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“Dá pra deixar a luz acesa quando fechar a porta?”

Do G1:

Aquecimento global faz pingüins chegarem até Salvador (BA)

O número de pingüins que chegam às praias brasileiras tem aumentado este ano, fenômeno que causa preocupação nos cientistas.

Apesar de gostarem do frio, os pingüins deixam a gélida região da patagônia argentina e sobem o Atlântico em busca de comida. Nessa época do ano, são comuns nas praias do sul e sudeste. Só que uma mudança intriga os biólogos.

Os pingüins nunca foram tão longe. Em Salvador (BA), foram encontrados 200 em apenas duas semanas. Para chegar lá, foi um longo caminho – nadaram quase dez mil quilômetros.

No litoral norte do Rio de Janeiro, de janeiro até agora, foram encontrados 261 pingüins. É um número maior que a soma dos últimos dois anos.

Quando são resgatadas, as aves exaustas e famintas são levadas para o zoológico de Niterói. O trabalho de reabilitação é lento, já que muitos chegam com a metade do peso que deveriam ter. De tão fracos, precisam de ajuda até para comer. Até estarem com fôlego para nadar de novo, precisam de 45 dias de tratamento.

Especialistas acreditam que o aquecimento global está alterando as correntes oceânicas. Como elas estão ficando mais fortes, levam os pingüins para mais longe.

Os animais recuperados no litoral brasileiro são levados por aviões da Força Aérea para o Centro de Reabilitação de Animais Marinhos da Universidade do Rio Grande do Sul, de onde vão para o mar na esperança de voltar para casa.

***

É isso aí: o Brasil tem o primeiro programa de proteção das testemunhas do aquecimento global do mundo!

Do you have the balls?

O NYT tem uma interessante matéria sobre a futura obsolescência da lâmpada incandescente, a invenção de Thomas Alva Edson que nos acompanha há tanto tempo.

O rival: lâmpadas de LED, diodos emissores de luz.  Pois é, nos tempos do touchscreen pouca gente lembra, mas houve uma época onde isso aí era o fino da bossa:

(clique para ampliar)

Hoje existem LED´s de alta potência.  De fato, um LED de hoje em dia é capaz de produzir 3 vezes mais luz com o mesmo consumo de energia.  Embora por enquanto uma lâmpada de LED de responsa esteja custando US$ 107,00 (a Ledino, a primeira lâmpada especificamente destinada à substituição das incandescentes, da Philips), esse preço deve baixar se as mesmas atingirem a etapa de produção em massa, já que o custo de uma lâmpada provavelmente paga o que se poupa em energia.  Bom, se atingirem:

The bulb makers face a tough problem. Their businesses were built on customers who regularly replaced light bulbs. How do you make a profit when new lighting may commonly last 50 to 100 times as long as a standard bulb? Compact fluorescents, which use less than one-third the power and last up to 10 times as long as standard bulbs, have replaced incandescent bulbs in many homes and offices.

Problema sério.

E no exato momento em que olhei, batíamos 180.000 visitas no blog desde sua fundação.  Que coincidência.

  1. nicole kidman
  2. marina elali
  3. baby looney tunes
  4. cleopatra
  5. kanji
  6. cibele dorsa
  7. arnold schwarzenegger
  8. exalta samba
  9. isabella nardoni
  10. adventure quest
  11. blackberry
  12. atletico paranaense
  13. tim maia
  14. anne hathaway
  15. comida japonesa

Esses aí em cima são os 15 termos de busca mais populares neste mês no Brasil, segundo o Google Zeitgeist.  A pergunta é: como será que funciona o Google Zeitgeist?  Há muitas e muitas semanas, o termo de busca mais popular em meu blog é “Leila Lopes” (embora na última semana ele já esteja perdendo para outros, como “hermenauta”).  Mas porque será que “leila lopes” não aparece nos termos de busca mais populares do Google?  E cá entre nós, não consigo acreditar que “Blackberry” seja um termo de busca mais popular no Brasil do que “iPhone” _ pelo menos, não pelo que vejo nos aviões ultimamente (pelo menos no trecho Brasília – São Paulo, entre metade e um terço dos passageiros sacam iPhones ao desembarcar).

Provável resposta: “Leila Lopes” está abaixo dos 15.  Pode ser, mas então a mera exposição dos 15 termos mais populares deveria fazer a visitação ao blog saltar.  Vamos ver se isso acontece.

O Rafael Figueira deu a dica e eu corri atrás.  Da Wikipedia:

Cuil (pronounced [kuːl], “cool”), from the Gaelic for knowledge and hazel, is a search engine that went live on July 28, 2008.[1][2] Cuil’s developers aimed to provide a more comprehensive search engine with more relevant results than existing search engines. Uniquely, it organizes web pages by content and displays relatively long entries and pictures for each result. It claims to have a larger index than any other search engine, with about 120 billion web pages. Cuil is managed and developed largely by former employees of Google.[3]

Unlike Google,[4] Cuil’s privacy policy claims that it does not store records of users’ search activity or IP addresses.[5]

Cuil’s founders, Anna Patterson, Russell Power and Louis Monier are former Google employees, while Tom Patterson has worked for IBM and others.” [grifo meu]

Francamente, fiz uns testes e achei fraco.  Curiosamente, entretanto, o Cuil tem 3 resultados entre os 10 mais termos buscados no Google, segundo o Google Hot Trends que acabo de acessar:

(clique para ampliar)

Não deixa de ser irônico, não?

***

Update: ok, nem tão fraco.  🙂

No mundo inteiro, governos buscam formas de ampliar o acesso à banda larga, seja via intervenção direta, como no modelo coreano, seja via incentivos regulatórios que estimulem soluções de mercado, como na maioria dos países da OCDE.    Embora a mensuração direta dos benefícios da expansão desse acesso seja um tanto complexa (já que é difícil separar as contribuições dos vários fatores intervenientes e atribuir inequivocamente a parcela que cabe ao aumento do acesso), não resta muita dúvida de que ela colabora sim para o incremento do PIB e possivelmente para outros indicadores de bem estar (aliás, o repentino apagão da banda larga da Telefônica algumas semanas atrás não deixa restar muita dúvida quanto ao seu impacto econômico).

O Brasil, como outros países, está caindo de boca nessa tendência.  Há poucos meses, o governo negociou uma troca das metas de universalização das telecomunicações, trocando a exigência das empresas telefônicas criarem postos de atendimento para acesso à internet por acesso gratuito a um certo número de escolas até o prazo do fim da concessão, em 2025.  E tanto o Ministério das Comunicações quanto a Anatel anunciaram que a prioridade governamental é a massificação do acesso à banda larga.

E isso sem dúvida é bom.  Ou não.

***

Um problema no otimismo com a expansão da banda larga é que muitos de nós, macacos velhos, tendemos a avaliar seus benefícios com os olhos de quem nasceu no tempo da enciclopédia.  Para nós, a internet é o paraíso em matéria de busca e acesso à informação.  E conquanto saibamos que é possível achar muito lixo, a maioria de nós tem capacidade crítica suficiente para achar o que realmente quer.

Outro problema:  também tendemos a avaliar a internet com os hábitos de quem nasceu no tempo da biblioteca.  E conquanto saibamos que é possível achar muito lixo, a maioria de nós continua mantendo a capacidade crítica suficiente para achar o que realmente precisa.

Ambos os pressupostos, infelizmente, estão errados quando falamos das novas gerações _ especialmente da geração que já conheceu um mundo com internet.

***

Para começar, estudos de usabilidade indicam que as pessoas lêem, em média, 20% das palavras em uma dada página da internet.  Isso pode, é claro, significar muitas coisas, inclusive que as pessoas estão ficando mais inteligentes ou capazes de leitura dinâmica.  De fato a proliferação exponencial de texto devido à internet praticamente assegura que as pessoas tenderão a desenvolver capacidades de leitura dinâmica.

O problema é que a linha de tendência dos testes de leitura e compreensão de texto, nos EUA, é declinante, como informa este artigo do NYT de hoje.  E este dado é especialmente preocupante:

Literacy specialists are just beginning to investigate how reading on the Internet affects reading skills.

O que não é especialmente reconfortante.  E mais:

Neurological studies show that learning to read changes the brain’s circuitry. Scientists speculate that reading on the Internet may also affect the brain’s hard wiring in a way that is different from book reading.

“The question is, does it change your brain in some beneficial way?” said Guinevere F. Eden, director of the Center for the Study of Learning at Georgetown University. “The brain is malleable and adapts to its environment. Whatever the pressures are on us to succeed, our brain will try and deal with it.”

Some scientists worry that the fractured experience typical of the Internet could rob developing readers of crucial skills. “Reading a book, and taking the time to ruminate and make inferences and engage the imaginational processing, is more cognitively enriching, without doubt, than the short little bits that you might get if you’re into the 30-second digital mode,” said Ken Pugh, a cognitive neuroscientist at Yale who has studied brain scans of children reading.

Isto se conecta prontamente com um assunto do qual já falei aqui neste blog e está especialmente bem tratado neste artigo do Nick Carr na The Atlantic de julho, “Is Google Making Us Stupid?”  Ali ele narra sua própria experiência com o nascimento da desordem do déficit de atenção – teoricamente, induzido pela internet:

Over the past few years I’ve had an uncomfortable sense that someone, or something, has been tinkering with my brain, remapping the neural circuitry, reprogramming the memory. My mind isn’t going—so far as I can tell—but it’s changing. I’m not thinking the way I used to think. I can feel it most strongly when I’m reading. Immersing myself in a book or a lengthy article used to be easy. My mind would get caught up in the narrative or the turns of the argument, and I’d spend hours strolling through long stretches of prose. That’s rarely the case anymore. Now my concentration often starts to drift after two or three pages. I get fidgety, lose the thread, begin looking for something else to do. I feel as if I’m always dragging my wayward brain back to the text. The deep reading that used to come naturally has become a struggle.”

De fato, o maior problema com as novas mídias certamente vem do front cognitivo:

Web readers are persistently weak at judging whether information is trustworthy. In one study, Donald J. Leu, who researches literacy and technology at the University of Connecticut, asked 48 students to look at a spoof Web site (http://zapatopi.net/treeoctopus/) about a mythical species known as the “Pacific Northwest tree octopus.” Nearly 90 percent of them missed the joke and deemed the site a reliable source.

É claro que também existe um ponto de vista contrário:

Web proponents believe that strong readers on the Web may eventually surpass those who rely on books. Reading five Web sites, an op-ed article and a blog post or two, experts say, can be more enriching than reading one book.

“It takes a long time to read a 400-page book,” said Mr. Spiro of Michigan State. “In a tenth of the time,” he said, the Internet allows a reader to “cover a lot more of the topic from different points of view.

O que, a rigor, me parece bastante verdadeiro.

***

Muito provavelmente a resposta é que embora seja verdade que os hábitos de leitura criados pela internet sejam inadequados para desenvolver as características de leitura e de forma de pensar ciosamente defendidas pelas gerações pré-internet, a verdade é que a própria internet está se encarregando de criar um mundo onde estes hábitos de leitura e de pensamento antigos estarão obsoletos.   Isso provavelmente implica em que o “generation gap” tenderá a se aprofundar rapidamente, até o momento em que a antiga geração deixar de existir ou for irrelevante.  O mundo novo será certamente bem diferente _ um mundo de pessoas com muita informação e capacidade de decisão rápida mas sem grande profundidade ou reflexão.  Nada impede que este mundo funcione tão bem (ou tão mal…) quanto o que lhe antecedeu, embora certamente ele possa ser um lugar irreconhecível para nós (ou melhor dizendo, para mim e outros dinossauros).

Pôsteres desmotivacionais.

Definitivamente, meu tipo de coisa.

(e aqui, um gerador de pôsteres motivacionais…boa sorte)

Mas talvez ela saiba

O Henry do Crooked Timber me saiu com um meme curioso: você se lembra da primeira vez em que usou o Google?

Eu me lembro que usava quase que exclusivamente o Alta Vista (antes disso usava um treco chamado Hotbot), com algum uso do Cadê e do Yahoo. Então, em algum momento do ano da graça 2000 (provavelmente no segundo semestre), passei a usar o Google e nunca mais usei outra coisa _ contribuindo assim para o fim do mundo tal como o conhecemos.  E vocês?

***

Google-first-time-meme, advanced: você se lembra do argumento da sua primeira busca no Google?

Eu confesso: não tenho a menor idéia.

Tomo a liberdade de reproduzir um texto do blog A La Gauche:

Lucidez Embriagada

HÁ MUDANÇAS ESTRUTURAIS em marcha. O acordo ortográfico e a Cimeira da CPLP são apenas os palcos institucionais da metamorfose. Os códigos sociais em confronto trabalham inconscientemente para a reformulação de um paradigma identitário. As alterações sociais criadas pela imigração massiva de culturas distintas — particularmente a brasileira — aceleraram os processos tradicionais de mudanças e rupturas. A mobilidade social, a globalização e a maturação da consciente de uma identidade transportam as bases da alteração da estrutura vigente. Naturalmente as rupturas acarretam uma carga q.b. de confrontos subjacentes. A matéria da imigração e as mudanças sociais — vislumbra-se um carácter social nacional — são terreno arenoso. A discussão acerca de uma nova identidade requer uma abordagem melindrosa mas coerente. Há na sociedade portuguesa um sentimento de rejeição e de bloqueamento da mudança. Onde outrora era possível encontrar um fascínio claro pela exótica cultura brasileira — naturalmente motivada pela distância, pelo desconhecimento e pelos fluxos de imagens filtradas –, hoje encontra-se um desgosto xenófobo motivado por uma imigração de baixa formação cívica e cultural. Essa postura anti-relacional funciona como bloqueio de uma mudança que opera no subsolo das relações sociais.

A rejeição do acordo ortográfico é o mais claro exemplo desta contra força social. A política da língua portuguesa no mundo requer uma uniformização, padronização e aproximação dos actores sociais constantes do processo. O isolamento linguístico (e deste modo político) não representa uma estratégica. O colonialismo esgotou-se no tempo. o Brasil, à luz da nova ordem internacional, é um actor emergente com propensão a parte integrante do ordenamento global. A associação a este país não é uma opção mas uma inevitabilidade política, que o governo português tem cada vez maior consciência. Contrariamente a essa consciência política, há uma desaprovação social latente, que funcionará sempre como estanque do processo (sabemos que um paradigma requer uma aceitação social para que seja operante). Nesse sentido, a leitura de diversas opiniões contrárias e até mesmo carregadas de um caldo xenófobo, não têm se não a ver com confrontos sociais camuflados. A língua é só uma desculpa.

E este outro excelente texto explica que a questão é bem mais complicada do que parece:

Por trás dos diferentes conflitos e negociações vividos na comunidade portuguesa no Brasil e na comunidade brasileira em Portugal, haveria uma aparente dúvida do Estado Português entre estar de costas ou de frente para o Atlântico, mas que de fato significaria a solução encontrada para a internacionalização da economia portuguesa. “No contexto da atual política de internacionalização da economia, o Estado pós-colonial português, juntamente com investidores e empresas de Portugal, voltam-se uma vez mais aos seus antigos espaços coloniais – hoje ‘território [supranacional] da língua portuguesa”, ressalta Bianco.

Na verdade, o governo português estaria buscando equilibrar dois interesses distintos: por um lado, explorar o mercado brasileiro, bastante favorável a investimentos estrangeiros (de 1994 a 1996 o investimento de Portugal no Brasil passou de 33 para 230 milhões de dólares); de outro, atender, como e quando lhe convém, às exigências de restrição da entrada de imigrantes da comunidade européia. “O dilema do mercado de trabalho português é que sua mão de obra barata, europeizada, vai trabalhar nos países mais ricos da Eurolândia, como França e Alemanha, deixando um vazio que o empresariado português, inflado com capital da União Européia, vai preencher com trabalhadores imigrantes. Agora a ‘invasão’ é desejada pelo capital, desde que limitada a condições específicas”, afirma Machado em seu artigo.

É curioso notar que por enquanto a “invasão brasileira” de Portugal parece resumir-se à mão de obra barata e desqualificada e produtos culturais viajantes como as novelas, enquanto o movimento contrário é representado pelo capital e pela alta finança _ Portugal Telecom, Sonae, Banco Espírito Santo, para não falar dos pesados investimentos imobiliários portugueses no nordeste brasileiro. Não estou a par de grandes empreendimentos brasileiros em Portugal, porém.

Deu no Painel da Folha:

Acidental. O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, e o presidente do DEM, Rodrigo Maia, erraram a data da reunião que o primeiro teria no BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e chegaram um dia antes a Washington. Aproveitaram para fazer turismo. O encontro aconteceu ontem.

Ah, tá.

No Estadão, a notícia de que diante do crescente número de pessoas mortas por efeito da ação policial, o governo do Estado dotará a PM de armas não-letais:

Os policiais militares que fazem patrulhas nas ruas começarão a utilizar armas com balas de borracha, bombas de efeito moral e gás de pimenta, entre outros instrumentos não-letais, durante suas atividades.

O equipamento, entretanto, não será utilizado nas operações em favelas controladas por facções criminosas ligadas ao tráfico de drogas, informou o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame.

“Nosso pensamento é sempre proteger o cidadão e combater a minoria criminosa. As armas não-letais valorizam o uso escalonado da força policial”, disse a repórteres o secretário, que acompanhou o início do novo treinamento dos policias, nesta quarta-feira, 23.

“É lógico que os policiais precisam de armas letais, mas estas são a última alternativa. Em casos específicos como distúrbios em manifestações, o armamento não-letal auxilia decisivamente na solução sem efeitos fatais”, acrescentou.

Quer dizer: a idéia tem seu mérito e tal. Mas não me consta que o grande problema de segurança pública no Rio hoje seja debelar distúrbios em manifestações. Eu preferia que os policiais fossem melhor treinados no uso responsável das armas, sejam elas letais ou não letais.

A matéria veio acompanhada desta imagem:

Andressa Soares que se cuide!

Não sei porque, me lembrei disso.

Na Folha, o Fernando Meirelles (Cidade de Deus) fala sobre novos projetos, etc.  Mas a parte boa da entrevista é essa:

“FOLHA – Como está seu projeto de fazer uma série sobre procuradores?
MEIRELLES
– Por enquanto não rolou, apesar de a Globo gostar. É genial esse tema de procuradores, Polícia Federal, Supremo Tribunal Federal, juízes.

FOLHA – A operação Satiagraha acaba sendo uma boa novela, não?
MEIRELLES
– Total, total. O Gilmar Mendes dá um vilão sensacional. Pode publicar [risos].

Indeed.

Can you avenge evil and not become it?

Em um post do Tio Rei, reproduzindo matéria do Estadão sobre o relatório da PF no caso Dantas, colho esta frase do advogado de pseudo-banqueiro:

(…) Como chamar de fraudulenta uma gestão marcada pelo sucesso?

Quer dizer, se o critério moral que deve prevalecer é o “sucesso”, estamos, literalmente, roubados.

Mas não deixa de ser uma filosofia própria para advogados.

Ainda na seção PETA:

Para se defender, criança morde pitbull e perde o dente em MG

Um menino de 11 anos foi surpreendido por um cachorro da raça pitbull quando brincava no quintal da casa do tio no bairro Vila Nova Vista, em Sabará, na região metropolitana de Belo Horizonte (MG), na tarde de ontem. Para se defender do ataque, o garoto mordeu o animal e acabou perdendo um dos dentes. A informação é do jornal ‘Super Notícia’.

Segundo relato do Corpo de Bombeiros, Gabriel Alexandre da Silva teria provocado o cachorro, que se chama Titan e tem seis anos de idade.

Ao ser atacado, o garoto teria gritado por socorro, mas como a ajuda demorou a aparecer, ele tentou se desvencilhar do pitbull usando os próprios dentes. Com o impacto da mordida, Gabriel perdeu um dos dentes, que ficou preso à pele do animal.

Testemunhas relataram que o cachorro era manso e estava preso a uma corrente, de acordo com o jornal. Pedreiros que trabalhavam em uma casa vizinha ajudaram a conter o pitbull, que mordeu o braço do menino.

O cachorro foi levado ao Centro de Controle de Zoonoses de Sabará, onde ficará em observação por dez dias. O garoto foi levado para o hospital e levou seis pontos no braço.

Quero ver alguém propor a castração e a proibição do porte de crianças mineiras sem corrente e mordaça, agora.

O comentário do Márcio me despertou o desejo de aprofundar os nossos conhecimentos sobre o festival do porquinho da índia no Peru:

Olha, comer um animal que é “como se fosse da família” eu entendo. O que eu acho meio esquisito é fazer festa para o bicho e colocar roupas nele. Isso realmente é comer alguém que faz parte da família. Há que traçar a linha em algum lugar. Bicho de estimação é bicho de estimação, refeição é refeição.

Fiquei pensando: bom, ele está olhando com os nossos olhos. Como será que os peruanos vêem a coisa?

Corri atrás, e, bem _ isto é interessante:

Peru Celebrates Guinea Pig Festival

Peru is celebrating the second annual festival of the Cuy, or Guinea Pig, and the festivities include competitions for the best-dressed guinea pig, the biggest guinea pig, and the tastiest guinea pig.

The animals are sold fried, grilled or baked, and one seller, Teresa Figeroa, yells from her stand “Zero cholesterol! Protein for anemia!” A serve of guinea pig costs about US$7 at the festival.

One festival goer, Nicolas Campos Sanchez, munching down on some guinea pig said: “This isn’t common. We’re very proud of it.”” [grifo meu]

A matéria é de 2007. Daí, fui em busca do the real thing:

Melesia Trujillo Segura sonríe como una niña orgullosa de su travesura. Los parlantes acaban de anunciar su triunfo: el cuy al que vistió como una cantante folclórica ha obtenido el primer puesto en el concurso El Cuy Fashion del III Festival del Cuy Huacho 2008. Todos la felicitan, mientras ella, con las pequeñas polleras doradas entre las manos que ya han liberado al roedor, explica que no solo cosió el vestido sino que se inventó un personaje que el premiado cuy caracterizó muy bien.

“Se me ocurrió inventarme a una cantante y le puse Yasmina del Amor”, dice y vuelve a sonreír. Parece una niña grande que en vez de muñeca vistió a uno de los cuyes (no sabe cuál) que son parte importante en la alimentación y en los pequeños negocios de las comunidades campesinas de la provincia de Lima que forman parte de la zona de influencia de la empresa minera Los Quenuales.

En realidad, fue la minera la que hace tres años creó el Festival del Cuy de Huacho para impulsar la mejora genética del animal en la región y crear un espacio de camaradería entre los comuneros que compiten en diversas categorías: el mejor criador de cuyes, el cuy más grande, el cuy más veloz, entre otras.

En la jornada de ayer también se premió al plato más sabroso del día hecho, por supuesto, de cuy. En esa categoría el primer puesto fue para la pachamanca elaborada por la comunidad campesina de Curay, el segundo lugar lo obtuvo el riquísimo San Pedrano, de las comuneras de Palpas, y el tercer premio fue para las campesinas de San Martín de Taucur, a la que pertenece Melesia. Se tuvo en cuenta la preparación tradicional de la carne de cuy y el uso de productos nativos.

O que eu pensei ser uma tradição secular dos povos andinos é, portanto, criação de uma empresa mineradora peruana, exploradora de não ferrosos como zinco, chumbo e prata.

OK, vamos nuançar a história: o porquinho da Índia, conhecido em inglês como Guinea Pig, não é de fato original nem da Guiné (nova ou velha), nem da Índia _ ele é mesmo nativo da região andina. Portanto, comê-los é, certamente, uma tradição secular, senão milenar, dos povos da região. A novidade está no festival, cujo objetivo declarado ao menos é melhorar a genética do bicho e aprofundar os laços entre os criadores da iguaria.  Outra matéria deixa mais claro que a coisa é parte do programa de responsabilidade social da empresa, que deve estar com medo de ser estatizada pelo Humala. Embora faça parte do grupo suíço Glencore (que também tem participação na Xstrata…), 76,88% de suas ações são de propriedade de uma empresa de prateleira das Bermudas, segundo o Google Finance.

Em outras palavras: nos Andes, o porquinho da Índia sempre foi comida _ de fato, ele foi domesticado pra isso. O “descobrimento’ é que permitiu ao bicho sair de lá e galgar o posto de animal de estimação fora da região andina _ não sem antes passar pela duvidosa honra de tornar-se “organismo modelo” na pesquisa biológica no início do Séc. XX (o porquinho da Índia é o mesmo bicho que nós chamamos de “cobaia”). O nosso estranhamento é, portanto, um artefato.

Segways na China, no melhor espírito olímpico _ competir é o que exporta:

It is always fascinating to see once-cuddly technologies turn dark.  Consider the Segway, that sweetly geeky gizmo that was supposed to drive autos out of our cities and save the planet.  Well, Segways have arrived, but instead of transporting happy auto-eschewing citizens on their daily errands, the Segway has become  the personal chariot of cops adopting the gyro-stabilized two-wheeler for patrol and crowd control work.  Seqway-riding security dudes are turning up at airports and convention centers, and now are finding their way into the security mix at lock-down events like the G8 Summit and the upcoming Beijing Olympics.  No cuddly here, just pure menace, like the rent-a-samurai in full battle rattle riding a nobby-tired industrial Segway at the this month’s G8 summit (pic below). Watching the transformation is like discovering that one’s favorite teddy bear has fangs and a taste for human flesh. Before long, I’ll bet we’ll see squads of Segway cops in full riot gear running down fleeing demonstrators at some future anti-globalization demonstration.

Paul Saffo, via Kevin Kelly.

Nunca vi uma Segway em Brasília, mas a Fundação Álvares Penteado em São Paulo usa uma na segurança.

Na infância eu costumava passar as férias na casa de uma tia nas Minas Gerais.  Este ramo da família tinha extração rural, vieram do campo para a cidade.

Uma coisa interessante nisso é que no mundo rural a relação entre homens e animais é bem diferente daquela a que nos acostumamos na cidade, onde os animais domésticos, que diacho, são animais de companhia e não de abate.

Durante um bom tempo a família hospedou um pato, o Risonho.  Era um pato grande, enorme, engraçado como todos os patos.  Para mim, fazia parte da família.  Até que um dia minha mãe me avisou que tinham comido o Risonho.  Eu não sabia, mas o Risonho não estava sendo “hospedado”: estava sendo é cevado.

Por isso entendo que as imagens veiculadas pelo Telegraph sobre a festa do porquinho da índia no Peru estejam causando certa começão na blogoseira gringa.  Trata-se de gente que está acostumada a comprar comida em supermercado, em embalagens onde a natureza animal da refeição é irreconhecível, e que se choca ao ver um bicho sendo torrado:

(clique para ampliar)

A isso só tenho a acrescentar a frase dita por um comentarista nesta thread do Reddit:

If God wanted us to eat animals, he would have added more salt and roasted it a bit more than rare.

Como bom ateu, eu continuo com o meu churrasco.  Não necessariamente de porquinhos da índia, é claro.

Interessante artigo no Valor de hoje sobre o crescimento da indústria brasileira de livros infantis:

Nem só de Paulo Coelho vive a literatura brasileira no exterior. O mercado editorial nacional faturou R$ 14,4 milhões com a venda de direitos autorais a outras nações em 2006, uma alta de 4,2% em relação ao ano anterior. O valor ainda é pouco representativo se comparado aos R$ 194 milhões desembolsados pelas casas editoriais para compra de obras estrangeiras. Mas há sinais de que a exportação de direitos autorais de obras brasileiras continua crescendo e que o livro infantil, em especial, atrai interesse dos estrangeiros.

Este trecho é curioso:

Mas para entrar no mercado editorial internacional não basta ter uma história de carochinha bem ilustrada. Cada país tem características próprias e nem sempre é um conto de fadas. Nos Estados Unidos, maior mercado editorial do mundo com vendas de cerca de R$ 35 bilhões, segundo dados da consultoria Euromonitor, há resistência a livros infantis brasileiros, atesta a Melhoramentos. “Os americanos são super conservadores, gostam de histórias com reis e rainhas“, conta Lerner, com experiência de três décadas no mercado internacional.” [grifou meu]

Enquanto isso, o Ministério da Cultura vai dobrando as mangas da camisa:

Com orçamento de R$ 1,2 bilhões para 2008, o Ministério da Cultura (MinC) pretende intensificar as políticas públicas para direitos autorais no País. Isso inclui a criação de uma diretoria de propriedade intelectual, dentro do ministério, e a tentativa de tirar do papel o projeto de uma agência nacional que cuide do assunto.

As informações são do secretário de políticas culturais do MinC, Alfredo Manevy, que falou durante o Fórum Internacional de Economia Criativa, em São Paulo. “A cultura brasileira é o que temos de mais representativo, porém não nos gera riqueza, porque não tivemos um histórico voltado para o licenciamento de direitos autorais.” [grifo meu]

Na íntegra, abaixo do folder, o artigo sobre livros infantis, para os sem-Valor.

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Or, the Fairness Doctrine redux?

Será que ele fez confusão?

Deu no Estadão:

Christian Bale é liberado após pagar fiança em Londres

LONDRES – O ator Christian Bale, que encarna o super-herói Batman, no último filme da série, Batman – O Cavaleiro das Trevas, foi posto em liberdade após pagamento de fiança. Bale foi detido nesta terça-feira, 22, por suposta agressão a dois membros de sua família, informou a polícia.

Bale, que na segunda-feira, 21, assistiu em Londres à estréia do filme, saiu em liberdade após ter sido preso na manhã desta terça, 22, ao atender ao pedido de uma comissária londrinense para ser interrogado por supostamente ter agredido sua mãe, Jenny, 61, e a irmã Sharon, 40, na suíte do hotel Dorchester, no domingo.

Ao que tudo indica, as duas mulheres, que vivem em Dorset (oeste da Inglaterra), apresentaram a denúncia na segunda, em uma delegacia local, que passou a queixa para a Polícia Metropolitana de Londres(MET).

Se há uma hipocrisia que me deixa fora do sério, é essa que fala que afinal os países em desenvolvimento são tão culpados quanto os desenvolvidos pelas emissões de carbono, por causa do desmatamento.

Sem dúvida não dá pra ser a favor do desmatamento indiscriminado.  Porém, o fato é que os países desenvolvidos não podem se safar dessa tão fácil.  O motivo: é que além de estarem contribuindo para o efeito estufa hoje, com as emissões industriais e de veículos, eles JÁ contribuiram para o efeito estufa lá atrás, desmatando as suas próprias florestas.

Exemplo: a site Globalchange, da Universidade de Michigan, mostra a expansão da área desmatada nos EUA nos últimos 3 séculos (clique para ampliar):

Na Europa, o quadro não é nada diferente.  Assim sendo, é melhor dobrarem a língua antes de falar do desamatamento alheio.

O Paulo acaba de fazer um comentário. Diz ele:

Assim que o pessoal da sua banda deixar as fantasia [sic] de world revolution passar, os ‘ricos’ vao tentar ajudar esse pessoal, assim como ja acontece em varias outras ‘crises’ que tem menos publicidade.

O mapa acima (clique para ampliar) mostra os países que assinaram e os que não assinaram o protocolo de Kyoto. Os países que não assinaram e não têm intenção de assinar estão em vermelho. Os que assinaram e ratificaram estão em verde.

Se há uma revolução em curso, me parece que ela habita a Casa Branca. É a revolução dos espírito de porco.

***

Quanto as “crises” com menos publicidade que os EUA vêm ajudando a resolver, o Iraque agradece _ principalmente o fato deles a terem criado em primeiro lugar.

Tô quase botando ali no “Sobre”:

O Hermê é implicante. É implicante até dizer chega. É um sujeito doente ao ponto de estar em Paris — em Paris, meu Deus — e comentar notícias da Folha de São Paulo. O Hermê é um velhinho carioca sádico exilado em Brasília que passa os dias babando sobre fotos da Nathalie Portman. E não do Richard Dawkins, como pensam uns desavisados por aí.

Matéria da Folha Online de 01/07/08 diz o seguinte:

O tema, que até então seguiu sem grande alarde, saiu do silêncio e virou motivo de discussão entre os portugueses, com embate entre intelectuais, artistas e políticos.

A principal alegação dos opositores ao acordo era de que Portugal estava cedendo a interesses brasileiros. “Diferentemente dos brasileiros, os portugueses se preocupam com a língua, porque se acham donos. Nós somos condôminos”, ironiza Evanildo Bechara, escritor e lexicógrafo membro da Academia Brasileira de Letras.

(…)

O acordo ortográfico prestes a entrar em vigor não é o primeiro da história da língua portuguesa. Em 1911 Portugal fez uma reforma unilateral, sem consultar o Brasil, o que aprofundou as diferenças entre as grafias dos dois países.” [grifo meu]

Quer dizer: quando os brasileiros, que constituem a maioria dos falantes da língua, de dispõem a participar de um acordo multilateral, “se acham donos”.  Quando os portugueses mudam as regras da língua unilateralmente, aí é normal.  Bunito!

Cá entre nós: eu até acho natural que os portugueses se sintam mais donos da língua do que nós.  Afinal o português nasceu lá, da corrupção do baixo latim (estranho pecado original para um purista, mas…), e foram eles que o espalharam pelo mundo, ainda que na ponta da espada.  Mas se é assim, então vamos deixar de lado esse papo de países de língua portuguesa, etc., e deixar a coisa correr naturalmente.  Eu aposto que o “deixar a coisa correr naturalmente” leva mais água para o moinho brasileiro do que o português, porque, devido ao seu peso cultural e econômico o Brasil levará mais vantagem como centro de gravidade do mundo de fala portuguesa do que Portugal.  Aposta quanto, ó gajo?

***

Aliás, por falar nisso, no mesmo dia a Folha Online publicou o seguinte:

Editoras prevêem expansão de mercado com ortografia integrada

A unificação ortográfica deve favorecer o intercâmbio comercial no setor de livros entre os países de língua portuguesa. Pelo menos essa é a aposta das editoras brasileiras. Na avaliação de entidades que representam as empresas, o acordo vai facilitar o trabalho de edição de publicações em outros países, em que pese a manutenção de diferenças culturais e regionais.

A expectativa é de redução nos custos de adaptação de obras. “Atualmente é preciso mexer em cerca de 10% do conteúdo”, afirma Rosely Boschini, presidente da Câmara Brasileira do Livro. Na sua avaliação, a produção editorial brasileira será beneficiada com a entrada em vigor do acordo.

O otimismo é compartilhado por Hubert Alquéres, diretor-presidente da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, que além de produzir material oficial do governo do Estado, também atua como editora. “Quando queremos mandar livros para outros países, temos problemas. Temos de reescrever tudo, isso encarece, impede a publicação“, diz.

A abertura do mercado deve beneficiar principalmente o segmento de livros técnicos e de literatura, enquanto os didáticos a comercialização tende a permanecer restrita. “No caso do livro didático acho mais complicado enviar para outros países porque tem a questão de semântica regional”, explica Beatriz Grellet, gerente-executiva da Abrelivros (Associação Brasileira de Editores de Livros), que possui 26 associados, entre eles, alguns do segmento didático.” [grifos meus]

E também uma interessante entrevista com José Pinto Ribeiro, ministro português da Cultura, que boto abaixo do folder para os interessados.  Eis um exemplo curioso que ele dá:

FOLHA ONLINE – Há muito problema em relação a documentos em organismos internacionais?

RIBEIRO – Havia muitos documentos oficiais que tiveram de ser feitos em duas versões porque havia uma grafia portuguesa e uma grafia brasileira. Houve relações com os EUA e com Estados dos EUA em que foi difícil, ou mesmo impossível, fazer com que o português fosse a segunda língua, enquanto nesse país havia comunidades de língua portuguesa brasileira e de portugueses. Por que diziam: qual a gente usa? Isso aconteceu, por exemplo, no Massachusetts. Houve dificuldade na dupla grafia para que o português fosse adotado como segunda língua em escolas oficiais de outros países porque discutiam qual grafia iriam adotar, a brasileira ou européia.

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Nos tempos da Lei Seca

Na Newsweek, uma galeria de imagens muito interessante sobre o que acontece quando as artes gráficas encontram a saúde pública.

Diz o texto introdutório que foram os franceses que, na segunda metade do séc. XIX, aprimoraram a arte do pôster, misturando de forma visualmente atraente texto e imagens (lembrai-vos do Folies Bèrgere e de Toulouse-Lautrec). As necessidades de comunicação com o público (amigo e inimigo) durante a Primeira Guerra Mundial _ I mean, propaganda _ levaram a arte do pôster a uma importância antes desconhecida, o que quer dizer que a França e a Guerra foram os pais da publicidade e da mídia exterior. Faz sentido.

(hat tip: 3Quarks Daily)

(clique para ampliar)

Via Crooked Timber, descubro o Wordle, um aplicativo que cria tag-clouds turbinadas a partir de textos submetidos pelos usuários.

Também é possível submeter o endereço eletrônico de uma página que tenha feeds Atom ou RSS, por exemplo, que foi o que eu fiz _ mas parece que ele só pega a página inicial, e não o blog inteiro, sniff.

(*) e sim, ou roubei o título do post descaradamente do Kieran, mas acho que a boa idéia se aplica muito mais a este post do que ao dele, pelos motivos que acabei de explicar…espero que ele seja um entusiasta do copyleft.  🙂

(clique para ampliar)

A empresa Maplecroft, que é inglesa, é uma consultoria que entre outras coisas faz análise de dados. E uma das formas de disponibilizar estes dados é através de mapas bacaninhas. Este aí é um mapa chamado “Brazil Integration”, que mostra a integração da economia brasileira com o mundo (veja a legenda). O interessante é que podemos ver não só os países dos quais o Brasil depende, como também os que dependem do Brasil, como é o caso de alguns países da África com um grau de integração com a economia brasileira que é surpreendente, pelo menos para mim. O índice é formado a partir de uma combinação de dados de comércio internacional e investimento, e eu não sabia que éramos tão importantes assim na África do Norte, por exemplo.

***

(clique para ampliar)

Um outro mapa igualmente bacaninha é este ai em cima, que mostra os países rem relação ao seu CCVI, isto é, seu “climate change vulnerability index“, um índice desenvolvido, é claro, pela Maplecroft. Saiu matéria sobre isso no UOL. O índice é definido como:

O Climate Change Vulnerability Index (CCVI) – Índice de Vulnerabilidade à Mudança Climática, em tradução livre – analisou a capacidade de 168 países de suportar e se adaptar aos efeitos das mudança climáticas.

(…)

O CCVI não tenta prever mudanças na ocorrência de desastres naturais – como secas, enchentes e tempestades – ou em ecossistemas em consequência da mudança climática.

Em vez disso, a análise se concentra na “capacidade de indivíduos, comunidades e sociedades de mitigar os riscos” que resultam dessas mudanças na ocorrência de desastres naturais.

Ao analisar a vulnerabilidade de cada país, os autores levaram em conta fatores diversos divididos em seis grupos: economia, recursos naturais e ecossistemas, pobreza, desenvolvimento e saúde, agricultura, população e infra-estrutura e instituições e governo.

O Brasil ficou na 42a posição em termos de vulnerabilidade, o que, como vemos no mapa, corresponde a um índice médio. É interessante notar também que a América do Norte, junto com a Europa, é o lugar menos vulnerável às mudanças do meio ambiente, uma coisa que o Paulo do FYI acha muito legal já que ele mora lá.

Deu no Estadão:

Garotinho lança filha candidata a vereadora no Rio

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Brincadeira!

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É de se perguntar que diabos Clarissa Garotinho tem em seu currículo _ além do sobrenome _ para se candidatar a vereança carioca.  Bem, vasculhando a internets descobri que:

1) Ela é madrinha do navio “Skandi Fluminense“.

2) Que existe um projeto de resolução de 2005 da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, de autoria do deputado Samuel Malafaia, conferindo o título de Benemérita do Estado do Rio de Janeiro à “universitária Clarissa Barros Assed Matheus de Oliveira”, que vem a ser a garotinha da foto.  Na justificativa, consta que:

Estudante de jornalismo, Clarissa foi eleita presidente do Diretório Central de Estudantes (DCE) das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha). “Sempre defendi a importãncia do movimento estudantil, mas nunca tinha estado a frente de um processo eleitoral”. Quis dar exemplo e a nossa chapa acabou vitoriosa, explica.

O gosto pela política, Clarissa herdou dos pais – a Governadora Rosinha Garotinho e o Secretário Estadual de Governo, Anthony Garotinho – a determinação e a coragem para enfrentar novos desafios.

Consciente de sua responsabilidade como uma das mais importantes lideranças jovens na política fluminense, Clarissa Matheus tem organizado seminários sobre temas nacionais e regionais e tem se posicionado em defesa de uma maior conscientização e participação da juventude na política, incentivando-os a se organizarem de modo a ser possível influenciarem nas tomadas de decisões, criarem projetos que possam se transformar em leis. Enfim serem peças atuantes no fortalecimento da cidadania e participantes na decisão dos rumos de nosso Estado e de nosso País.

É isso, eis a grande contribuição de Clarissa ao povo carioca: ela é presidente do DCE da Facha.

Let the games begin.

Diferentemente do que eu imaginava, a notícia de que Daniel Dantas não é o dono do Opportunity não pareceu comover ninguém.  Não vi nenhuma cobertura específica do assunto nesta segunda feira.  Viajei no fim de semana, mas pelo que vi na internet, os principais jornais também não deram bola para o assunto.  Pra falar a verdade, nem a própria Míriam Leitão voltou ao tema.

Confessem: vocês todos, inclusive o Samurai e a Míriam Leitão, se uniram para me pregar uma pegadinha, vai!

Previsto para começar a funcionar em 1994, o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa foi aprovado pelo parlamento português em 16 de maio e, informa a Folha, promulgado hoje pelo Presidente português. Não que a coisa seja consensual. Intelectuais portugueses lutaram até o último minuto contra a ratificação, e fizeram uma petição online contra o acordo _ que penso eu, mesmo para os padrões portugueses (dada a sua pequena população) não foi muito popular: no momento em que acesso, constam registradas apenas 86.982 assinaturas.

Embora nem no manifesto da petição nem na imprensa portuguesa eu tenha visto qualquer sinal disso, uma olhada em alguns blogs dá impressão de que pelo fato de apenas São Tomé e Príncipe, Cabo Verde e Brasil terem ratificado o Acordo até sua ratificação por Portugal, o mesmo vem sendo identificado como fruto de uma pressão brasileira. Em um blog português achei a seguinte conclamação:

A Todos os filhos da LINGUA DE CAMÕES…Não se excluam de uma decisão que é de todos nós. Alguns Portugueses e alguns Brasileiros querem apoderar-se de um Património que é de todos. PORTUGAL; ANGOLA;MOÇAMBIQUE;TIMOR;GOA;MACAU;DIO;GUINÉ:CABOVERDE e BRASIL (1º a ser independente) No Brasil existiam ÍNDIOS assim como em África, os Africanos… A Lingua é de todos nós. Não é exclusiva de ninguém e muito menos de “Brasileiros” … BRASILEIROS É O RESULTADO DA FUSÃO de Escravos Índios( donos do Brasil) ;Escravos Africanos(levados de África); Portugueses;Espanhóis;Italianos; Japoneses…

Um comentário em outro blog diz:

Realmente, é mesmo um dia de luto. Em vez de serem os outros países a assumir a verdadeira lingua portuguesa é Portugal a assumir as atrocidades dos outros países! É caso para dizer “Isto é bué legal cara!”

Finalmente, um outro senhor, ignorando que também se escreve mal em português brasileiro, antes de começar seu discurso contra o Acordo, faz a seguinte advertência prévia:

Nota Prévia: a Lusofonia no seu melhor! Recebi recentemente a seguinte mensagem: «Olá, Eu sou Brasileiro e estou a procura de um dicionário automobilistico French/English, percebi que você tem bastante coisa no seu site, você tem alguma coisa boa para me indicar ou vender. Grato. Agradeço desde já. Obs. Eu não sei se o Português do Brasil é parecido com o de Portugal, por isso escrevi em dois idiomas. Hello, I’m brazilian and I’m looking for a automotive dictionary French/English, I realize that you have a lot of things in your website, do you have something good to indicate to me or to sell me. Thanks. Note: I don’t know if the brazilian Portuguese is similar with the Portuguese of Portugal, that’s why I wrote it in two languages. Best regards.»”

É claro que a oposição ao Acordo não é prerrogativa de Portugal. Aí está o Pedro 7 Câmara, escrevendo no blog da Atlântico, que não me deixa mentir ao desfiar sua já conhecida falta de intimidade com argumentos com um pé na realidade:

Dizem que o tal acordo ortográfico aproximaria os países lusófonos. Pois não me parece que usar as mesmas roupas criaria qualquer espécie de atração. No caso específico de Brasil e Portugal, creio que a aproximação pode acontecer simplesmente pela existência de interesses comuns que nada têm a ver com a mil vezes enfadonha questão das identidades nacionais. Por exemplo, em minha experiência vejo que brasileiros e portugueses são reunidos pelo interesse na liberdade. Ou por determinadas questões filosóficas. Não por um querer enxergar-se no exotismo do outro. É claro que um idioma comum ajuda, mas sem uma afinidade que vá além do meio de expressão não há razão para conversa. Exatamente como você e seu vizinho: ele pode falar a mesma língua e até morar a seu lado, e continuar sendo um estranho cordial. Talvez um dia você descubra que ele também percebe que Ricardo Reis é o melhor dos heterônimos e vocês possam passar algumas tardes falando de poesia. Talvez nada nunca aconteça. O certo é que não se pode forçar a amizade. Colocar acentos em determinadas palavras não interfere mininamente na questão.

De uma penada, nosso querido 7 resolve que tudo o que pode importar no Acordo Ortográfico se resume à capacidade de portugueses e brasileiros se interessarem por seus respectivos exotismos, quando o que interessa é a possibilidade de uma maior circulação de bens culturais entre uns e outros _ sejam ou não exóticos.

Por outro lado, é bem verdade que também em Portugal há grande apoio ao Acordo, como se vê em alguns comentários feitos em matérias de jornal, como por exemplo estes dois comentando uma entrevista do principal porta-voz do movimento opositor, Vasco Graça Moura, importante poeta português:

Sr. Vasco, o seu manifesto não é em defesa da língua, mas sim contra a mesma. O que pretende? Que Portugal fique orgulhosamente só? Pois os PALOP, podem adoptar a grafia do Brasil quando quiserem. Pois no Brasil é que está o seu problema, com a importância que terá no futuro da nossa língua. Aceitar o acordo, é levar a língua a um dos mais importantes idiomas universais. Ponta Delgada.

O que deseja com isso o sr. Vasco? Tenho contatos estreitos com a língua castelhana e vejo o viço que ela experimenta em nível mundial, justamente devido à sua “unidade”, isto é, há uma única variante do idioma de Cervantes com diferentes sotaques. A língua portuguesa deveria já há muito tempo ter uma única variante “escrita” para que possa gozar do reconhecimento merecido inclusive na ONU.

O curioso é que a argumentação contrária ao Acordo, embora obviamente sirva de abrigo ao nacionalismo português, também encontra justificativas anticolonialistas (ao menos formalmente). Diz um artigo do próprio Vasco Graça Moura (“Acordo Ortográfico: a perspectiva do desastre“):

Na verdade, o Acordo considerou apenas duas pronúncias-padrão, a brasileira (que, aliás, não é apenas uma no imenso território do Brasil) e a portuguesa, como se estivéssemos ainda a viver nos tempos do Império colonial…

Isto é, o Acordo de algum modo comunga ainda da mentalidade colonial e darwinista que pressupõe que os PALOP seguem cegamente o que Portugal decidir, sem terem em conta a realidade do português falado nos seus territórios.

Sem querer ser indelicado para com nossos irmãos portugueses, me parece que a adoção do Acordo é realmente o melhor caminho para Portugal. Diz a Wikipedia que existem 215 milhões de falantes da língua portuguesa; em assim sendo, o Brasil concentra portanto entre 87% (estimativa populacional IBGE) e 89% (estimativa CIA Factbook) dos falantes do português no mundo. Já Portugal tem pouco mais de 10 milhões de habitantes. Embora eu seja um grande defensor da visão linguística/evolucionária dos idiomas em detrimento da visão gramatical/normativa, me parece que do ponto de vista econômico não há muita dúvida de que o Brasil será o grande centro de gravidade da língua portuguesa até onde a vista alcança. E embora eu concorde que encarar as modificações vá ser um pé no saco para a atual geração, isto não é insuperável. Já tivemos reformas ortográficas, eu mesmo passei por uma, e acho que isto é coisa que se resolve no máximo em uma geração, com amplos benefícios, creio eu. Digo isto porque recentemente tive que adaptar um texto volumoso do português de Portugal para o brasileiro e posso dizer, de cátedra, que trata-se de tarefa apenas aparentemente fácil.

“Quem me criou foi o tempo, foi o ar. Ninguém me criou. Aprendi como as galinhas, ciscando, o que não me fazia sofrer eu achava bom”

_ Dercy Gonçalves

(estou maluco ou ela era a cara da Giulia Gam quando nova??)

Na Folha Online de hoje, uma noticiazinha interessante sobre as artes do baiano Daniel Dantas:

BrT tinha “sala de escuta” durante a gestão de Dantas

Alvo de interceptação de telefones e e-mails, feita com ordem judicial na Operação Satiagraha da Polícia Federal, o banqueiro Daniel Dantas montou uma “sala de escuta” durante sua passagem pela companhia telefônica Brasil Telecom, controlada pelo banco Opportunity até 2005, informa nesta segunda-feira reportagem de Rubens Valente, publicada pela Folha (íntegra disponível para assinantes do UOL e do jornal).

(…)

A Folha informa que, no teto da sala, os auditores encontraram cabos para “monitorar outros ambientes”. O local seria freqüentado por fornecedores da empresa, jornalistas e outros visitantes.

O que me preocupa não é bem isso. O que me preocupa é que se trata, afinal, de uma empresa telefônica _ a empresa telefônica que presta serviços à capital federal, diga-se de passagem.

E se a BrT se “autogrampeou” sob a gestão Dantas?

Sim, porque depois do fim de semana chegam as segundas-feiras.

E nesta próxima segunda feira eu tenho a suspeita de que o setor de fiscalização do Banco Central terá grandes problemas.

(hat tip: Samurai no Outono, e a sacada do PSB foi simplesmente genial)

Do Guido Daniele.

Já vi brigas assim na 315 norte

Não se fala em outra coisa nos jardins de infância:

Barbie vence disputa judicial contra as bonecas Bratz

Designer das Bratz projetou o novo brinquedo quando ainda tinha contrato com a Mattel

WASHINGTON – O design das bonecas Bratz, fabricadas pela empresa MGA, saiu em parte das dependências da concorrente Mattel, fabricante da Barbie, segundo a decisão da quinta-feira de um júri federal na Califórnia, divulgada nesta sexta-feira, 18, pela imprensa americana.

O argumento da Mattel, aceito pelo júri, era que o designer das Bratz, Carter Bryant, projetou as novas bonecas quando ainda tinha contrato com a empresa e não havia sido contratado pela MGA. No entanto, a MGA afirmou que o design das Bratz foi elaborado por Carter em 1998, período em que não estava entre os funcionários da Mattel.

A decisão abre as portas para uma nova reivindicação da Mattel contra a MGA, na qual a primeira provavelmente pedirá uma indenização.

A Mattel avaliou em US$ 500 milhões por ano o lucro obtido pela MGA com as bonecas Bratz, que foram lançadas em 2001. No entanto, segundo o jornal Los Angeles Times alguns analistas avaliam o lucro anual em até US$ 2 bilhões.

As Bratz, com apenas sete anos de existência, buscam ser mais sofisticadas e “sexys” que as Barbie, que se aproximam dos 50 anos com poucas mudanças na imagem de boas meninas e figura muito estilizada.

As Bratz causaram polêmica em alguns países, acusadas de propiciar uma supersexualização das meninas. Na Austrália, por exemplo, o Professor Frank Oberklaid, diretor do Centre for Community Child Health no Royal Children’s Hospital disse que

“It’s all there, the excessive make-up and pouty lips and the impossible features. It stresses me to see little girls wearing make-up. Exposure to it over a long period of time without context could be harmful and we need to ask ourselves is that what we want for our community?”

Deveras:

“Bratz Dolls are the rage with young girls these days, I thought this was a simple yet great face painting example for face painters, looking to paint young girls. Forget Barbie, Bratz are cool.

Em 2007, a American Psychological Association criou uma força tarefa para estudar a sexualização das meninas, concluindo que

Bratz dolls come dressed in sexualized clothing such as miniskirts, fishnet stockings, and feather boas. Although these dolls may present no more sexualization of girls or women than is seen in MTV videos, it is worrisome when dolls designed specifically for 4- to 8-year-olds are associated with an objectified adult sexuality.

O relatório também fala da Barbie, e de um certo número de outras bonecas.

Enquanto isso, Lynne Wannan, chairwoman do Victorian Children’s Council, na Austrália, sensatamente observa que

The two dolls are similar to what has been visible, and apparently acceptable to the community, for decades. The dolls are not very different to Barbie who, while not presenting children with a normal attainable body image and lifestyle, seems to have been accepted by parents and child experts for many years.

Tudo isso me lembra muito Philippe Ariès e sua obra “História Social da Infância e da Família“. Para resumir, sua tese central era a de que o conceito de infância como um período peculiar da vida humana é socialmente construído, e não algo inerente à condição humana. Segundo Ariès, essa concepção diferenciada, a infância, teria começado a se formar a partir do final da Idade Média.

Estudos e análises mais detalhadas e nuançadas sobre a representação de crianças nas artes visuais romanas indicam que podem ter havido variações sobre esse tema na curta duração, em períodos mesmo anteriores à Idade Média, mas acho que continua válida a idéia de que a concepção de infância varia de acordo com a época.

A questão é saber se estamos mesmo migrando de uma concepção ainda vitoriana da infância para alguma coisa diferente, onde as crianças significam alguma outra coisa além de seres humanos imaturos a serem protegidos e ensinados. Acho que este post do Idelber dá uma dica do tipo de debate com que podemos nos defrontar nos próximos anos.

E para ficar na moda, apresento-vos o…Coringonauta!

O Idelber resolveu sair do armário em seu último post:

A teoria de hoje já foi apresentada oralmente a alguns amigos. Ela parte da observação de que há lugares no mundo onde as mulheres são mais interessantes, sexy, atraentes que os homens.

OK, “Apresentar teoria oralmente” já parece gíria da Avenida Paulista em dia de parada.  Mas sugerir que em pelo menos alguns lugares do mundo os homens são mais interessantes, sexy e atraentes que as mulheres…

Isso só pode ser coisa de GAY!

Aguardo a opinião abalizada do Biajoni.

Deu no Correio Braziliense:

E-mails interceptados pela Operação Satiagraha da Polícia Federal indicam que os advogados do banqueiro Daniel Dantas manobraram, para que caísse no plantão do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, o pedido de liminar no habeas corpus impetrado por Dantas em junho, concedido duas vezes na semana passada.

Nos e-mails, o advogado e ex-ministro do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) Luis Carlos Lopes Madeira, que faz parte do corpo de advogados de Dantas, sugeriu que a liminar fosse pedida quando o relator do habeas corpus, o ministro Eros Grau, estivesse de férias. Pelas normas do tribunal, no recesso, quem recebe os pedidos de liminar em caso de réu preso é o presidente do STF, Gilmar Mendes. Num dos e-mails, Madeira escreveu: “Insisto que não estou pensando no STJ. No STF, quem estará na presidência é o ministro Gilmar ou o ministro Cezar Peluso”.

Em outro e-mail, Madeira explica o que deveria ser feito: “O relator [Eros Grau] viajou para São Paulo hoje. Retorna amanhã, 27 [de junho]. Em seguida viaja e só volta no final do recesso. Pelas normas regimentais do STJ, em casos tais de urgência, o processo vai para a presidência. Penso que no STF o processamento deve ser o mesmo. Na presidência não seria mais viável?

Er, “mais viável”, o quê?

***

Os advogados já pedem que estes e-mails sejam considerados “prova ilícita”, porque rompem o sigilo do advogado, embora o grampo tenha sido feito no endereço eletrônico de Danielle Silbergleid Ninio, diretora jurídica do Opportunity.

Xeretando por aí, descobri que a Piauí fez, em junho, uma matéria sobre Daniel Dantas. Como nunca vi o cabra dar entrevista a ninguém, acho que esse é um material que deve ser preservado para a posteridade.

É claro que eu não tenho a pretensão de que “O Hermenauta” sobreviva à Piauí (aliás, excelente revista, passei a comprar recentemente _ meio desajeitada para ler no avião, mas a boa leitura compensa a ergonomicidade deficiente), mas acho que quanto mais vezes a matéria for reproduzida maior a chance dela sobreviver aos altos e baixos da internets.

O último parágrafo é profético:

Dantas conta que agora está se voltando para outros interesses: o etanol, que considera a energia do futuro. Tanto que já comprou 100 mil hectares de terra no Pará, para plantar cana-de-açúcar e desenvolver o combustível. Ele interrompe a conversa para atender o celular. Fala rapidamente. Ao desligar, faz um comentário misterioso. “Me ligaram para dizer que estão tramando alguma coisa contra mim.” Não fica preocupado? “Não. Já me acostumei a viver assim.” Mas, afinal, não existe nada de que tenha medo? Ele solta uma gargalhada e responde: “Da Polícia Federal”.

Vai aí, na íntegra, abaixo do folder.

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Alguém chegou aqui no blog através do seguinte parâmetro de busca:

me da tesao so de olhar na parteleira

***

Medo.   🙂

(*) Paródia sobre marca registrada.

E a Veja, sempre imparcial, prefere levar o caso Dantas para o mensalão do que para a privataria.

Um bom debate nasce lá no blog do Sergio Leo (as usual). Em um post sobre a ação da PF no caso Daniel Dantas, o comentarista aiaiai fez uma ponderação interessante sobre a atuação da repórter da Folha de São Paulo, Andréa Michael, que teve a prisão pedida pelo delegado Protógenes (e negada pelo juiz de Sanctis):

E já que vc não mudou de assunto, me permita perguntar de novo, voltar à questão do FUROxÉTICA:

se você fosse um repórter de polícia e descobrisse – por uma fonte da própria polícia – que estão fazendo uma operação para pegar um bando de traficantes de com a boca na botija e ainda apreender drogas e armas, você publicaria a matéria ou esperaria o fato acontecer para depois contar como a polícia trabalhou durante meses para conseguir finalizar a operação?

Responde Sérgio Leo:

É isso aí, aiaiai, a ética é uma só, mas os casos a que ela se aplica são variados, não dá para extrapolar. No caso dos traficantes, eu não publicaria, acompanharia os preparativos (até para notar se não houve vazamento para os traficantes)e pediria para me avisarem para publicar no dia da operação. No caso do dantas, eu publicaria, porque um inquérito bem montado pela polícia nesses casos não deve depender de surpresas, golpes de mão. Um inquérito de crime financeiro não é uma operação de invasão à favela (para começar, não precisa de Caveirão). Sempre me surpreendi em Brasília com a quantidade de fontes de nformação que empresários, políticos e a elite em geral dispõe, além dos jornais (mas também me surpreendo como são mal informados em certos assuntos, e dependem dos jornais).
Mas concordo com você, a discussão não é fácil, e não tenho opinião fechada sobre o tema. Até porque me mantenho longe da polícia; não sei assumir o tipo de compromisso que se precisa fazer para ter informação desse pessoal.

Minha opinião é a seguinte: no caso da Andrea, há dois agravantes.

a) Gravidade do ilícito: alta. No caso de crimes financeiros geralmente estão envolvidas quantias muito superiores ao que qualquer gang de favela pode manejar;

b) Risco de impunidade: alta. No caso de crimes financeiros geralmente estão envolvidas pessoas com muito mais incentivo e capacidade para apagar rastros e destruir provas, se alertadas sobre o que está acontecendo.

Eis o que Andrea escreveu na reportagem intitulada “Dantas é alvo de nova investigação da PF“, na edição de 26 de abril da Folha:

Desde meados de 2007, o inquérito que investiga Dantas e seus comandados está sob a presidência do delegado da PF Protógenes Queiroz, o mesmo que investigou e prendeu o hoje deputado Paulo Maluf e o contrabandista Law Kim Chong.
Houve uma análise estratégica para conduzir a investigação. Dantas tem muitos informantes no meio de telecomunicações, até por já ter contratado espiões particulares que usam prática ortodoxas, a exemplo da Kroll, segundo acusa o Ministério Público Federal, e ser acionista da Brasil Telecom e também da Telemar. A opção foi grampear o fluxo de e-mails que circulam pelo servidor central do banco Opportunity.

Francamente, tenho minhas dúvidas se divulgar tais informações era mesmo necessário, pois de uma só tacada ela expôs não só o responsável pela operação (a ameaças e/ou tentativas de suborno) como parte da estratégia de investigação. Certamente o Opportunity deve ter tomado muitas medidas de segurança após o caso vir a luz pelas mãos da jornalista no 26 de abril.

Diga-se de passagem que a edição da Folha nesse dia estampava a manchete “Com R$ 2,6 bilhões, Oi compra Brasil Telecom“, com várias matérias sobre a operação na seção “Dinheiro”, o que indica que havia um esforço editorial coordenado para cobrir todos os aspectos desse negócio _ incluindo a vida e a obra de Daniel Dantas.

Portanto, embora eu acredite que Andrea não tinha interesse próprio na história, acho que os desdobramentos justificariam a criação de um CONAR do jornalismo investigativo, ou criação de um código de ética, se é que já não existe um. Acho que atitudes como a da repórter da Folha, no limite, tendem apenas a aumentar a demanda por secretividade das forças policiais. O que não é bom, penso eu.

***

O último link acima aponta para uma matéria interessante, falando sobre a revisão do Código de Ética dos Jornalistas, aprovada no final do ano passado. Diz a matéria:

Pelas novas regras, fica proibida a divulgação de informações obtidas com uso de identidade falsa e câmeras escondidas. De acordo com o texto, isso só poderá ocorrer, em caso de esclarecimento de informações de relevante interesse público e quando esgotadas todas as possibilidades em que o profissional possa recusar o seu uso.

Na avaliação de Nunes, isso dará fim ao tipo de reportagem de “denuncismo”, prática feita com muita facilidade e pouca responsabilidade. Para Spada, há outras formas de se conseguir provar uma denúncia. “Você não precisa enganar a fonte de qualquer forma e pretexto”, conclui.

O texto final inclui princípios da Constituição de 1988, artigos constantes no Estatuto da Criança e do Adolescente (1990), no Código do Consumidor (1990) e no Estatuto do Idoso (2003). Cláusulas como a presunção da inocência – referente à prerrogativa de “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória” – e de consciência, também foram anexadas ao código.

De acordo com Antônio Carlos Queiroz, vice-presidente Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal, o desafio é combater a atual disposição de certos meios de denunciar, julgar e punir pessoas com a execração pública, muitas vezes sem elementos de prova e sem conceder-lhes o direito de resposta. O jornalista poderá ainda se recusar a executar pauta que se choque com os princípios do Código ou que agridam as suas convicções – ressaltando que essa disposição não pode ser usada como argumento, motivo ou desculpa para o profissional deixar de ouvir pessoas com opiniões contrárias às suas.

Ainda de acordo com o documento, é dever do jornalista informar ao público a utilização de recursos para fotometragem que modifiquem a imagem original. A nova redação traz também esclarecimentos do Código e do processo disciplinar vigente e do processo disciplinar da atuação da comissão.

Tenho a impressão de que fica um vácuo aí: o jornalista está restringido, pelo código, a usar escutas, câmaras, etc. Mas os veículos de mídia se sentem no direito de publicar estas informações tão logo elas sejam vazadas pela polícia. Ou seja, a mesma prática, que em um caso é uma afronta ao Código de Ética, no outro já se torna “notícia”. A meu ver, isso é questionável.

Manchete no Valor de hoje:

Fotossíntese pode ser uma saída para fome

***

A-hã.

Então ficamos assim: o Protógenes largou o caso para ir fazer o seu curso de promoção. Diz a nota publicada pela PF:

O delegado Protógenes Queiroz, responsável pelas investigações da Operação Satiagraha, entrou no dia 13 de maio com pedido de liminar junto à 3ª Vara Federal do DF para que fosse matriculado no XXII Curso Superior de Polícia, alegando preencher os requisitos exigidos para freqüentar o Curso e contestando os critérios estabelecidos pelo Ministério do Planejamento para contagem de tempo do serviço público. No dia 20 de maio, a Justiça determinou a matrícula e freqüência do delegado no referido Curso. No dia 02 de junho foi publicada Portaria da Academia Nacional de Polícia com a convocação de Queiroz.

O Curso Superior de Polícia foi instituído em 1998 como instrumento de aperfeiçoamento e atualização dos delegados e peritos federais, pré-requisito para ascensão à classe especial, último degrau da carreira. É realizado para servidores que tenham mais de nove anos na carreira policial;

Então o Protógenes vai passar para o último nível da sua carreira. O que isto significa? Isso, segundo a edição número 43 da Tabela de Remuneração do Funcionalismo Público Federal significa o seguinte:

Fazendo o curso e passando para a categoria Especial, Protógenes passa a ganhar mais dois mil reais, brutos. Muito menos que isso, descontados os impostos.

Quer dizer, o cara que poderia ter a qualquer momento molhado a própria mão com 1 milhão de dólares de Daniel Dantas está largando o caso de sua vida para ganhar mais quase dois mil reais a mais por mês, pelo resto de sua vida. OK, vamos fazer uns cálculos.

Diz o Decreto 2.565, que rege a promoção dos Policiais Federais:

Art. 3º São requisitos cumulativos para a progressão na Carreira Policial Federal:

I – avaliação de desempenho satisfatório;

II – cinco anos ininterruptos de efetivo exercício na classe em que estiver posicionado.

Se ele cumpriu tempo para ir para a Especial, isso quer dizer que ele tem no mínimo 15 anos de carreira. Vamos supor que ele se aposente aos 35 anos de carreira e ainda tenha uma sobrevida de, sei lá, uns quinze anos depois disso, se Daniel Dantas deixar. Isso significa que Protógenes viverá mais uns 35 anos recebendo esses dois mil reais ao mês a mais, o que dá (computando 13o salário e férias):

35 x 13,33… x 2.000 = 933.333,33

Na verdade, ele ganhará bem menos, porque acaba de passar uma legislação que acaba com a paridade de entre ativos e aposentados no serviço público. Portanto, nos últimos 15 anos de sua vida o Protógenes terá seu salário corrigido apenas pelo índice oficial de inflação, o que diminuirá o valor presente da bolada aí.

Ou seja, bem menos que o 1.000.000, 00 de dólares que ele poderia ter ganho de Daniel Dantas.

Tem mais um detalhe. Como viram ali no art. 3 do Decreto de progressão, um requisito para a mesma é “avaliação de desempenho satisfatório“. Eu tenho minhas dúvidas se Protógenes terá uma avaliação de desempenho satisfatório depois dessa.

***

Em outras palavras, nada disso faz o menor sentido, em minha humilde opinião.

Protógenes, pedindo pra sair

Está tudo cada vez mais estranho.  Deu no Globo:

O presidente [Lula] estava irritado com as insinuações de que Queiroz e os outros dois delegados, Carlos Eduardo Pellegrini Magro e Karina Murakami Souza, foram forçados pelo governo a deixar o caso.

“O que não pode é passar insinuações. A Polícia Federal deve estar nesse instante divulgando uma nota de uma reunião que ele participou, que foi gravada com o consenso de todo mundo, em que ele pede para sair. E depois vende a idéia de que ele foi afastado. É, no mínimo, uma atuação de má-fé, eu não sei se ele falou ou não [que foi afastado]. Eu li na imprensa que tinha acontecido. Portanto, moralmente ele tem que ficar nesse processo até terminar esse relatório, ou que ele diga de livre e espontânea vontade que não quer”, criticou Lula.

Segundo Lula, o delegado disse a seus superiores que só conseguiria concluir o relatório nos finais de semana, enquanto estivesse de folga do curso que reciclagem que está participando em Brasília. Oficialmente, ele se afastou das investigações para concluir esse curso obrigatório para agentes com mais de dez anos de serviço.

“Veja, o relatório não está pronto e ele disse para o delegado que só pode fazer isso no final de semana. Esse é um processo sério, envolveu gente, as pessoas foram para a televisão. Então, é preciso que as pessoas tenham logo um relatório definido para que se peça ou não o indiciamento das pessoas. A única coisa que nós queremos desse caso é responsabilidade. Ninguém pode fazer o trabalho que ele fez durante quatro anos e na hora que tem que terminar o relatório, simplesmente dizer que vai embora”, cobrou Lula.

***

Realmente, estão abusando do grampo. 🙂

***

E eu tenho certeza de que Lula não usou esse “pede pra sair” à toa.

Cláudio Gonçalves Couto fecha um longo e interessante texto no Valor com um parágrafo sobre um tema que eu andava querendo aprofundar, o apoio dos advogados ao Ministro Gilmar Mendes:

Neste episódio, ironicamente, a advocacia, que normalmente é simpática à manutenção de uma estrutura mais descentralizada de decisão judicial, optou por defender o posicionamento tomado no centro – apontando-o como uma salvaguarda de direitos individuais por meio da concessão do habeas corpus. As críticas que a advocacia tem feito, por exemplo, à simplificação dos processos penais, reduzindo a possibilidade de recursos, vão em sentido contrário a isto, pois apostam na dispersão das decisões judiciais como forma de – alegadamente – garantir os mesmos direitos individuais. Há, contudo, uma diferença importante: na simplificação do processo, encurta-se o julgamento, facilitando a condenação; nos habeas corpus concedidos pelas instâncias superiores, evitam-se punições antecipadas. Isto mostra que a relação entre centralização judicial e defesa de direitos não é tão simples e direta como se supunha. Este caso deixou isto bem claro.

Eu não conheço muito bem a sistemática de honorários pagos a advogados em questões criminais, mas seria capaz de apostar que a frase em negrito poderia terminar na quarta vírgula.

Na Folha de hoje, um texto interessante do Elio Gaspari, que namora com idéias que já circularam neste e em outros blogs:

Há algo de novo, e não é Daniel Dantas

Longe do governo, um grupo de profissionais brasileiros criou a maior empresa cervejeira do mundo

TALVEZ SEJA mais que uma coincidência: enquanto o povo de Pindorama acompanha enraivecido o ocaso do banqueiro Daniel Dantas, os empresários brasileiros que dirigem a InBev compraram a cervejeira americana Anheuser-Busch. Um negócio de US$ 52 bilhões que faz da empresa belgo-brasileira a maior companhia do setor, com 25% do mercado mundial.
A coincidência pode ser um sinal de que há uma troca de guarda, de métodos e de objetivos no capitalismo brasileiro. Certamente não será uma troca abrupta, mas se a novidade ainda não apareceu direito, o velho está aí, escancarado, à vista de todos. Daniel Dantas, um descendente do barão de Jeremoabo, foi considerado um gênio do seu tempo e encarnou o esplendor do papelório e da privataria tucana. Esteve um passo à frente do empresariado cartorial e, durante algum tempo, foi um Midas. Tomou o bonde errado quando se apoderou de concessionárias de serviços públicos juntando-se aos fundos de pensão de estatais. Associou-se por algum tempo a um ex-presidente do Banco Central (Pérsio Arida), fez do litígio judicial um apêndice dos seus interesses e deslizou para operações policiais, até acabar algemado. O Brasil de Jeremoabo deu-lhe a impressão de que se tornara poderoso. Nesse Brasil de Jeremoabo, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, circula pela controvérsia da libertação do banqueiro como se a chefia da magistratura fosse uma permanência na ilha de Caras, com entrevistas de calçada, adornadas com frases de efeito.
Quando Daniel Dantas chegou ao mercado, lá havia uma referência legendária. Chamava-se Jorge Paulo Lemman. Ele e sua turma compraram a Anheuser-Busch. Ao tempo do papelório, e até mesmo durante o tele-esplendor da privataria, Lemann ganhou todo o dinheiro a que tinha direito. Seu banco, o Garantia, entrou mal numa curva e, em 1988, foi vendido ao Credit Suisse.
Lemann celebrizou-se pela capacidade de juntar talento e trabalho, transformando funcionários em milionários. Três deles foram relevantes para a compra da cervejeira americana: Carlos Brito, Marcel Telles e Carlos Sicupira. Em 1980, quando o advogado Luiz Eduardo Greenhalgh ajudou a fundar o PT, o patrimônio de Brito, Telles e Sicupira talvez fosse inferior aos R$ 650 mil que, segundo a Polícia Federal, o doutor recebera como honorários até abril.
Lemann e sua turma transferiram-se para a economia real arrematando empresas mal administradas. Em 1989, compraram a Brahma e depois engoliram a Antarctica, criando a AmBev. Em 2004, a empresa juntou-se com a cervejeira belga Interbrew, gerando a InBev. Hoje, 7 dos 12 principais executivos são brasileiros. Carlos Brito, de 48 anos, é seu presidente.
Daniel Dantas poderia ter criado uma AmBev, mas preferiu ficar no regaço do governo. A turma da InBev trata o mínimo possível com os Poderes. São profissionais agressivos e têm uma enorme capacidade de agradar os acionistas. Nos últimos anos, quem comprou ações de suas cervejarias ganhou muito mais dinheiro que a bancada dos títulos públicos.
Faz tempo que a garotada que entra no mercado de trabalho procura evitar atividades que dependam da palavra de burocratas. Numa mesma semana, Daniel Dantas e a turma da AmBev ensinaram que um dos caminhos inclui o risco da cadeia. O outro oferece o sucesso.”

Ministro Gilmar Mendes em sessão espírita do STF

O grande resultado da Operação Satiagraha so far:

O “aggiornamento” do projeto de Lei para coibir o uso do grampo telefônico, segundo o Valor.

OK, eu concordo que é preciso coibir abusos, mas que timing…

***

E por falar em abusos, matéria interessante na Folha:

STF negou 80% dos habeas corpus pedidos nos últimos 18 meses

Os dois habeas corpus obtidos pelo banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, no STF (Supremo Tribunal Federal), são estatisticamente uma exceção. Balanço do tribunal sobre os julgamentos ocorridos entre janeiro de 2007 e junho deste ano diz que, “na maioria” dos habeas corpus julgados no período, “relatores, turmas e plenário negaram os pedidos”.
O levantamento mostra que houve 4.089 habeas corpus julgados no mérito e outros 1.996 com decisão liminar. No primeiro caso, apenas 9,2% (385) foram concedidos pelo STF, enquanto o restante (90,8%) foi negado ou voltou a instâncias inferiores. Cerca de 80% das liminares foram negadas.

***

Pois é: abusa quem pode.

Afrika Bambaataa, “World Destruction”

***

Não deixa de ser estranho que a música que é amplamente considerada como a alvorada do hip-hop, “Planet Rock“, use como base a “Trans-Europe Express” do Kraftwerk, né não?

Sei não, senhores, mas acabo de encontrar algumas evidências que parecem levar água para a minha fervura.

Um comentarista botou um link lá no já referido post do Marginal Revolution que me levou até este post do Waxy.org sobre o Whitburn Project,

…a huge undertaking to preserve and share high-quality recordings of every popular song since the 1890s. To assist their efforts, they’ve created a spreadsheet of 37,000 songs and 112 columns of raw data, including each song’s duration, beats-per-minute, songwriters, label, and week-by-week chart position. It’s 25 megs of OCD, and it’s awesome.

O gráfico aí em cima foi feito com base nesse banco de dados. Curiosamente, ele mostra que o tamanho das músicas (uma proxy imperfeita para o tamanho das letras, mas uma proxy) diminuiu, na verdade, dos anos 90 até agora. Eis o comprimento típico das músicas populares por década:

1950s, 2:30 (95 songs)
1960s, 2:30 (250 songs)
1970s, 3:30 (153 songs)
1980s, 3:59 (142 songs)
1990s, 4:00 (132 songs)
2000s, 3:50 (58 songs)

E o cara lá, o Andy Baio, tem uma opinião semelhante à minha:

I was surprised at how exact these numbers are. The capacity for 45 RPM records was about three minutes, setting the standard for pop singles well into the 1960s. By the late 1960s, those constraints were removed, and we start to see longer singles. But without artificial constraints, why did exactly four minutes become the de facto standard in the 1980s and 1990s? (Maybe Madonna knows.)

E os comentários têm um monte de outros palpites curiosos (não só sobre este assunto, é claro). Vale a pena ler.

julho 2008
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