Fred Buenrostro, CEO do Calpers, o maior fundo de pensão dos EUA (responsável pelas aposentadorias dos funcionários públicos da Califórnia, principalmente professores), pediu demissão.  Disse que vai buscar novas oportunidades no setor privado.

Uma semana atrás, Russell Read, o principal executivo da área de investimentos do Calpers, pediu demissão.  Disse que ia buscar novas oportunidades no setor de investimentos ambientais.

E em janeiro, já havia pedido demissão do Calpers a analista sênior de investimentos Christianna Wood, também perseguindo novas oportunidades no setor privado.

Claro que pode ser mera coincidência.  Porém, diz a matéria do Financial Times que desde a chegada de Read, em 2006, o Calpers perseguiu uma política “mais agressiva” de investimentos _ em relação ao histórico do próprio Calpers _ na área de infraestrutura.  Segundo o analista James Hawley, diretor do The Elfenworks Center for the Study of Fiduciary Capitalism, nos últimos anos o Calpers seguiu a mesma política que outros grandes investidores institucionais _ o que, para alguém que já ouviu falar de “efeito-manada”, não é exatamente uma notícia extremamente reconfortante.

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Bem, só a menina Christianna manejava fundos de 150 bilhões de dólares.  Se algo de podre estiver acontecendo no Calpers, e em outros investidores institucionais de porte semelhante _ aí a casa cai.  Principalmente porque os grandes investidores institucionais são vistos como o último baluarte da boa governança corporativa, como se vê nesse abstract de um texto do próprio James Hawley (Shifting Ground: Emerging Global Corporate Governance Standards and the Rise of Fiduciary Capitalism):

This paper examines the long-term interests that large institutional owners (e.g. CalPERS, Hermes, USS) have in the development of global corporate governance standards, especially as governance standards increasingly become intertwined with other standards and regime parameters involved in the globalization debates. It argues that institutional owners have a unique perspective and voice to contribute to the formulation of global standards in a variety of areas based on their long-term financial interests. This conclusion is supported by an analytic review of the current state of global corporate governance, including multilateral initiatives (e.g. OECD, World Bank); an analysis of significant institutional investors, the role of various rating agencies (e.g. Fitch, Moody’s), the International Corporate Governance Network and the growing role of various NGO’s (e.g. CERES, Carbon Disclosure Project) in relation to corporate governance. Finally, the paper examines the strengths and limitations of the authors’ previously developed arguments about institutional owners as universal owners and the fiduciary capitalism perspective in the context of emerging global corporate governance standards as modified by varying national/regional forms of ownership.” (grifo meu)

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