não sabe, o filme é a terceira e última parte de uma trilogia:

  1. À Meia-Noite Levarei sua Alma ( 1964 )
  2. Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver ( 1967 )
  3. Encarnação do Demônio ( 2008 ) (!!)

No que deve ser provavelmente a mais demorada trilogia já registrada nos Annales do cinemá. “Development Hell” é pinto.

O filme tem site.

***

Esses dias fiquei pensando, “Pô, como é que a direiteca anaeróbica ainda não baixou o pau em um filme certamente produzido com recursos das leis de incentivo e com uma temática tão…demoníaca?”.

De fato, diz uma reportagem do Estadão sobre o filme, logo no início das filmagens:

É a primeira vez em quase 30 anos que o cineasta [Mojica, Nt. Hermê] vai dirigir um longa. Também é a primeira vez que Mojica filma com verba captada pelas leis de incentivo. Para quem fazia filmes artesanais, os cerca de R$ 1 milhão que o novo filme vai custar serão suficientes para a carnificina cinematográfica.” [grifos meus]

Aí fui conferir o patrocínio no site do filme:

Este filme foi realizado com recursos do edital para filmes de baixo orçamento Secretaria do Audiovisual / Ministério da Cultura / Governo Federal/Programa de Fomento ao Cinema Paulista e Programa de Apoio à Cultura (Lei Estadual 12.268/06) / Governo do Estado de São Paulo / Secretaria de Estado da Cultura. Apoio Institucional Prefeitura do Município de São Paulo Lei 10.923/90.

Ah, tá explicado.

***

Curiosamente, Mojica não gastou grana em efeitos especiais. Diz o blog do Zanin:

A facilidade de recursos não fez com que Mojica utilizasse técnicas de computador para simular efeitos. “Prefiro o método artesanal mesmo”, diz.
Por método artesanal, entenda-se que as baratas e aranhas são de verdade mesmo e que uma atriz saia do ventre de um porco e a cena se faça com a carcaça de um animal desossado. Algumas das atrizes falaram da dificuldade e dos desafios de trabalhar nessas condições. Enfim, Mojica é hard mesmo e não mudou apenas porque desta vez tinha técnicos em quantidade e qualidade como nunca e porque havia dinheiro disponível.

Mojica explica:

Diz que o filme ficou caro não porque tenha usado computador ou qualquer coisa sofisticada do tipo, mas porque as pessoas desta vez foram bem pagas. “E bem alimentadas”, acrescenta. “Antigamente, o que eles comiam era, no máximo, um sanduíche de mortandela.

Tá, tá, é dinheiro público e tal. Mas é impossível não simpatizar com o cara.

***

E em seguida, eu falo sobre o Batman.

Reportagem no Valor sobre o mercado de música religiosa no Brasil.

Um fato curioso:

O mercado de música religiosa desafia a crise da indústria fonográfica. Puxado pelas gravadoras evangélicas, o segmento está conseguindo o milagre de crescer quando quase tudo ao redor está em queda acelerada. No ano passado, as vendas gerais de CDs e DVDs caíram 31%. Não há dados consolidados sobre a música religiosa, mas as avaliações no setor são positivas. Gravadoras especializadas como a MK Music e a Unirecords afirmam ter crescimento expressivo. No mercado, a projeção é de que as vendas de CDs religiosos chegam a cerca de 25 milhões de unidades.

Um motivo razoável:

O rápido crescimento dos evangélicos tem impulsionado os negócios em torno da música religiosa, mas há outro ponto importante: a pirataria – tanto física como na internet – é menor que no resto da indústria. A explicação está ligada às próprias convicções religiosas do consumidor. “Pirataria é pecado”, diz Milena Pinho, da gravadora MK.

Por causa dessa pirataria branda, o Carrefour tem olhado com mais atenção para o segmento. “Não temos problemas com a concorrência dos CDs piratas, o que nos garante maior rentabilidade”, diz Anderson Paiva, diretor de desenvolvimento de vendas de bazar (área que inclui discos) da rede.

Uma ameaça latente:

Uma das prioridades é levar a música religiosa para o celular, já que parte dos evangélicos no Brasil estão em classes mais populares. “O celular é o lugar para esse tipo de consumo; 2009 será o ano da música gospel no aparelho”, afirma Llerena. ” [grifos meus]

Humm.

I see that Political Theory has just published Alexander Wendt and Raymond Duvall’s piece, Sovereignty and the UFO (link to abstract; the article itself is behind a paywall) an article which, it is fair to say, has acquired a certain degree of notoriety. Wendt and Duvall make a complex argument, drawing on Derrida, Agamben etc, but their basic claim is pretty straightforward as I read it. First – there is some material basis to suggest that there is some objective phenomenon, perhaps involving extraterrestrials, perhaps not, behind UFOs. Second, the failure of states to further investigate UFOs, despite this evidence, suggests that there is some structural reason why UFOs simply do not compute for states. Third, the most important structural cause for this blindness likely lies in the nature of sovereignty – because sovereignty presupposes a kind of anthropocentrism, sovereign authorities can’t deal with the possibility of alien intelligences, and hence construct a ‘regime of truth’ in which the notion that UFOs might exist is ipso facto ridiculous. Not only that; a proper understanding of UFOs might lead to the collapse of our current notions of governmentality.”

Please debate.

Thread inteira: ici, ou de forma mais estruturada, ici.

Huguinho, Zézinho, Luisinho e o Pato Donald…

No que provavelmente se trata de um evento cultural onde você talvez não estivesse disposto a levar seus filhos, o Museu de História Natural de Berna, na Suíça, apresenta uma mostra com os esqueletos de vários personagens de quadrinhos.

E com requintes de paleontologia explícita:

A mostra “Animatus” criou nomes científicos em latim para cada personagem mostrado. Assim o coiote, eterno inimigo do Papa-Léguas, foi chamado de Canis latras animatus, e o pássaro veloz perseguido por ele levou o nome de Geococcyx Animatus.

Segundo essa nomenclatura, o Pernalonga pertence à espécie Lepus Animatus e o Pato Donald leva o nome científico de Anas Animatus.

Eu só espero que isso não detone uma nova onda de HQ´s mostrando as aventuras dos esqueletos de personagens das bandes dessinés.

Apesar de que eu gostaria de ver o esqueleto do Floquinho.

***

UPDATE:

Sim, sim, esqueletos estão na modaMesmo.  E não é a isso que me refiro.

Ontem, no Rio, comprei a nova Piauí.

Bem, confirmei minha primeira impressão: a revista é boa. Também acho que o Samurai está errado ao dizer que é revista de banqueiro. Revista de banqueiro é a Forbes. No Brasil…bom, no Brasil eu duvido que algum banqueiro que se respeite leia o lixo que é a Veja, por exemplo.

***

Ao comprar a Piauí na livraria do aeroporto, ganhei de brinde um negócio que eu achei que fosse um shampoo. Ao chegar em casa, depositei o pseudo-shampoo na penteadeira da minha digníssima cara-metade e o esqueci.

De manhã, a Sra. Hermenauta me pergunta, com o treco na mão:

_Que diabo é isso?

E eu tive que me explicar. E muito, porque o negócio não era um shampoo: era um tal creme que as mulheres usam para ajudar no penteado, uma maravilha da cosmética moderna de cuja existência eu sequer suspeitava. Infelizmente para mim, tratava-se de um cosmético um tanto bandeiroso, cujo porte não-autorizado sinaliza para qualquer esposa que se preze um indício de possíveis conexões extra-conjugais.

Aqui cabe uma nota informativa para o neófito na vida de casado: para um homem, casar é entrar no maravilhoso mundo da indústria química. A penteadeira de dona Hermenauta faria salivar de satisfação um oficial de guerra química da Wermacht. Portanto, o grande lance da história é: como, dentre tantos frasquinhos, frascões, vidros, potes, etc, ela conseguiu singularizar o inocente pote de pseudo-shampoo e reconhecê-lo como “non self“.

Depois falam das fêmeas de tartaruga.

Deu no Estadão:

Em cadeia nacional, Hugo Chávez descreve como teve diarréia

Presidente venezuelano conta ao vivo no programa ‘Alô Presidente!’ o problema que passou em evento oficial

CARACAS – Na última edição de seu programa de televisão Alô Presidente!, exibido neste domingo, 2, o presidente venezuelano Hugo Chávez descreveu em rede nacional a ocasião em que sofreu com problemas intestinais durante um evento oficial nas obras do túnel Caracas-Tuy. “Sou um ser humano como qualquer um de vocês, às vezes as pessoas se esquecem disso”, afirmou.

Hummm…”as pessoas” quem, cara-pálida??

Por algum motivo, aquele meu famoso complexo de inferioridade faz com que o Paulo não pare de linkar este blog.

Agora ele resolveu, por algum motivo, me citar como o exemplo acabado de um fenômeno que assola…os EUA, qual seja, o fato de que a maioria dos “liberals” norte-americanos vive enfezada:

In May 2008, the Gallup Organization asked 1,200 American adults how many days in the past week they had felt “outraged.” The average number of angry days was 1.17, and 54% of those surveyed said none. Only one in 20 reported being outraged every day. Despite the litany of horrors presented to us daily by campaigning politicians, most of us appear to be doing really quite well managing our anger.

Indeed, we are less angry today than a decade ago. Let’s look back to the glory days of the 1990s, when — according to the media narrative — we enjoyed uninterrupted peace and prosperity. In 1996, the General Social Survey asked exactly the same “outrage” question of 1,500 adults. Then, only 38% had not been outraged at all in the past week. The average number of angry days was 1.5 per week, 29% higher than at present.

Virtually every group in the population is less angry in 2008 than in 1996 — those making more and those making less than the average income; college-educated and noncollege-educated folks; men and women.

Only one major group in the population has gotten angrier: people who call themselves “very liberal.”

Eu não vejo exatamente o motivo pelo qual eu deveria viver enfezado _ afinal estou muito mais satisfeito com o governo brasileiro do que os liberais americanos com o deles (na verdade, a maioria dos americanos não está satisfeita com o seu governo, segundo as pesquisas).

Por outro lado, deve ser realmente difícil para o Paulo imaginar porque motivo após 8 anos de bushismo, duas guerras, enorme déficit, e crise financeira com poucos precedentes, com americanos perdendo suas casas, os liberais ficariam tão zangados.

Outros enigmas que o Paulo não consegue decifrar:

_ porque o Sol sempre nasce de manhã;

– porque o céu é azul;

– como é que os aviões conseguem voar;

– de onde vêm os bebês.

O canal pago inglês Dave fez uma pesquisa para descobrir quais seriam as 10 mais antigas piadas do mundo. São elas, segundo o canal:

1. Something which has never occurred since time immemorial: a young woman did not fart in her husband’s lap (1900 BC – 1600 BC Sumerian Proverb Collection 1.12-1.13)

2. How do you entertain a bored pharaoh? You sail a boatload of young women dressed only in fishing nets down the Nile and urge the pharaoh to go catch a fish (An abridged version first found in 1600 BC on the Westcar Papryus)

3. Three ox drivers from Adab were thirsty: one owned the ox, the other owned the cow and the other owned the wagon’s load. The owner of the ox refused to get water because he feared his ox would be eaten by a lion; the owner of the cow refused because he thought his cow might wander off into the desert; the owner of the wagon refused because he feared his load would be stolen. So they all went. In their absence the ox made love to the cow which gave birth to a calf which ate the wagon’s load. Problem: Who owns the calf?! (1200 BC)

4. A woman who was blind in one eye has been married to a man for 20 years. When he found another woman he said to her, “I shall divorce you because you are said to be blind in one eye.” And she answered him: “Have you just discovered that after 20 years of marriage!?” (Egyptian circa 1100 BC)

5. Odysseus tells the Cyclops that his real name is nobody. When Odysseus instructs his men to attack the Cyclops, the Cyclops shouts: “Help, nobody is attacking me!” No one comes to help. (Homer. The Odyssey 800 BC)

6. Question: What animal walks on four feet in the morning, two at noon and three at evening? Answer: Man. He goes on all fours as a baby, on two feet as a man and uses a cane in old age (Appears in Oedipus Tyrannus and first performed in 429 BC)

7. Man is even more eager to copulate than a donkey – his purse is what restrains him (Egyptian, Ptolemaic Period 304 BC – 30 BC)

8. Augustus was touring his Empire and noticed a man in the crowd who bore a striking resemblance to himself. Intrigued he asked: “Was your mother at one time in service at the Palace?” “No your Highness,” he replied, “but my father was.” (Credited to the Emporer Augustus 63 BC – 29 AD)

9. Wishing to teach his donkey not to eat, a pedant did not offer him any food. When the donkey died of hunger, he said “I’ve had a great loss. Just when he had learned not to eat, he died.” (Dated to the Philogelos 4th /5th Century AD)

10. Asked by the court barber how he wanted his hair cut, the king replied: “In silence.” (Collected in the Philogelos or “Laughter-Lover” the oldest extant jest book and compiled in the 4th/5th Century AD)

***

Gostei mais de 5 e 8. A 9 também é conhecida, mais modernamente, como a do “cavalo do inglês”.

Curiosamente, entre as 10 mais antigas piadas nenhuma versa sobre a mais antiga das profissões.

***

Fiz uma pesquisinha e encontrei outras pequenas antologias de piadas antigas.

No Religions of The Ancient Mediterranean:

An intellectual was on a sea voyage when a big storm blew up, causing his slaves to weep in terror. ‘Don’t cry,’ he consoled them, ‘I have freed you all in my will’”

[a fonte é o mesmo Philogelos citado nas piadas 9 e 10 acima, e que é uma das fontes mais antigas de humor ancestral conhecida]

No Diotima (que tem uma coleção bem maior de piadas do Philogelos):

A man, just back from a trip abroad, went to an incompetent fortune-teller. He asked about his family, and the fortune-teller replied: “Everyone is fine, especially your father.” When the man objected that his father had been dead for ten years, the reply came: “You have no clue who your real father is.”

A misogynist paid his last respects at the tomb of his dead wife. When someone asked him, “Who has gone to rest?,” he replied: “Me, now that I’m alone.” [eu tenho certeza de que já vi esta em algum lugar, travestida de piada moderna]

Aqui no NY Chinatown, um conjunto de piadas alegadamente antigas, alegadamente chinesas:

Once upon a time there was a lazy fellow who did not want to work, and stayed home only to suffer from cold and hunger. As time went by, he knew had to find a job, hopefully an easy one, in order to support himself.

One day someone said to him, “Go to the graveyard! Indeed, there is no other easier job than working at graveyard.”

So the fellow happily went to work at the graveyard, but he soon quit, grumbling to everyone he met, “It’s so unfair! They are all lying down, while I have to stand there by myself.

Penso que o humor não mudou muito. O Homem, animal que ri.

(hat tip: Ratapulgo Escarlate)

O Makunaima grita está com uma campanha pela imediata demarcação da Reserva Raposa do Sol:

“O coletivo Makunaima Grita lança em seu site http://www.makunaimagrita.com/ campanha de apoio à manutenção da demarcação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol.

Entre e assine a petição que será encaminhada aos ministros do Supremo Tribunal Federal, órgão responsável pelo julgamento do caso da Raposa, previsto para o mês de agosto.

Sua adesão é muito importante, pois o que está em jogo não é somente a demarcação de uma terra indígena, mas a garantia dos direitos territoriais de todos os povos indígenas no Brasil e, além disso, o respeito à Constituição e à democracia pluralista de nosso país.

Se você não está por dentro do caso, acesse o site e encontre, além da petição: resumo do caso, artigos, documentos, notícias e vídeos.

Lute pelo Brasil que você acredita!

contato@makunaimagrita.com”

Nariz Gelado comentando a pane do Sitemeter vs Microsoft Internet Explorer:

Não sou muito afeita a teorias da conspiração. Mas tem toda a cara de ser um protesto dos morrinhas anti-globalização, ou qualquer coisa do gênero, contra o recém aposentado Bill Gates.

Quer dizer, os adeptos do open source, que ela parece equacionar, sabe deus porquê, ao movimento anti-globalização, agora são responsáveis pelos problemas do Sitemeter (pois parece ter sido esse o caso segundo nota do blog da empresa).

Ainda bem que ela não é afeita a teorias da conspiração.  Imaginem se fosse.

Tio Rei continua cuspindo suas notinhas sobre “o Estado policial”:

Estado policial 4 – Supremo discute amanhã uso de algemas

Por Mariângela Gallucci, no Estadão:
O Supremo Tribunal Federal (STF) vai deixar claro que a colocação de algemas em presos deve ser uma medida excepcional e não uma regra nas operações policiais e nos julgamentos. O plenário do STF vai discutir o assunto amanhã na análise de uma ação movida por um condenado que ficou algemado durante todo o seu julgamento no Tribunal de Júri. No caso, A.S.S. foi condenado a mais de 13 anos de prisão por homicídio triplamente qualificado.
Segundo ministros do STF, o uso das algemas somente deve ocorrer quando houver chances de o preso fugir ou de ele colocar em risco a segurança das outras pessoas e dele próprio. Há uma tendência no Supremo de concluir que a decisão sobre a necessidade do uso de algemas cabe à autoridade ou órgão que determinou a prisão. “Teoricamente, algemas servem para impedir fuga, agressão, suicídio. Algema só deveria ser usada quando realmente necessário”, explicou o ministro Carlos Ayres Britto.
O ministro vai além e se diz contra o transporte de presos “no maleiro das viaturas policiais”. “A polícia que aparelhe suas viaturas com um banco para os presos.” Britto também considera que é necessário haver um tratamento isonômico nas operações para prender ricos e pobres. Sobre o uso de algemas em réus durante júris, o ministro concorda que isso pode ser prejudicial à imagem da pessoa que está sendo julgada.

***

Já dizia Millôr Fernandes que apenas a péssimas condições de nossas prisões é que as impediam de ser frequentadas pela nossa melhor sociedade.

Parece que foi preciso prenderem Daniel Dantas para a realidade se adequar à bazófia milloriana.

Que azar o deles, serem presos antes do DD!

Manchete no Estadão:

Afinal, a classe média aumenta porque o poder de compra se elevou ou o poder de compra se elevou porque a classe média aumentou?

Vamos ver se a matéria melhora ou piora as coisas:

SÃO PAULO – O crescimento da classe média brasileira está diretamente relacionado ao bom momento econômico vivido pelo País e aumenta em muito o poder de compra da população. A avaliação é do professor da Faculdade de Economia e Administração (FEA) da Universidade de São Paulo, Edson Crescitelli.”

De novo, causalidade invertida: “o crescimento da classe média brasileira…aumenta em muito o poder de compra da população“.

Mas quando a matéria se digna a transcrever as palavras do pesquisador, a coisa melhora:

Esse crescimento foi basicamente causado por uma melhora na distribuição de renda” no País, disse Crescitelli. Essa melhora “está atrelada a um bom momento econômico, que gera mais emprego, mais salários.

De fato, é isso o que faz sentido: o aumento do poder de compra devido à distribuição de renda é que aumenta a classe média.

Pode parecer coisa de blogueiro cri-cri, mas em tempos em que a maior revista semanal do País, a “veja”,  assume em editorial que por razões ideológicas doravante passará a escrever a palavra “Estado” com “e” minúsculo, é bom desconfiar dessas pequenas “poison pills” que os editores deixam aqui e acolá.

Há muitos e muitos anos atrás, eu fui selecionado no processo seletivo de uma prestigiosa instituição estatal. A seleção dava direito a matrícula em um curso de longa duração, com posterior aproveitamento nos quadros da tal valorosa instituição estatal.

Os alunos do curso ficavam alojados em casas um pouco distantes da escola, em verdadeiras repúblicas de seis alunos cada uma.  No meu caso, me coube dividir a casa com dois panamenhos, além de 3 colegas cariocas.  Também havia, na turma, outros latino-americanos e alguns africanos _ fiquei sabendo tratar-se de estratégia do líder máximo da tal instituição para para alçar vôos mais altos, angariando votos para eleger-se presidente de uma organização internacional.

Na nossa ingenuidade de jovens, resolvemos que faríamos compras em conjunto e contrataríamos uma empregada para fazer comida para todos, comunitariamente [é claro que o primeiro assalto noturno à geladeira deu briga e desfez o acordo].  Nossa preocupação era com os panamenhos, que não entendiam chongas de português _ temíamos que eles se enrolassem com o dinheiro e fossem passados para trás.  Assim, combinamos que nós, brasileiros, faríamos as compras por algumas semanas, enquanto eles observariam para ir pegando o jeito, até que nos sentíssemos seguros em dividir todas as tarefas com eles.

Ocorre, porém, que sem que soubéssemos os panamenhos reclamaram à direção da escola quanto a nosso acordo, embora, aparentemente, tivessem concordado com a idéia.   Tinham medo de que os estivéssemos passando para trás.

Ato contínuo, fomos, os quatro brasileiros, convocados à coordenação da turma.

O coordenador da turma era um velho coronel, que para os efeitos deste post, chamarei de “Coronel Valdir”.  Ele era muito severo.   Ele era da arma da Cavalaria.

Bem, chegamos e sentamos no sofá.  É possível que tremêssemos; contávamos como certa no mínimo uma expulsão do curso.  Mas iríamos ao menos tentar explicar a situação.

Não foi preciso explicar nada, porém.

Refestelado em sua poltrona, o Coronel Valdir nos olhou e nem nos deixou falar.  Disse ele:

_ Olha, pessoal, fiquem tranquilos.  Eu jamais duvidaria da honradez e honestidade de cidadãos brasileiros qualificados como vocês.  O problema é que esse povo tem é inveja _ e aí, ele pulou da cadeira, mesmo entrado em anos, grudou-se à janela e mostrou para nós o mundo lá fora, com as mãos espalmadas _ inveja de Brasília, inveja de um país que construiu Brasília e é uma potência.  Essa gente, lá na terra deles, nem sabe comer com talher, ora essa!

Isto posto, nos fez uma leve recomendação de que tentássemos domesticar os bugres panamenhos, levando-os a um supermercado e supervisionando suas compras, e tudo morreu ali.

***

Pois é.  Às vezes eu tenho a impressáo que o Lula pensa a mesma coisa do Chávez.

Tudo bem, não vou querer aqui discutir o uso consagrado de certas palavras para designar as partes pudendas das plantas, tais como “pistilo”, “estigma” e “androceu”.  Mas há uma palavra que acho que deve ser resgatada dos manuais de botânica.

Gineceu.

Cá entre nós, “gineceu” não parece nome de colégio interno para moças?

_ “Carlota Regina fez seus estudos no Gineceu Maria da Penha“.

E mais.  Vocês não conseguem imaginar estes títulos para livros de Adelaide Carraro (ou alternativamente, peças de Nelson Rodrigues):

_ “Gineceu das Depravadas”

_ “A Desinibida do Gineceu”

Mas posso estar delirando.

Ainda em Brasília, a caminho do aeroporto, um outdoor de uma escola de dança.  No mesmo outdoor, duas mensagens:

“Aprenda a dançar!  Qualquer estilo em apenas 15 dias!”

“Precisa-se de professores de dança”

***

O Rio de Janeiro continua lindo.

***

Mas será que em algum outro país os passageiros batem palmas quando o piloto faz uma aterrisagem especialmente suave?

***

Entreouvido na Av. Rio Branco:

_ Pois é, fulano abriu uma firma.

_ Firma de quê?

_ Tipo assim, uma firma de idéias.

***

No avião, durante o embarque, o alto-falante de bordo soa:

_ Sra. Mala de tal, por favor apresente-se à comissária de bordo.

Eu penso: isso não vai dar certo.

Entra uma mulher alta, elegante.  A aeromoça que está na porta pergunta:

_ A Sra. é a Mala?

A mulher alta perde a elegância:

_ Mala?  Que mala?  Que história é essa, minha filha?

Beam me up, FSM!

O ator James Doohan, que fazia o engenheiro e mecânico supremo da Enterprise no seriado Star Trek, Montgomery Scott, faleceu em julho passado de 2005 (hat tip: Silas). Sua amantíssima esposa fez o que pôde para não ter que ir visitar o túmulo todo ano e enviou suas cinzas para serem lançadas ao espaço a bordo do Falcon 1, um empreendimento privado destinado a alcançar o espaço de baixa órbita a preços camaradas.

A espaçonave, entretanto, despedaçou-se sobre o oceano Pacífico, dois minutos após seu lançamento do atol de Kwajaleen, e as cinzas do ator, ao invés de irem parar na órbita terrestre, foram engrossar o caldo do mar de plástico.

A Slashdot fez graça dizendo que se o engenheiro do vôo fosse ele nada disso teria acontecido.

***

OK. Há destinos piores que a morte, ainda que ela venha em dose dupla.

No Slashdot:

“According to The Register, “the Knights Templar are demanding that the Vatican give them back their good name and, possibly, billions in assets into the bargain, 700 years after the order was brutally suppressed by a joint venture between the Pope and the King of France…”.”

O resto da matéria no The Register é interessante:

The Daily Telegraph reports that The Association of the Sovereign Order of the Temple of Christ has launched a court case in Spain, demanding Pope Benedict “recognise” the seizure of assets worth €100bn. The Spanish-based group of Templars apparently says in a statement: “We are not trying to cause the economic collapse of the Roman Catholic Church, but to illustrate to the court the magnitude of the plot against our Order.” This might come as a surprise to those who believe that the order of warrior monks – also credited with possessing the Holy Grail and laying the foundation of the European banking system – was smashed in 1307 by Pope Clement V and Philip IV of France.

At the time, the order was accused of a multitude of crimes, including two medieval biggies – sodomy and heresy.

However, recently discovered Vatican papers showed that the order had never been declared heretics, burnings at the stake for the leadership not withstanding.

Rather, it appeared that the order’s suppression was more a piece of realpolitik on the pope’s part to pacify Philip, who was somewhat irked by the prospect of the powerful order increasing its continental activities after Jerusalem fell to the Turks.

Despite the order’s brutal apparent suppression, its legacy has been claimed by numerous successor organisations, and besmirched by popular authors ad nauseum.

One of the successors, Ordo Supremus Militaris Templi Hierosolymitani, is apparently recognised by Unesco.

We contacted the UK branch, otherwise known as the The Grand Priory of Knights Templar in England and Wales, to see if they could throw any light on the matter but they have yet to get back to us.

The Grand Priory’s website says the modern organisation is about humanitarian and charity work. There is no mention of the Holy Grail, though it does support the maintenance of the Holy Places.

And if you’re looking for esoteric rites or secret higher knowledge, you’re likely to be disappointed. The website says: “Please don’t expect to be enlightened with some supposed ‘secret’ knowledge, because nothing exists.”

Of course, any conspiracy theorist will tell you that’s exactly what you’d expect them to say.

***

De fato, como legitimar uma instituição que se diz remanescente dos Templários, se eles foram destruídos?  Só se eles aparecerem com o Santo Graal nas mãos.  Caso em que provavelmente não necessitariam de acionar a Santa Sé.

Bom, para mim está claro que se trata de movimento relativamente autônomo e de corte eleitoral por parte do Ministro Tarso Genro.  Ele quer se posicionar como alternativa à Ministra Dilma no coração do PT, e para isso precisa se manter à tona, de preferência fora das confusões da Polícia Federal.

É claro que sair do caldeirão da PF para cair no outro caldeirão, mais fervente e profundo, das mágoas militares, não é exatamente uma boa idéia.  Portanto acho que o ministro está brincando com fogo.

Nem por isso deixo de observar que a mídia anaeróbica comporta-se de modo errático na condução deste assunto.  Por exemplo, abundam críticas às famosas indenizações das vítimas da Ditadura, mas não se admite que a única forma de avaliar se elas são ou não justas seria destampar o caixão podre dos atos da Ditadura.

As indenizações, creio, são o preço a pagar pelo silêncio.  Não dá para comer o pudim e continuar a mantê-lo na geladeira, para cometer um anglicismo.

(clique para ampliar)

Dentro da já significativa tradição da atribuição de conotações políticas à história do Mágico de Oz, esta charge não faz feio.

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