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Se há uma hipocrisia que me deixa fora do sério, é essa que fala que afinal os países em desenvolvimento são tão culpados quanto os desenvolvidos pelas emissões de carbono, por causa do desmatamento.

Sem dúvida não dá pra ser a favor do desmatamento indiscriminado.  Porém, o fato é que os países desenvolvidos não podem se safar dessa tão fácil.  O motivo: é que além de estarem contribuindo para o efeito estufa hoje, com as emissões industriais e de veículos, eles JÁ contribuiram para o efeito estufa lá atrás, desmatando as suas próprias florestas.

Exemplo: a site Globalchange, da Universidade de Michigan, mostra a expansão da área desmatada nos EUA nos últimos 3 séculos (clique para ampliar):

Na Europa, o quadro não é nada diferente.  Assim sendo, é melhor dobrarem a língua antes de falar do desamatamento alheio.

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O Paulo acaba de fazer um comentário. Diz ele:

Assim que o pessoal da sua banda deixar as fantasia [sic] de world revolution passar, os ‘ricos’ vao tentar ajudar esse pessoal, assim como ja acontece em varias outras ‘crises’ que tem menos publicidade.

O mapa acima (clique para ampliar) mostra os países que assinaram e os que não assinaram o protocolo de Kyoto. Os países que não assinaram e não têm intenção de assinar estão em vermelho. Os que assinaram e ratificaram estão em verde.

Se há uma revolução em curso, me parece que ela habita a Casa Branca. É a revolução dos espírito de porco.

***

Quanto as “crises” com menos publicidade que os EUA vêm ajudando a resolver, o Iraque agradece _ principalmente o fato deles a terem criado em primeiro lugar.

Tô quase botando ali no “Sobre”:

O Hermê é implicante. É implicante até dizer chega. É um sujeito doente ao ponto de estar em Paris — em Paris, meu Deus — e comentar notícias da Folha de São Paulo. O Hermê é um velhinho carioca sádico exilado em Brasília que passa os dias babando sobre fotos da Nathalie Portman. E não do Richard Dawkins, como pensam uns desavisados por aí.

Matéria da Folha Online de 01/07/08 diz o seguinte:

O tema, que até então seguiu sem grande alarde, saiu do silêncio e virou motivo de discussão entre os portugueses, com embate entre intelectuais, artistas e políticos.

A principal alegação dos opositores ao acordo era de que Portugal estava cedendo a interesses brasileiros. “Diferentemente dos brasileiros, os portugueses se preocupam com a língua, porque se acham donos. Nós somos condôminos”, ironiza Evanildo Bechara, escritor e lexicógrafo membro da Academia Brasileira de Letras.

(…)

O acordo ortográfico prestes a entrar em vigor não é o primeiro da história da língua portuguesa. Em 1911 Portugal fez uma reforma unilateral, sem consultar o Brasil, o que aprofundou as diferenças entre as grafias dos dois países.” [grifo meu]

Quer dizer: quando os brasileiros, que constituem a maioria dos falantes da língua, de dispõem a participar de um acordo multilateral, “se acham donos”.  Quando os portugueses mudam as regras da língua unilateralmente, aí é normal.  Bunito!

Cá entre nós: eu até acho natural que os portugueses se sintam mais donos da língua do que nós.  Afinal o português nasceu lá, da corrupção do baixo latim (estranho pecado original para um purista, mas…), e foram eles que o espalharam pelo mundo, ainda que na ponta da espada.  Mas se é assim, então vamos deixar de lado esse papo de países de língua portuguesa, etc., e deixar a coisa correr naturalmente.  Eu aposto que o “deixar a coisa correr naturalmente” leva mais água para o moinho brasileiro do que o português, porque, devido ao seu peso cultural e econômico o Brasil levará mais vantagem como centro de gravidade do mundo de fala portuguesa do que Portugal.  Aposta quanto, ó gajo?

***

Aliás, por falar nisso, no mesmo dia a Folha Online publicou o seguinte:

Editoras prevêem expansão de mercado com ortografia integrada

A unificação ortográfica deve favorecer o intercâmbio comercial no setor de livros entre os países de língua portuguesa. Pelo menos essa é a aposta das editoras brasileiras. Na avaliação de entidades que representam as empresas, o acordo vai facilitar o trabalho de edição de publicações em outros países, em que pese a manutenção de diferenças culturais e regionais.

A expectativa é de redução nos custos de adaptação de obras. “Atualmente é preciso mexer em cerca de 10% do conteúdo”, afirma Rosely Boschini, presidente da Câmara Brasileira do Livro. Na sua avaliação, a produção editorial brasileira será beneficiada com a entrada em vigor do acordo.

O otimismo é compartilhado por Hubert Alquéres, diretor-presidente da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, que além de produzir material oficial do governo do Estado, também atua como editora. “Quando queremos mandar livros para outros países, temos problemas. Temos de reescrever tudo, isso encarece, impede a publicação“, diz.

A abertura do mercado deve beneficiar principalmente o segmento de livros técnicos e de literatura, enquanto os didáticos a comercialização tende a permanecer restrita. “No caso do livro didático acho mais complicado enviar para outros países porque tem a questão de semântica regional”, explica Beatriz Grellet, gerente-executiva da Abrelivros (Associação Brasileira de Editores de Livros), que possui 26 associados, entre eles, alguns do segmento didático.” [grifos meus]

E também uma interessante entrevista com José Pinto Ribeiro, ministro português da Cultura, que boto abaixo do folder para os interessados.  Eis um exemplo curioso que ele dá:

FOLHA ONLINE – Há muito problema em relação a documentos em organismos internacionais?

RIBEIRO – Havia muitos documentos oficiais que tiveram de ser feitos em duas versões porque havia uma grafia portuguesa e uma grafia brasileira. Houve relações com os EUA e com Estados dos EUA em que foi difícil, ou mesmo impossível, fazer com que o português fosse a segunda língua, enquanto nesse país havia comunidades de língua portuguesa brasileira e de portugueses. Por que diziam: qual a gente usa? Isso aconteceu, por exemplo, no Massachusetts. Houve dificuldade na dupla grafia para que o português fosse adotado como segunda língua em escolas oficiais de outros países porque discutiam qual grafia iriam adotar, a brasileira ou européia.

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Nos tempos da Lei Seca

Na Newsweek, uma galeria de imagens muito interessante sobre o que acontece quando as artes gráficas encontram a saúde pública.

Diz o texto introdutório que foram os franceses que, na segunda metade do séc. XIX, aprimoraram a arte do pôster, misturando de forma visualmente atraente texto e imagens (lembrai-vos do Folies Bèrgere e de Toulouse-Lautrec). As necessidades de comunicação com o público (amigo e inimigo) durante a Primeira Guerra Mundial _ I mean, propaganda _ levaram a arte do pôster a uma importância antes desconhecida, o que quer dizer que a França e a Guerra foram os pais da publicidade e da mídia exterior. Faz sentido.

(hat tip: 3Quarks Daily)

(clique para ampliar)

Via Crooked Timber, descubro o Wordle, um aplicativo que cria tag-clouds turbinadas a partir de textos submetidos pelos usuários.

Também é possível submeter o endereço eletrônico de uma página que tenha feeds Atom ou RSS, por exemplo, que foi o que eu fiz _ mas parece que ele só pega a página inicial, e não o blog inteiro, sniff.

(*) e sim, ou roubei o título do post descaradamente do Kieran, mas acho que a boa idéia se aplica muito mais a este post do que ao dele, pelos motivos que acabei de explicar…espero que ele seja um entusiasta do copyleft.  🙂

(clique para ampliar)

A empresa Maplecroft, que é inglesa, é uma consultoria que entre outras coisas faz análise de dados. E uma das formas de disponibilizar estes dados é através de mapas bacaninhas. Este aí é um mapa chamado “Brazil Integration”, que mostra a integração da economia brasileira com o mundo (veja a legenda). O interessante é que podemos ver não só os países dos quais o Brasil depende, como também os que dependem do Brasil, como é o caso de alguns países da África com um grau de integração com a economia brasileira que é surpreendente, pelo menos para mim. O índice é formado a partir de uma combinação de dados de comércio internacional e investimento, e eu não sabia que éramos tão importantes assim na África do Norte, por exemplo.

***

(clique para ampliar)

Um outro mapa igualmente bacaninha é este ai em cima, que mostra os países rem relação ao seu CCVI, isto é, seu “climate change vulnerability index“, um índice desenvolvido, é claro, pela Maplecroft. Saiu matéria sobre isso no UOL. O índice é definido como:

O Climate Change Vulnerability Index (CCVI) – Índice de Vulnerabilidade à Mudança Climática, em tradução livre – analisou a capacidade de 168 países de suportar e se adaptar aos efeitos das mudança climáticas.

(…)

O CCVI não tenta prever mudanças na ocorrência de desastres naturais – como secas, enchentes e tempestades – ou em ecossistemas em consequência da mudança climática.

Em vez disso, a análise se concentra na “capacidade de indivíduos, comunidades e sociedades de mitigar os riscos” que resultam dessas mudanças na ocorrência de desastres naturais.

Ao analisar a vulnerabilidade de cada país, os autores levaram em conta fatores diversos divididos em seis grupos: economia, recursos naturais e ecossistemas, pobreza, desenvolvimento e saúde, agricultura, população e infra-estrutura e instituições e governo.

O Brasil ficou na 42a posição em termos de vulnerabilidade, o que, como vemos no mapa, corresponde a um índice médio. É interessante notar também que a América do Norte, junto com a Europa, é o lugar menos vulnerável às mudanças do meio ambiente, uma coisa que o Paulo do FYI acha muito legal já que ele mora lá.

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