You are currently browsing the daily archive for julho 13, 2008.

A Folha de hoje tem uma reportagem sobre a tal da Quarta Frota que a marinha norte-americana está reativando no Mar do Caribe. Eis parte da matéria:

Acalmando ânimos
Diante da reação negativa ao relançamento da Quarta Frota, Washington destacou uma força diplomática-militar para acalmar os ânimos, recalibrando o discurso do Pentágono.
O contra-almirante James Stavridis visitou países da região e passou a ressaltar a prioridade humanitária da frota e o fato de ela não contar com embarcações próprias. Foi seguido pelo número um do Departamento de Estado para o hemisfério, Thomas Shannon.
No Brasil, o embaixador dos EUA, Clifford Sobel, escreveu: “Foi até sugerido que o restabelecimento da frota foi de alguma maneira relacionado com descobertas recentes de petróleo. É importante deixar bastante claro: não é o caso”.
A reação é compreensível, dado o histórico militar dos EUA na região, disse à Folha Frank Mora, professor do National War College, de Washington. Mas a volta da frota, defende, “é mais uma ação de política interna do Pentágono do que uma ameaça à região“.
As atividades navais dos EUA ao sul do México eram controladas até ontem pela Segunda Frota, que cuida do Atlântico todo. Com a definição de uma frota numerada só para a América Latina, calcula Mora, a Marinha pode pleitear mais recursos para combate ao narcotráfico, a prioridade ali.
” [grifo meu]

Sadly…no. Já falei sobre a Quarta aqui no blog. Eis a justificativa original, tirada de uma entrevista de um senador a um jornal norte-americano:

(Senator) Nelson said several factors have prompted admirals to conclude Latin American and Caribbean waters require a fleet dedicated to them: the rising economic strength of Brazil, the belligerence of Venezuela, the increasing trade moving through the Panama Canal, and Cuban leader Fidel Castro’s age.

Nelson’s comments come three days after Republican candidate for president Rudy Giuliani said during a campaign stop in Jacksonville that he would work to ensure the carrier George H.W. Bush, expected to be commissioned in 2009, is stationed at Mayport. Nelson said he expects Democrats running for president will make the same commitment but that it might not matter because he’s hopeful such a decision will be made before the next president takes office.

Nenhum desses acontecimentos pode ser claramente identificado com alguma “razão humanitária” e muito menos uma “questão de política interna do Pentágono”. A não ser, é claro, que a política interna do Pentágono seja muito mais ambiciosa do que se imagina. 🙂

O pessoal do Torre de Marfim, sempre sensato e ponderado, diz:

(…)a transformação de Daniel Dantas num supervilão, cuja prisão fará raiar a liberdade no horizonte do Brasil, é de um maniqueísmo primário. Daniel Dantas talvez até seja o coisa ruim, mas não é a única fonte de problemas do país

Eu também acho, mas quem parece achar que o Daniel Dantas é o demo em pessoa é a própria Veja:

Poucos homens de negócios representam com mais nitidez a natureza perversa do capitalismo brasileiro dependente do estado macrófago do que o banqueiro Daniel Dantas. Pelas mãos do ex-ministro Mario Henrique Simonsen, que o considerava seu aluno mais capaz, Dantas despontou há duas décadas como um jovem e astuto economista saído do conceituado Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos.” [grifo meu]

Como vêem, mais um caso em que o discípulo busca superar o mestre:

Daniel Dantas, Roberto Campos e Mário Henrique Simonsen na grande Consultec que está no céu

O mais gozado é que a continuação da reportagem assinala o seguinte:

Durante as privatizações do governo Fernando Henrique Cardoso, o banqueiro de origem baiana reinventou-se. À frente de seu próprio banco, o Opportunity, recebeu a bênção do governo para unir-se aos poderosos fundos de pensão de estatais, como Previ e Petros, formando uma espécie de parceria público-privada cujos efeitos desastrosos perduram até hoje. Dantas conseguiu do governo um mandato para ser o gestor dos recursos investidos por esses fundos em um conglomerado de empresas recém-privatizadas, que reunia desde a Santos Brasil, terminal portuário em Santos, até as operadoras de telecomunicações Brasil Telecom, Telemig Celular e Amazônia Celular. A parceria funcionava desta forma: o governo entrava com o dinheiro e Dantas dava as cartas.

Peraí: quer dizer que a culpa é do “estado macrófago” mesmo quando o que rola é uma privatização?  Xingamento por xingamento eu ainda prefiro a “privataria” do Elio Gaspari, então.

Tio Rei, fazendo o seu marketing semanal da Veja, copia este trecho (entre outros) de uma reportagem da revista que está nas bancas esta semana:

Abin – O delegado Protógenes confiou a espiões da Abin parte do trabalho de vigilância e monitoramento dos suspeitos. A estratégia de ação e o resultado das diligências eram compartilhados apenas por Protógenes e pelo atual diretor da Abin, Paulo Lacerda, ex-diretor da PF. A explicação para isso: os superiores do delegado atuariam no interesse de Dantas. Segundo a teoria conspiratória, o delegado-geral Luiz Fernando Corrêa foi alçado ao posto por pressões de políticos ligados a Daniel Dantas, e sua missão seria acabar com todas as investigações contra o banqueiro. Suspeitando de tudo e de todos, Protógenes recorreu à Abin para ajudá-lo na investigação e mandou recados a colegas seus da PF de que tinha provas e gravações que mostravam que eles estavam trabalhando a favor de Dantas.” [grifo meu]

Realmente, conspiratória ao extremo. Mas talvez não seja teoria e sim prática. Reportagem da Folha de hoje:

Órgão do governo arquivou processo contra Opportunity

O secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, determinou a abertura de investigação interna para apurar se o banco Opportunity, de Daniel Dantas, foi favorecido em processos paralisados no DRCI (Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional), órgão do Ministério da Justiça subordinado à secretaria.

O anúncio foi feito depois que a Folha procurou o secretário questionando dados sobre um processo engavetado no DRCI contra a instituição financeira, apesar das suspeitas de que o banco fizera remessas ilegais de brasileiros para paraísos fiscais.

A investigação contra o Opportunity foi paralisada na gestão de Antenor Madruga, hoje sócio de um dos principais advogados de Daniel Dantas, Francisco Müssnich, que é namorado da irmã do banqueiro, Verônica Dantas.

(…)

Em 2003, o ministério recebeu um comunicado da CGU (Controladoria Geral da União) alertando sobre a suposta existência de aplicações de brasileiros em um fundo aberto pelo Opportunity exclusivamente para não-residentes no Brasil (isentos de Imposto de Renda).

O Opportunity Fund foi aberto nas ilhas Cayman, um paraíso fiscal. O caso foi repassado ao DRCI e, pouco depois, arquivado após um despacho de Madruga.

Ele comandou o DRCI desde a sua fundação, no início de 2004, até março de 2007. Poucos meses depois de deixar o ministério, tornou-se sócio do escritório Barbosa, Müssnich & Aragão Advogados, que tem entre os seus fundadores Francisco Müssnich.

Müssnich defendeu o Opportunity, entre outras causas, em processo na CVM (Comissão de Valores Mobiliários) que tratava exatamente do Opportunity Fund. Em setembro de 2004, a CVM decidiu multar, por unanimidade, o grupo Opportunity em R$ 480 mil.

As penalidades foram aplicadas a Verônica Dantas, Dório Ferman (presidente do Opportunity) e a três empresas do grupo, por operações que teriam desrespeitado normas do Banco Central e a legislação fiscal. As multas foram canceladas após recurso interposto por Müssnich no Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional, o Conselhinho.” [grifo meu]

***

A pergunta sobre teorias conspiratórias, nesse ambiente, é: na prática, com raposas desse naipe no galinheiro, quem precisa de teorias?

A matéria na íntegra abaixo do folder, para os sem-Folha.

Continue lendo »

Diz o Paulo:

Os EUA (e a Europa e Japao) ja transferem uma enormidade de dinheiro para os paises mais pobres do mundo. Quem sabe parte dessa grana nao pode ser usada para remediar global warming?

É, quem sabe?

Paulo gosta de colocar empecilhos políticos para as ações com as que ele não concorda, mas não vê empecilhos para o seu próprio wishful thinking.  Vejamos como é distribuída a “ajuda” norte-americana, segundo o anexo estatístico do Development Co-operation Report 2007 da OCDE:

Como qualquer pessoa medianamente dotada de raciocínio consegue perceber, boa parte da ajuda norte americana para o exterior vai para países importantes na sua agenda de política externa _ Israel por conta do lobby judaico nos EUA até 96, Iraque e Afeganistão no pós-11 de setembro.  Nada a ver com global warming _ ou melhor, tudo a ver na medida em que boa parte da ajuda se concentra em um dos maiores produtores de petróleo do mundo, hoje em dia.

O Paulo diz:

Primeiro que eu nunca ‘neguei’ global warming. Se vc quer generalizar, que generalize com gente que encaixa seus straw men.

Ah, sim:

Pô, o cara não só duvida do aquecimento global como ainda acha bonito gastar 7 horas diárias de transporte do trabalho pra casa _ colaborando ainda mais para isso.

Mas eu sei que o Paulo vai dizer que eu estou fazendo uma intepretação criativa do seu post.  Eu sei que ele diz que o problema dele com o aquecimento global é que ele é uma “agenda roubada” pela esquerda.  Bem, como eu venho dizendo, trata-se muito mais de uma agenda resgatada, não roubada.  Resgatada do oblívio onde a direita gostaria de colocar o problema.  Pouco me importa o quanto Paulo do FYI é esquizofrênico sobre a questão, ora duvidando que o problema exista, ora soltando ar quente do tipo “a tecnologia vai resolver o problema”, quando se sabe que não só foi a tecnologia que criou o problema como também que a tecnologia em si não resolve nada se não existirem incentivos econômicos para isso.

E mais: incentivos econômicos vêem a luz quando arranjos políticos assim o determinam.   Technology my ass, Paulo.

julho 2008
D S T Q Q S S
« jun   ago »
 12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
2728293031  
Add to Technorati Favorites

Blog Stats

  • 1.562.056 hits