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Alguém já viu?

Bateu 96% no Rottentomatoes, coisa, pra mim, unheard of.

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Um texto muito bom no Valor de hoje, de autoria da Maria Cristina Fernandes, “cobrindo” o lançamento da Plataforma Democrática. Trecho:

Na mesa que deu início ao debate, o sociólogo Bernardo Sorj, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, polemizou com a platéia ao dizer que os sindicatos, partidos e ideologias políticas haviam cedido espaço para organizações que não se legitimam pelo número de filiados mas pela “força moral ou conhecimento técnico”. São utopias ditas supra-nacionais, como os direitos humanos, de minorias raciais e sexuais e a defesa do meio-ambiente. “Nas maiores cidades do mundo, o evento de maior mobilização social não é mais o 1º de Maio, mas a Parada Gay”, exemplificou o sociólogo que lançou, no seminário, o livro “O Desafio Latino-Americano: Coesão Social e Democracia”, em parceria com o sociólogo Danilo Martuccelli.

E mais:

Sorj ainda lançou um alerta contra o que chamou de ‘profundo mal-estar da classe média’ , provocado, em grande parte, pela exacerbação do individualismo crônico de uma sociedade latino-americana com atrofia histórica do Estado: “As classes médias são as grandes desestabilizadoras da democracia no continente”. E exemplificou com a crescente mobilização da classe média argentina contra o governo de Cristina Kirchner.

Ante o debate que se seguiu sobre o conceito de classe média, Sorj definiu-a como o segmento da sociedade que paga impostos e não vê o retorno do Estado em seu benefício. Dupas argumentou que, no Brasil, esse segmento tem sofrido transformações com ascensão de significativo contingente de baixa renda e o empobrecimento de setores profissionalizados, como os professores: “O forte processo de desconcentração de renda por que tem passado o país é positivo, mas será duradouro? A classe política, que tem dado contínuos pretextos para sua deslegitimação, será capaz de aumentar sua credibilidade?”

Eu sempre achei que esse é o grande problema por trás (êpa!) do grande contingente de “angry young men” da nossa direita anaeróbica: a impressão de que jamais conseguirão por seus próprios meios atingir/superar o padrão de vida atingido por seus pais, mais o horror de ver o aumento da competição simbolizado pela chegada de grandes contingentes das classes médias baixas ao paraíso capitalista.

Mas eu posso estar enganado.

***

Como bônus track, espero ansiosamente um comentário do Samurai a respeito de mais esta empreitada do IETS.

***

Texto integral abaixo do folder, para os sem-Valor.

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No Economist, uma matéria curiosa: um projeto de lei da autoria de um deputado de New York visa criar uma quota especial para imigrantes, tal como hoje já existe para profissionais de tecnologia da informação.  O que há de especial no projeto é que ele visa facilitar a entrada de…modelos profissionais.

Contra seus detratores, o autor do projeto, o deputado Anthony Weiner, a nova quota beneficiaria a economia da cidade de New York, onde a indústria da moda tem um peso razoável:

Steve King, an Iowa congressman, thinks the bill should be called the “Ugly American Act” because it implies there are not enough beautiful people in the United States. But Mr Weiner, a bachelor accused by the tabloids and his fellow politicians of using the visa issue to get himself a glamorous date, says he’s only thinking of New York’s economy, which is heavily involved in the fashion industry.

Tudo isso me faz pensar que neste outro post deste blog, sobre como o capitalismo criou um “mercado para a beleza” na Europa Oriental…

O leitor Thiago comenta, no post anterior sobre o assunto:

Seu texto cita dados baseados em população total. Está bastante claro, entre parênteses.
Se você utilizar apenas a população adulta em sua regra de 3, possivelmente chegará próximo do “1%” na maioria dos países, o que foi dito pelo Reinaldo Azevedo. Simples assim.
No meu comentário não defendi a posição do Reinaldo Azevedo ou a sua.
Acho apenas que para defender sua posição, você deva utilizar-se de números corretos. Repetindo: para não parecer injusto.

De fato, considerar a população carcerária como % da população adulta, e não da população total, tem o efeito de aumentar o percentual.  No entanto, é óbvio que em países desenvolvidos (e este era o ponto do Pedro Pluma) a pirâmide etária é tal que o % de não adultos é uma parte pequena do total da população.  Fiz uma tabela apenas para os países desenvolvidos, usando dados de estrutura da população fornecidos pelo CIA Factbook (lá, não há dados sobre população adulta, mas há uma estimativa do % da população com 14 ou menos anos de idade, o que usei como proxy):

(clique para ampliar)

Vemos que a diferença entre a população carcerária como % da população total e a população carcerária como % da população com 15 ou mais anos é minúscula e, em qualquer caso, ambas as proporções são bem menores que 1%, como supunha o Pedro Pluma.  Logo, mantém-se a “excepcionalidade americana” entre os países desenvolvidos em termos de encarceramento.

O Coturnix, do “A Blog Around the Clock”, um dos Science blogs, lembra que hoje a teoria da seleção natural faz 150 anos:

On this day 150 years ago essays by Alfred Russel Wallace and Charles R. Darwin were read at the meeting of the Linnean Society in London. This was the first time in history that the idea of natural selection was presented to the world.

Mais no blog do Greg Laden, do mesmo portal.

Talvez seja conhecida a história de que Darwin, apesar de ter chegado às conclusões que chegou, ficou muito reticente em publicá-las pois sabia do impacto que teriam (e quem lê sua biografia sabe que sua família era muito tradicional e religiosa). Apenas o conhecimento de que um outro naturalista, Alfred Wallace, havia chegado independentemente às mesmas conclusões é que o fizeram resolver a publicar seu trabalho _ aparentemente seu medo de perder a anterioridade da descoberta era maior que o medo de eventuais danos à sua reputação.  Em um interessante post sobre a publicação conjunta de Darwin e Wallace seu blog The Austringer, Wesley Elsberry diz:

The reading also forced Darwin’s hand, and the following months saw him discard his long-term project of writing a large monograph on natural selection, and instead hurry to produce an “abstract” of his work. That “abstract” is what we now know as the book, “Origin of Species”, published in November, 1859.

Ou seja, a “Origem das Espécies” é apenas um “abstract“.  Wow.

Festschrift aqui.

Cresce o desemprego, segundo o Estadão:

Ronaldo fica desempregado pela primeira vez na carreira

Contrato do jogador com o Milan acabou nesta segunda-feira; clube italiano ainda não demonstrou interesse

“Fenômeno” não joga uma partida oficial desde fevereiro, quando lesionou o joelho esquerdo
SÃO PAULO – Pela primeira vez em sua carreira profissional, o atacante brasileiro Ronaldo está sem clube. O contrato do jogador com o Milan, da Itália, acabou nesta segunda-feira e por isso a partir desta terça ele está desempregado, já que a equipe por enquanto não demonstrou interesse na renovação do acordo com o atleta.

Todos se lembram que Ronaldo já deu a volta por cima uma vez.  Mas agora, aos 31anos, parece que vai ser difícil.

Há vários dias o canto superior esquerdo da página internet do Estadão tem sido a ante-sala do inferno.

A manchete que eles devem estar loucos para estampar: “O Fim do Plano Real”.  O diabo é que é cedo, e eles não querem correr o risco de repetir 2005, onde soltaram os cachorros cedo demais.  Afinal ainda faltam mais de dois anos para as eleições.

Estou curioso para ver qual será a estratégia até lá.

O leitor Pedro Pena faz o seguinte comentário, no post “Reinaldo Azevedo, agente penitenciário“:

Olhei uns números de população carcerária. Países como Canadá, Suécia e Alemanha não têm populações carcerárias insignificantes. São até bem altas. E vários desses países “civilizados” até ultrapassam a marca de 1%. Pesquise um pouco.

Checar informações é sempre importante, mas realmente não sei onde você olhou, Pedro. Eu usei um grande banco de dados sobre populações carcerárias ao redor do mundo, do International Centre for Prison Studies do King’s College, e usando os dados deles descobri os seguintes números para os países que você citou (os números referem-se ao percentual representado pela população carcerária em relação à população total):

  • Canadá: 0,11%
  • Suécia: 0,08%
  • Alemanha: 0,09%

Os cálculos que fiz envolveram aproximações, porque seria dispendioso procurar a população de cada país da base (basicamente fiz uma regra de três), mas cheguei aos seguintes números para outros países que acho que concordaríamos em chamar de civilizados:

  • França: 0,09%
  • Noruega: 0,08%
  • Dinamarca: 0,07%

E cá estamos nós:

  • Brasil: 0,22%

Eis a companhia mais próxima dos EUA:

  • EUA: 0,75%
  • Federação Russa: 0,63%
  • Cuba: 0,53%

Aí embaixo coloquei a tabela completa que compilei (ali pode se ver que se falarmos em população carcerária absoluta, os EUA são imbatíveis, e o Brasil aparece em…quarto lugar), e aqui está o link da página de busca do ICPS. Pesquise, Pedro, pesquise…

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