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Está insone, prezado leitor?

Pois conheça o site Acalanto e locuplete o seu iPod:

Projeto Acalanto

Acalanto ou cantiga de ninar é o nome do canto entoado para adormecer as crianças. Considerado o canto universal do berço, ele pode ser herdado ou inventado para embalar o sono dos pequenos, com ternura.

Na história das civilizações, o acalanto tem sentido protetor, uma espécie de encantamento para afastar os maus espíritos. O fato de um adulto acalentar um bebê é inerente àquilo que chamamos humanidade.

Este vasto patrimônio humano, manifesto pelas cantigas entoadas em várias línguas por diferentes povos, está sendo reunido num grande acervo virtual de gravações e imagens, por iniciativa do Instituto Auditório Ibirapuera.

A intenção do IAI é coletar informações sobre o assunto, artigos, pesquisas e referências sobre o tema, para que este acervo cresça e vire um projeto capaz de beneficiar a educação e a cultura.

Eles têm um acervo em variadas línguas.   Boa soneca. 🙂

Die casting

Deu no Estadão:

Amy Winehouse ganha estátua de cera em museu em Londres

Vários artistas já foram imortalizados no museu Madame Tussauds, como os Beatles, Beyoncé e Jimi Hendrix

LONDRES – A cantora britânica Amy Winehouse, de 24 anos, terá sua própria estátua de cera no museu Madame Tussauds, de Londres, onde já foram imortalizados artistas como os Beatles, Beyoncé e Jimi Hendrix.

A cantora passará a fazer parte da sala dedicada à música que o museu inaugurará em julho, informou nesta segunda-feira, 30, um porta-voz da galeria.

Seus fiéis também:

Legislação permite que empresas vigiem funcionários
Um grupo de fiéis da Igreja Universal, cuja chefia responde diretamente ao bispo Honorilton Gonçalves, é responsável pelo monitoramento de muitas ações dentro das dependências da Record.

O grupo é formado por freqüentadores da igreja, e todos são considerados cargos de confiança. O trabalho fiscalizador é chamado, entre o grupo, de “missão contra o mal”.

Ele fica instalado em uma na sede da Barra Funda. Esse grupo faz a vigilância de mensagens enviadas e recebidas, monitora origem e destino de ligações telefônicas e ainda acompanha em vídeo o dia a dia dos funcionários.

Cabe lembrar que o monitoramento corporativo não é ilegal. Esse tipo de ação de proteção tem respaldo legal, Se um funcionário utiliza um e-mail, um equipamento (seja micro ou telefone) de uma empresa, ele está sujeito às regras da casa.

***

A história acima foi veiculada em uma matéria maior do Ricardo Feltrin, do UOL, sobre as recentes acusações da Globo à Record de que esta última estaria fazendo “espionagem” na Vênus Platinada.

Panopticon evangélico é dose.

Num guento mais.

Mil posts right now.

Saúde!  Mas não dirijam.  🙂

Em uma discussão por si só interessante sobre quanto deve ganhar uma baby-sitter lá no Crooked Timber, eu achei este comentário extremamente percuciente:

Second, ‘skilled’ babysitters are a) extremely rare and b) quite expensive. You know them- the ones who, when you meet them, provoke all kinds of suppressed angst- “Dammit, why couldn’t YOU have been my mother?”, followed by the general uneasiness that they’ll be better parents to your kids than you are.

Tio Rei, delicadamente, chama a manada que escreve em sua caixa de comentários de analfabeta:

Queridos, uma dica

E se todos passassem a zelar pela língua portuguesa, hein? Mesmo na Internet? Vejam o caso dos comentários, por exemplo. Eu lhes sugiro que os redijam antes no Word, com o corretor acionado, eliminando os eventuais erros de digitação e de ortografia. Aí basta copiar e colar. O sistema não elimina 100% dos erros, mas o ganho é grande. Você gastará, no máximo, 10 segundos a mais. A língua agradece.

Não! Os erros nos comentários deste blog não são, na média, nem maiores nem menores do que em outros. Mas cada um cuida do seu jardim, certo?

E é um aprendizado. Pensem nisso.

Tio Rei

O que gerou comentários abjetamente leais como este:

Muito obrigado pela dica. Não vou ficar dependente, pelo contrário com a chance de aprender também com o word serei mais livre.

Alguém menos puxa-saco foi mais razoável:

Fernando Pessoa não escreveria no blog. Na questão ortográfica, principalmente, era individualista.

Quem leu suas considerações sobre a língua portuguesa sabe do que falo. Não gostavam da ortografia e da gramática do mestre, e ele fez um texto sobre as críticas, dizendo basicamente para não lhe encherem o precioso saco.

Também há gente que acha um horror os pecados mortais do Machado de Assis…

Word é a camisinha da gramática.

Não sabe escrever? Tem word.

E o impagável, dois comentários um depois do outro:

Ai, Rei! Tia Cris mandou um “nervoZinho” no outro comment! Foi mal. Correto e Word acionados para sempre, amém.

Ichi, era CORRETOR. O corretor corrigiu para “correto”.”

Depois, “alguém” escreveu um longo comentário ensaboado defendendo a sugestão do Tio Rei _ que claro, transformou-o em post logo depois:

Gentes

Sei que o Reinaldo não gosta de transformar a área dos comentários em chat, mas não resisto a respondê-los.

O Tio não quer que a gente fique word-dependente, nem que tenha medo de escrever – errado mesmo, que seja -, muito menos acha que o ideal para aprender a língua de Camões seja o uso de corretores ortográficos ou catecismos gramaticais ao invés de leitura e mais leitura.

Ele apenas está cuidando do próprio jardim, entendem? Quer ver todo mundo melhorar. Ademais, não precisa “escrever” no Word. Ele apenas SUGERE que, antes de postar, colemos o texto no Word só para conferência.

Ademais, o Reinaldo é paciente e tolerante. Ele publica comentários não só com erros de português, mas também com idéias das quais ele discorda (desde que se equilibrem em duas pernas, como ele mesmo diz, nem que seja com a ajuda de uma bengala). Eu já tive publicados comentários com erros grosseiros de português e com idéias das quais eu sei que ele discorda, às vezes as duas coisas ao mesmo tempo.

Sendo educados, o Reinaldo reconhece nos comentaristas o esforço em acertar (na língua) e entender (as idéias divergentes) e tolera a diferença com a humildade de quem sabe que não é dono de verdade nenhuma e que todos somos passíveis de erros, humanos que somos.

É só uma sugestão do Rei, poxa. Ele não está estressado, não está chateado, não está fazendo exigências. Nem mesmo decepcionado ele fica.

E o jardim iria ficar tão mais bonitinho se ajudássemos a consertar um ou outro canteirinho cá e lá, o que não custaria absolutamente nada para gente!

***

Como se vê, o blog do Tio Rei é um jardim. Um jardim das aflissões

No Valor de ontem, uma matéria intrigante sobre o aumento do interesse sobre estudos brasileiros nas universidades norte-americanas:

Biocombustíveis, a questão amazônica, Petrobras e Embraer, um presidente operário, os holofotes da mídia mundial dirigidos para os Brics (Brasil, Rússia, Índia e China) e o grau de institucionalização que o país atingiu inevitavelmente atraem a curiosidade dos estrangeiros, seja por novos negócios, seja por novas áreas de estudo. “Há 20 anos os estudantes ainda tinham aquela imagem do Brasil exótico, da terra do samba e do carnaval. Hoje, a visão é de um país emergente, uma potência que produz jatos, commodities e biocombustiveis”, afirma Todd Diacon, professor da Universidade do Tennessee e integrante de uma nova geração de brasilianistas, como McCann.

Esse novo panorama brasileiro pode explicar o aumento na demanda por informações sobre o maior país da América Latina, que se reflete no número de alunos universitários aprendendo o português. “Hoje, há cerca de 10 mil jovens aprendendo a língua. Há quatro anos, eles eram 7 mil. Houve, também, aumento de 20% no número de professores ensinando história do Brasil nas universidades americanas nos últimos cinco anos”, explica o historiador e brasilianista James Green, ex-presidente da Brasa (Associação de Estudos Brasileiros), que hoje mantém 600 associados. Segundo o professor, o total de especialistas, entre antropólogos, sociólogos e professores de literatura e língua portuguesa, chega a 800. Para ele, os jovens americanos enxergam no Brasil um campo vasto e ainda pouco explorado para desenvolver pesquisas inéditas nas ciências humanas.

Isso aqui também é interessante:

Outra explicação é que a intensa concorrência dentro da academia americana leva os pesquisadores para lugares onde há muitas áreas de estudo com potencial, mas pouco exploradas. “Os pesquisadores estão sempre em busca de aspectos novos, que saiam do modelo convencional. E a América Latina é sempre um terreno novo”, explica.

Qual será a opinião do Idelber?

Na íntegra abaixo do fold, para os sem-Valor.

Leia o resto deste post »

Krugman explica:

Atrios asks why the dateline on this financial story is Bangalore.

Because Reuters now covers U.S. financial markets from India.

Fun stuff.

***

Wow.

***

E aqui no Yglesias, comentários sobre o swap entre Rússia e Brasil e Ìndia no G8 proposto por McCain. Melhor comentário:

Plus, if you kicked Russia out of the G8 and added Brazil and India you’d have 9, not 8. No way that’d work for the G8. The man obviously cannot count!

Bônus track: tabela com o GDP em PPP das maiores economias.

1 United States 13,843,825
2 People’s Republic of China 6,991,0361
3 Japan 4,289,809
4 India 2,988,867
5 Germany 2,809,693
6 United Kingdom 2,137,421
7 Russia 2,087,815
8 France 2,046,899
9 Brazil 1,835,642
10 Italy 1,786,429
11 Spain 1,351,608
12 Mexico 1,346,009
13 Canada 1,265,838
14 South Korea 1,200,879
15 Turkey 887,964

E no Three Quarks Daily, as vantagens da promiscuidade. Pelo menos entre guepardas:

Whether it’s lions fathering all the cubs in their pride, or human males getting a pass for cheating on their girlfriends, males sleeping around rarely make the news-it’s the natural order, after all-unless the article is happily touting the genetic advantages a male gets from spreading his dna around.

But when female cheetahs were found to do the same by a Zoological Society of London study, the study’s words about “promiscuous” felines were quickly outnumbered in Google’s index by the phrase, “cheetahs are sluts!”

Study author Dada Gottelli was quoted thus: “Mating with more than one male poses a serious threat to females, increasing the risk of exposure to parasites and diseases. Females also have to travel over large distances to find new mates, making them more vulnerable to predation.” Sounds like a cheetah-specific version of certain sex-ed curricula: Don’t sleep around, girls, or you’ll catch lots of diseases and the male cheetahs won’t respect you in the morning. Male cheetahs, however, aren’t “promiscuous”-they’re creating a healthier gene pool.

Not too surprising, then, that most of the coverage glossed over the evolutionary benefit of promiscuity for both male and female cheetahs: Multiple cubs by multiple cub daddies increases the likelihood of genetic diversity-a definite positive for a threatened species. Furthermore, the study noted that the rates of infanticide in cheetahs are much lower than in other big-cat populations, likely because male competitors don’t know which offspring might be theirs. But why let the facts slow down a good headline?

Eu fiquei tão sem fôlego que acho melhor transcrever o post inteiro sem mais delongas:

The End of Theory: The Data Deluge Makes the Scientific Method Obsolete

Drew Conway pointed me to this article by Chris Anderson talking about the changes in statistics and, by implication, in science, resulting from the ability of Google and others to sift through zillions of bits of information. Anderson writes, “The new availability of huge amounts of data, along with the statistical tools to crunch these numbers, offers a whole new way of understanding the world. Correlation supersedes causation, and science can advance even without coherent models, unified theories, or really any mechanistic explanation at all.”

Conway is skeptical, pointing out that in some areas–for example, the study of terrorism–these databases don’t exist. I have a few more thoughts:

1. Anderson has a point–there is definitely a tradeoff between modeling and data. Statistical modeling is what you do to fill in the spaces between data, and as data become denser, modeling becomes less important.

2. That said, if you look at the end result of an analysis, it is often a simple comparison of the “treatment A is more effective than treatment B” variety. In that case, no matter how large your sample size, you’ll still have to worry about issues of balance between treatment groups, generalizability, and all the other reasons why people say things like, “correlation is not causation” and “the future is different from the past.”

3. Faster computing gives the potential for more modeling along with more data processing. Consider the story of “no pooling” and “complete pooling,” leading to “partial pooling” and multilevel modeling. Ideally our algorithms should become better at balancing different sources of information. I suspect this will always be needed.

***

Cosma Shalizi tem palavras álacres a respeito do artigo, também.

Deu na Reuters:

A dance student practices a move during a training session at a pole dancing school in Hefei, Anhui province, China, June 25, 2008. The dance school, which opened 2 months ago, is the first in Hefei to introduce pole dancing. Increasing in popularity, students, mostly women, sign up for the daily training for a variety of reasons such as to get fit, receive training to be a pole dancing coach and to work in night clubs. Pole dancing is billed as a serious workout, closely aligned with gymnastics.

E com isso a China está pronta a veicular nossas educativas novelas.  “Pole dance” para o povo!  E viva a TV púbica.

Se você acha que o mercado de teses e trabalhos de faculdade aqui entre nós é um escândalo, considere esta notícia do Slashdot: nas faculdades de ciências da informação dos EUA e na Inglaterra, é cada vez mais comum, por parte dos alunos, o “outsourcing” de trabalhos da faculdade para “profissionais” localizados na Índia e na Romênia _ desde trabalhinhos normais até projetos de fim de curso. O Slashdot tem um comentário aguçado, mas pertinente, sobre isso:

The irony of course is that if they actually get jobs in the sector, this will be how they actually work anyway.

Via Shifting Baselines, um blog do Science Blogs, fico sabendo que existe um movimento pelo consumo ecologicamente correto de peixes, e um site que lhe dá apoio, o International Seafood Guide.  Lá você consegue ver várias opiniões acerca da sustentabilidade do consumo de cada tipo de peixe.  Segundo informa a Janet, a blogueira do Shifting Baselines, há considerável consenso acerca da sustentabilidade do consumo do salmão, por exemplo, mas há muita controvérsia a respeito de outras espécies.  Um efeito perverso descrito por ela é o aumento do consumo das espécies tidas como de consumo sustentável _ de fato, se o thumbs up para um determinado peixe gera um excesso de consumo, o status do bicho pode prontamente voltar ao de consumo insustentável…coisas da vida.

Tio Rei faz o segundo necrológio de D. Ruth em um post hoje.  Nesse ele pegou pesado:

Aos 77 anos, podendo viver uma vida confortável, dedicar-se apenas a seus livros, aos netos, às viagens que eventualmente fazia em companhia do marido em palestras mundo afora, Ruth, não obstante, trabalhava pra valer na ONG Comunitas, sucessora do Comunidade Solidária. E com recursos que buscava na iniciativa privada — aliás, era o que fazia também o Comunidade Solidária. A ONG de Ruth era mesmo “não-governamental”. Desde que se fez professora, no Brasil ou no exílio, jamais deixou de trabalhar. E a morte a encontrou, perto dos 80 anos… trabalhando! Não é espantoso? Ruth, sozinha, era um verdadeiro Partido dos Trabalhadores.

Eu temo que algum petista vá lá no blog dele e diga, “mais respeito, babaquinha”.

Também acho que ele, sendo quem é, perdeu uma grande chance de ver o dedo do Foro de São Paulo em uma ONG que se chama, puxa vida, “Comunitas”!  Aí, está na cara que o criptobolchevismo é mera questão de erro ortográfico.

Tio Rei tá que nem o pessoal do Torre de Marfim: não gosta de índio. Nem de sertanista. O cara, tipo, pegou nojo. E volta com a história do Guardian:

A cascata da Survival International

Eu ia escrever ontem a respeito, mas acabei atropelado por outros fatos do dia. A Suvival International, em seu site, insiste que não deu truque em ninguém com as fotos dos tais “índios isolados” e, claro, condena a “mídia”. Vocês sabem: a mídia é o cobre de plantão de tudo quanto é pilantra intelectual e moral: quando eles não têm por onde se safar, acusam a… mídia.

O fato é que a tal tribo era conhecida desde 1910 — e não há apenas 20 anos. Se o dado não tivesse sido omitido, o que pareceu o grande fato antropológico em décadas não teria tido a repercussão que teve. Mais: José Carlos Meirelles, sertanista da Funai, fez parecer que se tratou de uma descoberta quase ocasional. Não foi. À rede de TV Al Jazeera (!?!?!?), ele afirma que a “descoberta” foi feita com monitoramento de satélite, tudo devidamente planejado.

Também se omitiu o fato de que a “descoberta” era menos uma ação da Funai do que da Survival, a ONG inglesa que, nas entrelinhas, deixa claro ter criado um fato jornalístico para chamar a atenção do mundo para a região.

E não custa lembrar. Em entrevista à Folha, no dia em que as fotos se tornaram públicas, 30 de maio, disse Meirelles: “Não sei quem eles são, não quero saber e tenho raiva de quem sabe”.

Sabe, sim. O país sabe quem são eles. Desde 1910.

Bom.

Em primeiro lugar, com todo o respeito e admiração que tenho pelo The Guardian, gostaria de conhecer a fonte da informação de que já se tem conhecimento daquela tribo desde 1910. É possível que algum bravo pioneiro desbravador tenha passado por ali (se bem que sem GPS fica meio difícil dizer que se trata da mesma localização, até porque Meirelles não deu a localização exata do avistamento), mas acho meio difícil confirmar que se trata da MESMA tribo.

Em segundo lugar: na tal entrevista para a Al-Jazeera, o “monitoramento por satélite’ do qual Tio Rei fala se trata de meras coordenadas GPS e alguns mapas Google Earth repassados a Meirelles por um amigo. Meirelles trabalha em um treco chamado Frente de Proteção. Como o nome diz, sertanista é um cara que anda pelo sertão colhendo indícios da atividade dos índios; quando acha alguma coisa, marca em um mapa _ modernamente, em coordenadas de GPS. A única coisa que estranho é o tal mapa do Google Earth, porque duvido que fotos daquela região tenham a resolução suficiente para detectar pequenas clareiras na densa mata amazônica.

Em terceiro lugar: Tio Rei não sabe fazer dever de casa. Existe na internet uma entrevista feita com José Carlos Meirelles, em 2004, quando levou uma flechada no rosto. Na matéria ele já fala abertamente dos índios isolados da região de fronteira entre Brasil e Peru. Parece que se está explorando uma questão semântica: índio isolado não quer dizer índio jamais contactado. Índio isolado é índio que não quer saber de contato e prefere continuar sendo índio. A ponto de dar flechada em quem está por lá até mesmo para ajudá-los. Diz o trecho da entrevista:

Eles não identificam você como um aliado?
Aquela região ali é muito pródiga em índios isolados. Existem três grupos diferentes de índios isolados. Existem muitos índios. Você sabe que onde existe muita gente, onde existe 100 ou 200 pessoas, existem sempre as pessoas malvadas. No meio da gente não existem uns cabras que gostam de uma confusão? Com os índios isolados acontece o mesmo.

Você ainda chegou a avistá-los?
Não deu para ver nenhum. Estavam todos escondidos no barranco. Mas tudo leva a crer que não são os maskos, em razão das flechas serem diferentes. Acho que se trata do povo isolado que mora do outro lado do rio ou então são alguns jaminawas lá do Peru, que já têm um contato por lá e vêm aqui dar uma de brabo. As flechas têm algumas cordinhas de nilon, de saco de fibra. Pode ser que eles tenham roubado, mas em todo caso fica a dúvida. Mas eu creio que tenham sido mesmo os índios isolados dali.

Reproduzo a entrevista na íntegra aí abaixo do fold, só para ficar documentada.

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Nos EUA, a Suprema Corte fulminou legislação do estado de Louisiana que previa pena capital para estupradores de crianças.  Em seu voto, o Justice Kennedy escreveu:

When the law punishes by death, it risks its own sudden descent into brutality, transgressing the constitutional commitment to decency and restraint.

O crime em tela é perverso e repugnante, e acho que quase qualquer pessoa se veria tentada a fazer justiça pelas próprias mãos se algo assim acontecesse com um parente.  No entanto, a sentença, deve-se reconhecer, é uma aplicação ousada e corajosa do principio da proporcionalidade.

***

Já no Brasil o Reinaldão quer prender 1% da população brasileira.  Nesse ritmo ele consegue.

No Naprática, o blog que eu gostaria de escrever:

A propósito, da próxima vez que vocês ouvirem esses argumentos de sociólogo sobre como os padrões éticos mais frouxos dos pobres fizeram eles votar no Lula, lembrem-se desse número: o salário dos mais pobres cresceu 22%, o dos mais ricos apenas 4,9%.  Saquem suas navalhas de Occam e ponham o sociólogo pra correr.

Outra boa aqui.

Tenho recebido simpáticos e-mails de uma pessoa do marketing da Abril com sugestões de pauta para o blog.  Não é paranóia minha porque o assunto do e-mail é sempre o mesmo: “Sugestão de Tema”.  Exemplo:

Olá, tudo bem?

Eu trabalho na Abril e tenho uma sugestão para divulgação em seu blog. Este mês comemoramos o Centenário da Imigração Japonesa e o site da Abril possui uma matéria bem interessante sobre a moeda comemorativa que o Brasil lançou para homenagear esta data.

No link explica o que é a moeda e como você pode adquiri-la.

http://www.abril.com.br/noticia/no_283392.shtml

Eu acho que está bem legal, dê uma conferida.

Abraços.”

Não vou publicar o nome da pessoa que envia os e-mails porque, afinal, ela é bem simpática, apesar do nome não aparecer em nenhuma busca do Google.  Mas gostaria de saber qual é o critério utilizado para escolher os blogueiros dignos de receber estas sugestões.  Afinidade com os colaboradores contratados da Abril certamente não é…

O necrológio de D. Ruth no Valor de hoje dará ao pessoal da Torre de Marfim a oportunidade para falar de dois dos seus assuntos prediletos: PSDB e imigração japonesa.

Nascida em Araraquara, interior de São Paulo, estava casada com FHC há 53 anos. Deixa três filhos, Paulo Henrique, Beatriz e Luciana e seis netos. Antropóloga, obteve seu doutorado na Universidade de São Paulo em 1972 com a tese ” Estrutura Familiar e Mobilidade Social: Estudo dos Japoneses no Estado de São Paulo ” . Professora aposentada da USP, atuou ainda no Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), na Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais, na Universidade do Chile, na Maison des Sciences de L ? Homme, em Paris, na Universidade de Berkeley, Califórnia, na Universidade de Columbia, em Nova Iorque e no Centro para Estudos Latino-Americanos da Universidade de Cambridge .

Funny indeed:

NEGISLATION (n): A legal act which, by design or accident, achieves the opposite effect to that which it purportedly intends. Examples include the CAN-SPAM Act of 2003, and the Travel Promotion Act (jocularly known as the Mickey Tax Act) of 2008. See also negulation.

Para o contexto, veja o post no Crooked Timber sobre o projeto de Lei no Senado norte-americano criando uma taxa a ser cobrada de cada turista estrangeiro nos EUA com o objetivo de…bem, de promover o turismo. Mais dessa história fascinante aqui.

Se houvesse um Darwin Award para projetos de Lei eu acho que este se qualificaria cum laude.

Tio Rei tem um post atacando o que chama de “a falácia da origem social da violência”. Nele, faz esta overtoniana provocação:

Por que não se pode tolerar a idéia de que 1% dos adultos americanos — e, quem sabe?, da humanidade adulta — possa mesmo ser imprópria para o convívio social?

Bem, quantos % da população da Noruega, da Suécia ou da Holanda estão presos? Se essa quantidade for muito menor do que 1%, o que explica a diferença? A biologia? A geografia? A botânica?

Eu continuo achando que Tio Rei está cada vez mais impróprio para o convívio social.

A ex-primeira dama trafegava com naturalidade entre o culto à personalidade e a personalidade do culto

No Ação Humana, um trecho de um post de Guilherme Roesler:

O auge do burocratismo, do estatismo e da planificação nos mais diversos setores da sociedade foi o século XX, e não por coincidência, o século cujas liberdades e garantias individuais foram mais restringidas, quando não descaradamente violadas pelos Estados soberanos, divinos e inatacáveis.

Vamos ajudar o rapaz e colocar aí exemplos de outros séculos com liberdades e garantias individuais mais florescentes do que o maldito Século XX, vamo.  Que tal…que tal…que tal, assim, qualquer ano entre  0 e 1899?

***

Mas bacana mesmo é a ameaça no final:

Esse trecho faz parte de minha monografia de conclusão de curso, intitulada Desestatização da Moeda: Aspectos Jurídicos e Econômicos (438 p.).

Chile em dois momentos _ no mesmo dia, na mesma página do Estadão.

Tio Rei fez um enorme post hoje denunciando a “farsa dos índios isolados”.  É um burrão mesmo.

Primeiro: no mesmo dia em que Reinaldão escreveu um post onde dizia que “TIO REI ACREDITA EM DEUS, MAS NÃO ACREDITA EM ÍNDIOS ISOLADOS”, eu postei sobre o assunto das fotos tiradas pelo sertanista da Funai, dizendo o seguinte:

A novidade não é tão grande, na verdade. Em setembro de 2007 já haviam sido divulgadas fotos de cabanas feitas provavelmente pela mesma tribo na margem de uma praia fluvial no Peru, e José Carlos Meirelles Júnior, coordenador da Frente de Proteção Etno-Ambiental Rio Envira revelou que a FUNAI já acompanha estes bandos nômades da região há uns vinte anos.

E eu disse isso não por ser um gênio investigativo, mas porque é o que está escrito na própria página da Funai sobre as fotos, datada de 29 de maio, que eu linkei:

O trabalho foi coordenado pela Funai, para recolher dados de localização, tamanho das malocas e estimativa de aumento populacional. “Nessa região existem quatro povos isolados distintos que já temos acompanhado há 20 anos”, explica José Carlos Meirelles Júnior, coordenador da frente de proteção.

Mas foi preciso sair uma reportagem no Guardian (logo onde!) para Tio Rei arregaçar as mangas, resolver trabalhar e…incidir em um erro.  Sim, erro, porque ninguém disse que os índios fotografados estavam sendo contactados pela primeira vez; o que se disse é que se tratava de índios isolados.  Ou seja, índios que não estão aculturados e não tem contato constante com a civilização moderna.  Cadê a fraude?  A fraude é o Tio Rei, ora.

Estou longe de ser um fã de João Pereira Coutinho, mas hoje, na Folha, acho que ele matou a pau:

(…)Resta a questão final: e os pais? Confrontados com a possibilidade de “reprogramarem” a orientação sexual de um filho ou de descartarem-no via “aborto terapêutico”, terão os pais o direito de pedir à medicina esse instrumento seletivo e subjetivo?

Aceitar essa possibilidade é aceitar que, no futuro, os pais poderão determinar a vida futura dos filhos. Escolher a orientação sexual; o temperamento; a vocação intelectual; a excelência atlética ou estética.

Não duvido que a maioria, confrontada com tal hipótese, reservasse para a descendência o cruzamento ideal entre Brad Pitt, Albert Einstein e Pelé.

Mas um tal gesto seria uma tripla violência: contra a medicina e a sua função especificamente curativa; contra o mistério e a diversidade da vida humana; mas também contra os próprios filhos, condenados a habitar vidas que não lhes pertenceriam, mas que foram desenhadas pela vaidade, soberba e tirania de seus progenitores.

Na íntegra, abaixo, para os sem-UOL.

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kurkova

Karolina Kurkova e sua reserva reprodutiva na SPFW

Tio Rei hoje resolveu dar uma de machão e comentar a Fashion Week do ponto de vista, er, de um apreciador de mulé:

Não especulo sobre sexualidade alheia: excluindo-se relações forçadas e sexo com crianças e animais, acho tudo mais ou menos normal e corriqueiro. Talvez exista quem se excite com essas moças de ar famélico e ossos pélvicos um tanto hostis, seja ao folguedo erótico puro e simples, seja à folia acompanhada da reprodução. Cadê a reserva de gordura mínima para alimentar a cria?

É óbvio que os moços do corte & costura vestem os rapazes para o seu próprio deleite. Mas e as moças? Mulheres que consomem uma quantidade de calorias que lhes permita uma vida saudável, com a necessária ovulação para o ciclo reprodutivo, jamais alcançarão aquele padrão. E bem poucos homens, estou seguro, acham aquilo atraente. A turma da moda sabe disso? Ah, sabe, né? E está aí a razão de tantos editoriais de moda apostarem em famélicas, com cara de bad girls, em sugestões lésbicas.

É… A civilização deixada por conta dos “artistas da moda” caminharia para a extinção. Ainda bem que a mulherada que conserva reserva de gordura para dar continuidade à espécie ainda se ocupa de despertar o interesse de machos imperfeitos e aborrecidos.

Vão lá ler o post. Quer dizer: o cara chegou até a chamar a Luiza Brunet de “gostosa”, assim como quem tem intimidade com o ofício do cafajeste de esquina, mas me produz 3 parágrafos seguidos onde o máximo de celebração do erotismo que ele consegue é especular sobre o bem que o excesso de gordura faz à capacidade reprodutiva das moças.

Deve ser esse o conceito de sacanagem de um bom católico, só pode ser.

Tio Rei deve ser um apreciador do lençol com buraco.

Da Wikipedia:

Spore is a multi-genre “massively single-player online game” under development by Maxis and designedWill Wright. It allows a player to control the evolution of a species from its beginnings as a unicellular organism, through development as an intelligent and social creature, to interstellar exploration as a spacefaring culture. It has drawn wide attention for its massive scope, and its use of open-ended gameplay and procedural generation. by

The full version of the game is due to be released on September 5, 2008 in Europe,[3] and September 7, 2008 in North America and other territories.[4] Spore will also be available for direct download from Electronic Arts on September 7.[6]

Confesso que eu estava totalmente alheio à existência desse jogo, mas hoje parece que metade da tripulação dos Science Blogs está postando sobre o assunto.  O jogo está para ser lançado, mas o demo de um de seus módulos, o Creature Creator, já está disponível para download na internet.  Evidentemente, vários dos science bloggers já produziram seus monstrinhos prediletos.

Tem uma coisa que eu admiro na Nariz Gelado: ela realmente não esconde a roupa suja quando ela aparece.  Em um post de hoje, lamenta mas reconhece a probabilidade de que a Senadora Kátia Abreu, do DEM, realmente tenha levado grana da CNA para sua campanha ao Senado:

(…) A Veja chegou às bancas com índicios muito fortes de que a campanha de Kátia Abreu para o Senado foi bancada pela CNA. A entidade pagou um montante de R$ 650 mil para a agência de propaganda da senadora, a Talento Comunicação e Marketing, que alega ter feito campanha para a própria CNA. O problema é que não consegue apresentar uma só peça da suposta campanha. E quem conhece um pouquinho este meio sabe que nenhuma agência deixa de arquivar suas campanhas. Se isto já era verdade antes do advento do computador – quando tal coisa demandava espaço físico – que dirá agora?

Portanto, é preciso admitir: a tal da guerra pela presidência da CNA é suja, sim. Mas é suja porque, ao que tudo indica, não falta quem lhe forneça sujeira. O que me revolta é que, desta vez, a munição tenha vindo de uma senadora que começava a despontar como uma liderança oposicionista.

Nada demais.  Quem olhar a declaração de doações de campanha da senadora verá que TODAS as doações foram feitas pelo Núcleo de Campanha do seu partido.  Como partido não gera receitas, estava na cara que aquilo era um artifício para encobrir o verdadeiro doador da campanha.

Em um post sobre a CPMF eu já havia comentado as estranhas declarações da Senadora, para quem o fim da contribuição redundaria em benefícios para os pobres:

(…)a senadora Kátia Abreu (DEM-TO), que deu parecer contrário no projeto de lei que prorrogaria o tributo, afirmou que o fim da CPMF beneficiou principalmente os mais pobres.

Segundo ela, 60% da arrecadação saía do consumo e a população de menor renda é a que mais paga tributos indiretos em proporção à renda. “Pode não ter tido impacto no preço dos produtos, mas certamente apareceu no bolso das classes C, D e E.”

O alívio tributário proporcionado pelo fim da CPMF, disse Kátia Abreu, está sendo convertido em mais investimentos das empresas. “Nós vamos ver reflexo no crescimento do Produto Interno Bruto, na geração de empregos.

Kátia Abreu estava, de fato, apenas retribuindo a gentileza da CNA.  Business as usual, mas sempre é triste ver a direita udenista desse brazilsão de meu Deus se penitenciando.

Deu no Correio Braziliense:

Salário de trabalhadores de baixa renda sobe mais e desigualdade diminui

Os salários dos trabalhados de menor renda tiveram alta quatro vezes maior do que os dos ocupados da outra ponta, com maiores remunerações, segundo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgado nesta segunda-feira (23/06). Para a análise, o instituto divide os trabalhadores ocupados em dez faixas, sendo a primeira os 10% com menor renda e, assim por diante, até a última, com os 10% com maiores rendimentos.

Os 10% com menor renda registraram aumento de 21,96% nos salários entre 2003 e 2007, passando de R$ 169,22 mensais para R$ 206,38, em média. Já os 10% com maior renda registraram ganhos de 4,91%, passando de salário médio de R$ 4.625,74 em 2003 para R$ 4.853,03, no mesmo intervalo.

Dentro desse período, a maior variação da baixa renda foi observada entre 2006 e 2007, quando os salários registraram ganho de 9,4%, na média. No mesmo intervalo, a média de aumento salarial foi de 3,2%, considerando todas as faixas de renda. Já o grupo dos maiores rendimentos registrou aumento de 2,6%, em média.

Índice de Gini

O principal reflexo desse movimento é a redução da desigualdade de renda, com queda no Índice de Gini entre ocupados – indicador de desigualdade de renda (quanto mais perto de 1, mais desigual).

Segundo a pesquisa, o índice era de 0,540 em 2002, considerando apenas os ocupados, e não a renda geral da população, que pode incluir benefícios ou programas sociais. Já em 2007, esse número caiu para 0,509.

Considerando os dados trimestrais, o Índice de Gini registrou queda de 0,543, no quarto trimestre de 2002, para 0,505, no primeiro trimestre de 2008, o que representa uma redução de 7%.

Ainda na análise por trimestre, o índice chegou a seu nível mais baixo com 0,502 no terceiro trimestre de 2007, após a maior queda da série (o índice estava em 0,514 no trimestre anterior).

***

Trá-lá-lá.

Aliás, não deixa de ser paradoxal que os maiores defensores do “direito à vida” estejam entre aqueles com a menor capacidade de desfrutá-la.

“Shit, Piss, Fuck, Cunt, CockSucker, MotherFucker, Tits”

Estas são as “sete palavras que não podem ser ditas em um programa de TV” nos EUA e que, ao contrário do que muita gente parece pensar, subsidia a ação da regulação federal em cima da TV aberta norte-americana.

A coisa hoje é tão séria que veículos liberais como o Reason já começam a se insurgir contra a epidemia de decência na mídia norte-americana, que já fez surgir até mesmo um prêmio para filmecos bem-comportados, o CAMIE – Character and Morality in Entertainment, criado pelo Dr. Glen Griffin, um médico pediatra de Salt Lake City que era também um entusiasta da abstinência sexual (dá pra notar).  Deve ser por isso que a imagem plasmada na pequena estátua do prêmio tem um certo ar virginal, em contraste com o priápico Oscar.

Pois George Carlin, o sujeito que foi o pivô da ação judicial que culminou na regulamentação do palavreado indecente na TV dos EUA, morreu esses dias, de infarte, aos 71 anos. Pra quem não sabe, ele foi o primeiro apresentador do “Saturday Night Live”, em 1975.

Carlin era uma estrela da contracultura e entre suas várias cruzadas estava o combate aos eufemismos na mídia norte americana. Ele notou, aliás, que a cultura do eufemismo estava tão difundida no noticiário que ninguém mais podia simplesmente “morrer”. Deve ser por isso que a msnbc noticiou seu passamento simplesmente assim: “Comedian George Carlin dies at 71“. Vai com fé, Carlin.

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Não deixa de ser um tributo ao diuturno trabalho das esquerdas gramscianas para solapar a fibra do mundo ocidental que ao buscar “CAMIE Awards” no modo imagem no Google acabamos recebendo a seguinte sugestão:

Você quis dizer: COMMIE Awards

Esse mundo tá perdido.

Chamada na capa do Estadão online:

Coisas assim me deprimem, sério.

Eu não conhecia, mas parece que o Financial Times mantém um blog de aconselhamento profissional, de autoria de Lucy Kellaway, editora associada.  Uma alma torturada pediu aconselhamento, contando a seguinte história:

What should I do to avoid being made redundant?

I work for a bank that is going through a period of heavy redundancies. From the cuts made so far it seems that many of the casualties have not been chosen on the basis of ability or cost, but as a result of political horse-trading. I have a three-year record with this bank and am a solid performer, not a star. Losing my job now would be bad timing, to put it mildly – I have a young child, a pregnant wife and an eye-watering mortgage. How can I make sure the axe does not fall on me? Should I attempt to play the sympathy vote with my boss? Or is it better to embark on a shameless bout of self-promotion at the expense of my colleagues?
Analyst, male, 30

Houve quem levasse a coisa para o lado, er, espirituoso, como, de cara, logo a primeira:

Find a vocation and join the catholic church.

Gostei deste provérbio sueco:

In Sweden they say “there is no such thing as bad weather, but some people do wear bad clothes” or something of the kind. Life is tough, learn to live with it.
You apparently have a family that gives you joy, enjoy it as much as you can. Maybe you’ll need to downsize a bit at one point but hey! that’s how the world goes. Up, down, up, down… and out in the end.
Enjoy the ride!

Aparentemente é o equivalente nórdico do nosso “quem sai na chuva é pra se molhar”.  Entretanto, a idéia de fazer um “downsize” familiar me pareceu sinistra.  A propósito, essa aqui me chamou a atenção:

Even if the sky falls, take solace from the fact that you’re only 30. Something new will crop up.

“Somente 30” me parece uma mentalidade que também é crescentemente popular no Brasil e tem a ver com um movimento de extensão da juventude.  Sim, porque há não muito tempo atrás as expectativas a respeito de um cara de 30 anos era que ele já fosse casado, tivesse filhos e uma vida estável.  A precarização (ops, “flexibilização”) das relações de trabalho é que levam a essa mentalidade da eterna juventude _ sim, mas o problema é que o cara já tem filhos.  O que nos leva diretamente à resposta mais cruel, IMHO:

“I have a young child, a pregnant wife and an eye-watering mortgage.”

Forget it. You bought into the dream and now you’re finding it’s a nightmare. If it’s any consolation, perhaps your bosses (if they’re male) will have pity on you as they have no doubt chained themselves to similar slavery in their own misguided lives.

Não é de surpreender, portanto, que no capitalismo avançado a queda da natalidade seja a regra.

É claro que sempre aparece um tipo mais atraído pelo risco:

If it happens, embrace it and exploit it. I was made redundant twice, once at 29 and once at 39 (I’m not 45); in each case a forced change took me in an interesting new direction that I would not otherwise have taken. I’ve now ended up doing the dream job – freelance motoring journalist – that the sixteen year old me yearned for with a passion before teachers, parents and others nudged me towards the orthodox path taken by so many other FT readers – Oxbridge entrance, MBA, job in consulting and so on.

Nothing wrong with all that but now I work as much as I like, when I like and where I like. If I’d continued on my initial career trajectory, I’d have earned a lot more cash, but the way things have turned out, I’ve achieved something a lot more valuable. I’ve got a life. Remember – wage slavery is still wage slavery even if the wage is generous.

Ainda bem que ele não mora no Brasil, onde poderia estar experimentando as delícias de ser motorista de perua ou camelô.

Deu na Exame:

Americanos oferecem R$ 2,5 bilhões pelo Objetivo

Negócio seria o maior da história do setor educacional brasileiro

O grupo americano Apollo, um dos maiores conglomerados de educação do mundo, iniciou um movimento que pode alterar drasticamente a estrutura do setor no Brasil. Segundo EXAME apurou, o Apollo fez uma oferta de aproximadamente 2,5 bilhões de reais pelo grupo Objetivo, maior empresa de educação do Brasil. Fundado pelo professor João Carlos Di Genio, o grupo é dono do colégio Objetivo e da Universidade Paulista (UNIP), tem mais de 130 000 alunos, 27 campi e 700 escolas. Para assessorá-lo na transação, Di Genio contratou o banco de investimentos Merrill Lynch. O assessor financeiro do grupo Apollo é o Morgan Stanley. Segundo um executivo próximo às negociações, a oferta é preliminar, e foi feita após um ano de aproximação entre os dois lados.

O site do grupo tem uma informação interessante sobre seu modelo de negócio:

Apollo Group, Inc. was founded in 1973 in response to a gradual shift in higher education demographics from a student population dominated by youth to one in which approximately half the students are adults and over 80 percent of whom work full-time. Apollo’s founder, John Sperling, believed — and events proved him right — that lifelong employment with a single employer would be replaced by lifelong learning and employment with a variety of employers. Lifelong learning requires an institution dedicated solely to the education of working adults.

Today, Apollo Group, Inc., through its subsidiaries, the University of Phoenix (including University of Phoenix Online), the Institute for Professional Development, the College for Financial Planning, and Western International University, has established itself as a leading provider of higher education programs for working adults by focusing on servicing the needs of the working adult.

Mais sobre a história do Apollo Group aqui.

Acho bom o governo começar a se preocupar mais com a vigilância sobre as universidades privadas. Uma matéria de 2005 na Businessweek informa que o Apollo Group foi alvo de uma investigação do Dept. of Education norte-americano, e teve que pagar uma multa bem alta por causa de suas táticas de vendas agressivas:

(…) Apollo’s reputation was sullied in September with the release of the Education Dept. report. The authors depicted a high-pressure sales culture that resembled a telemarketing boiler room more than a university admissions office. “Phoenix recruiters soon find out that UOP bases their salaries solely on the number of students they recruit,” the report charged. That’s prohibited by federal law. One recruiter who started at $28,000, for instance, was bumped to $85,000 after recruiting 151 students in six months. But another who started at the same level got just a $4,000 raise after signing up 79 students.

Ultimately, such violations could have led the government to bar Phoenix from the federal student loan program, crippling the university. Nelson calls the report “very misleading and full of inaccuracies.” But he says he decided to settle rather than wage a protracted fight. Apollo agreed to change its compensation system and pay a $9.8 million fine without admitting guilt. Still, Apollo’s defenders note that the point of the law is to prevent for-profits from luring unqualified students. If Phoenix is doing that, it hasn’t showed up in student-loan default rates, which remain a low 6%.

E isso é só parte do iceberg. Naturalmente, o caminho mais “saudável” para uma instituição com um estilo assim é ampliar seus negócios em lugares menos regulados:

FOREIGN EXPANSION
With the regulators off its back, Apollo is once again focusing on growth. The online program, with 133,000 students, is far from saturated. And for the first time Apollo is targeting high school graduates, who are expected to hit a record later this decade. Similarly, Apollo has barely begun to scratch the international market, where experts see huge demand for U.S.-style education. Phoenix plans to open its first Mexican campus this year, and Nelson also has big hopes for China, where Apollo’s Western International University now has just 50 students.

But future growth won’t come as easily as it has in the past. Phoenix was once one of the only players online. Now it faces a lot more competition from public universities and other for-profits, warns Sean R. Gallagher, senior analyst at Eduventures Inc., a Boston-based researcher. Most worrisome, though, are the rising marketing costs. “The big question now is whether that means the economics of this business are changing,” says Gregory W. Cappelli, an analyst at Credit Suisse First Boston (CSR ).

Until that’s answered, even Cappelli, who calls Apollo “a fantastic company,” is urging a “neutral” attitude toward its stock, now at $82. This onetime star is teaching a new course in caution.

Jake Young, do Pure Pedandtry (um blog do Science Blogs) usa uma passagem de Hunter S. Thompson para comentar uma notícia segundo a qual a venda de Vespas está aumentando vigorosamente nos EUA, devido ao alto custo da gasolina:

Nearly everyone who has ridden a bike for any length of time will agree. The highways are crowded with people who drive as if their sole purpose in getting behind the wheel is to avenge every wrong ever done to them by man, beast, or fate. The only thing that keeps them in line is their own fear of death, jail, and lawsuits…which are much less likely if they can find a motorcycle to challenge, instead of another two-thousand pound car or concrete abutment. A motorcyclist has to drive as if everyone else on the road is out to kill him. A few of them are, and many of those who aren’t are just as dangerous — because the only that can alter their careless, ingrained driving habits is a threat of punishment, either legal or physical, and there is noting about a motorcycle to threaten any man in a car. A bike is totally vulnerable; its only defense is maneuverability, and every accident situation is potentially fatal — especially on a freeway, where there is no room to fall without being run over almost instantly.

***

Uma coisa que esqueci de dizer quando da minha estada em França foi que talvez a única paixão maior que a que os franceses nutrem pelas bicicletas é a que dedicam às motonetas dos mais variados portes e estirpes.  Sim, os sinais franceses parecem com os de Sâo Paulo, com uma “frente de onda” formada por um exército de bravos gauleses sobre duas rodas motorizadas.  A diferença é que, pelo que me pareceu, essa multidão não consiste (pelo menos, principalmente) de motoboys.  Aliás, será que existem “motogarçons”???

***

Apesar do que diz Thompson, e ele tem sua parte de razão, acho que essa tendência é virtuosa.  Mais virtuosa do que a milésima reviravolta de John McCain em suas crenças fundamentais, já que ele agora converteu-se em um ferrenho defensor do fim da proibição da exploração de petróleo na plataforma continental norte-americana (em nome, é claro, do federalismo…):

In Houston, meanwhile, Mr. McCain, who has long been at odds with Mr. Bush on another environmental issue, climate change, tried to distance himself from the White House.

In a speech to oil industry executives and business and community leaders, the senator implicitly criticized Mr. Cheney, who in 2001 dismissed conservation as a “personal virtue.” Mr. McCain said the next president would have to break with the policies of the past, adding, “In the face of climate change and other serious challenges, energy conservation is no longer just a moral luxury or a personal virtue.”

On the issue of offshore drilling, Douglas Holtz-Eakin, Mr. McCain’s domestic policy adviser, said the senator had supported the moratorium until a compromise was reached in late 2006 between the federal government and Gulf Coast states that permitted oil and gas exploration in a vast area mostly 100 miles from shore.

“Prior to that, he favored the moratorium as a way to support states’ opposition to exploration,” Mr. Holtz-Eakin said.

But Mr. Obama, campaigning in Michigan, swiftly pointed out that Mr. McCain had supported the moratorium during his 2000 presidential run. “His decision to completely change his position and tell a group of Houston oil executives exactly what they wanted to hear today was the same Washington politics that has prevented us from achieving energy independence for decades,” Mr. Obama said in a statement.

***

E vocês, acham que conservar energia é apenas uma questão de virtude pessoal ou deve ser política de Estado?

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De uma ou outra forma, as 4 grandes companhias de petróleo norte-americanas estão gastando e andando para esse dilema moral.  O NYT informa que elas estão conversando com o “governo” iraquiano:

BAGHDAD – Four Western oil companies are in the final stages of negotiations this month on contracts that will return them to Iraq, 36 years after losing their oil concession to nationalization as Saddam Hussein rose to power.

Exxon Mobil, Shell, Total and BP – the original partners in the Iraq Petroleum Company – along with Chevron and a number of smaller oil companies, are in talks with Iraq’s Oil Ministry for no-bid contracts to service Iraq’s largest fields, according to ministry officials, oil company officials and an American diplomat.

The deals, expected to be announced on June 30, will lay the foundation for the first commercial work for the major companies in Iraq since the American invasion, and open a new and potentially lucrative country for their operations.

The no-bid contracts are unusual for the industry, and the offers prevailed over others by more than 40 companies, including companies in Russia, China and India. The contracts, which would run for one to two years and are relatively small by industry standards, would nonetheless give the companies an advantage in bidding on future contracts in a country that many experts consider to be the best hope for a large-scale increase in oil production.

Vamos ser claros: um no-bidding contract é coisa que nem a tucanada paulista ousa fazer ao contratar obras do metrô paulista.  É coisa de gente grande, que tem 130 mil “consultores” prontos para entrar em ação em campo…

A despeito disso, tem gente que continua achando, paradoxalmente, que a invasão do Iraque não teve nada a ver com petróleo, embora tenha tudo a ver com os interesses norte-americanos.  Huá huá huá.

Deu no Estadão:

Política de Obama preocupa Brasil

Embaixador brasileiro em Washington reuniu-se com assessor de política externa do democrata

O embaixador do Brasil em Washington, Antonio Patriota, criticou ontem dois pontos da política externa do candidato democrata, Barack Obama: o aval para o governo da Colômbia “caçar” guerrilheiros dentro do território de países vizinhos e a crítica do candidato democrata a respeito da atuação do Brasil na Amazônia.

Em um relatório de 13 páginas sobre a América Latina, a equipe de Obama afirma que “a liderança do Brasil em biocombustíveis causa certa preocupação”. “Ambientalistas temem que a alta da demanda por cana-de-açúcar possa empurrar os plantadores de cana para o interior da Amazônia”, diz o documento.

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Concordo com a primeira preocupação, porque afinal, quem garante que o governo da Colômbia se preocupa em caçar apenas terroristas?

Já com a segunda preocupação eu tenho que me alinhar ao Obamão.  Eu realmente concordo com o Mangabeira Unger quando ele diz que a Amazônia não deve ser encarada como uma fronteira agrícola, e não dou um tostão furado pela capacidade dos ruralistas entenderem isto.

Deu no UOL:

Garotos maus” fazem mais sucesso com as mulheres, sugerem estudos

Os rapazes “do bem” provavelmente já sabiam disto: “garotos maus” têm mais sucesso com as garotas. A conclusão é de dois estudos divulgados nesta quarta-feira na revista “New Scientist” e pode explicar por que comportamentos anti-sociais persistem, apesar do custo que representam à sociedade.

As características mencionadas nos estudos são o narcisismo, a impulsividade, a insensibilidade e a atração por situações de perigo. Esses indivíduos também costumam enganar e explorar os outros, por sua natureza maquiavélica.

Ao longo do tempo, homens com esse perfil eram banidos e viviam sós, famintos e vulneráveis a predadores.

No entanto, esse comportamento pode ter trazido uma vantagem para esses homens: uma vida sexual fecunda, como afirma o pesquisador Peter Jonason, da Universidade do Novo México. Ele e seus colegas aplicaram testes de personalidade em 200 estudantes e detectaram que os “garotos maus” eram o que apresentavam maior número de relacionamentos de curto prazo. Jonason compara o perfil ao personagem James Bond, de “007”.

Outro estudo, com resultados similares, foi conduzido por David Schmitt, da Universidade Bradley, de Illinois. A pesquisa contou com mais de 35 mil entrevistas feitas em 57 países diferentes.

Ambos os trabalhos foram apresentados em um encontro sobre comportamento humano e evolução realizado este mês em Kyoto, no Japão.

Para o pesquisador Matthew Keller, da Universidade do Colorado, falta descobrir por que essas características, que parecem bem-sucedidas do ponto de vista evolutivo, não tornaram-se mais comuns entre os homens. Uma hipótese, segundo Keller e Jonason, é que esse sucesso está ligado ao fato de que essas personalidades são raras. Se não fosse assim, as mulheres seriam mais cautelosas“.

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Por essas e outras é que eu sou bruto, violento e carinhoso.

Os irlandeses mostraram a wicca ao mundo

Os irlandeses disseram não para o Tratado de Lisboa. E não ficaram nisso:

Spencer Tunick reúne mais de mil pessoas nuas na Irlanda

Depois de foto em geleira na Suíça e em campo de futebol, instalação aconteceu em frente a castelo na Irlanda

LONDRES – Mais de mil pessoas tiraram as roupas em nome da arte na frente do castelo Blarney, na Irlanda, nesta quarta-feira, 18.

Os voluntários participaram de uma instalação do artista norte-americano Spencer Tunick, que já realizou eventos parecidos em Caracas, Nova York e num glaciar na Suíça.

O evento, ao nascer do dia, faz parte do festival Cork Midsummer. Tunick vem fazendo instalações com nus em público desde 1992.

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Pelo visto eles estão dispostos a mostrar a verdade nua e crua da União Européia, aquela eurocracia que os deixou só pele e osso.

OK, governantes que forçam a barra para realizar negociações escusas com entes privados, passando por cima da lei, dos regulamentos e da boa burocracia pública, são um horror:

The Army official who managed the Pentagon’s largest contract in Iraq says he was ousted from his job when he refused to approve paying more than $1 billion in questionable charges to KBR, the Houston-based company that has provided food, housing and other services to American troops.

The official, Charles M. Smith, was the senior civilian overseeing the multibillion-dollar contract with KBR during the first two years of the war. Speaking out for the first time, Mr. Smith said that he was forced from his job in 2004 after informing KBR officials that the Army would impose escalating financial penalties if they failed to improve their chaotic Iraqi operations.

Army auditors had determined that KBR lacked credible data or records for more than $1 billion in spending, so Mr. Smith refused to sign off on the payments to the company. “They had a gigantic amount of costs they couldn’t justify,” he said in an interview. “Ultimately, the money that was going to KBR was money being taken away from the troops, and I wasn’t going to do that.

Tio Rei, que tanto critica a tática do “quanto pior melhor” por ele identificada no PT quando o partido era de oposição, parece ter abraçado a causa. Títulos de alguns dos seus últimos posts, reproduzindo notícias de jornal:

– Inflação anula ganhos de poupança e fundos em maio;

– Inflação 1 – Analistas já projetam IGP-M de 10% em 2008;

– Inflação 2 – Para FGV, IGPs vão subir mais;

– Alta de preço dos alimentos contamina outros produtos;

– Inflação freia expansão do Nordeste;

Pois no Estadão de hoje, vem a seguinte manchete:

Alimentos recuam e inflação em SP desacelera em prévia

IPC-Fipe fica dentro das estimativas, em 1,26%; vestuário, habitação e transportes também influenciam na queda

SÃO PAULO – A inflação na capital paulista ficou em 1,26% na segunda quadrissemana de junho, segundo o Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas. O IPC-Fipe recuou ante a quadrissemana anterior (1,30%) e ficou dentro das expectativas dos analistas consultados pela Agência Estado, que iam de 1,21% a 1,40%.

E mais:

Número recorde de empresas prevê melhora na produção

FGV aponta que 56% das companhias pretendem expandir sua capacidade em 2008; a maior freqüência da série

RIO – O principal objetivo para a realização de investimentos industriais em 2008 é a expansão da capacidade de produção. É o que revela a pesquisa Quesitos Especiais da Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação, referente ao período de abril e maio deste ano, divulgada nesta quarta-feira, 18, pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). De acordo com o levantamento, o aumento da capacidade foi citado por 56% do total de 845 empresas consultadas, a maior freqüência relativa da série histórica reconstituída a partir de 1998.

De acordo com análise da FGV, esta opção de resposta vem sendo apontada com maior freqüência nos anos em que a indústria também prevê maiores taxas de investimento na expansão da capacidade produtiva – o que foi registrado em pesquisa realizada pela FGV no primeiro bimestre deste ano. “O resultado de agora sinaliza, portanto, a sustentação das intenções de realização de investimento ao longo de 2008”, esclarece a fundação, em comunicado.

Ainda não vi nenhuma dessas notícias no blog dele. Será que Tio Rei fará ouvidos de mercador?

Hoje ao abrir minha caixa postal deparei-me com o seguinte e-mail:

Plataforma Lattes – 18/06/2008 – 08:45
Comissão do CNPq acompanhará Plataforma Lattes

Os dados inseridos na Plataforma Lattes serão revisados. O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCT) criou uma comissão de acompanhamento para verificar a consistência e confiabilidade das informações. [grifo meu]

Com o trabalho, a comissão pretende aperfeiçoar o sistema, evitar e corrigir falhas e fortalecer a credibilidade da Plataforma, que disponibiliza um banco de currículos de pesquisadores, professores, alunos e vários profissionais das mais diversas áreas do conhecimento que atuam em ciência, tecnologia e inovação.

As informações da Plataforma podem ser utilizadas no apoio a atividades de gestão e no suporte à formulação de políticas para a área de ciência e tecnologia. A abrangência da ferramenta superou o planejamento original e ultrapassou as fronteiras nacionais. Hoje, por meio de permissão de uso concedida pelo CNPq, o sistema pode ser utilizado por pesquisadores de oito países da América do Sul. A Plataforma Lattes é considerada um patrimônio público nacional, reconhecido até em países desenvolvidos.

A comissão é composta pelos pesquisadores Antonio Martins Figueiredo Neto, Roberto Passetto Falcão e Ruben George Oliven, pelo auditor-chefe do CNPq, Flávio Coutinho de Carvalho, e pelos servidores Fernando Bacaneli e Rafael Leite Pinto de Andrade.

Se chegamos ao ponto de ter que fazer peer review de currículo, é por que a coisa está mal.

Night of The Dabblers, by George Romero

Deu no Estadão:

Didi e Dedé anunciam nova parceria em entrevista no Projac

SÃO PAULO – Os humoristas Didi e Dedé deram uam entrevista coletiva no Projac, em Jacarepaguá, zona oeste do Rio de Janeiro, nesta terça-feira, 17, durante a qual anunciaram sua nova parceria. Dedé vai integrar o elenco de A Turma do Didi, exibido aos domingos na Rede Globo.

Depois de cerca de dez anos, a direção da Globo decidiu ceder ao pedido de Renato Aragão para contratar Dedé Santana em sua equipe. Desde os anos 90, os dois trapalhões não trabalham juntos. Dedé entra na Turma do Didi já na edição deste domingo.

Agora é só esperar que Zacarias e Mussum se integrem à dupla.

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É inevitável. Mais cedo ou mais tarde.

Plutão, eminência parda que manipula das sombras

No Planetary.org, uma prova de que até os planetas exteriores têm lobbies nas “agências reguladoras” terrestres:

Meet the Plutoids: IAU Makes Amends for Pluto’s Demotion

It has been nearly two years since the members of the International Astronomical Union (IAU) decided that Pluto, known since its discovery as the “9th planet,” was not a planet at all. Instead this longstanding favorite of children around the world was designated as a founding member of a new class of “dwarf planets.” According to the IAU, the exclusive and now permanently closed club of “true” planets includes only the eight inner planets, from Mercury to Neptune. No new space rocks need apply.

Now, in an apparent effort to assuage angry Pluto supporters, the IAU has decided to honor the former planet with a new distinction: Dwarf planets, at least those residing at the edge of the solar system beyond the orbit of Neptune, will henceforth be known as “plutoids.”

***

E como no caso da captura regulatória em outros campos menos celestes, porteira aberta é um caso sério:

In addition to Pluto and Eris, several other objects are being considered for the “plutoid” designation. The candidates include giant KBO’s 2005FY9, known informally as “Easterbunny,” and 2003EL61, nicknamed “Santa.” Other large objects, such as Sedna and Quaoar, may qualify as well, but they are too dim for their shape to be determined with confidence. Their induction into the ranks of plutoids will therefore have to wait until better images are available.

Como se vê, todo o zoológico planetário que circula sobre nossas cabeças agora quer uma lasquinha do privilégio plutônico.  De qualquer maneira, saber que “Santa” é um plutóide é de alguma maneira bastante reconfortante.

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Imaginem só como vai ficar a coisa quando o lobby de Vênus começar a trabalhar…

Amusing themselves to death

Um post interessante no Crooked Timber:

Fat Americans
Posted by Chris Bertram

… and, increasingly, fat British too.

For Europeans, one of the really disconcerting things about visiting the United States is the size of the meals. Ok, there’s the phenomenon that the restaurant staff will let you take home what you don’t or can’t eat (and that’s an idea that many Europeans feel uncomfortable with), but there’s still the fact of the sheer volume of stuff that gets put on your plate. It seems it wasn’t always this way. Via someone in my del.icio.us network, I came across this article on how portion sizes have changed in the US over the past twenty years. And not only are American meals bulkier, they’ve also increased two or three times in calorific value. That can’t be good.

Interessante. Minha experiência de viver nos EUA me disse o seguinte: come-se muito, muito mal nos EUA _ e esse é um quesito onde a França dá de 10 a zero, total e inquestionavelmente.

(OK, eis mais um ponto onde os anglos se curvam perante a latinidade). 🙂

É até possível entrar em um restaurante e achar uma salada belíssima. O que é impressionante, porém, é que os vegetais não têm gosto algum.

E o que é pior, comer bem é caro, e só é realmente possível em algum restaurante estrangeiro.

Tudo isso, aliado ao way of life sedentário, dá mesmo em obesidade.

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Pronto, agora é esperar ver o Paulo vir defender o hamburger…

Steampunked

O NYT traz um artigo interessantíssimo sobre o Mundaneum. Pois é, você não sabe o que é isso? Nem eu sabia também.

O fato é que um outro visionário francófono (outro, sim, pois há, ou havia, muitos deles), Paul Otlet, um belga, já havia antecipado, em 1934, a World Wide Web. Não causa muita surpresa que sua abordagem não tenha sido a de alguém ligado a software, como Vannevar Bush ou Doug Engelbart, mas sim a de um bibliotecário. Sim, Paul Otlet vinha desse background. Diz a Wikipedia:

É considerado o fundador da ciência da Bibliografia, da Documentação pioneiro da Gestão da Informação. Estudou nas universidades de Lovaina, Paris e Bruxelas.

Com Henri la Fontaine criou em Bruxelas, em 12 de setembro de 1895, o IIB – Instituto Internacional de Bibliografia, com objetivo era organizar as diferentes fontes de investigação científica e fornecer informação para a recuperação em qualquer documento publicado mundialmente.

Criou, também, a CDU – Classificação Decimal Universal, publicada em 1899.

Seu Traité de Documentation (1934) apresenta a organização da informação registrada. Porém, uma de suas maiores contribuições para a humanidade foi a idéia inicial da web, inclusive criando o termo “link” para as relações entre informações.

Diz a reportagem do NYT que em 1934 Otlet fez o rascunho de um plano para criar uma rede global de computadores (que ele chamava de “telescópios elétricos”…), os quais permitiram a qualquer pessoa fazer buscas e examinar milhões de documentos, imagens, vídeos e áudios interligados. Para ele as pessoas seriam capazes de usar a rede para trocar mensagens, compartilhar arquivos e conversar em redes sociais. A tudo isso ele chamou, é claro, por “réseau” _ a bisavó intelectual da nossa “web”. Ou, em suas palavras, um instrumento através do qual “qualquer pessoa poderia, de sua poltrona, perscrutar toda a Criação”.

Tendo sido vítima do homeschooling, Otlet virou uma traça, um devorador de livros. Porém com algum empreendorismo, o que o levou a convencer o governo belga a financiar seu fabuloso projeto de classificar todo o material impresso do mundo e criar uma “cidade do conhecimento” _ um trunfo interessante para o governo, que queria ter a honra de sediar a Liga das Nações. De fato, ele chegou a fundar um Google “steampunk” _ um serviço pago de consultas, e chegou a receber mais de 1500 consultas por ano, feitas por carta e telégrafo.

Otlet desapareceu para nós, em boa medida porque os nazistas marcharam sobre a Bélgica e destruíram o trabalho de sua vida _ o governo belga havia perdido o interesse no assunto após ter perdido o lance para hospedar a Liga das Nações, e os nazistas destruíram o local da sua “cidade do conhecimento” para abrigar uma exposição de, er, arte nazista.

Hoje, o trabalho de Otlet está sendo objeto de tentativas de restauração, e um dos principais projetos é o Mundaneum Museum, em Bruxelas.

***

Mais uma vez o mundo anglo se curva perante a latinidade.

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O artigo termina algo melancolicamente, assinalando que o Google lui-même está implantando mais um de seus gigantescos data centers nas vizinhanças de Mons, a cidade belga onde hoje funciona o Mundaneum.

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Um mercado que aliás está quase literalmente pegando fogo. Informa o Slashdot:

Data Center Designers In High Demand

For years, data center designers have toiled in obscurity in the engine rooms of the digital economy, amid the racks of servers and storage devices that power everything from online videos to corporate e-mail systems but now people with the skills to design, build and run a data center that does not endanger the power grid are suddenly in demand. ‘The data center energy problem is growing fast, and it has an economic importance that far outweighs the electricity use,’ said Jonathan G. Koomey of Stanford University. ‘So that explains why these data center people, who haven’t gotten a lot of glory in their careers, are in the spotlight now.’ The pace of the data center build-up is the result of the surging use of servers, which in the United States rose to 11.8 million in 2007, from 2.6 million a decade earlier. ‘For years and years, the attitude was just buy it, install it and don’t worry about it,’ says Vernon Turner, an analyst for IDC. ‘That led to all sorts of inefficiencies. Now, we’re paying for that behavior.’

Data centers, hoje, costumam ser propriedades bem guardadas e protegidas não só de ladrões e sabotadores como dos olhares de competidores curiosos, já que as tecnologias empregadas para mitigar um dos maiores custos desses empreendimentos, a energia elétrica, são sigilosas. Mas o leitor mais tecnologicamente orientado gostará de ver esta sequencia de fotos mostrando a montagem de um data center.

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E no Rough Type, o Nick Carr dá continuidade a mais uma polêmica. Dessa vez, um artigo no Atlantic sobre os efeitos cognitivos do Google, batizado,com raro senso marketeiro, de…

“Is Google Making Us Stupid?”

Maybe. Tese: o Google causa desordem de déficit de atenção. Nick nos atira uma bela frase:

Once I was a scuba diver in the sea of words. Now I zip along the surface like a guy on a Jet Ski.

OK, até certo ponto eu também sinto isso.

Em certa medida, a web que o mundo esqueceu foi mesmo a de Otlet, mas também é preciso dizer que há uma web que o mundo vive esquecendo todo dia, a que é fabricada em Mountain View.

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Para tudo, entretanto, há remédio.

E eis que o Edson voltou à labuta!  Welcome to the cyberjungle, again…

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