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Proposta de hoje: Adesivos de combate.

Hoje ia eu calmamente pela rua quando avisto um carro com os seguintes dizeres afixados ao vidro traseiro, em letras garrafais:

Ensino ao meu filho:

Não roubar – Não ser corrupto

Não mentir – Seguir o exemplo

Imediatamente me visualizei, na calada da noite, como um ninja sorrateiro, penetrando habilmente na garagem do sujeito e colando abaixo dessa platitude um adesivo-antídoto com a frase:

E não faz mais que a sua obrigação, seu mané

***

Ok, afinal de contas, o cara não está fazendo nada que um blogueiro também não faça, não é? Externando seu ponto de vista para o grande público. Só que há pelo menos duas grandes diferenças.

A primeira é que quem busca blogs está a fim disso mesmo, ler a opinião alheia. Porém o pobre diabo que está dirigindo pode não estar desesperadamente interessado em saber o que o fulano que está na frente tem a dizer sobre a vida, o mundo, a puericultura.

A segunda é que em um blog, se você tem a decência de deixar sua caixa de comentários aberta, estará sempre sujeito a ter que ouvir a opinião alheia sobre o que escreveu _ o que é, penso eu, uma troca justa. Entretanto, o infeliz que afixa no pára-brisa de seu carro uma frase edificante de meia tigela qualquer está sempre acelerando para longe da crítica.

***

Adesivos de combate, portanto, são um modo instântaneo de transformar o mundo inteiro em um blog com caixa de comentários. Pense bem, querido leitor: as possibilidades são quase infinitas. Por exemplo: placas de trânsito.

Claramente, a única resposta possível a isso é:

***

Assim sendo, conclamo outros blogueiros, comentaristas e simpatizantes a aderirem à campanha “Adesivos de Combate”. Vamos transformar o mundo em um imenso blog, NÃO VAMOS DEIXAR NADA SEM RESPOSTA!

E tenho dito.  🙂

Tio Rei produziu hoje vários posts engraçados. Talvez o mais engraçado seja esse:

VEJA 7 – Favorável às pesquisas, mas sem chicana

VEJA, a exemplo da unanimidade da imprensa brasileira, é favorável às pesquisas com células-tronco embrionárias, o que sempre se soube. Mayana Zatz, talvez a cientista mais citada pelos ministros do Supremo, é minha colega de coluna aqui na VEJA.com e uma das principais referências nesse debate. Eu, todos sabem, não sou. E não serei. Do meu ponto de vista, não se trata de uma questão científica ou religiosa. Tal debate é falso. Trata-se de uma questão ética. E diferentes pessoas têm concepções éticas diversas. Como já deixei claro em dezenas de textos, o que me incomodou foi a demonização das pessoas contrárias às pesquisas. Só aí entrei para valer na controvérsia.

Pois bem, a matéria de VEJA desta semana, de Carlos Graieb, demonstra que se pode fazer um texto favorável às pesquisas e à decisão do Supremo — posição que eu sabia ser d revista desde que fui contratado — sem fazer chicana. Eu não dou bola é pra chicaneiro. Ou sim: chuto. O texto é equilibrado e respeitoso com a divergência. Até porque a própria VEJA a abriga. Ao longo da semana, conversei com o comando da revista. E ninguém me pediu que perfilasse em ordem-unida. Ou que silenciasse, mesmo quando o debate azedou. Há aqueles que entendem que democracia é a ditadura daquilo que consideram ser as luzes. Felizmente, nao é o caso da revista.

Vamos lá, devagarinho. Esta frase, por exemplo, é uma delícia:

Mayana Zatz, talvez a cientista mais citada pelos ministros do Supremo, é minha colega de coluna aqui na VEJA.com e uma das principais referências nesse debate. Eu, todos sabem, não sou. E não serei.

Muito bem, Reinaldão! É a pura verdade. 🙂

Ok, ok, eu sei que ele está dizendo que não é a favor das pesquisas com células tronco. Mas o engraçado da frase é que nem dá pra dizer que ela está “fora de contexto”. Ela só está é muito da mal escrita, mesmo. Mas vamos adiante:

Do meu ponto de vista, não se trata de uma questão científica ou religiosa. Tal debate é falso. Trata-se de uma questão ética. E diferentes pessoas têm concepções éticas diversas.

Estou delirando ou Tio Rei está flertando com o relativismo? Que história é essa de “concepções éticas diversas”, Reinaldão? O mínimo que eu esperaria de você seria a afirmação de que há pessoas éticas e pessoas náo éticas. Mas “éticas diversas”? Tá ficando pós-moderninho, é?

A coisa continua:

Como já deixei claro em dezenas de textos, o que me incomodou foi a demonização das pessoas contrárias às pesquisas.

O que é interessante, já que a história toda começou a partir da demonização (pode-se dizer que até mesmo literal, já que tratou-se de uma Adin brandida por um procurador-geral da República que é católico praticante) das pessoas que são favoráveis às pesquisas, certo?

Finalmente:

(…)a matéria de VEJA desta semana, de Carlos Graieb, demonstra que se pode fazer um texto favorável às pesquisas e à decisão do Supremo — posição que eu sabia ser da revista desde que fui contratado — sem fazer chicana. Eu não dou bola é pra chicaneiro.

Ok, ok, então está combinado: chicaneiro é quem não paga o salário do Tio Rei. 🙂

Céus, alguém botou o “A Nova Ciência da Política” na rede, inteirinho.

A foto continua dando panos para manga. Matéria perturbadora no Estadão; de repente a frase:

“José Carlos Meirelles, funcionário da Funai (Fundação Nacional do Índio) que estava no helicóptero de onde foram tiradas as fotos, disse que essa tribo deveria ser deixada isolada o máximo possível.

Enquanto eles estiverem nos apontando flechas, tudo estará bem”, afirmou ao jornal O Globo. “No dia em que se comportarem direitinho, estarão exterminados.”‘

Foi mais ou menos o que pensei quando vi a foto. Mais perturbadora ainda é uma declaração dada por Meirelles que curiosa e sintomaticamente só vi estampada no Guardian:

Meirelles said the tribe lived in six small communities, each with about six communal houses, in an area known as the Terra Indigena Kampa e Isolados do Envira.

He added that other uncontacted groups on the Peruvian side of the border, who have also been photographed by experts, were being pushed from their homes by illegal logging.

“What is happening in this region [of Peru] is a monumental crime against the natural world, the tribes, the fauna, and is further testimony to the complete irrationality with which we, the civilised ones, treat the world,” Meirelles said.

Loggers, often prepared to kill as they move into new areas, have forced uncontacted tribes from Peru into Brazil. The area is regularly full of smoke from the burning of recently-logged areas.

Sim, isto é claro: eles certamente conhecem o homem branco, embora talvez até nunca tenham visto um. O que implica no seguinte: não se trata de uma tribo que vive em ignorância idílica. É gente que ativamente quer continuar vivendo seu modo de vida. E está fugindo para o fundo da selva pra isso.

Recebi o seguinte e-mail:

From:Professor Alex Smith Chambers
Manchester M27 5FX,
United Kingdom.
This is to inform you that your funds of US$10 Million
has been approved for immediate delivery to you.
For the purpose of clearification,you are advised to
reconfirm your Full
Names,Direct Telephone Numbers,Physical Address with
Zip Code so that there will be no error during the delivery of the funds to you in your country of residence. Your quick response will be highly appreciated. Professor Alex Smith Chambers.

E aí, vocês acham que devo responder?

***

Antigamente, bem antigamente, eu ficava imaginando quem seria o otário que se ocupava de ficar enviando e-mails assim na esperança de atrair algum otário. Hoje eu sei que todo o processo é automatizado, e que como há muitos otários no mundo a operação, seja ela qual for, deve ser rentável.

***

Exemplo de “captcha”

O Nick Carr disse algo fantástico no blog dele outro dia. Ele comentava uma reportagem mostrando que há indícios de que hackers conseguiram inventar uma inteligência artificial capaz de quebrar “captchas”. Para quem não sabe, “captchas” são aqueles inúmeros tipos de confirmação pedidos por sites para alguém comentar ou baixar algum arquivo. A idéia é apenas confirmar que quem está do outro lado é um ser humano, e não um programa de computador automatizado de spam, ou seja, é uma espécie de teste de Turing automático (não à toa, “captcha” significa, precisamente, “Completely Automated Public Turing test to tell Computers and Humans Apart“). O Nick Carr coloca um problemão na mesa: a de que é muito possível que dentro em breve existam AI´s mais inteligentes e espertas para quebrar “captchas” do que pessoas…e que os “bad guys” as desenvolvam primeiro que os “good guys”.

***

E se você achou o “captcha” ali em cima muito difícil, foi por um bom motivo: leia isto.

Eu já fiz neste e em finados blogs alguns posts sobre o fim da privacidade nos dias da internet.  Sim, isto nos parece muito estranho e desconfortável, mas sempre achei que as novas gerações ficarão mais e mais acostumadas com isso.

Pois o site Beautiful Agony dá um passo além: as pessoas podem enviar pequenos filmes mostrando sua “petite mort”, a qual aliás pode ser obtida como lhe der na telha (a sós, com pepinos, com alguém), e o site a exibirá.  No entanto o acesso é pago.

Bem, o modelo de negócio do site indica que é provável que as pessoas cujos orgasmos estão sendo exibidos sejam modelos pagos, e não colaboradores espontâneos.  Mas eu também acho que algo assim mais Wiki vai acabar aparecendo de um jeito ou outro, pra quem gosta.

Como mais da metade dos meus 4,5 leitores já deve estar careca de saber, a Funai divulgou fotos de uma das últimas tribos indígenas isoladas conhecidas. Eles vivem na fronteira entre Brasil e Peru, um lugar ainda remoto, mas já sob ameaça de madeireiros.

A novidade não é tão grande, na verdade. Em setembro de 2007 já haviam sido divulgadas fotos de cabanas feitas provavelmente pela mesma tribo na margem de uma praia fluvial no Peru, e José Carlos Meirelles Júnior, coordenador da Frente de Proteção Etno-Ambiental Rio Envira revelou que a FUNAI já acompanha estes bandos nômades da região há uns vinte anos.

Bem, tem gente que detesta índio. Eu não nutro nenhum sentimento especial por qualquer índio em si _ e olhem que eu conheci o Juruna, que costumava se hospedar na casa de um amigo meu quando ainda era bastante índio, mesmo com o gravador do lado. Mas não consigo deixar de me emocionar com a foto aí em cima, que retrata um momento quase mágico, o do reencontro (não muito amistoso, é verdade) entre irmãos afastados por uns 30.000 anos.

Pois é, nada como um jornalismo isento e responsável. Foi preciso que a segunda grande agência de risco, a Fitch, desse grau de investimento ao Brasil, para que a schadenfreude acumulada na redação do Estadão parisse a seguinte matéria:

Quem avalia as agências de risco?’, pergunta o ‘FT’

Em editorial, jornal britânico diz que previsões das agências muitas vezes são questionáveis

BBC Brasil

LONDRES – Em editorial publicado nesta sexta-feira, 30, o jornal britânico Financial Times pergunta quem avalia as agências de classificação de risco, como a americana Fitch – que na quinta-feira deu grau de investimento ao Brasil -, lembrando que as previsões dessas agências muitas vezes são questionáveis.

É uma boa pergunta e um bom debate, que aliás devia ter sido feito já desde há muito tempo. Interessante é o timing…

Matéria no Estadão mostra que onde há dossiê, há Cayman:

Para Suíça, Alstom usou offshores em propina a tucanos

Pagamentos seriam feitos com base em consultorias de fachada; valor das comissões chega a R$ 13,5 milhões

Seis empresas offshore, duas das quais controladas por brasileiros, teriam sido utilizadas pela multinacional francesa Alstom para supostamente repassar propinas a autoridades e políticos paulistas entre 1998 e 2001. Os pagamentos seriam feitos com base em trabalhos de consultoria de fachada.

Documentos enviados ao Brasil pelo Ministério Público da Suíça, que chegaram ontem ao Ministério da Justiça, revelam que, nesse período, o dinheiro com origem e contabilidade suspeitas soma pelo menos 34 milhões de francos franceses. O valor atualizado das “comissões” supostamente pagas pela Alstom em troca da assinatura de contratos em São Paulo chegaria a aproximadamente R$ 13,5 milhões. Offshores são empresas constituídas em paraísos fiscais, onde gozam de privilégios tributários e proteção por regras de sigilo que dificultam as investigações.

(…)

No período de negociação e da assinatura dos contratos de consultoria estiveram à frente da Secretaria de Energia de São Paulo – que comandava a Eletropaulo – o então genro do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, David Zylbersztajn (deixou o cargo em janeiro de 1998, ao assumir a direção geral da Agência Nacional de Petróleo), o atual secretário de Coordenação das Subprefeituras da cidade de São Paulo, Andrea Matarazzo, que ocupou a secretaria por alguns meses, e o atual secretário estadual dos Transportes, Mauro Arce. Os nomes deles não aparecem na documentação da investigação.

***

Assim o Tio Rei vai morrer de tristeza…

É, Tio Rei ficou mauzão com o resultado do julgamento no STF. Depois de dezoito sôfregos posts, com direito a uma patética carta aberta aos 3 juízes que ainda não haviam votado (“AOS TRÊS MINISTROS DO SUPREMO QUE AINDA NÃO VOTARAM: células-tronco embrionárias, a demonização do catolicismo e a ética reduzida ao puro pragmatismo“), Tio Rei foi comemorar a derrota com “suas mulheres”:

Agora Tio Rei vai sair para jantar com a família, tomar um vinhozinho etc e tal. Dona Reinalda, pois, também vai se ausentar.

Depois que voltou escreveu isto:

Se eu fosse Schopenhauer

Ouvi um estrondo. Estourou algum transformador. Alguns me acham um ser detestável. Tudo bem. É do jogo. Se eu fosse Schopenhauer, em vez de ser só este miserável Reinaldo, não faria diferença. Hoje em dia, sem luz elétrica, a vaca iria para o brejo do mesmo jeito. Só é divertido digitar na penumbra e ver o texto aparecer na tela, como o caminho de uma serpente. Acho que estou me despedindo. Continuarei com o Torres (não, não é o meu caso, petralhada). E depois vou dormir

Assim mesmo, sem ponto final, como se escrevesse no Torre de Marfim. Pelo teor e estilo, eu acho que ele estava “bebo”, tal qual um certo presidente eneadáctilo de quem ele não gosta muito. É a união dos contrários na garrafa.

***

No decorrer da história, produziu pérolas assim:

Nesta quinta-feira, os iluministas realmente iluminaram o debate: coma fogueira em que procuraram assar os que ousaram divergir.

Como se a posição defendida por Direito não tivesse longa tradição e intimidade com a arte do churrasquinho de gente.

***

Curiosamente Tio Rei deixa passar batida uma bandeira dos movimentos liberais e de direita ao redor do mundo, que é a necessidade de conter o ativismo judicial, tema quente nos EUA em matérias que envolvem a Suprema Corte e a possibilidade de mandatários não eleitos (os Justices) acaberem legiferando. Sim, ele até cita o voto de Marco Aurélio criticando os votos de Carlos Alberto Direito, Eros Grau e Ricardo Lewandowski, que implicariam em fazer do Supremo um legislador. Mas apesar disso aparentemente nesse caso o ativismo judicial dos defensores da Adin não indignou Tio Rei. Como se sabe ativismo judicial só é insuportável quando vem do outro lado.

***

O mais engraçado em tudo isso é que nos EUA só há proibição de pesquisas com células tronco financiadas com verbas federais. A indústria privada está livre para, er, “defender a morte” desde que isso traga um bom dinheiro. Já por aqui Tio Rei queria ser mais realista que o rei. O atraso, o atraso…

Linda raposinha?  Humm…not quite.

Dez novas espécies.

O post não é pra todo mundo, mas para quem gosta dessas coisas, eis um belíssimo exemplo de exploração paleontológica da ecologia de um espécime fóssil:

Studies of pterosaur ecology have suffered from the dogmatic attitude that pterosaurs were predominately aerial piscivores living in coastal settings, in spite of steady accretion of evidence that they occupied a variety of ecological roles in a suite of environments. The unusual anatomy of azhdarchids strongly indicates that they had a unique ecology and inhabited unusual environments compared to many other pterosaurs: these details have been overlooked by most authors who have interpreted azhdarchids as marine piscivores occupying niches conventionally considered typical of pterosaurs as a whole. This unusual lifestyle may explain the resilience of azhdarchids to decline in contrast to other Cretaceous pterosaur lineages, few or none of which persisted to the late Maastrichtian as did azhdarchids. It is hoped that this rerevaluation of azhdarchid ecology will inspire much-needed descriptions of azhdarchid material, empirical testing of the hypotheses presented here, and further research into the lifestyles of pterosaurs beyond their flight capability.

Só fico pensando no tempo que um bicho desses ia levar pra decolar…

Eu às vezes até concordo com a Nariz Gelado.

O dia de hoje, em outras eras:

585 B.C. — solar eclipse predicted by Thales of Miletus occurs during the battle of the Halys (another possible date)

20 A.D. — Drusus “Minor”, the son of the emperor Tiberius, celebrates an ovatio for his victories in Illyricum

ca 250 A.D. — martyrdom of Heliconis

Rogue Classicism.

Olho vivo no STF. Deu no Estadão:

A expectativa entre os ministros é de que as pesquisas [com células tronco, n. H.] sejam liberadas por uma maioria apertada em plenário. Os placares mais citados internamente são 6 a 5 ou 7 a 4. Um novo pedido de vista, que poderia novamente interromper o julgamento, está praticamente descartado. Justamente por isso, o presidente do tribunal, ministro Gilmar Mendes, marcou o início da sessão para as 8h30 – o horário normal seria as 14h30.

Ainda segundo o Estadão,

[o Ministro Carlos Alberto] Direito, que é católico, fará uma comparação entre a Lei de Biossegurança aprovada pelo Congresso, que liberou as pesquisas, e legislações sobre o mesmo assunto de diversos países. Uma de suas alegações para proibir as pesquisas está baseada nessa análise. Direito dirá que os países que liberaram as pesquisas fizeram, antes, uma lei para regular o procedimento da fertilização in vitro, pelo qual é obtido o embrião. No Brasil, não há legislação sobre o assunto.

Com argumentos como esse, Direito vai se contrapor, ponto a ponto, ao voto do ministro que relatou o caso, Carlos Ayres Britto. Para que tenha sucesso, porém, precisa obter apoio de pelo menos cinco colegas. O STF é composto por 11 ministros no total.

Já segundo o Valor,

A expectativa dos grupos religiosos contrários ao uso de embriões humanos em pesquisas científicas está no voto do ministro Carlos Alberto Direito. Católico praticante, ele pediu vista do processo, em março, e os religiosos esperam que ele abra uma linha de argumentação contra os votos de Ellen e Britto. Direito poderá apontar algum problema formal no julgamento para evitar que os ministros voltem a debater o mérito da questão, defender que as pesquisas ferem o direito à vida, ou tentar garantir que a discussão sobre células-tronco não crie nenhuma jurisprudência para julgamentos futuros sobre o aborto.

Ou seja, o pau vai quebrar.

Então, vamos combinar assim: de um lado, as geleinhas celulares que jamais virarão gente, seja porque não têm como se desenvolver in vitro, seja porque são geralmente jogadas fora de qualquer jeito; e de outro, milhões de pessoas doentes ou deficientes às quais a Igreja Católica prefere negar a possibilidade de cura porque, afinal de contas, foi Papai do Céu que quis assim, apesar de papas moribundos terem direito a UTI’s móveis.

Façam suas apostas.

Deu no Correio Braziliense:

Responsáveis por carregamento de caixões usados serão indiciados

O delegado-chefe da 33ª Delegacia de Polícia (Santa Maria), João Carlos Lóssio, vai indiciar os responsáveis pelo carregamento de caixões deixados em uma marcenaria, em Santa Maria. Uma das pessoas que será responsabilizada é o dono da funerária Alvorada, Cléber dos Santos. O empresário contratou o marceneiro Jurandir Alves Feitosa, na última sexta-feira, para restaurar 32 caixões que já tinham sido usados.

Isso já parece suficientemente ruim, mas problema é a continuação:

O delegado vai enquadrar os responsáveis no artigo 132 do Código Penal, que prevê prisão de três meses a um ano a quem expõe a perigo a vida ou a saúde de alguém. Também será indiciado Isnair Moraes Simões Rosa, que teria intermediado o contato entre o proprietáro da funerária e o dono da marcenaria. “Como os caixões continham materiais biológicos, como restos de algodão sujos de sangue, e ninguém sabe a causa da morte, essas urnas podem oferecer risco real à saúde de quem entrou em contato com o material”, afirma o delegado.

Me parece que o público, err, “alvo”, não incorre realmente nesse risco…

E no Guardian, as maneiras mais prováveis de morrer:

“Most people will die in bed, but of the group that don’t, the majority will die sitting on the lavatory. This is because there are some terminal events, such as an enormous heart attack or clot on the lung, where the bodily sensation is as if you want to defecate.”

Bem, pelo menos em Londres, certamente.

(via Scholars&Rogues)

Os frutos da social-democracia

Lane Kenworthy arrola alguns fatos sobre a Suécia destinados a espantar esquerdistas e conservadores.

Tópicos que supostamente espantariam esquerdistas:

1. The country has a strong work ethos. The welfare state is generous, but most able-bodied Swedes of working age are expected to be employed. During the 2000s the Swedish employment rate has averaged about 74% of the working-age population, two percentage points higher than in the United States. The share of working-age Swedish households with no employed adult is 5%, the same as in the U.S.

2. Embrace of globalization. Exports and imports total around 45% of Swedish GDP, compared to 15% in the United States. Swedish policy aims to encourage trade and to cushion the adverse impact this inevitably has on some, ensuring their incomes remain at a decent level while they’re unemployed and facilitating transition to a different firm and/or occupation.

3. School choice. Since the early 1990s government funds have been provided not only to public elementary and secondary schools but also private ones, and parents are permitted to choose which school their children attend. This comes with strings attached: private schools wishing to receive the funding cannot base admission on ability, religion, or ethnicity. But in other relevant respects the public schools are forced to compete with private ones.

4. Partially privatized pensions. In the late 1990s a social democratic government introduced a “privatized” element into the Swedish pension system. 2.5% of employee earnings are put into a defined-contribution component. The employee has a variety of choices about how the money is invested. (A key difference between this reform and the one proposed by President Bush several years ago for the U.S.: Swedish payroll taxes were increased so that this added to the existing system, rather than replacing part of it.)

Tópicos que certamente espantariam liberais:

1. Sweden has a competitive economy. In the World Economic Forum’s 2007-08 “competitiveness index,” Sweden placed 4th out of 131 nations. It has been in the top ten, often among the top five, throughout this decade. Like the other Nordic countries (Denmark, Finland, Iceland, and Norway), Sweden has been successful at adapting to the shift from manufacturing to services and to a more globalized and competitive economic environment. These economies have done particularly well in high-tech industries. This owes to, among other things, high-quality educational systems, excellent public infrastructure, heavy R&D investment, and commitment to adaptation.

2. High mobility. For a long time the consensus view among researchers was that egalitarian countries such as Sweden have low inequality but also little mobility, whereas the United States has more inequality but also greater opportunity for upward and downward movement. Recent findings suggest this is wrong. Mobility in Sweden, both between generations and over the life course, is at least is great as in the United States and likely greater.

3. The poor are well-off absolutely, not just relatively. Critics of high taxes and generous government benefits sometimes imagine that these destroy economic growth, so that countries like Sweden have low inequality but also low absolute living standards. In fact, the incomes of those at the bottom of the distribution in Sweden are similar to those of their American counterparts. And Swedes work far fewer days and hours to get those incomes. They also enjoy more plentiful and higher-quality public services, from schools to child care to health care to public transportation to roads and parks.

4. Sweden is heterogeneous. Those skeptical about the applicability of Swedish policies and institutions often argue that to the extent Sweden “works,” it’s because it has an extremely homogeneous population. That was likely true half a century ago, but these days Sweden’s immigrant (foreign-born) share is virtually identical to America’s, at about 13% of the population. What effects this may have over the long run are hard to anticipate, but it’s been that way for more than a decade now.

Feitas as contas, acho que a direita tem muito mais com que se espantar, se levarmos em conta os dogmas de parte a parte.

20 manchetes divertidas.

John Horgan sobre a “Caoplexidade” e seu valor para a ciência econômica:

For all these reasons, I view economics in the same way that the late Clifford Geertz viewed his field, cultural anthropology. Anthropology, Geertz said, “is a science whose progress is marked less by a perfection of consensus than by a refinement of debate. What gets better is the precision with which we vex each other.” (I love that “vex” remark.) Geertz also told me that in anthropology “things get more and more complicated, but they don’t converge to a single point. They spread out and disperse in a very complex way. So I don’t see everything heading toward some grand integration. I see it as much more pluralistic and differentiated.”

Geertz called anthropology “faction,” which he defined as “imaginative writing about real people in real places at real times.” This is postmodernism. Postmodernism does not apply to all of science; science can sometimes achieve absolute, permanent truth. But postmodernism certainly applies to economics and other social sciences. Economists who abhor postmodernism might prefer thinking of their discipline as a branch of engineering. Engineers don’t seek The Truth or The Answer, a unique and universal explanation of a phenomenon or solution to a problem. Engineers merely seek answers to specific, localized, temporary problems, whether building a bridge across the Hudson, reducing segregation in cities or making moola in the stock market. I’m sure Barkley would agree: if you’ve got a model that can make you rich, who cares if it’s True or merely true?”

(hat tip: The Bayesian Heresy)

Houve um tempo em que a Cristandade patrocinou estabelecimentos de tradução de obras em árabe, inclusive do Corão, sob a idéia de que para melhor combater um inimigo deve-se primeiro conhecê-lo.  No more:

“Two political researchers at the University of Nottingham. in he UK, have been arrested under the Terrorism Act for downloading Al-Qaida material from a US government website. The material was to be used for research in terrorist tactics. There has been a huge public outcry, with university staff planning a march to demonstrate against the attack on academic freedom. Yet, one of the students, an Algerian, is still held in custody under immigration charges and is being fast-tracked for deportation.”

Via Slashdot.

Deu na Folha.

Cravo:

Executiva do PT autoriza aliança com PSDB, PPS e DEM em 12 municípios

A Executiva Nacional do PT aprovou nesta segunda-feira que o partido se alie ao PSDB, PPS e DEM em 12 municípios em todo país. A decisão foi tomada no mesmo dia em que o comando petista ratificou o veto à parceria do PT com PSB e PSDB em Belo Horizonte (MG). A justificativa de integrantes da legenda é que a disputa eleitoral em BH tem reflexos nas eleições presidenciais de 2010.

(…)

A Executiva Nacional do PT aprovou hoje a aliança com partidos que fazem oposição a Lula em nível nacional nos seguintes municípios: Palmas (TO) e Montes Claros (MG) que articulam aliança com PPS; já com os tucanos a aliança foi aceita em Linhares (ES), Nova Friburgo (RJ), Criciúma (SC) e Itajaí (SC).

Já a parceria com o DEM foi aprovada pelo comando nacional do PT em Guarujá (SP) e Canoas (RS) e mais uma inusitada aliança dos democratas e tucanos com os petistas em São Vicente (SP) e Cáceres (MT). Segundo interlocutores, essas parcerias foram aprovadas desde que PSDB, PPS e DEM não estejam como cabeça de chapa na aliança com o PT.

Ainda na reunião da executiva hoje foram rejeitados Belo Horizonte, Açailândia (MA), Cláudia (MT), Cabo Frio (RJ) e Xanxerê (SC). Em todos esses casos o PT negociava aliança com o PSDB.

Na sexta-feira e sábado, o Diretório Nacional do PT se reunirá em Brasília. Na ocasião serão apreciados –e votados– os recursos encaminhados pelos diretórios estaduais sobre eventuais alianças consideradas polêmicas.

Ferradura:

Aliança PSDB-DEM deve se repetir em apenas 4 capitais

Na eleição de 2004, tucanos e democratas estiveram juntos em dez capitais; cúpulas dos partidos têm dado aval para o distanciamento

Presidente nacional do DEM, Rodrigo Maia diz que os problemas atuais podem comprometer o futuro da aliança: “É preciso ter cautela”

Desgastada, a aliança entre os principais partidos de oposição ao governo Lula tende a enfraquecer ainda mais na próxima eleição municipal. O PSDB e o DEM calculam estar coligados em apenas quatro capitais do país. É menos da metade do que ocorreu em 2004, quando “demos” e tucanos estiveram juntos em dez capitais (…).

Que ursada

Deu no blog da revista do Estadão:

Cão doutor
por Lola Felix, Seção: Saúde e bem-estar s 14:05:20.

Os cachorros provam que são amigos em diversas ocasiões. Agora, cientistas da Fundação Pine Street, na Califórnia (EUA) querem mostrar que eles podem também “diagnosticar” câncer em humanos, farejando a doença através da saliva ou da urina da pessoa.

Segundo a pesquisa, três semanas seriam suficientes para tornar o cão um verdadeiro doutor. Ainda de acordo com o estudo, o animal pode detectar, entre amostras do hálito humano, qual é o de um portador de câncer de pulmão ou mama. E isto seria feito precocemente, quando a doença ainda não manifestou sinais claros de que está presente no organismo da pessoa.

A fundação realizou um teste que envolveu 55 pessoas com câncer de pulmão e 31 com câncer de mama. Ao mesmo tempo, foram testadas 83 pessoas sem a doença. Os cães conseguiram acertar entre 88% a 97% dos casos.

***

Tudo bem, faz um certo sentido.  Os cães têm entre 200 e 300 milhões de receptores olfativos em seu nariz, contra 5 milhões do homem; nos cães estes receptores estão arranjados em uma área de 150 cm2, contra 5 cm2 do homem.  A detecção não se dá, a princípio, sobre marcadores genéticos característicos de certos tipos de tumores, mas sim de produtos metabólicos típicos de certas células cancerosas, diferentes dos das células normais.

A idéia do pessoal do Pine Street não é fazer do cachorro um auxiliar médico, o que seria, hum, fofo, mas sim descobrir o que os cães estão percebendo e replicar o efeito em equipamentos especialmente construídos para a detecção de substâncias químicas, como cromatógrafos a gás, por exemplo.

Mas que a coisa parece mais de amigo urso do que de cão amigo, parece.

Caetano Veloso, sempre polêmico, na entrevista da 2a na Folha, hoje:

FOLHA – Por que acha que ele é folclorizado? [Mangabeira Unger, n. H.]
CAETANO – Porque todas as pessoas que tentam coisas importantes para o Brasil sofrem com essa inércia de o Brasil ter sido desimportante, uma espécie de salvo-conduto para cada um se mostrar irresponsável na sua área. As pessoas ficam com medo de assumir responsabilidade. Isso é inconsciente, mas é verdade. Brasileiro adora dizer que o Brasil não presta, que a língua portuguesa é uma porcaria, que todo mundo escreve errado e ninguém reclama. Tudo aqui é desrespeitado. Tudo que aponte para um negócio que crie responsabilidade… O Brasil vem fazendo isso, está crescendo, se afirmando, apesar disso… Essa força que puxa para trás, que segura, que dificulta é enorme. Essa reação a Mangabeira é uma manifestação disso.

Na íntegra, abaixo do fold, para os sem-Folha.

Leia o resto deste post »

“Cognitive surplus”

Deu no blog do Daniel Pizza:

Novelas da Globo perdem mais jovens e mais pobres

O público das novelas da Globo encolheu, envelheceu e “enriqueceu” nos últimos anos. Dados do Ibope obtidos com exclusividade pela Folha permitem concluir que a queda de audiência das novelas da emissora está relacionada ao maior acesso de jovens a novas mídias, como a internet, e ao crescimento econômico.
Em 2004, a novela das oito da Globo, “Senhora do Destino”, tinha média de 50,4 pontos no Ibope da Grande São Paulo. O atual título do horário, “Duas Caras”, do mesmo autor, Aguinaldo Silva, terminará nesta semana com média de 41. Em 2004, a novela das seis, “Cabocla”, marcava 34,6 pontos. Em 2008, “Ciranda de Pedra” sofre com 22 pontos.
Em comum, as duas faixas registram a mesma mudança no perfil de audiência.
De cada cem telespectadores de “Senhora do Destino”, 11 tinham de 12 a 17 anos. Em “Duas Caras”, de cada cem telespectadores, só oito estão nessa faixa etária. Por outro lado, as pessoas com mais de 50 anos representavam 24% da audiência de “Senhora”. Hoje, elas são 32% de “Duas Caras”.
Isso quer dizer que as pessoas mais “idosas” permaneceram fiéis ao gênero, diferentemente dos mais jovens.
Mais surpreendente é a mudança no perfil econômico.
De cada cem telespectadores de “Senhora do Destino”, 30 eram das classes A e B, 43 da C e 28 das D e E. Hoje, de cada cem telespectadores de “Duas Caras”, 35 são A e B, 50, C e 15, D e E. Ou seja, aumentou o peso dos telespectadores A, B e C. Já a importância dos mais pobres (D e E) caiu quase à metade, de 28% para 15%.
Segundo a Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (Abep), o crescimento econômico fez parte da classe D migrar para a C, mas não em proporção tão grande quanto à registrada nas novelas. Em 2003, 28% da população da Grande SP eram D e E. Em 2008, os mais pobres são 21,4%.
Uma das explicações para o êxodo dos mais pobres na audiência da Globo pode ser a de Aguinaldo Silva. Ele acredita que parte do público trocou as novelas por DVDs piratas.”

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E a gente fica sem saber o óbvio, isto é, se a queda de audiência da Globo foi acompanhada pelo aumento da audiência de outras emissoras.

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Pode ser, por outro lado, que esse pessoal todo esteja escrevendo blogs ou colaborando para a Wikipedia. Ou pelo menos é a tese do professor Clay Shirky, que acha que durante o período pós-Segunda Guerra a televisão engolfou o “superavit cognitivo” da população, que agora estaria sendo liberado pela Web 2.0. A idéia é criticada pelo Nick Carr neste post, lembrando que antes da Internet as pessoas consumiam seu tempo livre em muitas outras coisas além de ver televisão, como hobbys, música, etc. Mas mesmo hipotecando certa compreensão à crítica do Carr, eu ainda acho que no tocante ao que vem acontecendo com a TV o Shirky está no caminho certo. Pelo menos é o que parece mostrar o fluxo da publicidade, que está indo cada vez mais para a internet.

(hat tip pelo discurso do Shirky: Marcos Messer)

Em uma tacada totalmente sem precedentes, a Nasa conseguiu fotografar a sonda Phoenix durante seu pouso em Marte, graças à sonda orbital Mars Reconaissence Orbiter,  que há dois anos fotografa em alta resolução a superfície do planeta.

Na foto é possível identificar claramente a sonda pendurada em seu pára-quedas.  A MRO fotografa usualmente alvos diretamente abaixo dela, mas para essa foto ela foi inclinada de modo a cobrir a área onde se esperava que a Phoenix aterrisasse.

Deu na Época:

Devassa nos fundos estatais

Diretor da Previ diz que houve corrupção e o governo federal apura socorro bilionário das estatais

A Previ, o maior fundo de previdência do país, caixa dos empregados do Banco do Brasil, esteve envolvida em casos de corrupção, com favorecimento de alguns de seus diretores. (…) O fundo de pensão do Banco do Brasil é importante acionista de duas centenas das maiores empresas instaladas no país – entre elas Embratel, CSN, Vale do Rio Doce, Telemar, Alpargatas, Brahma e Bombril. Nos órgãos federais de fiscalização sempre foi considerado uma autêntica “caixa-preta” pela pouca transparência nos negócios. Pizzolato é um dos três diretores eleitos pelos empregados do banco. São seis no total, metade nomeada pelo governo.

Na semana passada, no Rio de Janeiro, (…) decidiu falar sobre alguns aspectos obscuros que observou na rotina da administração. Ele conta ter se surpreendido, quando assumiu a diretoria, dois anos atrás, com a quantidade de “presentes esquisitos”. Caixas de uísque importado, passagens aéreas para a Europa e passeios de helicóptero eram os mais rotineiros, relata. Estranha, também, era a postura dos empresários privados ao chegar à sede da Previ com propostas de associação. “A todos os projetos havia algo comum”, conta Pizzolato. “O sujeito se propunha a executá-los com o dinheiro do fundo em troca de uma remuneração de valor preestabelecido. Se o negócio desse errado, o empresário já teria ganho a parte dele e o prejuízo seria pago pela Previ.”

Para Pizzolato, a corrupção e o favorecimento na administração dos recursos do fundo de pensão do BB tornaram-se mais difíceis a partir de 1998, quando os sócios passaram a ter o direito de escolher, pelo voto direto, metade da diretoria. (…) Uma evidência da redução nos níveis de negociatas na Previ, acredita, está na reação de empresários habituados aos métodos antigos – os dos “negócios fáceis”, como define.

Dá como exemplo o episódio recente de um acionista de shopping center no Rio que foi à Previ com a idéia de vender sua parte no negócio. Na reunião, a proposta foi recusada.”O empresário reagiu dizendo ‘É preciso enquadrar os líderes dos fundos como na época dos milicos e passar a metralhadora neles’”, conta.

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Ah, a reportagem é de 2001.  Continua:

Há, também, o descontentamento de políticos com o resultado da eleição direta de representantes dos funcionários do Banco do Brasil. Uma coalizão sindicalista de facções de esquerda, liderada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) e pelo Partido dos Trabalhadores (PT), assumiu o controle de metade da diretoria e mais 20 cadeiras dos conselhos fiscal e administrativo da Previ na disputa interna realizada em junho. Pelo voto direto, esse grupo passou a ser decisivo no jogo de poder sobre um caixa de R$ 34,6 bilhões para investimentos. “Ninguém gosta de perder”, diz Pizzolato. “Desde então, nas ante-salas de Brasília parece haver um coral gritando que está na hora de o governo agir e mostrar quem manda no fundo.

Se vocês continuarem com essa história eu pulo, hein?

Deu no Jornal do Brasil:

Minc defende parceria com prefeitura

Se proposta de Cesar Maia for aceita, Ibama não fará mais a gestão do Corcovado

O novo ministro do Meio Ambiente Carlos Minc, não descarta a proposta do prefeito Cesar Maia de transferir a gestão do Corcovado para o município, atualmente sob a responsabilidade do Ibama. A prefeitura planeja criar um sistema de integração de linhas de ônibus com o Metrô Rio, que já demonstrou interesse pelo projeto. Ontem, o Jornal do Brasil mostrou que, apesar do novo sistema implantado pelo Ibama, em 27 de março, o acesso ao Cristo Redentor continua sofrendo com o assédio de motoristas de vans que se adaptaram ao sistema e criaram até um ticket paralelo de R$ 36, com o ingresso oficial de R$ 13 embutido.

– Confesso que ainda não pensei sobre o assunto e não tenho uma posição formada, mas vamos analisar e discutir o caso. Em princípio, uma gestão em parceria parece ser a mais ajustada – comentou Minc. – Vamos restaurar a co-gestão solidária. Sou um homem de diálogo e acho ótima a integração entre o Ibama e o município.

(…)

O subsecretário municipal de turismo, Paulo Bastos, já até criou o slogan: vá de metrô ao Cristo Redentor. Segundo ele, a melhor solução para o acesso ao Corcovado é a criação de uma linha de micro-ônibus integrada ao Metrô Rio, ligando o Largo do Machado ao monumento.

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Realmente, não parece haver muito sentido em que o Ibama  ou por falar nisso, o governo federal gerencie o Corcovado. Agora, botar o Cristo na mão do prefeito maluquinho…é até capaz do Homem voltar de novo pra tirar uma satisfação.

Deu no Correio Braziliense (retransmitido via Ricardo Noblat):

Gastos de senadores mantidos sob sigilo

De Leandro Colon:

Os senadores gastaram R$ 2.739.773,38 desde fevereiro com a verba indenizatória oferecida aos parlamentares, segundo levantamento feito pelo Correio. Desse valor, R$ 1.131.074,55 foram usados para locomoção, hospedagem, alimentação e combustíveis, R$ 550 mil com aluguel de escritório político, R$ 473 mil com consultorias, R$ 388 mil na divulgação da atividade parlamentar e o restante na compra de material de consumo.

Alguns senadores apresentaram despesas arredondadas entre fevereiro e maio, quando, teoricamente, esses gastos deveriam variar mês a mês. Outros ultrapassaram o limite mensal de R$ 15 mil, alguns chegando a dobrar esse valor. Identificar uma irregularidade é uma tarefa quase impossível. O Senado guarda a sete chaves a prestação de contas dessas despesas. E o Tribunal de Contas da União (TCU) analisa isso apenas por amostragem por causa da enxurrada de notas fiscais apresentadas pelos senadores. Ou seja, não há qualquer garantia de que todo esse dinheiro tenha sido usado de maneira regular.

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É o roto falando do esfarrapado.  Mas ainda no capítulo do debate institucional brasileiro e do decoro no relacionamento entre os poderes, temos esta outra notícia muito interessante, também no CB:

Deputados querem fim de caráter vitalício dos cargos de ministros

Em tempos em que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ensaia discutir a possibilidade de rejeitar candidaturas de políticos processados e a Procuradoria-Geral da República lota os gabinetes dos ministros do Supremo Tribunal Federal com denúncias contra detentores de foro privilegiado, um grupo de deputados federais ensaia uma reação e estuda formas de acabar com o caráter vitalício dos cargos de ministros dos tribunais e discute os termos de uma proposta de emenda constitucional (PEC) visando submeter os integrantes de órgãos fiscalizadores – cuja indicação e permanência não dependem do aval de políticos – ao crivo dos legisladores.

A idéia tem ganhado força entre os deputados. Em conversas informais, os parlamentares concordam que é preciso impor limites à permanência no cargo dos ministros dos Tribunais de Contas, do STF e do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Concordam também que a indicação do procurador-geral da República deveria contar com a participação mais efetiva do Congresso Nacional. “Do jeito que está, não temos poder de barganha. Não influenciamos nada e os ministros não consideram os apelos da sociedade na hora de decidir”, comenta um deputado da base do governo que, pelo menos por enquanto, prefere não defender o tema abertamente porque tem processos contra ele tramitando no STF. (…)

“É preciso pensar em leis que tornem os órgãos fiscalizadores mais dependentes dos parlamentares” [diz o deputado Márcio França, N. H.]. Para justificar a idéia, Márcio França afirmou que a “rebeldia” dos órgãos se deve ao caráter vitalício dos cargos. Isso, segundo ele, possibilita que haja um distanciamento grande entre o parlamento e algumas instituições. “Se eles tivessem de ter o nome analisado pela Câmara Federal, pelas assembléias ou até pela sociedade, a coisa seria diferente. Acho que o discurso e as atitudes seriam mais pensadas”, avaliou, durante a conversa presenciada pelo Correio. (…) “Eles mudam, mas não é por nós. Não temos relação com esse processo e isso é ruim. Tem de pensar numa lei, em alguma coisa para mudar isso”, disse França.”

Com um parlamento assim, quem precisa do Paraguai?

Animação de parede em Buenos Aires. É longo.

Interessante, mas pelo número de pichações que o cara apagou no caminho, se tentasse fazer isso no Brasil já tinha ido parar no microondas.

(via Crooked Timber)

Comercial espertinho da Samsung.

Mais uma em Marte.

Wherever exactly it lands, Phoenix will come to rest farther north than any other spacecraft on the Red Planet and will be the world’s first spacecraft to make direct measurements of water on another planet, the first visit the arctic plains on Mars, and the first to experience the up to -100 degrees F temperatures there.

Dizia a Planetary Society, horas antes da confirmação do pouso.

Prezados 4,5 leitores, o Hermenauta vai ali desacelerar o clock.  Estamos de volta na semana que vem.  Bom feriado a todos!

Explica 50%

Deu no Estadão:

Olhar e cor do uniforme influenciam defesa de pênaltis, diz estudo

A cor do uniforme e o olhar do jogador para o goleiro podem influenciar a defesa de um pênalti, sugere um estudo sobre o comportamento dos jogadores realizado na Inglaterra.

(…)

De acordo com os resultados, jogadores que usavam uniformes vermelhos e encaram o goleiro durante 90% da preparação para a cobrança causaram um impacto maior e teriam mais chances de marcar o gol.

A avaliação dos goleiros indicou ainda que a combinação mais fraca, ou seja, aquela que gerou a maior confiança na defesa do pênalti, foi a dos jogadores que vestiam branco e mantinham contato visual por apenas 10% do tempo da cobrança.

A pesquisa indica que, apesar de a cor do uniforme provocar um impacto quando o olhar diretamente para o goleiro acontecia em apenas 10% do tempo da jogada, a coloração da camiseta não influenciava a opinião do goleiro quando o olhar permanecia por 90% do tempo.

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O Ronaldo pode até não usar vermelho, mas depois dos últimos acontecimentos tenho certeza que os goleirões vão tremer nas bases ao encarar aquele olhar fixo…

Matéria no Estadão informa que o famoso chapéu do Indiana Jones, marca registrada do personagem, foi desenvolvido por uma empresa brasileira:

“Exporto para o mercado americano há pelo menos 40 anos. Um dos meus clientes nos EUA patrocinou o filme e me pediu que preparássemos a carapuça, isto é, o chapéu semi-acabado para um personagem de aventura”, diz Paulo Cury, um dos sócios da fábrica.

Indiana Jones foi descrito em detalhes para os Cury, mas ninguém na fábrica sabia que ele seria interpretado por Harrison Ford. Nem que o filme seria aquele. “Só descobri quando fui ao cinema e vi meu chapéu na tela. Não é que não dei importância. Fiquei feliz, claro, mas não imaginava a repercussão”, conta o empresário. A Cury fez oito chapéus para serem usados no figurino, do primeiro ao mais recente filme. “Quando os diretores pegaram a encomenda, já pediram mais 40 mil a 50 mil carapuças, para mandarmos os chapéus semi-acabados. Eles previam que ia ter alguma repercussão.”

De 1981 para cá, a fábrica produziu aproximadamente 500 mil unidades do modelo Indiana Jones, entre os pelo menos 16 milhões de chapéus confeccionados pela fábrica. De acordo com Zakia, há 70 modelos em produção, mas esse número pode subir para 300 se forem contados aqueles feitos para os chamados clientes especiais.

O “chapéu do Indiana Jones” é feito em duas versões: com lã ou com pêlo de coelho. A primeira custa, na loja, R$ 85. A versão mais elaborada, a mesma usada por Harrison Ford, chega a R$ 170. “Na verdade, existem materiais coadjuvantes, mas o pêlo e a lã são os principais.

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Agora resta saber em que sex-shop brasileira George Lucas encomendou o chicote.

Deu no Estadão:

Papagaio perdido volta para casa após explicar onde vivia

O papagaio repetia incessantemente seu nome e o endereço de onde vive, incluindo o número da casa

O papagaio encontrado pela pol�cia japonesa

O papagaio encontrado pela polícia japonesa

TÓQUIO – Um papagaio doméstico que tinha se perdido no Japão foi devolvido a sua casa pela Polícia depois de conseguir comunicar o nome de seu dono e onde ele vivia, informou nesta quarta-feira, 21, a agência local Kyodo.

As autoridades da província de Chiba (centro) capturaram no dia 6 de maio um papagaio-cinza africano que foi levado posteriormente a uma clínica veterinária.

O papagaio repetia incessantemente o nome Nakamura Yosuke-kun, que recebeu de seu dono, Yoshio Nakamura, e o endereço onde vivia, incluindo o número da residência, segundo as autoridades policiais.

***

O espantoso mesmo é o bicho falar isso tudo em japonês.

Por outro lado, nunca ouvi falar de piada de papagaio japonês, um filão com óbvias economias de escala.

***

Mas a coisa não admira tanto assim, porque os papagaios são reconhecidamente aves muito inteligentes, e o papagaio cinza africano mais ainda. Uma bióloga, Irene Pepperberg, estuda esses animais há muitos anos. Aqui, uma entrevista com ela em um dos ScienceBlogs, onde ela fala sobre inteligência animal e sobre Alex, um cinza africano que morreu há pouco tempo e era tido como um fenômeno. Aliás há uma fundação com seu nome, dedicada ao estudo dos cinzas africanos e suas capacidades cognitivas.

Ilustrando a diferença entre genialidade e mero esforço (já que eu li a mesma matéria, quase postei sobre ela mas não encontrei o ângulo certo para isso), Rafael Galvão, que largou o MT e amasiou-se com o WP, fala sobre o êxodo das putas brasileiras para a Europa.

Sim, sim, à semelhança de alguns célebres portais anaeróbicos, Rafael também está sofrendo com o “ass drain“.

Obs:  Rafael Galvão é cronista nato, blogueiro de mão cheia e putanheiro perpétuo das cores nacionais.

A notícia já é velha, mas vá lá: uma equipe de arqueólogos desenterrou um busto de César no fundo de um rio próximo à cidade de Arles.

O busto é unusual pelo seu realismo, e retrata um Júlio César já um tanto enrugado e com pouco cabelo.  Sua cabeça redonda também difere bastante do ideal aquilino de queixo quadrado que anos e anos de filmes hollywoodianos imprimiram à sua figura pública.

O mais interessante é que os arqueólogos desconfiam que o busto foi atirado ao rio logo que chegaram as notícias do assassinato de César _ já que seria pouco sábio se fazer identificar como um apoiador de César nestas condições.  Vê-se portanto que pouco mudou na política nos últimos milênios.

Tio Rei produziu o seguinte post:

Complexo de vira-lata

Nota: subjacente à fala de Minc, está o complexo do subdesenvolvido, do vira-lata, como escreveu Nelson Rodrigues. Os franceses têm Paris; os americanos, Nova York; o Brasil, a Amazônia. Certo, dirá alguém, a selva pode ser mais importante para o futuro da humanidade do que aquelas duas cidades. É, pode ser.

Mas o fato é que se opõem dois lugares em que a cultura humana está em movimento a um outro em que o melhor que pode acontecer – ao menos segundo certo conservacionismo – é nada acontecer.

Eles entram com Pascal, e a gente, com o apito.

***

Tá certo, tá certo, política é política, e ele quer atacar o Minc. Que seja _ deve mesmo ser difícil achar argumentos para atacar um ministro que assumiu o cargo há dois dias.

Mas o argumento é pedestre, certo? Em 11 de setembro de 2001 New York também foi palco da “cultura humana em movimento”. A frase não quer dizer nada, a não ser um chauvinismo antrópico dos mais rasteiros.

A Folha tem alguns esclarecimentos sobre a lei cuja publicação no Diário Oficial noticiei ontem:

Depois de uma série de disputas que se estenderam por seis anos, o Brasil pode, finalmente, dizer: “O cupuaçu é nosso”. A lei que estabelece o produto como fruta nacional foi sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e publicada ontem no Diário Oficial.
O cupuaçu é uma fruta tipicamente nacional. Do mesmo gênero do cacau, é alimento dos povos indígenas da região amazônica. Dela se faz sucos, cremes, sorvetes, geléias, doces e, mais recentemente, chocolate.
O projeto para transformar o cupuaçu em fruta nacional, de autoria do senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), tramitava no Congresso Nacional desde setembro de 2003. À época, ONGs que atuam na Amazônia compraram uma briga pela paternidade da fruta, mobilizadas pela contestação à concessão dos direitos de comercialização da marca “cupuaçu” à empresa japonesa Asahi Foods.
A Asahi criou uma espécie de subsidiária, a Cupuacu International [sem cedilha], que pediu também o registro de patente para os métodos de produção industrial do cupulate, o chocolate obtido a partir da semente da fruta.
A campanha “O Cupuaçu é Nosso” virou, à época, um símbolo da luta de ONGs contra a biopirataria. Foi comparada com o bordão “O Petróleo é Nosso”, pregação que durou seis anos (entre 1947 e 1953) e resultou na criação da Petrobras.
Entidades como a Embrapa e a Ceplac (Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira) comemoraram a sanção da lei. O diretor da Ceplac, Gustavo Moura, defendeu que outras plantas com valor econômico e social fossem protegidas, como o cacau e a seringa.

É bonito quando governo e oposição se unem em prol do cupuaçu, vai dizer?

A Grã-Bretanha acaba de aprovar o uso de “embriões híbridos” para a pesquisa científica:

O uso de embriões híbridos (células animais com material genético humano) em pesquisas está liberado, pelo menos no Reino Unido. Ontem, na Câmara dos Comuns, os parlamentares derrubaram um projeto que tentava proibir o uso dessa ferramenta biológica.
Assim como ocorre no Brasil, no caso do uso das células-tronco embrionárias, os debates de antes da votação de ontem ficaram polarizados.
De um lado a ciência e de outro a religião. O primeiro grupo acabou vencendo. Foram 336 votos contra a proibição e apenas 176 a favor.
Apesar de a emenda contra o uso dos embriões híbridos ter sido apresentada por um parlamentar do Partido Conservador, todos os políticos foram liberados pelo seus partidos para votarem “de acordo com a consciência de cada um”.
O primeiro-ministro britânico Gordon Brown já havia declarado ser favorável ao uso dos embriões nas pesquisas.

No NYT, a bióloga evolucionária Olivia Judson tem um artigo muito bom explicando que diabo são os tais “embriões híbridos”, carinhosamente chamados no jargão em inglês de “cybrids”.   Vale a pena ler.  Também vale a pena ver isso:

Mas hein?  Nunca vi um currículo tão apropriado ao “physique du role“.   🙂

Matéria no Correio Braziliense sobre o trânsito cada vez mais caótico na capital:

O dado mais recente do Detran o último registro, feito na segunda-feira à noite e divulgado na manhã de terça, indica que temos 999.888 veículos. Ou seja, Brasília acordará nesta quarta-feira com mais de um milhão de carros nas ruas. O Detran prepara para a primeira quinzena de junho, um amplo seminário para discutir o problema. Mas, algumas ações já foram colocadas em prática ou sairão do papel nos próximos meses.

Ah, sim?

Um delas é a mudança na forma como os agentes do Detran atuam. Segundo o diretor-geral do órgão, Jair Tedeschi, fiscais “estavam assistindo as coisas acontecerem”. E agora, vão atuar diretamente no foco do problema. “O semáforo deu defeito, o agente vai para lá e faz o controle de tráfego. O veículo enguiçou no meio da pista, ele empurra e tira da rua. Em caso de acidente, tem de agilizar perícia para remover logo os veículos”, exemplificou. A mesma atitude é esperada da Polícia Militar, por meio do batalhão de trânsito e da companhia de size=2polícia rodoviária.

***

Beleza! Quer dizer que a providência a ser tomada é o Detran começar a fazer o que se pensava que ele fazia.  Parabéns, já é um avanço.

Tio Rei critica o mandatário eneadáctilo por falar mal da imprensa:

(…)Lula foi recebido com pedidos de terceiro mandato. Ele rejeitou a hipótese, mas afirmou que vai fazer seu sucessor, sim. E a platéia não teve dúvida: “Olê, olê, olé, olá, Dilmá, Dilmá…” Ironizou as oposições, atribuindo-lhes a afirmação de que ele, Lula, tem é sorte: “Aqueles que achavam que nós íamos levar o Brasil para o buraco, aqueles agora inventaram o seguinte: ‘Ah, o Brasil está dando certo porque o Lula tem sorte. Esse Lula tem uma sorte danada’. Agora, eu pergunto aqui: ‘Quem é a mulher que casa com o homem que não tenha sorte? Quem é o homem que vai casar com uma mulher azarada? Olha, Deus queira que, daqui para frente, o Brasil só eleja um presidente com muita sorte. O cara que tem azar é o cara que perde as eleições.’”

E mandou bala na imprensa: “Nem sempre a imprensa diz tudo o que está acontecendo no Brasil. Às vezes, se a gente quiser saber mais a gente lê a imprensa internacional, que fala bem. Nunca vi como a imprensa espanhola, alemã, americana, inglesa gosta tanto do Brasil. A nossa demora mais para enxergar.”

Eis Lula. Na presença das oposições, afago; na ausência, porrada. No conjunto da obra, em um só dia, ataque às leis ambientais, ao Ministério Público, à Justiça e a imprensa.

Mas o próprio Tio Rei também fala mal da imprensa:

O porre seco jornalístico na cobertura de um incêndio

Chegou a hora de os profissionais que fazem jornalismo na TV, em tempo real, debaterem o seu ofício. Escrevo como assinante da Globo News, se me permitem.

A emissora interrompeu a transmissão do depoimento de José Aparecido para noticiar a suposta queda de um avião da Pantanal em São Paulo. Bom, não era queda coisa nenhuma, mas um incêndio numa fábrica de colchões. A emissora passou a transmitir imagens áreas do local, sem uma miserável informação a respeito. E toca aos pobres apresentadores a tarefa de fazer ilações, especulações e tal. Para vocês terem uma idéia da maluquice, diziam-se coisas como: “A Infraero nega que tenha caído um avião da Pantanal”. Bem, a própria Pantanal já havia negado a queda de uma avião da Pantanal, entendem?

Mudei de canal para ver se a TV Câmara e/ou a TV Senado transmitiam a sessão da CPI. Que nada! Só discursos irrelevantes. Volto para a Globo News. E tome coluna de fumaça. Nem mesmo imagens do local. No desespero, a emissora encontrou a Dona Maria — sim, Dona Maria mesmo —, para dar uma entrevista por celular. Seguem trechos da conversa com os dois apresentadores. Surrealismo puro.

[segue-se diálogo sem pé nem cabeça, n. Hermê]

Você, eventualmente assinante da Globo News, está mais interessado na transmissão do depoimento de José Aparecido ou na de um incêndio sobre o qual os jornalistas não têm nada a dizer e apelam ao testemunho da Dona Maria?

Para piorar, a noite já havia caído, negra, em São Paulo, e a Globo News exibia com a marca “ao vivo” imagens das labaredas, com o sol iluminando o alto dos prédios, num céu raramente azul por essas paragens. Eram imagens de arquivo.

***

Será que vai cair a ficha de que a cobertura do caso Nardoni também era uma “coluna de fumaça”?

Deu no Estadão:

Aparecido isenta Dilma e diz que envio de dados foi ‘engano’

Ex-servidor da Casa Civil diz que nunca falou com ministra e que troca de e-mails não era para constranger

BRASÍLIA – O ex-secretário de Controle Interno da Casa Civil José Aparecido Nunes disse nesta terça-feira, 20, à CPI dos Cartões Corporativos que enviou por engano a planilha de Excel com os gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ao assessor do tucano Álvaro Dias André Fernandes. “Minha reação foi de espanto, não sabia da potencialidade midiática do documento, não tenho memória nem consciência de que anexei o documento e envie a André. Minha intenção era anexar e enviar apenas arquivo de word, se anexei excel, não fiz de maneira deliberada. Foi por engano, foi falha humana, não admito indução”, disse.

***

E o pior é que eu acredito.

Prezados 4,5 leitores, estou realmente bobo.

O post “Leila Lopes e o pornô” não só já é o mais visitado do blog, como também já tem mais do dobro de visitações do segundo post mais visitado.

Como se não bastasse, hoje, 6 dias depois de escrito, o post está experimentando um número recorde de visitações.

O mundo dos blogs é assaz estranho.

Deu no Diário Oficial:

LEI No – 11.675, DE 19 DE MAIO DE 2008

Designa o cupuaçu fruta nacional.

O  P R E S I D E N T E  D A  R E P Ú B L I C A

Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1o O cupuaçu, fruto do cupuaçuzeiro (Theobroma grandiflorum), é designado fruta nacional.

Art. 2o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 19 de maio de 2008; 187o da Independência e 120o da República.

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA

Reinhold Stephanes

Deu no Estadão:

Brasil é 90º em ‘índice de paz global’

País fica atrás de vizinhos, mas à frente dos EUA; Iraque é a nação ‘menos pacífica’.

Segundo o relatório Global Peace Index (Índice de Paz Global), compilado pelo Institute for Economics and Peace e a consultoria britânica Economist Intelligence Unit (EIU), o Brasil caiu sete posições em relação ao ranking do ano passado, o que em parte pode ser explicado pela inclusão de 19 nações no estudo.Na América do Sul, o Chile foi considerado o país mais pacífico, seguido do Uruguai, Argentina, Paraguai e Bolívia. No geral, o Chile também conseguiu uma boa colocação, ficando em 19º.O Brasil ficou com a 7ª posição na região. Venezuela e Colômbia foram considerados os menos pacíficos da América do Sul.Categorias

No ranking geral, o Brasil ficou melhor classificado que os Estados Unidos (97º) e logo acima do México (91º).

O Brasil também ficou à frente da Índia (107º) e da Rússia (131º), porém atrás da China (67º), considerado o mais pacífico entre os países do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China).

Pelo segundo ano consecutivo, o Iraque foi considerado o país menos pacífico do mundo, atrás da Somália, Sudão, Afeganistão e Israel.

O ranking avaliou os 140 países em 24 categorias, entre elas as que avaliam relações com países vizinhos, violência, potencial para ataques terroristas, número da população carcerária, direitos humanos, estabilidade política, entre outras.

A Islândia, que não participou do ranking no ano passado, foi considerada o país mais pacífico do mundo, seguida pela Dinamarca e a Noruega.

***

Não totalmente relacionado mas quase, a Islândia também apareceu como o país com o maior índice de felicidade do mundo, segundo a pesquisa World Values Survey. Matéria do Guardian dá uma dica dos motivos para isso:

Highest birth rate in Europe + highest divorce rate + highest percentage of women working outside the home = the best country in the world in which to live. There has to be something wrong with this equation. Put those three factors together – loads of children, broken homes, absent mothers – and what you have, surely, is a recipe for misery and social chaos. But no. Iceland, the block of sub-Arctic lava to which these statistics apply, tops the latest table of the United Nations Development Programme’s (UNDP) Human Development Index rankings, meaning that as a society and as an economy – in terms of wealth, health and education – they are champions of the world. To which one might respond: Yes, but – what with the dark winters and the far from tropical summers – are Icelanders happy? Actually, in so far as one can reliably measure such things, they are. According to a seemingly serious academic study reported in the Guardian in 2006, Icelanders are the happiest people on earth. (The study was lent some credibility by the finding that the Russians were the most unhappy.)

Oddny Sturludottir, a 31-year-old mother of two, told me she had a good friend who was 25 and had three children by a man who had just left her. ‘But she has no sense of crisis at all,’ Oddny said. ‘She’s preparing to get on with her life and her career in a perfectly optimistic frame of mind.’ The answer to why the friend perceives no crisis in what any woman in a similar predicament anywhere else in the western world might consider a full-blown catastrophe goes a long way towards explaining why Iceland’s 313,000 inhabitants are such a sane, cheerful, successful lot.

***

Pois é, é difícil definir felicidade, muito mais comparar a nossa com a dos outros. Continuo achando complicado eleger a “felicidade” como objetivo de política pública. Aliás, achei um artigo sobre a questão da “felicidade subjetiva” que arrola algumas dificuldades com a medida, e que me pareceram convincentes:

Lack of a common unit of measure

Unlike the unit of currency which is the common thread of economic indicators, we do not have an equivalent measure for happiness: the ‘happiness utile’ does not exist, at least not yet. So there are problems with addition and subtraction, counting things twice or not at all and with preference mapping.

Lost in translation

The interpretation of happiness does not universally translate from other languages to English (Duncan 2005). Happiness is a latter-day derivative of the old English word to ‘hap’ or ‘to happen’ — that is to occur by chance, and thus the word is associated with good fortune, luck and success. An alternative interpretation of happiness is ‘good feelings’. But feeling good could imply being care-free; that is, being irresponsible (for example avoiding taxes) or engaging harmful pleasures. Thus happiness status may be affected by language and how societies interpret the language. Some of the interpretations of the meaning of happiness (for example luck) are not tractable for policy development.

Differences in underlying concepts

Studies of subjective wellbeing rarely take a comprehensive set of measures and often use generic terms such as ‘all things considered, how happy are you’ rather than constructing indicators that target positive and negative emotions (Diener and Seligman 2004).

Transient influences

Subjective happiness appears to vary according to the time of day and seasons (Layard 2005), phases of an economic cycle, population age-profile and differences between expectations and outcomes. Thus the timing of information gathering on happiness status and its interpretation (permanent or transient effects) is an important complicating factor in happiness measurement.

Social and cultural influences

Value systems and the willingness to express values are diverse across countries. This poses considerable difficulty in identifying a particular bundle of social goods that maximises happiness. For example, the Maori people of New Zealand place a spiritual value on fish caught that is not taken into account in standard economic wellbeing (Duncan 2004).

Direction of causation

Some studies suggest that causation appears to run both ways. That is, higher incomes are associated with higher happiness, particularly if the higher income is unexpected or lifts the recipient above subsistence level. Running the other way, happier people are likely to earn higher incomes because they are better able to reach social networks important for income earning (Diener and Seligman 2004).

Self-responsibility

There is a question over the dividing line between self-responsibility and government. As Layard (2005) states, ‘happiness depends on your inner life as much as on your outer circumstances’. An implication is that relevant improvements in public policy will not necessarily result in higher ratings in happiness surveys.

Adaptability and rivalry

Finally, and importantly, there is the question of where do the human characteristics of adaptation and rivalry take subjective happiness literature for policy purposes (Henry 2004). As mentioned in the previous section, the cited explanation for why there is only a weak tendency for richer OECD countries to report higher levels of life satisfaction is that individuals adapt to higher incomes and are driven by the rivalry of social comparisons with other individuals. Suppose that, in respect of subjective happiness, adaptation and rivalry are powerful drivers. Thus, we tend to ‘get over’ anything that happens to us — good or bad, endowed or acquired through the passage of life. On this basis, there is no apparent reason for policy intervention because such intervention would not lift happiness. Layard (2005) has a different view: he mounts the case for growth-suppressing policy intervention. But it seems that Layard unintentionally (obviously) provides an equally strong case for no policy at all.

Proposição:

In the economy of the 21st century, economic and technical innovation is increasingly based on developments that don’t rely on economic incentive or public provision. Unlike 20th century innovation, the most important developments in innovation have been driven not by research funded by governments or developed by corporations but by the collaborative interactions of individuals. In most cases, this modality of innovation has not been motivated by economic concerns or the prospect of profit. This raises the possibility of a world in which some of the sectors of the economy particularly the ones dealing with innovation and creativity are driven by social interactions of various kinds, rather than by profit-oriented investment. This article examines the development of this amateur modality of creative production, and explains how it came to exist. It then deals with why this modality is different from and potentially inconsistent with the typical modalities of production that are at the heart of modern views of innovation policy. It provides a number of policy prescriptions that should be used by governments to recognize the significance of amateur innovation, and to further the development of amateur productivity.

Discuta.

O Guardian tem um obituário de Woody Allen:

The ex cathedra pronouncement that Woody Allen comedies were no longer in vogue came as no great shock to most regular moviegoers, and certainly not to people under the age of 30 (sticklers who prefer comedies that are actually funny), as it had been widely reported in other outlets that the once-revered actor/ writer/director hadn’t made a film worth seeing in years, and nothing vaguely approaching the quality of Annie Hall, Broadway Danny Rose, Manhattan, The Purple Rose of Cairo, or even Bullets Over Broadway. People didn’t talk about Woody Allen movies any more, not even people who had been breathlessly waiting for his latest release since their university days. Allen was a spent force, and – because of his unorthodox parenting style, his unseemly custody battles with ex-partner Mia Farrow and the distressing allegations of child abuse that arose from this contretemps – an embarrassment.

***

De minha parte já não consigo mexer meus pés em direção ao cinema para ver um filme de WA há anos.  Acho que “deu” pra mim no episódio dele do “Contos de Nova York”, que muita gente amou e eu detestei.

É triste quando um artista não sabe quando parar.  Quando este blog começar a ficar insuportável, por exemplo, por favor me avisem.   🙂

maio 2008
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