Já vi brigas assim na 315 norte

Não se fala em outra coisa nos jardins de infância:

Barbie vence disputa judicial contra as bonecas Bratz

Designer das Bratz projetou o novo brinquedo quando ainda tinha contrato com a Mattel

WASHINGTON – O design das bonecas Bratz, fabricadas pela empresa MGA, saiu em parte das dependências da concorrente Mattel, fabricante da Barbie, segundo a decisão da quinta-feira de um júri federal na Califórnia, divulgada nesta sexta-feira, 18, pela imprensa americana.

O argumento da Mattel, aceito pelo júri, era que o designer das Bratz, Carter Bryant, projetou as novas bonecas quando ainda tinha contrato com a empresa e não havia sido contratado pela MGA. No entanto, a MGA afirmou que o design das Bratz foi elaborado por Carter em 1998, período em que não estava entre os funcionários da Mattel.

A decisão abre as portas para uma nova reivindicação da Mattel contra a MGA, na qual a primeira provavelmente pedirá uma indenização.

A Mattel avaliou em US$ 500 milhões por ano o lucro obtido pela MGA com as bonecas Bratz, que foram lançadas em 2001. No entanto, segundo o jornal Los Angeles Times alguns analistas avaliam o lucro anual em até US$ 2 bilhões.

As Bratz, com apenas sete anos de existência, buscam ser mais sofisticadas e “sexys” que as Barbie, que se aproximam dos 50 anos com poucas mudanças na imagem de boas meninas e figura muito estilizada.

As Bratz causaram polêmica em alguns países, acusadas de propiciar uma supersexualização das meninas. Na Austrália, por exemplo, o Professor Frank Oberklaid, diretor do Centre for Community Child Health no Royal Children’s Hospital disse que

“It’s all there, the excessive make-up and pouty lips and the impossible features. It stresses me to see little girls wearing make-up. Exposure to it over a long period of time without context could be harmful and we need to ask ourselves is that what we want for our community?”

Deveras:

“Bratz Dolls are the rage with young girls these days, I thought this was a simple yet great face painting example for face painters, looking to paint young girls. Forget Barbie, Bratz are cool.

Em 2007, a American Psychological Association criou uma força tarefa para estudar a sexualização das meninas, concluindo que

Bratz dolls come dressed in sexualized clothing such as miniskirts, fishnet stockings, and feather boas. Although these dolls may present no more sexualization of girls or women than is seen in MTV videos, it is worrisome when dolls designed specifically for 4- to 8-year-olds are associated with an objectified adult sexuality.

O relatório também fala da Barbie, e de um certo número de outras bonecas.

Enquanto isso, Lynne Wannan, chairwoman do Victorian Children’s Council, na Austrália, sensatamente observa que

The two dolls are similar to what has been visible, and apparently acceptable to the community, for decades. The dolls are not very different to Barbie who, while not presenting children with a normal attainable body image and lifestyle, seems to have been accepted by parents and child experts for many years.

Tudo isso me lembra muito Philippe Ariès e sua obra “História Social da Infância e da Família“. Para resumir, sua tese central era a de que o conceito de infância como um período peculiar da vida humana é socialmente construído, e não algo inerente à condição humana. Segundo Ariès, essa concepção diferenciada, a infância, teria começado a se formar a partir do final da Idade Média.

Estudos e análises mais detalhadas e nuançadas sobre a representação de crianças nas artes visuais romanas indicam que podem ter havido variações sobre esse tema na curta duração, em períodos mesmo anteriores à Idade Média, mas acho que continua válida a idéia de que a concepção de infância varia de acordo com a época.

A questão é saber se estamos mesmo migrando de uma concepção ainda vitoriana da infância para alguma coisa diferente, onde as crianças significam alguma outra coisa além de seres humanos imaturos a serem protegidos e ensinados. Acho que este post do Idelber dá uma dica do tipo de debate com que podemos nos defrontar nos próximos anos.

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