You are currently browsing the daily archive for julho 25, 2008.

Tomo a liberdade de reproduzir um texto do blog A La Gauche:

Lucidez Embriagada

HÁ MUDANÇAS ESTRUTURAIS em marcha. O acordo ortográfico e a Cimeira da CPLP são apenas os palcos institucionais da metamorfose. Os códigos sociais em confronto trabalham inconscientemente para a reformulação de um paradigma identitário. As alterações sociais criadas pela imigração massiva de culturas distintas — particularmente a brasileira — aceleraram os processos tradicionais de mudanças e rupturas. A mobilidade social, a globalização e a maturação da consciente de uma identidade transportam as bases da alteração da estrutura vigente. Naturalmente as rupturas acarretam uma carga q.b. de confrontos subjacentes. A matéria da imigração e as mudanças sociais — vislumbra-se um carácter social nacional — são terreno arenoso. A discussão acerca de uma nova identidade requer uma abordagem melindrosa mas coerente. Há na sociedade portuguesa um sentimento de rejeição e de bloqueamento da mudança. Onde outrora era possível encontrar um fascínio claro pela exótica cultura brasileira — naturalmente motivada pela distância, pelo desconhecimento e pelos fluxos de imagens filtradas –, hoje encontra-se um desgosto xenófobo motivado por uma imigração de baixa formação cívica e cultural. Essa postura anti-relacional funciona como bloqueio de uma mudança que opera no subsolo das relações sociais.

A rejeição do acordo ortográfico é o mais claro exemplo desta contra força social. A política da língua portuguesa no mundo requer uma uniformização, padronização e aproximação dos actores sociais constantes do processo. O isolamento linguístico (e deste modo político) não representa uma estratégica. O colonialismo esgotou-se no tempo. o Brasil, à luz da nova ordem internacional, é um actor emergente com propensão a parte integrante do ordenamento global. A associação a este país não é uma opção mas uma inevitabilidade política, que o governo português tem cada vez maior consciência. Contrariamente a essa consciência política, há uma desaprovação social latente, que funcionará sempre como estanque do processo (sabemos que um paradigma requer uma aceitação social para que seja operante). Nesse sentido, a leitura de diversas opiniões contrárias e até mesmo carregadas de um caldo xenófobo, não têm se não a ver com confrontos sociais camuflados. A língua é só uma desculpa.

E este outro excelente texto explica que a questão é bem mais complicada do que parece:

Por trás dos diferentes conflitos e negociações vividos na comunidade portuguesa no Brasil e na comunidade brasileira em Portugal, haveria uma aparente dúvida do Estado Português entre estar de costas ou de frente para o Atlântico, mas que de fato significaria a solução encontrada para a internacionalização da economia portuguesa. “No contexto da atual política de internacionalização da economia, o Estado pós-colonial português, juntamente com investidores e empresas de Portugal, voltam-se uma vez mais aos seus antigos espaços coloniais – hoje ‘território [supranacional] da língua portuguesa”, ressalta Bianco.

Na verdade, o governo português estaria buscando equilibrar dois interesses distintos: por um lado, explorar o mercado brasileiro, bastante favorável a investimentos estrangeiros (de 1994 a 1996 o investimento de Portugal no Brasil passou de 33 para 230 milhões de dólares); de outro, atender, como e quando lhe convém, às exigências de restrição da entrada de imigrantes da comunidade européia. “O dilema do mercado de trabalho português é que sua mão de obra barata, europeizada, vai trabalhar nos países mais ricos da Eurolândia, como França e Alemanha, deixando um vazio que o empresariado português, inflado com capital da União Européia, vai preencher com trabalhadores imigrantes. Agora a ‘invasão’ é desejada pelo capital, desde que limitada a condições específicas”, afirma Machado em seu artigo.

É curioso notar que por enquanto a “invasão brasileira” de Portugal parece resumir-se à mão de obra barata e desqualificada e produtos culturais viajantes como as novelas, enquanto o movimento contrário é representado pelo capital e pela alta finança _ Portugal Telecom, Sonae, Banco Espírito Santo, para não falar dos pesados investimentos imobiliários portugueses no nordeste brasileiro. Não estou a par de grandes empreendimentos brasileiros em Portugal, porém.

Anúncios
julho 2008
D S T Q Q S S
« jun   ago »
 12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
2728293031  
Add to Technorati Favorites

Blog Stats

  • 1.560.790 hits
Anúncios