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E para ficar na moda, apresento-vos o…Coringonauta!

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O Idelber resolveu sair do armário em seu último post:

A teoria de hoje já foi apresentada oralmente a alguns amigos. Ela parte da observação de que há lugares no mundo onde as mulheres são mais interessantes, sexy, atraentes que os homens.

OK, “Apresentar teoria oralmente” já parece gíria da Avenida Paulista em dia de parada.  Mas sugerir que em pelo menos alguns lugares do mundo os homens são mais interessantes, sexy e atraentes que as mulheres…

Isso só pode ser coisa de GAY!

Aguardo a opinião abalizada do Biajoni.

Deu no Correio Braziliense:

E-mails interceptados pela Operação Satiagraha da Polícia Federal indicam que os advogados do banqueiro Daniel Dantas manobraram, para que caísse no plantão do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, o pedido de liminar no habeas corpus impetrado por Dantas em junho, concedido duas vezes na semana passada.

Nos e-mails, o advogado e ex-ministro do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) Luis Carlos Lopes Madeira, que faz parte do corpo de advogados de Dantas, sugeriu que a liminar fosse pedida quando o relator do habeas corpus, o ministro Eros Grau, estivesse de férias. Pelas normas do tribunal, no recesso, quem recebe os pedidos de liminar em caso de réu preso é o presidente do STF, Gilmar Mendes. Num dos e-mails, Madeira escreveu: “Insisto que não estou pensando no STJ. No STF, quem estará na presidência é o ministro Gilmar ou o ministro Cezar Peluso”.

Em outro e-mail, Madeira explica o que deveria ser feito: “O relator [Eros Grau] viajou para São Paulo hoje. Retorna amanhã, 27 [de junho]. Em seguida viaja e só volta no final do recesso. Pelas normas regimentais do STJ, em casos tais de urgência, o processo vai para a presidência. Penso que no STF o processamento deve ser o mesmo. Na presidência não seria mais viável?

Er, “mais viável”, o quê?

***

Os advogados já pedem que estes e-mails sejam considerados “prova ilícita”, porque rompem o sigilo do advogado, embora o grampo tenha sido feito no endereço eletrônico de Danielle Silbergleid Ninio, diretora jurídica do Opportunity.

Xeretando por aí, descobri que a Piauí fez, em junho, uma matéria sobre Daniel Dantas. Como nunca vi o cabra dar entrevista a ninguém, acho que esse é um material que deve ser preservado para a posteridade.

É claro que eu não tenho a pretensão de que “O Hermenauta” sobreviva à Piauí (aliás, excelente revista, passei a comprar recentemente _ meio desajeitada para ler no avião, mas a boa leitura compensa a ergonomicidade deficiente), mas acho que quanto mais vezes a matéria for reproduzida maior a chance dela sobreviver aos altos e baixos da internets.

O último parágrafo é profético:

Dantas conta que agora está se voltando para outros interesses: o etanol, que considera a energia do futuro. Tanto que já comprou 100 mil hectares de terra no Pará, para plantar cana-de-açúcar e desenvolver o combustível. Ele interrompe a conversa para atender o celular. Fala rapidamente. Ao desligar, faz um comentário misterioso. “Me ligaram para dizer que estão tramando alguma coisa contra mim.” Não fica preocupado? “Não. Já me acostumei a viver assim.” Mas, afinal, não existe nada de que tenha medo? Ele solta uma gargalhada e responde: “Da Polícia Federal”.

Vai aí, na íntegra, abaixo do folder.

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Alguém chegou aqui no blog através do seguinte parâmetro de busca:

me da tesao so de olhar na parteleira

***

Medo.   🙂

(*) Paródia sobre marca registrada.

E a Veja, sempre imparcial, prefere levar o caso Dantas para o mensalão do que para a privataria.

Um bom debate nasce lá no blog do Sergio Leo (as usual). Em um post sobre a ação da PF no caso Daniel Dantas, o comentarista aiaiai fez uma ponderação interessante sobre a atuação da repórter da Folha de São Paulo, Andréa Michael, que teve a prisão pedida pelo delegado Protógenes (e negada pelo juiz de Sanctis):

E já que vc não mudou de assunto, me permita perguntar de novo, voltar à questão do FUROxÉTICA:

se você fosse um repórter de polícia e descobrisse – por uma fonte da própria polícia – que estão fazendo uma operação para pegar um bando de traficantes de com a boca na botija e ainda apreender drogas e armas, você publicaria a matéria ou esperaria o fato acontecer para depois contar como a polícia trabalhou durante meses para conseguir finalizar a operação?

Responde Sérgio Leo:

É isso aí, aiaiai, a ética é uma só, mas os casos a que ela se aplica são variados, não dá para extrapolar. No caso dos traficantes, eu não publicaria, acompanharia os preparativos (até para notar se não houve vazamento para os traficantes)e pediria para me avisarem para publicar no dia da operação. No caso do dantas, eu publicaria, porque um inquérito bem montado pela polícia nesses casos não deve depender de surpresas, golpes de mão. Um inquérito de crime financeiro não é uma operação de invasão à favela (para começar, não precisa de Caveirão). Sempre me surpreendi em Brasília com a quantidade de fontes de nformação que empresários, políticos e a elite em geral dispõe, além dos jornais (mas também me surpreendo como são mal informados em certos assuntos, e dependem dos jornais).
Mas concordo com você, a discussão não é fácil, e não tenho opinião fechada sobre o tema. Até porque me mantenho longe da polícia; não sei assumir o tipo de compromisso que se precisa fazer para ter informação desse pessoal.

Minha opinião é a seguinte: no caso da Andrea, há dois agravantes.

a) Gravidade do ilícito: alta. No caso de crimes financeiros geralmente estão envolvidas quantias muito superiores ao que qualquer gang de favela pode manejar;

b) Risco de impunidade: alta. No caso de crimes financeiros geralmente estão envolvidas pessoas com muito mais incentivo e capacidade para apagar rastros e destruir provas, se alertadas sobre o que está acontecendo.

Eis o que Andrea escreveu na reportagem intitulada “Dantas é alvo de nova investigação da PF“, na edição de 26 de abril da Folha:

Desde meados de 2007, o inquérito que investiga Dantas e seus comandados está sob a presidência do delegado da PF Protógenes Queiroz, o mesmo que investigou e prendeu o hoje deputado Paulo Maluf e o contrabandista Law Kim Chong.
Houve uma análise estratégica para conduzir a investigação. Dantas tem muitos informantes no meio de telecomunicações, até por já ter contratado espiões particulares que usam prática ortodoxas, a exemplo da Kroll, segundo acusa o Ministério Público Federal, e ser acionista da Brasil Telecom e também da Telemar. A opção foi grampear o fluxo de e-mails que circulam pelo servidor central do banco Opportunity.

Francamente, tenho minhas dúvidas se divulgar tais informações era mesmo necessário, pois de uma só tacada ela expôs não só o responsável pela operação (a ameaças e/ou tentativas de suborno) como parte da estratégia de investigação. Certamente o Opportunity deve ter tomado muitas medidas de segurança após o caso vir a luz pelas mãos da jornalista no 26 de abril.

Diga-se de passagem que a edição da Folha nesse dia estampava a manchete “Com R$ 2,6 bilhões, Oi compra Brasil Telecom“, com várias matérias sobre a operação na seção “Dinheiro”, o que indica que havia um esforço editorial coordenado para cobrir todos os aspectos desse negócio _ incluindo a vida e a obra de Daniel Dantas.

Portanto, embora eu acredite que Andrea não tinha interesse próprio na história, acho que os desdobramentos justificariam a criação de um CONAR do jornalismo investigativo, ou criação de um código de ética, se é que já não existe um. Acho que atitudes como a da repórter da Folha, no limite, tendem apenas a aumentar a demanda por secretividade das forças policiais. O que não é bom, penso eu.

***

O último link acima aponta para uma matéria interessante, falando sobre a revisão do Código de Ética dos Jornalistas, aprovada no final do ano passado. Diz a matéria:

Pelas novas regras, fica proibida a divulgação de informações obtidas com uso de identidade falsa e câmeras escondidas. De acordo com o texto, isso só poderá ocorrer, em caso de esclarecimento de informações de relevante interesse público e quando esgotadas todas as possibilidades em que o profissional possa recusar o seu uso.

Na avaliação de Nunes, isso dará fim ao tipo de reportagem de “denuncismo”, prática feita com muita facilidade e pouca responsabilidade. Para Spada, há outras formas de se conseguir provar uma denúncia. “Você não precisa enganar a fonte de qualquer forma e pretexto”, conclui.

O texto final inclui princípios da Constituição de 1988, artigos constantes no Estatuto da Criança e do Adolescente (1990), no Código do Consumidor (1990) e no Estatuto do Idoso (2003). Cláusulas como a presunção da inocência – referente à prerrogativa de “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória” – e de consciência, também foram anexadas ao código.

De acordo com Antônio Carlos Queiroz, vice-presidente Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal, o desafio é combater a atual disposição de certos meios de denunciar, julgar e punir pessoas com a execração pública, muitas vezes sem elementos de prova e sem conceder-lhes o direito de resposta. O jornalista poderá ainda se recusar a executar pauta que se choque com os princípios do Código ou que agridam as suas convicções – ressaltando que essa disposição não pode ser usada como argumento, motivo ou desculpa para o profissional deixar de ouvir pessoas com opiniões contrárias às suas.

Ainda de acordo com o documento, é dever do jornalista informar ao público a utilização de recursos para fotometragem que modifiquem a imagem original. A nova redação traz também esclarecimentos do Código e do processo disciplinar vigente e do processo disciplinar da atuação da comissão.

Tenho a impressão de que fica um vácuo aí: o jornalista está restringido, pelo código, a usar escutas, câmaras, etc. Mas os veículos de mídia se sentem no direito de publicar estas informações tão logo elas sejam vazadas pela polícia. Ou seja, a mesma prática, que em um caso é uma afronta ao Código de Ética, no outro já se torna “notícia”. A meu ver, isso é questionável.

Manchete no Valor de hoje:

Fotossíntese pode ser uma saída para fome

***

A-hã.

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